A governadora Mailza Assis exonerou Jonathan Xavier Donadoni do cargo de secretário de Estado da Casa Civil. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 30, por meio do Decreto nº 14.905-P, assinado no dia 26 de junho. O ato não apresenta justificativa para a saída.
Jonathan Donadoni ocupava uma das funções mais estratégicas do governo. A Casa Civil é a pasta responsável por organizar a tramitação dos atos do Executivo, fazer a ponte institucional entre secretarias e concentrar parte importante da articulação administrativa e política do Palácio Rio Branco.
Donadoni chegou ao comando da Casa Civil ainda na gestão do então governador Gladson Cameli. Em abril de 2022, foi anunciado pelo próprio governo como novo secretário-chefe da pasta, substituindo Rômulo Grandidier. À época, Gladson afirmou que o advogado chegava para “somar” à equipe.
Segundo informações divulgadas pelo governo quando ele assumiu o cargo, Jonathan Xavier Donadoni é advogado, natural de Mato Grosso do Sul e chegou ao Acre em 2006, após ser aprovado em concurso para defensor público do Estado. Antes de comandar a Casa Civil, também atuou como procurador-geral do Município de Cruzeiro do Sul nas gestões dos ex-prefeitos Vagner Sales e Ilderlei Cordeiro.
A exoneração ocorre em meio ao processo de reorganização política e administrativa do governo Mailza. Donadoni era visto como um dos nomes mais ligados ao núcleo de Gladson dentro da máquina estadual, o que dá à saída peso simbólico na formação de uma equipe mais alinhada à atual governadora.
Em abril deste ano, após rumores sobre uma possível saída de Donadoni do governo, Mailza chegou a negar publicamente qualquer mudança no comando da Casa Civil e afirmou que a equipe estava “muito bem organizada”. Pouco mais de dois meses depois, a exoneração foi oficializada no Diário Oficial.
Até o momento, o decreto publicado nesta terça-feira apenas formaliza a saída de Jonathan Donadoni. Não há, no mesmo ato, indicação do nome que passará a comandar a Casa Civil.
Nos bastidores, a exoneração de Jonathan Donadoni é lida como mais um sinal de desgaste entre o grupo de Mailza Assis e aliados ligados ao ex-governador Gladson Cameli. Interlocutores do governo afirmam que parte dos compromissos costurados ainda na transição não estaria sendo cumprida, o que teria ampliado o descontentamento dentro da própria base. Nessa leitura interna, dois nomes aparecem como centrais na condução desse novo arranjo de poder no Palácio Rio Branco: Ney Amorim e Madson Cameli, apontados por fontes como peças de forte influência nas movimentações políticas e administrativas do governo.