Política

Melissa Sampaio e Paloma Sales reagem a vídeo de Michelle Melo e cobram coerência na defesa das mulheres

Manifestações foram publicadas após deputada abordar caso de violência inserido no debate político; Melissa afirma que sua história não pode ser reduzida a uma disputa partidária

Melissa Sampaio e a influenciadora digital acreana Paloma Sales se manifestaram, nesta terça-feira, 4, em resposta a um vídeo publicado pela deputada estadual Michelle Melo. Nas declarações, as duas defendem que mulheres que ocupam cargos públicos podem ser questionadas sobre seus posicionamentos e cobram coerência na defesa das vítimas de violência.

Melissa, que afirma ter sofrido agressões e aguardar há anos uma resposta da Justiça, publicou uma série de comentários diretamente na postagem da parlamentar. Ela declarou que decidiu se manifestar como mulher, mãe e, principalmente, como a pessoa que teria vivido os fatos discutidos publicamente.

“Faço isso como mulher, como mãe e, principalmente, como a vítima desta história. Uma vítima que, há anos, aguarda uma resposta da Justiça e que não pode permanecer em silêncio diante de um debate que, mais uma vez, parece esquecer quem realmente sofreu a violência”, escreveu.

A manifestação ocorreu após Michelle defender, conforme mencionado pelas duas mulheres, que nenhuma mulher deveria ser responsabilizada pelos atos praticados por outra pessoa. Melissa concordou com essa premissa, mas afirmou que esse nunca foi o centro do questionamento.

“Concordo que nenhuma mulher deva responder pelos atos de outra pessoa. Esse nunca foi o ponto. Toda mulher merece respeito. Mas também é preciso lembrar quem é a verdadeira vítima deste caso: a vítima é quem sofreu as agressões, foi silenciada, convive até hoje com as consequências da violência e continua aguardando uma resposta da Justiça”, declarou.

Melissa também cobrou uma postura mais firme da deputada em relação às mulheres que denunciam violência e aguardam decisões judiciais. Segundo ela, a cobrança feita a agentes públicos não representa tentativa de responsabilizar uma mulher pelos atos de terceiros.

“Quem representa o povo precisa, sim, ser cobrado. Isso não significa responsabilizar uma mulher pelos atos de outra pessoa. Significa exigir coerência de quem ocupa um cargo público e se propõe a representar toda a sociedade, especialmente quando se trata da defesa das mulheres”, afirmou.

Em um dos trechos mais diretos, Melissa declarou que a defesa das mulheres não pode depender de conveniências ou alianças.

“A defesa das mulheres não pode ser seletiva, nem variar conforme o contexto político”, escreveu.

Melissa diz que história foi inserida no debate político

Na continuação da manifestação, Melissa afirmou que seu caso não deveria ser transformado em instrumento de disputa partidária. No entanto, declarou que, depois de sua história ter sido inserida nesse ambiente, também passou a ter o direito de apresentar publicamente sua versão.

“O meu caso não pode ser reduzido a um discurso político. Nunca foi minha intenção politizar a minha história. Mas, a partir do momento em que ela passou a ser utilizada em um contexto político, também não posso abrir mão do direito de me manifestar no mesmo contexto e apresentar a perspectiva de quem viveu os fatos”, disse.

Melissa afirmou ainda que existem vídeos divulgados pela imprensa nos quais, segundo ela, o acusado teria admitido uma agressão. Também declarou que os episódios não teriam ocorrido uma única vez, mas ao longo do relacionamento. As afirmações são apresentadas por Melissa como parte de seu relato e permanecem relacionadas a um caso cuja resposta judicial, segundo ela, ainda é aguardada.

“Trata-se da minha vida, da violência que sofri e da Justiça que continuo aguardando”, afirmou.

Ao final, Melissa criticou eventuais questionamentos sobre o momento em que decidiu apresentar a denúncia. Para ela, a análise deve se concentrar nos fatos relatados, e não na conduta da pessoa que denuncia.

“O que precisa ser analisado é o crime que foi cometido, e não os motivos que levaram a vítima a denunciar. O tempo da denúncia não apaga os fatos, não elimina a violência e não retira da vítima o direito de buscar Justiça quando encontra forças para romper o silêncio”, escreveu.

“Minha luta nunca foi política. Sempre foi por justiça”, concluiu.

Paloma Sales questiona posicionamento da deputada

A influenciadora e maquiadora Paloma Sales também publicou um vídeo em resposta à deputada. Ela iniciou destacando os índices de violência contra a mulher no Acre e afirmou que o tema não pode ser adiado ou tratado apenas como parte de uma disputa política.

Paloma defendeu que a presença de mulheres na política é necessária, mas ponderou que ocupar um cargo público não impede cobranças ou questionamentos por parte da sociedade.

“Ocupar um lugar de poder não é escudo contra questionamento. Pelo contrário. Justamente porque uma mulher na política está carregando sonhos e direitos de tantas outras mulheres, ela precisa responder pelo que defende. Quem representa, presta conta”, afirmou.

A influenciadora também declarou que questionar uma agente pública sobre suas posições não representa machismo.

“Questionar uma mulher sobre o que ela apoia ou não não é machismo. É um direito de qualquer cidadão, com ou sem partido”, disse.

Segundo Paloma, ninguém estaria tentando atribuir a uma mulher a responsabilidade direta por atos praticados por outra pessoa. O questionamento, de acordo com ela, está relacionado ao posicionamento adotado diante de uma denúncia de violência.

“Quem defende a pauta das mulheres não pode ser conivente com a violência. E ser conivente também é uma forma de violência. Silenciar é uma forma de violência”, declarou.

Na legenda da publicação, Paloma resumiu sua crítica:

“Quem escolhe ignorar a violência contra a mulher não pode dizer que luta por todas. Não é porque não foi julgado que não foi violência.”

Ao final do vídeo, a influenciadora dirigiu uma pergunta à deputada Michelle Melo.

“O seu discurso é para realmente defender as mulheres ou é por conveniência política?”, questionou.

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