Levantamentos invertem a liderança entre Mailza e Alan, mas mantêm Bocalom em terceiro, com números próximos; discrepância exige explicações antes da votação
A três dias da eleição, duas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, 1º de outubro, apresentam retratos radicalmente diferentes da disputa pelo Governo do Acre. Os números publicados pelo ac24horas exigem explicações públicas.
O Data Control coloca Mailza Assis na liderança, com 40,5%, contra 28,8% de Alan Rick. O JC Continental RO apresenta o cenário inverso: Alan tem 43,3%, enquanto Mailza registra 23,2%.
Mailza varia 17,3 pontos entre os levantamentos. Alan, 14,5. A vantagem de 11,7 pontos para Mailza transforma-se em vantagem de 20,1 pontos para Alan: uma inversão de 31,8 pontos na distância entre ambos.
São diferenças muito superiores às margens de erro anunciadas, de três e 2,8 pontos. Os períodos de coleta coincidem em cinco dias e terminam na mesma data, 30 de setembro.
Outro aspecto chama atenção. Enquanto os dois primeiros candidatos parecem disputar eleições diferentes conforme o instituto, Tião Bocalom permanece em terceiro, com 12,1% no Data Control e 13,6% no JC Continental. Uma diferença de apenas 1,5 ponto.
Bocalom acumula cinco mandatos de prefeito, três em Acrelândia e dois em Rio Branco. Tem uma trajetória de gestão e um conjunto de obras e realizações apresentados durante a campanha. Sua presença nas ruas e a exposição desse histórico tornam legítimo perguntar: por que sua candidatura permanece nesse patamar?
Obras e campanha ativa não se convertem automaticamente em votos. Mas a rejeição de 28,3% atribuída a Bocalom pelo Data Control tampouco estabelece um teto eleitoral ou impede seu crescimento e eventual vitória. Esse indicador, isoladamente, não explica sua permanência em terceiro.
O contraste exige esclarecimento: como levantamentos tão divergentes sobre Mailza e Alan chegam a números tão próximos para Bocalom?
A resposta exige dados. Cobertura territorial, seleção dos entrevistados, ponderação, abordagem e questionário podem produzir resultados distintos. Quais dessas escolhas explicam tamanha discrepância? Os institutos precisam demonstrá-las.
A divergência, isoladamente, não prova fraude. Entretanto, cenários tão incompatíveis às vésperas da votação podem alimentar narrativas de vitória antecipada e influenciar a percepção sobre quais candidaturas são competitivas.
Onde estão as iniciativas de fiscalização? O Ministério Público Eleitoral e os legitimados para questionar pesquisas examinaram esses levantamentos? Há pedidos de esclarecimento ou impugnações?
As regras do TSE preveem controle judicial mediante provocação e mecanismos para conferir procedimentos e dados de coleta. É preciso acionar esses instrumentos com fundamentos técnicos.
Registro eleitoral não substitui explicação metodológica. O eleitor merece saber como esses números foram produzidos. Transparência e fiscalização precisam chegar antes do voto.