Alan Rick critica gastos com shows e diz que governo do Acre deixa saúde em segundo plano

O senador e pré-candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) criticou nesta quinta-feira, 13, os gastos do governo estadual com shows e afirmou que os recursos deveriam ter como prioridade áreas como a saúde. Em entrevista à TV Norte, ele ampliou os ataques à atual gestão e também cobrou resultados na educação, segurança pública e na atração de indústrias para o estado.

“O governo gasta demais com shows ao invés de gastar com saúde”, afirmou Alan Rick. Na sequência, o senador resumiu sua avaliação sobre a administração estadual: “O governo tá errado em tudo”.

A declaração coloca os gastos com eventos no centro do discurso do pré-candidato contra a gestão estadual em um momento de intensificação da disputa pelo Palácio Rio Branco. Alan tem adotado como uma das principais linhas de oposição a comparação entre despesas consideradas não prioritárias e problemas enfrentados em serviços públicos.

Na educação, o senador voltou a mencionar contratos que estão sob investigação da Polícia Federal. Alan falou em R$ 51 milhões e acusou a administração de retirar recursos que deveriam atender áreas como merenda e transporte escolar. A quantia citada corresponde ao valor de contratos investigados na Operação Talha Real, deflagrada pela PF em julho para apurar possíveis irregularidades envolvendo recursos federais do Fundeb. A investigação ainda está em andamento e não há decisão definitiva que comprove desvio de todo o montante mencionado pelo senador.

Alan também acusou o governo de usar ônibus do transporte escolar para transportar pessoas para uma convenção política. “Isso é uma vergonha”, declarou.

Outro alvo foi a estrutura tecnológica das escolas. O pré-candidato criticou a compra de equipamentos sem que, segundo ele, haja conectividade suficiente nas unidades de ensino. “Não adianta comprar tablet, entregar para o aluno. Ele não tem internet na escola. Dinheiro jogado fora. Dinheiro do acreano, do contribuinte”, disse.

O senador ainda cobrou uma política de formação para professores e voltou a relacionar os problemas da educação à situação da saúde pública. Na área econômica, atacou a falta de indústrias em funcionamento na Zona de Processamento de Exportação, em Senador Guiomard, estrutura criada para receber empresas voltadas principalmente à produção e exportação.

A segurança pública completou a série de críticas. Para Alan Rick, o atual modelo não consegue devolver à população a sensação de segurança. “O Estado hoje não tem um modelo de segurança pública que torne ao acreano a sensação de segurança”, afirmou.

Ao concentrar a fala nos gastos com shows e contrapô-los às demandas da saúde e de outros serviços públicos, Alan reforça uma das linhas que pretende explorar na pré-campanha: a discussão sobre prioridades na aplicação do orçamento estadual.

Mailza tem 5 dias para se explicar ao TRE-AC por suposta conduta vedada em isenção do IPVA

A governadora do Acre, Mailza Assis, tem cinco dias para apresentar defesa ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) em uma representação que a acusa de prática de conduta vedada pela legislação eleitoral na concessão de benefício fiscal em ano de eleição. A ação foi apresentada por Republicanos, PSD, Novo e Avante, partidos que integram a Coligação Trabalho da Esperança. A notificação já foi expedida pela Justiça Eleitoral.

O processo questiona a isenção do IPVA de 2026 para veículos novos adquiridos por pessoas físicas entre 1º e 30 de agosto. A medida foi proposta pelo governo estadual, encaminhada à Assembleia Legislativa do Acre em regime de urgência e posteriormente sancionada por Mailza.

Os partidos não pedem a suspensão nem a revogação da isenção. A representação concentra o questionamento na responsabilidade da governadora pela criação do benefício em ano eleitoral e pede que o TRE-AC reconheça a ocorrência de conduta vedada e aplique a penalidade prevista na legislação.

A ação se baseia no artigo 73, parágrafo 10, da Lei das Eleições, que proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, exceto em situações previstas pela própria legislação, como calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

“Não se trata de programa social, de situação de calamidade ou de estado de emergência”, afirma a representação. Os partidos sustentam que a medida criou uma “exoneração tributária temporária e generalizada” em período que coincide com a realização de uma feira de negócios promovida pelo Estado.

A representação também cita decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo benefícios fiscais concedidos em ano de eleição. Entre os precedentes mencionados está um caso relacionado às eleições municipais de 2012, no Paraná, no qual uma lei de iniciativa do então prefeito concedeu isenção tributária e houve reconhecimento de conduta vedada pela Justiça Eleitoral.

No caso acreano, os autores atribuem responsabilidade direta a Mailza por ela ter encaminhado o projeto ao Legislativo e sancionado a medida. “Trata-se, portanto, da agente pública responsável pela iniciativa e pela sanção da norma que instituiu a vantagem”, diz a representação.

Esta é a segunda ação eleitoral recente envolvendo atos do governo estadual. Na semana passada, o Republicanos acionou o TRE-AC em outro processo que questiona cerca de 1,4 mil nomeações realizadas pelo governo durante o período de restrições estabelecido pela legislação eleitoral.

Na nova representação, Republicanos, PSD, Novo e Avante pedem a aplicação da multa máxima, calculada em R$ 106.410. Mailza poderá apresentar sua defesa dentro do prazo de cinco dias. Depois dessa etapa, o processo seguirá para julgamento, e caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve ou não prática de conduta vedada.

Edvaldo acusa governo Gladson de baixa execução e critica nomeações sem capacidade técnica

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o governo Gladson Cameli executou menos de 50% dos recursos disponíveis para investimentos durante os dois mandatos e atribuiu o problema à nomeação de pessoas com baixa capacidade técnica para cargos comissionados. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul.

Edvaldo afirmou que o Estado teve recursos previstos no orçamento para investimentos, mas não conseguiu transformar boa parte desse dinheiro em obras e ações públicas. Para ele, a discussão sobre a capacidade financeira do governo precisa considerar não apenas quanto dinheiro existe no orçamento, mas quanto efetivamente é executado.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado — não é um dinheiro que vai existir, é o dinheiro que existia no orçamento para investimento — e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

O percentual foi apresentado pelo próprio deputado durante a entrevista. Na participação no Jornal da Manhã. Ao explicar o impacto da baixa execução, o parlamentar relacionou investimento público à contratação de obras, geração de empregos e melhoria da infraestrutura estadual.

“Dinheiro de investimento é aquele que gera emprego, porque tu contrata obra, tu faz investimento em infraestrutura, tu faz investimento na agricultura, na infraestrutura da educação, da saúde”, disse.

Edvaldo fez a crítica mais dura ao tratar da composição administrativa do governo. Segundo ele, a dificuldade para executar os recursos disponíveis está ligada à escolha de pessoas sem preparação técnica suficiente para ocupar funções responsáveis pela elaboração e execução de projetos.

“Dos 100% do dinheiro, menos de 50%, a cada ano, ele teve a capacidade de executar. Sabe por quê? Porque encheu nos cargos comissionados de gente com baixa capacidade técnica e não consegue botar um projeto de pé e depois não consegue botar um projeto em execução”, declarou.

O deputado não citou nomes de servidores, secretários ou órgãos específicos ao fazer a acusação. A crítica foi dirigida à estrutura de cargos comissionados do governo Gladson Cameli. Durante a entrevista, não houve resposta de representante do governo estadual às declarações.

Para Edvaldo, a baixa execução dos investimentos tem reflexos diretos na economia porque reduz a capacidade do poder público de contratar obras e movimentar atividades que geram emprego. O parlamentar também relacionou esse cenário à saída de jovens acreanos para outros estados em busca de oportunidades de trabalho.

A alternativa defendida pelo deputado passa por uma reorganização da administração estadual, com maior capacidade técnica para elaborar projetos e executar os recursos disponíveis.

“Nós precisamos ter um novo pacto do desenvolvimento do Estado, onde a gente retome a nossa capacidade de investimento, retome a capacidade de gerar emprego”, afirmou.

Edvaldo também defendeu que o Acre aumente a articulação com o governo federal para conseguir recursos destinados a projetos estruturantes, principalmente para o Vale do Juruá. Na avaliação dele, divergências partidárias não devem impedir que o Estado apresente projetos e dispute investimentos em Brasília.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

A crítica à execução orçamentária foi feita durante a discussão sobre as eleições de 2026. Edvaldo confirmou na entrevista que é pré-candidato a deputado estadual e colocou a capacidade administrativa do Estado, a execução dos investimentos e a geração de empregos entre os temas que pretende defender no debate eleitoral.

Republicanos leva ao TCE denúncia contra quase 14 mil nomeações no governo Mailza

O Republicanos, partido do senador Alan Rick, levou nesta quarta-feira, 12 de agosto, ao Tribunal de Contas do Estado do Acre uma denúncia contra uma sequência de quase 14 mil nomeações, exonerações e movimentações de pessoal atribuídas ao governo de Mailza Assis. A ofensiva empurra a folha de pagamento do Estado para o centro da disputa pelo Palácio Rio Branco num momento em que o Executivo opera sob forte pressão fiscal: no primeiro quadrimestre de 2026, a despesa com pessoal chegou a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e a apenas 0,91 ponto percentual do teto de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Caberá ao TCE separar, dentro do volume apresentado pelo partido, quais atos criaram custo novo para o Estado e quais representam concursos, substituições, remanejamentos ou trocas em cargos já existentes.

O tamanho do número transforma uma rotina administrativa em um problema político. Quase 14 mil atos relacionados a pessoal, apresentados em bloco durante uma campanha apertada, produzem um efeito imediato sobre a opinião pública. O efeito contábil, porém, não pode ser calculado apenas pela quantidade de nomes publicados no Diário Oficial. Uma exoneração seguida de nomeação para outro cargo, por exemplo, pode aparecer duas vezes nos registros sem acrescentar uma única pessoa à folha. Um servidor pode mudar de secretaria, um cargo pode trocar de ocupante e um aprovado em concurso pode entrar no lugar de alguém que se aposentou. A questão central, por isso, não está apenas no tamanho da lista, mas no custo líquido produzido por ela.

A situação fiscal amplia o peso da denúncia. Entre maio de 2025 e abril de 2026, a despesa considerada no cálculo do limite de pessoal chegou a aproximadamente R$ 5,48 bilhões. Ao fim de 2025, o comprometimento da Receita Corrente Líquida estava em 47,99%. Quatro meses depois, atingiu 48,09%. O Executivo ainda permanece abaixo do teto de 49%, mas já atravessou a faixa em que a Lei de Responsabilidade Fiscal começa a fechar portas para decisões capazes de elevar permanentemente o gasto com servidores.

Essa fotografia, no entanto, não nasceu inteiramente no governo de Mailza Assis. Ela assumiu o comando definitivo do Estado em 2 de abril de 2026, depois da saída de Gladson Cameli. O índice de 48,09% considera uma janela de doze meses, de maio de 2025 a abril deste ano. Quase todo esse período ainda pertence à gestão anterior. Mailza recebeu uma máquina que já funcionava acima do limite prudencial, mas também recebeu as amarras criadas por essa condição. Desde a posse, qualquer decisão que amplie despesa permanente com pessoal passou a ser tomada com uma margem inferior a um ponto percentual até o teto legal.

É justamente nessa faixa que o debate jurídico precisa ser separado da guerra eleitoral. A Lei de Responsabilidade Fiscal não transforma automaticamente toda nomeação feita acima do limite prudencial em irregular. O artigo 22 cria restrições quando a despesa total com pessoal supera 95% do limite máximo. No caso do Executivo estadual, cujo teto é 49% da Receita Corrente Líquida, essa barreira intermediária fica em 46,55%.

Acima desse percentual, o poder público enfrenta restrições para conceder vantagens, criar cargos com aumento de despesa, alterar carreiras com impacto financeiro e fazer novas admissões ou contratações. A própria lei, contudo, abre exceções. Reposições decorrentes de aposentadoria ou falecimento em áreas essenciais, como educação, saúde e segurança, recebem tratamento diferente. É dentro dessa fronteira que cada ato precisará ser examinado.

O número levado pelo Republicanos ao TCE, portanto, tem força política imediata, mas não pode ser confundido automaticamente com 14 mil novos servidores incorporados à folha. O Diário Oficial registra uma sequência de decretos que mistura realidades administrativas diferentes. Há exonerações seguidas de novas nomeações, mudanças de lotação, remanejamentos entre órgãos, anulações de atos anteriores, convocações de aprovados em concursos e substituições de ocupantes de cargos comissionados.

Essa diferença muda completamente o tamanho do impacto fiscal. Se um servidor deixa uma função e assume outra no mesmo dia, o Estado pode ter dois atos publicados e nenhum trabalhador adicional. Se um concursado entra para preencher uma vaga aberta por aposentadoria, há uma nova nomeação, mas dentro de uma hipótese que pode ser admitida pela legislação. Se, por outro lado, um cargo comissionado é criado ou preenchido sem substituição, com aumento permanente de despesa, a análise passa a ser outra.

Desde que assumiu o governo, Mailza promoveu sucessivas mudanças na estrutura administrativa. Em 15 de abril, menos de duas semanas depois de receber definitivamente o cargo, uma edição extraordinária do Diário Oficial reuniu alterações em postos estratégicos. Em 22 de abril, uma nova rodada alcançou áreas como Saúde, Assistência Social, Agricultura, Comunicação e Governo, além do Detran. Parte dos servidores apareceu primeiro entre os exonerados e depois entre os nomeados para outras funções, situação que ajuda a explicar por que a contagem de atos não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas que entraram no serviço público.

O movimento continuou nos meses seguintes. Em julho, novas alterações passaram por Deracre, Saúde, Educação, Agricultura, Comunicação, Governo, Administração, Assistência Social, Segurança Pública, Detran, Imac, IMC, Idaf, Acreprevidência e outros órgãos. Os decretos misturavam nomeações, exonerações, mudanças de lotação e atos que tornavam nomeações anteriores sem efeito.

A repetição, a abrangência e o volume dessas mudanças criaram o material político que agora chegou ao Tribunal de Contas. O Republicanos procura transformar os atos administrativos em um questionamento sobre responsabilidade fiscal. O governo, por sua vez, terá de demonstrar a natureza de cada movimento e o efeito real sobre a folha.

No meio dessa disputa estão pessoas que não cabem confortavelmente dentro de um número de cinco dígitos. Entre os atos publicados pelo Estado estão servidores concursados que aguardaram meses ou anos por uma vaga. Na Saúde, o governo nomeou 89 aprovados para diferentes regionais, entre enfermeiros, médicos, técnicos, assistentes sociais, fisioterapeutas e outros profissionais. Na área de segurança, aprovados no concurso da Polícia Penal chegaram a protestar durante a convenção que oficializou a candidatura de Mailza, cobrando convocação.

Para quem passou meses estudando, pagou inscrição, enfrentou provas e esperou a publicação de um nome no Diário Oficial, ser incluído no mesmo pacote de uma nomeação política para cargo de confiança apaga uma diferença decisiva. Um vínculo pode atender a uma necessidade permanente do serviço público. Outro pode decorrer da escolha política de quem ocupa o governo. A legislação, o impacto orçamentário e o interesse público não são iguais nos dois casos.

A denúncia chega ao TCE no momento em que Mailza Assis e Alan Rick travam uma disputa direta pelo governo. O senador teve a candidatura oficializada pelo Republicanos em 25 de julho. A governadora entrou formalmente na corrida dias depois. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou os dois em empate técnico: Mailza apareceu com 35,2% das intenções de voto e Alan Rick com 33,1%, diferença inferior à margem de erro de três pontos percentuais.

Nesse cenário, discutir milhares de nomeações significa discutir muito mais que burocracia. Significa tocar em dois temas capazes de alterar o humor de uma campanha: dinheiro público e distribuição de cargos. Para Alan Rick, a denúncia oferece um caminho para questionar a gestão da adversária a partir das contas do Estado. Para Mailza, a resposta exige demonstrar que a reorganização administrativa não empurrou a folha para uma situação incompatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O uso das instituições de controle também já faz parte dessa disputa. Em junho, a Federação União Progressista, ligada ao grupo político de Mailza, procurou a Justiça Eleitoral para tentar impedir novos eventos de Alan Rick, sob a alegação de propaganda antecipada. O pedido de urgência não prosperou naquele momento por falta de elementos suficientes para uma proibição preventiva. Agora, é o partido do senador que leva um tema de forte repercussão eleitoral a outro órgão de controle.

O fato de uma denúncia surgir no meio de uma eleição não retira automaticamente sua validade. Da mesma forma, o protocolo de uma denúncia não transforma suspeita em irregularidade comprovada. Entre esses dois extremos existe o trabalho técnico que caberá ao Tribunal de Contas: abrir os atos, cruzar datas, identificar cargos, calcular impactos e verificar quais decisões se enquadram nas restrições da legislação fiscal.

A pressão sobre a folha de pagamento já vinha sendo acompanhada pelo TCE antes da ofensiva do Republicanos. O avanço da despesa para além do limite prudencial colocou gestores sob cobrança para conter gastos e preservar a capacidade financeira do Estado. A preocupação não se resume aos salários pagos diretamente pelo Executivo. Restos a pagar, terceirizações e a sustentabilidade da previdência estadual também pesam sobre uma estrutura que precisa financiar hospitais, escolas, segurança, estradas e políticas sociais.

Em julho, durante passagem pela Assembleia Legislativa, o secretário estadual da Fazenda, Amarísio Freitas, defendeu a condução fiscal do governo. “Temos nos esforçado (…) para manter abaixo do limite os gastos com pessoal”, afirmou. A defesa do Executivo parte de um dado objetivo: os 48,09% ainda não rompem o teto de 49%. A margem, porém, é curta, e a própria Lei de Responsabilidade Fiscal cria restrições antes de esse teto ser atingido.

Mailza assumiu o governo com outro desafio político. Depois de anos na condição de vice-governadora, precisava construir uma administração com decisões próprias em pleno ano eleitoral. Mudanças em secretarias, assessorias e cargos estratégicos também fazem parte desse esforço de reorganização. O problema é que a tentativa de imprimir uma identidade própria ao governo encontrou uma folha que já havia cruzado o limite prudencial.

É nessa colisão entre política, administração e dinheiro público que a denúncia ganha dimensão além da eleição. Por trás de cada decreto há uma função exercida dentro do Estado. Pode ser um enfermeiro numa unidade de saúde do interior, um professor diante de uma sala de aula, um policial penal dentro de uma unidade prisional, um servidor deslocado de uma secretaria para outra ou um assessor escolhido para ocupar um cargo de confiança. Colocar todos no mesmo número facilita o discurso político. Separá-los exige auditoria.

A pergunta que agora chega ao TCE não é apenas se o governo de Mailza publicou quase 14 mil atos relacionados a pessoal. É quantas pessoas efetivamente entraram na folha, quais vagas ocuparam, quanto cada decisão acrescentou à despesa, quantos atos corresponderam apenas a trocas internas e quais nomeações ocorreram depois que o Estado já estava acima do limite prudencial.

Essa resposta vai definir o tamanho real do caso. Sem a separação entre novas despesas e movimentações administrativas, o número serve principalmente à campanha. Com a análise individual dos atos, pode revelar se houve expansão da máquina incompatível com a situação fiscal ou se parte relevante da cifra nasceu da soma de procedimentos que não aumentaram o número de servidores.

Mailza governa sob uma folha herdada quase no teto e responde pelas decisões tomadas desde abril. Alan Rick carrega o ônus de provar que a denúncia possui substância para além do impacto de um número de cinco dígitos. No meio dos dois está o Tribunal de Contas, com uma tarefa menos ruidosa que o embate eleitoral e muito mais trabalhosa: separar nome por nome, cargo por cargo, concurso por concurso e descobrir quanto, de fato, cada ato custou ao Acre.

Wherles Rocha confronta Gladson Cameli com condenação no STJ

O ex-vice-governador do Acre Wherles Rocha transformou a disputa em torno da candidatura de Gladson Cameli ao Senado em um confronto direto entre discurso eleitoral e decisão judicial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rocha recupera declarações nas quais o ex-governador se apresenta como “candidatíssimo” e reclama da circulação de “fake news”, intercala as falas com trechos do julgamento no Superior Tribunal de Justiça e sustenta que a condenação criminal e os efeitos eleitorais enfrentados por Cameli não são invenção de adversários. A publicação aparece a poucos dias de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral das eleições de 2026, e leva para o centro da campanha uma pergunta que deverá acompanhar o ex-governador até a análise de seu registro: em que condições jurídicas Gladson chegará à urna de 4 de outubro?

A construção do vídeo é calculada para produzir contraste. Primeiro aparece Gladson falando aos apoiadores. “Eu só tô aguardando chegar o dia 16 pra mim ir pra rua pedir voto. Candidatíssimo, senhor. É candidatíssimo ao Senado”, afirma no trecho utilizado por Rocha. Em seguida, o ex-governador coloca a decisão nas mãos do eleitor: “Quem vai julgar, no julgamento meu, é 4 de outubro. O eleitor vai dizer se ele me quer como senador”. Rocha corta a fala e muda o ambiente da peça. Sai o palanque, entra o tribunal. Sai a promessa de campanha, entram trechos relacionados ao julgamento conduzido pela Corte Especial do STJ.

A data escolhida por Gladson para falar em ir às ruas não é casual. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro de candidatura. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. É justamente nesse intervalo, entre o registro e o início oficial da campanha, que a situação de Cameli se tornou um dos pontos mais delicados da eleição acreana.

Rocha interpreta a referência de Gladson às “fake news” como uma tentativa de empurrar para o terreno da desinformação aquilo que já passou pelo julgamento do STJ. “Vocês viram aí um sujeito chamar de fake news sua condenação e inelegibilidade”, diz, antes de reproduzir trechos ligados ao voto da ministra Nancy Andrighi. O vídeo assume, a partir daí, um tom de acusação política, mas a base jurídica central utilizada pelo ex-vice-governador existe: Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. O STJ também determinou multa e indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre. A Corte decretou ainda a perda do cargo de governador, embora Cameli já tivesse deixado o Palácio Rio Branco para abrir caminho à tentativa de retornar ao Senado. O julgamento não foi unânime em todos os pontos, mas a maioria acompanhou a relatora Nancy Andrighi na condenação.

É nesse ponto que o vídeo de Rocha ganha peso para além da troca de ataques entre dois personagens da política acreana. Durante anos, Wherles Rocha e Gladson Cameli estiveram do mesmo lado. Em 2018, formaram a chapa que venceu a eleição para o Governo do Acre no primeiro turno: Gladson como governador e Rocha como vice. Ainda nos primeiros meses daquela administração, Rocha chegou a celebrar publicamente a parceria entre os dois. Agora, sete anos depois daquela chegada conjunta ao poder, o antigo vice usa uma condenação criminal do ex-aliado como matéria-prima de um dos ataques mais duros lançados contra o projeto de Gladson para 2026.

Os trechos judiciais reproduzidos no vídeo remetem ao núcleo da Ação Penal 1.076. A acusação sustentou que Gladson liderava uma organização criminosa formada por núcleos político, familiar e empresarial. No julgamento, Nancy Andrighi afirmou que servidores de alto escalão e integrantes do grupo familiar teriam participado de uma estrutura criada para permitir fraudes em contratos e desvio de dinheiro público. O STJ registrou que a investigação alcançou a contratação da Murano Construções e relações empresariais que, para a acusação, serviram à movimentação e ao desvio de recursos.

A ministra também tratou de pagamentos relacionados a um apartamento de alto padrão em São Paulo e a um veículo de luxo de propriedade do então governador. Na avaliação acolhida pela maioria da Corte Especial, movimentações financeiras reunidas no processo ligavam recursos desviados ao enriquecimento de Gladson e de integrantes de seu núcleo familiar. A defesa contestou essa versão, negou participação do então governador na condução dos contratos e sustentou a nulidade de provas obtidas durante as investigações. O próprio STJ registrou essas teses defensivas ao divulgar o resultado do julgamento.

A condenação de maio também não ficou congelada naquele dia. Em 5 de agosto, a Corte Especial rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa. O resultado manteve a pena e deixou a discussão sobre uma eventual reversão ou suspensão dos efeitos da decisão para novas medidas judiciais.

É justamente aí que a palavra “inelegibilidade”, repetida por Rocha no vídeo, precisa ser compreendida fora da linguagem do confronto eleitoral. A legislação prevê inelegibilidade para condenados por determinados crimes quando a decisão já transitou em julgado ou foi tomada por órgão judicial colegiado. O Tribunal Superior Eleitoral reúne jurisprudência específica sobre a incidência da regra em condenações criminais desse tipo. Há, ao mesmo tempo, mecanismos judiciais que permitem buscar a suspensão cautelar da inelegibilidade enquanto recursos são examinados. A existência da condenação, portanto, não impede que o Progressistas apresente o pedido de registro de Gladson; abre, porém, uma disputa judicial sobre a possibilidade de ele efetivamente concorrer.

Essa diferença é importante porque o próprio Cameli procura deslocar a batalha para 4 de outubro. Quando diz que será julgado pelo eleitor, ele transforma a urna em argumento político. O problema é que existem dois julgamentos em planos diferentes. O eleitor pode escolher politicamente quem deseja representar o Acre, mas é a Justiça Eleitoral que examina se cada nome colocado pelos partidos reúne as condições legais para disputar o cargo. O calendário do TSE estabelece que os pedidos de registro, inclusive os impugnados, devem passar pelo julgamento das instâncias ordinárias antes do primeiro turno.

Rocha explora exatamente essa fratura. Sua peça não tenta discutir detalhes processuais durante vários minutos. Faz algo mais simples e mais eficiente politicamente: coloca lado a lado a imagem de Gladson dizendo que está pronto para pedir votos e a voz do Judiciário descrevendo os crimes pelos quais foi condenado. “Não é fake news, não é opinião, não é perseguição, é a Justiça falando”, afirma o ex-vice-governador. A frase é a síntese do vídeo e também a escolha narrativa de Rocha: impedir que a discussão sobre a candidatura seja reduzida a uma briga de versões entre adversários.

Ao final, o vídeo ainda incorpora uma antiga entrevista de conteúdo policial em que um homem fala, de forma irônica, sobre roubo, desemprego e a estrutura mobilizada pelo crime. O personagem não é identificado no material transcrito e não há elemento que permita relacioná-lo diretamente a Gladson Cameli ou ao processo da Operação Ptolomeu. Dentro da edição feita por Rocha, o trecho funciona como provocação e recurso de ironia, não como prova relacionada à ação penal.

A gravação chega ao eleitor num momento em que campanha e processo judicial passaram a correr quase na mesma velocidade. Em 15 de agosto termina o prazo para os registros. Em 16, começa a propaganda. Em 4 de outubro, o Acre escolherá dois senadores. Entre essas três datas está uma batalha jurídica que Gladson precisa enfrentar e uma batalha política que seus adversários já decidiram explorar.

Para Wherles Rocha, a estratégia é especialmente carregada de significado porque ele não fala de um personagem distante. Fala do homem com quem dividiu uma chapa, uma vitória eleitoral e o início de um governo. O vídeo transforma essa antiga proximidade em combustível político. O ex-vice não precisa reconstruir toda a Operação Ptolomeu para atacar. Deixa que as imagens de Gladson e os trechos do julgamento se choquem diante do eleitor.

A disputa de 2026 no Acre passa, assim, a ter também uma batalha pela definição das palavras. Gladson fala em “fake”, candidatura e julgamento popular. Rocha responde com condenação, inelegibilidade e STJ. Entre os dois discursos existe um fato que não depende da propaganda de nenhum dos lados: em 6 de maio, Gladson Cameli foi condenado por um colegiado do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão. O que ainda será decidido é o alcance definitivo dessa condenação sobre sua presença na eleição.

Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

MPAC apura irregularidades na queda de ponte em Sena Madureira e vai à Justiça por documentos

A queda de parte da ponte Frei Paulino Baldaçari, em Sena Madureira, ocorrida no dia 5 de junho, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Acre (MPAC) sobre possíveis falhas no projeto, na execução, nos materiais utilizados e na fiscalização da obra. As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Adailson Oliveira, exibida no jornal Gazeta em Manchete desta segunda-feira (10).

A apuração conduzida pelo promotor Júlio César de Medeiros também busca esclarecer se alertas anteriores sobre as condições do terreno foram ignorados. Um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico do Brasil já apontava a ocorrência do fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo que atinge as margens do rio Iaco e provoca instabilidade do solo.

Mesmo com o histórico de erosão na área, a ponte foi construída no local. A investigação agora busca determinar qual foi o grau de participação do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da construtora Cidade nas decisões tomadas durante o planejamento e a execução da obra.

Risco às famílias e medidas cobradas

Com o desmoronamento do barranco ainda em andamento, o Ministério Público cobrou da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Acre a retirada das famílias que vivem nas proximidades da ponte. Existe o risco de que o avanço da erosão alcance residências instaladas na área.

O MPAC também deu prazo de 15 dias para que a Polícia Civil conclua o laudo pericial sobre o desabamento e solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma investigação sobre os contratos firmados entre o poder público e a empresa responsável pela obra.

Técnicos do Ministério Público também devem realizar uma avaliação independente para verificar se foram feitos estudos adequados do solo e se as dimensões dos pilares da ponte atendiam aos padrões técnicos e de segurança exigidos para uma estrutura construída em uma área sujeita à erosão.

Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. O caso mais grave foi o do juiz aposentado Ednaldo Muniz dos Santos, que segue em tratamento médico fora do Acre.

Documentos viram alvo de impasse e MPAC vai à Justiça

Outro ponto revelado pela reportagem de Adailson Oliveira envolve a dificuldade enfrentada pelo Ministério Público para obter a documentação completa da obra. O MPAC requisitou os arquivos, mas recebeu respostas divergentes sobre quem estaria de posse dos documentos.

O Deracre informou que os papéis estavam com a construtora Cidade. A empresa, por sua vez, afirmou que a documentação estaria com o órgão estadual. Diante do impasse, o Ministério Público decidiu recorrer à Justiça para obrigar a apresentação dos arquivos necessários à continuidade das investigações.

A Procuradoria-Geral do Estado também encaminhou ao MPAC um documento no qual sustenta que o governo não deveria ser responsabilizado pelo desabamento. O argumento apresentado é de que a contratação foi feita de forma integral, abrangendo desde a elaboração do projeto até a execução da obra.

O promotor Júlio César de Medeiros rejeitou a tese de afastamento da responsabilidade do Estado e afirmou que a atuação do Deracre será apurada em todas as etapas, desde a escolha e aceitação do local da construção até a fiscalização da obra e a existência de seguro que pudesse reduzir eventuais prejuízos aos cofres públicos.

“É preciso investigar a participação do Deracre em todos os níveis. Começa por aceitar a obra em local reconhecidamente com erosão, passa pela fiscalização, até o seguro da obra, que poderia ressarcir o prejuízo do Estado”, afirmou o promotor.

Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?