O vazamento de um áudio nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de uma negociação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Na gravação, Flávio cobra repasses e trata Vorcaro como “irmão”, em um diálogo que ganhou repercussão imediata em Brasília e virou combustível para a oposição ao bolsonarismo no Congresso.
A publicação do material veio acompanhada de mensagens e registros que descrevem tratativas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, com menções a intermediários e a uma estrutura de pagamentos para viabilizar o projeto. As reportagens que divulgaram o conteúdo afirmam que parte dos recursos teria sido enviada ao exterior e citam documentos e planilhas ligados aos aportes. Um dos números apontados é o pagamento de pelo menos US$ 10,6 milhões em 2025 para o financiamento do longa, além da referência a um valor total estimado de R$ 134 milhões nas tratativas.
A crise atingiu o comando do PL ainda nas primeiras horas após a divulgação. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que não tinha conhecimento do assunto ao ser questionado, enquanto aliados passaram a discutir internamente o impacto político do episódio, com atenção especial ao desgaste sobre Flávio em um cenário pré-eleitoral já aquecido.
Flávio Bolsonaro negou irregularidade e enquadrou a conversa como busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem uso de dinheiro público e sem Lei Rouanet. A linha de defesa adotada pelo senador tenta separar a negociação do debate sobre favorecimento político e sustenta que o conteúdo não envolve recursos do Estado.
No campo governista, o caso foi incorporado rapidamente à estratégia de pressão institucional. Bancadas do PT na Câmara e no Senado passaram a defender que o episódio fortalece o argumento para tirar do papel uma CPI mista voltada ao Banco Master e às relações de Daniel Vorcaro em Brasília. O foco da articulação é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem líderes petistas atribuem o poder de dar andamento ao requerimento. Para o partido, o conteúdo do áudio e o contexto dos registros anexados à divulgação mostram proximidade e cobrança por repasses, o que justificaria investigação parlamentar.
A divulgação do áudio ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre a atuação do banqueiro e suas conexões políticas. Com a gravação, o financiamento do filme passou a ocupar o centro do debate público, com potencial de desdobramentos no Congresso e efeitos diretos no tabuleiro eleitoral de 2026.