Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Bocalom agradece apoio de Nikolas e associa visita ao Acre à pauta da Amazônia

Tião Bocalom afirmou nesta quarta-feira, 20, em Rio Branco, que foi ao evento do PL no auditório da Uninorte para agradecer pessoalmente o apoio recebido do deputado federal Nikolas Ferreira na eleição municipal de 2024. Ao explicar a presença no encontro, disse que fez questão de cumprimentar o parlamentar e reconhecer a ajuda recebida durante a campanha. “Como o Nikolas foi uma figura importante pra mim na minha eleição de prefeito, eu tô aproveitando esse momento que ele está vindo e vim aqui pra pelo menos dar-lhe um abraço e agradecer pelo que ele fez na nossa eleição”, afirmou.

O agradecimento foi o centro da manifestação de Bocalom no evento e veio acompanhado de elogios à articulação do senador Márcio Bittar para levar Nikolas ao Acre. Segundo ele, a visita do deputado ajuda a dar visibilidade nacional aos problemas enfrentados pela população amazônica. “Eu vejo que o Márcio acertou em cheio quando ele traz o Nikolas pra conhecer os problemas da nossa Amazônia”, disse.

Ao desenvolver a fala, Bocalom voltou a defender que a discussão sobre a Amazônia inclua a população local no centro das decisões. “Parece que querem cuidar apenas das árvores e dos bichos e esquecem que o mais importante na Amazônia é o nosso querido ser humano”, declarou. Em seguida, disse que “o desenvolvimento sustentável passa obrigatoriamente pela qualidade de vida do ser humano” e avaliou que Nikolas pode ampliar esse debate fora do Acre.

Bocalom também afirmou que a passagem do deputado pelo estado ajuda a expor a realidade da região a partir da perspectiva de quem vive nela. “Eu acho fundamental essa vinda do Nikolas para conhecer de verdade e in loco os problemas da nossa Amazônia e principalmente do nosso povo da Amazônia”, disse. Na mesma linha, acrescentou que o parlamentar pode levar adiante a ideia de que a floresta não pode ser tratada de forma separada da população local.

No mesmo evento, Bocalom declarou que mantém relação política com o PL, apesar de não estar mais na sigla. “O PL é um parceiro, é um partido de direita. Todo mundo sabe que eu sou de direita”, afirmou. A fala reforçou a tentativa de manter proximidade com o campo conservador ao mesmo tempo em que concentrou sua participação no ato em um gesto de agradecimento a Nikolas e na defesa de uma pauta que une Amazônia, desenvolvimento e qualidade de vida.

Áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vira crise política e reacende pressão por CPI do Banco Master

O vazamento de um áudio nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de uma negociação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Na gravação, Flávio cobra repasses e trata Vorcaro como “irmão”, em um diálogo que ganhou repercussão imediata em Brasília e virou combustível para a oposição ao bolsonarismo no Congresso.

A publicação do material veio acompanhada de mensagens e registros que descrevem tratativas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, com menções a intermediários e a uma estrutura de pagamentos para viabilizar o projeto. As reportagens que divulgaram o conteúdo afirmam que parte dos recursos teria sido enviada ao exterior e citam documentos e planilhas ligados aos aportes. Um dos números apontados é o pagamento de pelo menos US$ 10,6 milhões em 2025 para o financiamento do longa, além da referência a um valor total estimado de R$ 134 milhões nas tratativas.

A crise atingiu o comando do PL ainda nas primeiras horas após a divulgação. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que não tinha conhecimento do assunto ao ser questionado, enquanto aliados passaram a discutir internamente o impacto político do episódio, com atenção especial ao desgaste sobre Flávio em um cenário pré-eleitoral já aquecido.

Flávio Bolsonaro negou irregularidade e enquadrou a conversa como busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem uso de dinheiro público e sem Lei Rouanet. A linha de defesa adotada pelo senador tenta separar a negociação do debate sobre favorecimento político e sustenta que o conteúdo não envolve recursos do Estado.

No campo governista, o caso foi incorporado rapidamente à estratégia de pressão institucional. Bancadas do PT na Câmara e no Senado passaram a defender que o episódio fortalece o argumento para tirar do papel uma CPI mista voltada ao Banco Master e às relações de Daniel Vorcaro em Brasília. O foco da articulação é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem líderes petistas atribuem o poder de dar andamento ao requerimento. Para o partido, o conteúdo do áudio e o contexto dos registros anexados à divulgação mostram proximidade e cobrança por repasses, o que justificaria investigação parlamentar.

A divulgação do áudio ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre a atuação do banqueiro e suas conexões políticas. Com a gravação, o financiamento do filme passou a ocupar o centro do debate público, com potencial de desdobramentos no Congresso e efeitos diretos no tabuleiro eleitoral de 2026.