Coluna Jornal da Manhã

Jornal da Manhã em Coluna – 14 de julho de 2026

A coluna desta terça-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Mazinho Rogério e Gledson Albano.

A BR parou, mas a pergunta ficou

A BR-364 foi interditada por produtores rurais que decidiram transformar em protesto uma pergunta que já atravessa os ramais do Juruá há tempo demais: cadê o dinheiro dos ramais?

Não foi uma manifestação de luxo. Foi cobrança de quem vive na lama, depende da estrada para sair de casa, levar filho para a escola, receber atendimento de saúde e tirar a produção do roçado.

O bloqueio aconteceu na região da Vila Lagoinha, nas proximidades da escola Raimundo Calpe, e durou mais de sete horas. Carros pararam nos dois sentidos. A fila incomodou quem passava, mas o ramal ruim incomoda o produtor todos os dias.

Máquina não é solução quando o serviço não resolve

Mazinho Rogério esteve no local e ouviu agricultores da região do Ramal 2 e de ramais adjacentes. O relato é simples: até existe máquina em alguns pontos, mas o trabalho não resolve o isolamento.

A diferença é grande. Uma coisa é dizer que tem máquina no ramal. Outra é fazer o serviço que permite o carro passar, o médico chegar, o transporte escolar funcionar e a produção sair.

Segundo os moradores, raspagem não basta. O que eles cobram é recuperação de verdade: bueiro, ponte, aterro, camada vegetal, drenagem e intervenção nos pontos críticos.

Ramal não se recupera com fotografia de máquina. Recupera-se com estrada trafegável.

O verão está passando

O ponto mais sensível é o calendário. Julho já chegou ao meio, o verão amazônico está em curso e a janela para trabalhar nos ramais não espera discurso.

Quando a chuva volta, a desculpa também volta. Por isso a cobrança ficou mais forte. Produtor rural conhece o tempo melhor que muito gabinete. Ele sabe quando a terra permite serviço e quando a lama toma conta.

A pergunta feita no programa foi direta: onde está a Operação Verão?

Protesto sem necessidade?

O representante do Deracre ouvido pela reportagem classificou a manifestação como “sem necessidade”. A frase pesou.

Para quem está no gabinete, pode parecer exagero. Para quem mora no ramal, é sobrevivência. A bancada reagiu porque a fala não combina com a realidade narrada pelos agricultores.

O Deracre informou que há equipes trabalhando, que uma programação está em andamento e que o novo diretor deve vir a Cruzeiro do Sul para conversar com as comunidades. Os produtores aceitaram encerrar o bloqueio, mas deixaram o aviso: se nada acontecer, a cobrança volta.

Cadê o dinheiro dos ramais?

Chico Melo levou ao ar uma análise sobre os repasses do Deracre para prefeituras em 2026. Dos R$ 26,17 milhões empenhados, apenas R$ 475 mil aparecem com menção direta a ramais. Desse valor, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados, mas sem pagamento.

O restante está em convênios genéricos de infraestrutura, tapa-buraco, combustível, transporte fluvial e apoio municipal.

A conta política é simples: se o governo anuncia recuperação de ramais, a população quer saber onde estão as frentes de serviço, qual empresa executa, quanto foi pago, qual trecho foi medido e quando o ramal fica trafegável.

Sem isso, sobra a pergunta que virou manchete no protesto: cadê o dinheiro dos ramais?

TCE deveria entrar antes do problema

A bancada também defendeu que o Tribunal de Contas do Estado atue de forma preventiva na fiscalização dos recursos destinados aos ramais.

A sugestão é que os pagamentos sejam liberados a partir de medições claras do serviço executado. Primeiro o ramal é feito. Depois, com medição, vem o pagamento.

A lembrança da Operação Fata Morgana voltou ao programa justamente porque ramal já foi assunto de polícia no Acre. Quando o dinheiro público passa por estrada de barro, a fiscalização precisa passar junto.

A balsa está no Remanso

Outro assunto que voltou ao Jornal da Manhã foi a balsa do Deracre localizada no Porto do Remanso, em Cruzeiro do Sul.

Segundo a bancada, a equipe do Sistema Integração foi checar a informação e confirmou que a balsa está no local. A informação recebida pelo programa é que ela estaria funcionando.

A pergunta, então, fica ainda maior: se funciona, por que não está servindo a travessia entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul?

A subida e a descida da balsa em Rodrigues Alves seguem como problema conhecido. Basta uma chuva para a situação piorar. Enquanto isso, o Estado precisa explicar por que uma estrutura pública estaria parada ou fora da função que poderia atender diretamente a população.

Jéssica falou, mas a dúvida continuou

Na política, a ex-deputada Jéssica Sales confirmou a pré-candidatura a vice-governadora na chapa de Mailza Assis e disse que a decisão foi guiada pela fé.

Rogério Wenceslau tratou a declaração com cautela. Para ele, só dá para acreditar completamente quando a ata da convenção do MDB estiver assinada, a federação Progressistas/União Brasil formalizar a chapa e o registro chegar ao TRE.

A leitura é política, não pessoal. O MDB passou dias indo e vindo, conversando com um lado, olhando para outro e tentando se valorizar no tabuleiro.

Quando a confirmação sai depois de pressão pública, ela resolve uma parte da crise, mas não apaga o histórico da negociação.

MDB ainda parece no modo espera

A ausência inicial de Jéssica no lançamento da composição deixou ruído. O pai, Vagner Sales, falou. O partido se movimentou. Mas a própria pré-candidata demorou a aparecer.

Na avaliação da bancada, isso deixou a aliança com cara de acordo mal digerido.

O MDB pode até ficar onde está. Mas, até a convenção, ninguém deve se surpreender se a sigla ainda fizer novas curvas.

Ataque a jornalista não responde número

O programa também comentou ataques recebidos nas redes sociais após publicações do Sistema Integração.

Chico Melo afirmou que comentário não é apagado, mas lembrou que cada pessoa deve ser responsável pelo que escreve. A bancada também falou em ameaças e disse que deve registrar boletim de ocorrência.

O ponto central é outro: quando uma matéria traz número, a resposta precisa vir com número. Xingamento não substitui dado. Perfil falso não substitui documento. Ataque pessoal não responde execução financeira.

A indústria dos eventos

A discussão sobre os gastos da área de indústria voltou ao programa.

A bancada reagiu a críticas contra matéria publicada pelo Integração Net e afirmou que o governo precisa explicar, com dados, por que uma pasta que deveria olhar para indústria, inovação e geração de emprego concentra tanto recurso em eventos, feiras, shows e estruturas temporárias.

O comentário foi direto: no Acre, cresceu a indústria do entretenimento. Mas, quando a luz do palco apaga, a conta fica.

Avião de Gladson continua no aeroporto

O Jornal da Manhã também voltou ao caso da aeronave registrada em nome do ex-governador Gladson Cameli.

Segundo o programa, o avião modelo Baron 58, de prefixo PT-WGK, continua no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul. A aeronave foi relacionada às medidas judiciais da Operação Ptolomeu e permanece sem informação pública sobre eventual liberação, transferência ou mudança de condição.

Rogério Wenceslau explicou que aeronave apreendida não funciona como carro levado para pátio policial. Ela fica no aeroporto, bloqueada, sem poder ser usada.

O caso segue pedindo esclarecimento oficial.

Boato sobre recurso

Ainda sobre Gladson, Rogério comentou um boato que circulou em Rio Branco sobre possível julgamento de recurso que poderia abrir caminho para candidatura ao Senado.

Segundo ele, até a checagem feita no dia anterior, não havia recurso pendente de julgamento no sistema consultado por suas fontes. Se aparecer decisão, será notícia. Mas, até ali, o boato não se sustentava.

Crédito de carbono e dinheiro futuro

A bancada também voltou a questionar as negociações do governo em torno de crédito de carbono e a busca por recursos internacionais.

O ponto levantado foi a tentativa de antecipar valores futuros. A pergunta é prática: se o dinheiro vier, onde será aplicado? Qual o plano de trabalho? Quem fiscaliza? Que comunidades serão beneficiadas? Que contrato existe?

Viagem internacional, foto e entrevista não bastam. Quando a cifra é grande, a transparência precisa ser maior ainda.

Copacabana interditada

Em Cruzeiro do Sul, Gledson Albano informou que a Avenida Copacabana segue interditada por causa dos serviços de recuperação.

A prefeitura iniciou trabalho de drenagem, terraplanagem e preparação para asfaltamento. A orientação para os motoristas é procurar rotas alternativas, especialmente quem segue em direção ao centro da cidade.

Polícia teve casa incendiada, prisão no rio e assalto

Na área policial, Gledson Albano destacou uma ocorrência de violência doméstica no bairro João Alves. Após uma briga de casal, um homem teria ateado fogo em um colchão, e as chamas se espalharam pela casa. Ele foi preso pela Polícia Militar com apoio da Rotam.

No bairro Militar, um homem suspeito tentou fugir pelo Rio Juruá depois de ser visto com objeto semelhante a arma de fogo. A equipe do Giro conseguiu uma embarcação, perseguiu o suspeito e fez a prisão. A arma apreendida era artesanal, calibre 22.

A PM também informou o cumprimento de três mandados de prisão no fim de semana. Segundo o balanço apresentado no programa, o 6º Batalhão já retirou de circulação 112 pessoas com mandado em aberto em 2026.

Também foram registrados um acidente na AC-405, envolvendo um estudante de 13 anos atingido por uma motocicleta, e um assalto no bairro do Alumínio, onde dois homens armados roubaram uma moto e fugiram em direção ao Remanso.

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