A saída de Sula Ximenes da presidência do Deracre pode ter mais coisa por trás do que a versão oficial deixou aparecer. Publicamente, a ex-gestora alegou falta de condições administrativas, orçamentárias e operacionais para continuar no comando da autarquia. Nos bastidores, porém, a conversa já aponta para outro ponto sensível: o dinheiro da Operação Verão.
A operação foi lançada pelo governo Mailza com discurso de força-tarefa, máquinas em campo, recuperação de ramais, pontes e frentes simultâneas em todo o Acre. O anúncio oficial falou em mais de R$ 70 milhões em investimentos, com parte dos recursos destinada aos ramais e outra fatia federal voltada a Cruzeiro do Sul.
A informação que circula entre fontes políticas é que Sula teria reagido após perceber que o caixa prometido para sustentar a operação não estaria disponível como havia sido combinado. A versão de bastidor fala em manobra envolvendo recursos de emenda de bancada e em mudanças no destino de parte do dinheiro que deveria irrigar a recuperação de ramais.
O reflexo disso já teria chegado ao Juruá. Empresários de Cruzeiro do Sul ligados ao setor de obras e ramais teriam se deslocado a Rio Branco para entender o que aconteceu com os recursos e com o planejamento da operação.
A pergunta que fica é simples: se a presidente do Deracre deixou o cargo alegando falta de condições para trabalhar, em que pé está, de fato, a Operação Verão anunciada pelo governo? No palanque, a promessa é de máquinas nos ramais. Nos bastidores, a dúvida é se há dinheiro suficiente para cumprir o que foi vendido à população.
Vale lembrar que o mês de junho já passou, com poucas chuvas, muito sol e quase nenhuma obra nos ramais do Acre. Estamos de olho, os moradores da zona rural também, sofrendo com estradas com péssimo acesso e sem obras, mais um anos.