Vale do Juruá

Benki Piyãko recebe Prêmio Niwano da Paz no Japão e entra para lista de brasileiros já reconhecidos pela honraria

Benki Piyãko, liderança espiritual do povo Ashaninka e fundador do Instituto Yorenka Tasorentsi, recebeu nesta terça-feira, 12 de maio, no Japão, o 43º Prêmio Niwano da Paz, concedido pela Fundação Niwano da Paz. A cerimônia foi realizada na Casa Internacional do Japão e contou com a presença de Munehiro Niwano, presidente da instituição, que reconheceu a trajetória do acreano na defesa da Amazônia, dos povos indígenas e na recuperação de áreas degradadas.

Nascido em Marechal Thaumaturgo, no Alto Juruá, Benki consolidou atuação ligada à proteção da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia e à valorização da cultura Ashaninka, com iniciativas que reúnem educação, reflorestamento, práticas agroflorestais e fortalecimento comunitário na região de fronteira entre Brasil e Peru. A trajetória também inclui enfrentamento à exploração madeireira e ações de vigilância e organização local, em um território que sofreu forte pressão, especialmente a partir da década de 1980, quando a retirada ilegal de espécies como cedro e mogno avançou sobre a floresta.

Criado no Japão para reconhecer pessoas e organizações que atuam em favor da paz a partir do diálogo espiritual, da cooperação entre povos e da defesa da dignidade humana, o Prêmio Niwano costuma destacar trabalhos com alcance internacional. Com a premiação, Benki passa a integrar uma lista curta de brasileiros reconhecidos pela honraria nas últimas décadas: antes dele, Dom Hélder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns receberam o prêmio, em trajetórias associadas à defesa de direitos humanos.

Entre as iniciativas ligadas ao trabalho de Benki estão o Centro Yorenka Ãtame e o Instituto Yorenka Tasorentsi, voltados à formação de jovens, à recuperação de áreas degradadas e ao fortalecimento de sistemas agroflorestais com espécies nativas, frutíferas, alimentos tradicionais e plantas medicinais. A proposta inclui recomposição de solo e proteção de nascentes, com ações voltadas à manutenção da floresta em pé e à autonomia das comunidades que vivem no território.

A Fundação Niwano da Paz associou o reconhecimento à atuação de Benki em um contexto marcado por conflitos ambientais na Amazônia, com registros recorrentes de queimadas, grilagem, garimpo e violência contra defensores do meio ambiente. Para o Instituto Yorenka Tasorentsi, a premiação foi tratada como reconhecimento e responsabilidade, com foco na continuidade do trabalho comunitário no Alto Juruá e na articulação para a proteção territorial e cultural dos Ashaninka.

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