Política

Onde está Gladson após a derrota?

O paradeiro político de Gladson Cameli virou uma pergunta inevitável depois das urnas de domingo.

Derrotado na disputa pelo Senado, o ex-governador praticamente desapareceu dos atos públicos justamente no momento em que sua principal aliada, Mailza Assis, iniciou a campanha do segundo turno para o Governo do Acre.

O silêncio chama atenção porque o próprio Gladson anunciou uma agenda diferente.

Na segunda-feira, em conversa com o jornalista Luis Carlos Moreira Jorge, o Crica, Gladson afirmou que estaria “de cabeça” na campanha de Mailza. Disse ainda que iria a Brasília para participar, ao lado da governadora, de uma conversa com a direção nacional do Progressistas. Depois, seguiria para Manaus para encontrar a família e, na sequência, retornaria a Rio Branco para entrar na campanha do segundo turno.

Mas, até agora, pelo menos publicamente, Gladson não apareceu.

Não foi visto ao lado de Mailza nas primeiras movimentações depois do resultado eleitoral. Também não apareceu nas imagens divulgadas da agenda política da governadora em Brasília.

Na terça-feira, 6, Mailza participou na capital federal da reunião da Federação União Progressista que decidiu formalizar o apoio do PP e do União Brasil a Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. Estavam presentes dirigentes nacionais das duas legendas, entre eles Ciro Nogueira e Antonio Rueda. Nas reportagens e imagens divulgadas sobre o encontro, Gladson não aparece.

Nesta quarta-feira, 7, Mailza voltou a aparecer ao lado de Flávio Bolsonaro em Brasília durante a formalização pública da aliança. Mais uma vez, não há registro divulgado da presença de Gladson.

A ausência ganha ainda mais peso diante do tamanho do revés eleitoral sofrido pelo ex-governador.

Em 2022, Gladson foi reeleito governador do Acre no primeiro turno com 242.100 votos, ou 56,75% dos votos válidos. Quatro anos depois, deixou o governo para disputar o Senado e terminou apenas na terceira colocação, com 145.244 votos, atrás de Márcio Bittar e Mara Rocha.

São quase 97 mil votos nominais a menos em relação à eleição anterior. É verdade que são disputas diferentes — governador e Senado têm sistemas de votação distintos e, em 2026, cada eleitor pôde escolher dois candidatos ao Senado —, portanto a comparação não pode ser feita de maneira automática. Ainda assim, o resultado coloca uma questão política que até poucos meses atrás parecia improvável: qual é hoje o tamanho real da força eleitoral de Gladson Cameli?

Na sexta-feira anterior à eleição, ele ainda estava nas ruas ao lado de Mailza, participando do ato “Abraça Mailza”, na Baixada da Sobral. Na ocasião, falava em vitória e dizia viver o “calor humano” da campanha.

Vieram as urnas. Gladson perdeu. E, desde então, sua presença pública diminuiu drasticamente.

Há ainda outro detalhe que alimenta as perguntas nos bastidores. Na manhã de segunda-feira, um jatinho foi visto deixando Rio Branco com destino a Manaus. Não há confirmação sobre quem estava a bordo, muito menos de que Gladson fosse passageiro. Mas a coincidência desperta curiosidade porque Manaus era justamente o destino anunciado pelo próprio ex-governador ao Blog do Crica para encontrar familiares.

Gladson antecipou a viagem para Manaus? Foi ele quem deixou Rio Branco naquela manhã? Chegou a passar por Brasília como havia anunciado? Se passou, por que não apareceu ao lado de Mailza na reunião partidária?

Até aqui, são perguntas sem resposta pública.

Mais importante do que especular sobre a vida pessoal do ex-governador é observar o significado político de seu silêncio. Gladson deixou o Palácio Rio Branco em abril com a expectativa de conquistar uma cadeira no Senado. Foi durante anos o principal nome do grupo que atualmente governa o Acre e participou ativamente da construção da candidatura de Mailza.

Agora, justamente quando Mailza enfrenta o momento mais decisivo de sua trajetória eleitoral, seu principal padrinho político ainda não apareceu publicamente ao seu lado depois do primeiro turno.

Pode ser apenas uma pausa depois de uma campanha desgastante. Pode ser uma agenda familiar, como o próprio Gladson anunciou. Pode ser também uma reorganização política depois de uma derrota que mudou seu lugar no tabuleiro acreano.

Mas a pergunta permanece.

Onde está Gladson Cameli? Ele está bem?

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