Opinião

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: POR QUE A MELHOR MANEIRA DE COMEÇAR A USÁ-LA É NÃO USÁ-LA?

Qual é a melhor forma de usar as inteligências artificiais?
Essa pergunta aparece frequentemente nas redes sociais, sobretudo nas falas de supostos especialistas que vendem modelos de IA. Mas existe uma maneira realmente adequada de utilizá-las?

A resposta é sim! E pode causar estranheza: a melhor forma de começar a usar a inteligência artificial é, inicialmente, não usá-la. Isso mesmo!

Quando um jovem recorre à IA para resolver qualquer problema, mesmo os mais simples, transfere para a tecnologia aquilo que deveria estar desenvolvendo no próprio cérebro. Nosso cérebro é neuroplástico. Precisa de estímulos, desafios e experiências para desenvolver suas capacidades. Pensar também exige exercício.

Quem se torna excessivamente dependente da IA corre o risco de perder autonomia intelectual, reduzir o esforço criativo e passar a enxergar como complexos desafios que deveria ser capaz de enfrentar. Afinal, não existe desenvolvimento sem esforço, assim como não existe aprendizado sem experiência.

As inteligências artificiais são ferramentas extraordinárias, mas devem funcionar como apoio, nunca como substitutas do pensamento humano. São úteis para corrigir textos, criar imagens, auxiliar pesquisas e organizar informações. Mas seu uso inteligente exige conhecimento prévio, repertório e capacidade crítica.

A história da calculadora oferece uma boa reflexão. A tecnologia facilitou os cálculos, mas não substituiu o aprendizado da matemática. Primeiro aprendemos a raciocinar, compreender e resolver problemas com papel e caneta. Depois utilizamos a calculadora para ganhar agilidade.

Com a inteligência artificial, deveria ser igual: primeiro desenvolvemos nossa capacidade de pensar, depois usamos a tecnologia para ampliar o alcance do pensamento.

A inteligência artificial pode ampliar a inteligência humana. Mas, se deixarmos de exercitar nossa própria capacidade de pensar, corremos o risco de construir uma sociedade tecnologicamente avançada e intelectualmente dependente.

Por Marcelo Siqueira
Doutor em Ciências | Advogado | Professor

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