Fumaça encobre Manaus e queimadas crescem 74% na Amazônia em setembro

Uma camada de fumaça provocada pelas queimadas encobriu Manaus, capital do Amazonas, e foi registrada por satélites da Nasa nos últimos dias. As imagens mostram a concentração de fumaça sobre a cidade e municípios próximos, em meio ao aumento dos incêndios na região. O problema vai além do território amazonense: em setembro de 2026, o bioma Amazônia registrou crescimento de 74% nos focos de calor em comparação com o mesmo mês de 2025, com altas também no Pará, Acre e Rondônia.

Na sexta-feira (9), Manaus chegou a registrar o pior índice de qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma IQAir. O indicador atingiu 366 pontos, classificação considerada perigosa, enquanto a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 258,2 microgramas por metro cúbico. A poluição levou à suspensão de aulas presenciais em escolas e instituições de ensino superior, além de alterações no funcionamento de serviços públicos.

A situação foi registrada por equipamentos da agência espacial norte-americana. Uma imagem captada em 8 de outubro pelo satélite Terra, equipado com o sensor MODIS, mostra focos de incêndio e extensas camadas de fumaça nas proximidades de Manaus e Iranduba. Outro registro, consultado na plataforma Worldview na sexta-feira (9), mostra a fumaça espalhada por diferentes áreas do Amazonas.

O avanço das queimadas acompanha o período de estiagem na Amazônia, quando a redução das chuvas e a vegetação ressecada favorecem a propagação do fogo. A maior parte dos incêndios florestais na região tem origem em atividades humanas, como o uso do fogo para limpeza de terrenos, formação de pastagens e abertura de áreas desmatadas. Em condições de seca, essas queimadas podem escapar do controle e alcançar áreas de floresta.

Os números de setembro mostram o crescimento das ocorrências em diferentes estados. No Amazonas, foram contabilizados 3.726 focos de calor, contra 942 no mesmo mês de 2025, aumento de aproximadamente 296%. No Pará, os registros passaram de 2.967 para 5.224, crescimento de 76%. Em Rondônia, o total subiu de 388 para 515, uma alta de 33%.

No Acre, o número passou de 840 focos em setembro de 2025 para 877 no mesmo período deste ano, aumento de 4,4%. O estado também registrou crescimento de 80% em relação a agosto de 2026, quando foram identificados 487 focos. Entre janeiro e setembro, o território acreano acumulou 1.461 registros, com setembro concentrando o maior volume mensal do ano.

Considerando todo o bioma Amazônia, setembro terminou com 12.562 focos de calor, diante dos 7.211 contabilizados em setembro do ano passado. Apesar do crescimento, o resultado de 2026 ainda foi o segundo menor para o mês desde 2002, quando começou a série de comparação com o atual satélite de referência. A diferença mostra que a piora recente não significa necessariamente que as queimadas tenham atingido os níveis históricos mais elevados.

No Amazonas, o avanço continuou em outubro. Entre os dias 1º e 7, foram registrados 644 focos, contra 277 no mesmo intervalo de 2025, aumento de 132,5%. No acumulado de janeiro a 7 de outubro, o estado somou 6.901 focos de calor, quase o dobro dos 3.559 identificados no período correspondente do ano anterior.

Além dos incêndios, a fumaça representa um problema de saúde pública. As partículas liberadas pela queima da vegetação podem permanecer suspensas na atmosfera e ser transportadas pelo vento para municípios distantes das áreas atingidas pelo fogo. A exposição pode causar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.

Diante da situação em Manaus, a Defesa Civil emitiu alertas recomendando que a população reduza a exposição à fumaça, evite atividades físicas ao ar livre e utilize máscaras de proteção, preferencialmente do tipo PFF2, quando precisar sair de casa.

O Ministério do Meio Ambiente informou, na sexta-feira (9), que o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando no combate a outros 20. O governo federal também anunciou o reforço das operações com seis aeronaves e 290 brigadistas.

O cenário mantém a preocupação com a continuidade da estiagem e o risco de novos incêndios. A expansão das queimadas compromete áreas de vegetação, afeta a fauna, libera gases de efeito estufa e amplia a exposição da população amazônica à poluição atmosférica. O monitoramento por satélite permite acompanhar a distribuição dos focos de calor, mas cada registro representa uma detecção térmica, não necessariamente um incêndio isolado ou uma medida da área destruída.

Gleici diz que sua vida mudou antes do BBB e defende programas sociais ao reafirmar voto em Lula

A acreana Gleici Damasceno, campeã do Big Brother Brasil 2018, usou as redes sociais nesta sexta-feira (9) para responder às críticas recebidas após declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um vídeo, ela relembrou a infância na zona rural do Acre e afirmou que sua trajetória de superação começou muito antes da participação no reality show, graças ao acesso à energia elétrica, à educação e a programas sociais.

A manifestação ocorreu depois que internautas atribuíram sua ascensão financeira exclusivamente à vitória no programa da TV Globo. Gleici contestou os comentários e contou que, durante a infância, sua família viveu em uma comunidade rural sem eletricidade.

“Só venceu na vida por causa do BBB. Esta foi a frase que eu mais li na postagem que eu fiz falando que eu voto no Lula. Queria tanto que essa tivesse sido minha única batalha na vida, mas não foi”, declarou.

A ex-BBB lembrou que a chegada do programa Luz para Todos representou uma mudança nas condições de vida de sua família e de outros moradores da região.

“Eu cresci na zona rural do Acre. Lá não tinha energia elétrica. Eu vi o Luz para Todos chegar na minha casa e vi as pessoas muito felizes, com dignidade. E isso é vencer na vida para muita gente”, afirmou.

Gleici também falou sobre as dificuldades enfrentadas pela mãe, que trabalhou como empregada doméstica para sustentar os filhos. Segundo ela, o Bolsa Família ajudava a complementar a renda familiar e permitia a compra de materiais escolares.

A acreana recordou ainda que foi a primeira pessoa da família a ingressar no ensino superior, por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Para ela, a conquista representou uma transformação em sua vida antes mesmo da exposição nacional conquistada em 2018.

“Vencer na vida também, acho que essa foi a minha maior vitória, foi quando eu consegui ser a primeira da minha família a entrar numa faculdade, através do Prouni”, contou.

Ao responder aos críticos, Gleici reconheceu que a participação no BBB ampliou suas oportunidades profissionais e financeiras, mas argumentou que já havia conquistado espaço no mercado de trabalho e avançado nos estudos antes de entrar no programa.

“Eu já estava avançando na vida, eu estava ascendendo na vida, eu estava com um trabalho bom, eu estava estudando. O BBB passou ali pela minha vida, obviamente, e eu consegui ascender mesmo, de uma vez por todas”, afirmou.

A vencedora do reality também rejeitou a interpretação de que seu apoio ao presidente seria uma demonstração de gratidão pessoal. Segundo ela, garantir acesso à educação e a condições básicas de vida é uma responsabilidade do poder público.

“Não é que aí você tá votando por gratidão. Isso é obrigação do governo”, declarou.

Gleici encerrou a manifestação com uma crítica à ideia de que sucesso pessoal deve ser medido apenas pela riqueza ou pela fama. Ela defendeu que as políticas públicas precisam alcançar principalmente a população de baixa renda.

“O nosso país é muito desigual, profundamente desigual, e a gente ainda precisa trabalhar muito para que todo mundo tenha equidade. Ainda tem gente precisando de comida na mesa, ainda tem gente precisando de oportunidade para estudar”, afirmou.

A manifestação ocorre durante a campanha do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrenta Flávio Bolsonaro (PL). Gleici já havia anunciado publicamente seu voto no petista no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno das eleições.

Após 26 anos, Acre volta a confirmar casos de sarampo e reforça vigilância na fronteira com o Peru

O Acre voltou a registrar casos confirmados de sarampo após 26 anos. Nesta quinta-feira (8), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou a doença em dois pacientes vindos do Peru e atendidos em Rio Branco. A identificação do vírus mobilizou equipes de saúde em municípios da fronteira e na capital, com monitoramento de pessoas que tiveram contato com os pacientes e ações de vacinação para evitar a transmissão.

De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), os últimos casos confirmados no Acre haviam ocorrido em 2000, quando 11 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Naquele ano, seis casos foram registrados em Rio Branco, três em Acrelândia, um em Mâncio Lima e outro em Plácido de Castro.

Os novos pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, moradores de Puerto Maldonado, no Peru. Antes de receberem atendimento em Rio Branco, eles passaram pelos municípios de Assis Brasil e Brasileia. A criança está internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto a mulher permanece hospitalizada, sem sinais de gravidade.

Apesar da confirmação, ainda não é possível afirmar que o vírus esteja circulando no Acre. A Sesacre investiga onde ocorreu a infecção e considera a possibilidade de que os pacientes tenham contraído a doença fora do território brasileiro. A classificação definitiva como casos importados dependerá da conclusão da investigação epidemiológica.

O trajeto percorrido pelos pacientes levou as autoridades sanitárias a ampliar o acompanhamento na região de fronteira. As equipes dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) trabalham na identificação de contatos e na avaliação de possíveis exposições ao vírus.

A Secretaria de Saúde também programou ações de bloqueio vacinal em Brasileia e em duas unidades hospitalares de Rio Branco: o Hospital de Urgência e Emergência (Huerb) e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into). A vacinação será direcionada às pessoas com indicação, conforme avaliação das equipes de vigilância.

Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a cobertura vacinal contra o sarampo chegou a 98,69%. O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que as equipes estão mobilizadas para acompanhar a situação.

“Não há, até o momento, evidência de transmissão sustentada do vírus em Rio Branco, e temos uma cobertura vacinal de 98,69%. Estamos trabalhando para identificar rapidamente qualquer situação suspeita e adotar as medidas necessárias. A vacinação continua sendo nossa principal ferramenta de proteção”, declarou.

A população deve manter a caderneta de vacinação atualizada. O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por partículas respiratórias, e pode provocar febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite.

Pessoas que apresentarem esses sintomas devem procurar atendimento médico e informar possíveis viagens recentes ou contato com pessoas infectadas. A recomendação é evitar escolas, locais de trabalho e outros ambientes coletivos enquanto houver suspeita da doença, até receber orientação de um profissional de saúde.

Acre será o único estado do país sem mulheres na Assembleia Legislativa em 2027

O Acre será o único estado brasileiro sem nenhuma mulher no Parlamento estadual a partir de 2027. As eleições deste domingo (4) definiram os 24 deputados que vão compor a próxima legislatura da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), e todas as vagas foram conquistadas por homens.

O resultado elimina a representação feminina atualmente existente na Casa. Hoje, três das 24 cadeiras são ocupadas por mulheres: Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil). As três disputaram a reeleição em 2026, mas ficaram fora da nova composição.

Com isso, a participação feminina na Aleac cairá de 12,5% para zero. A situação não se repete em nenhuma outra unidade da Federação. Nas demais Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, pelo menos duas mulheres foram eleitas para a próxima legislatura.

No cenário nacional, 218 mulheres foram eleitas para as Assembleias estaduais e para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, diante de 841 homens. São 1.059 cadeiras no total, com as mulheres ocupando 20,6% das vagas. No Acre, serão 24 homens e nenhuma mulher.

O Ceará terá a maior presença feminina proporcionalmente: 14 das 46 cadeiras serão ocupadas por mulheres, pouco mais de 30% da Assembleia. São Paulo terá o maior número absoluto, com 28 deputadas entre os 94 parlamentares eleitos.

A ausência de mulheres também representa uma mudança em relação à eleição de 2022, quando Antonia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo garantiram três vagas. A partir da posse da nova legislatura, em 2027, a Aleac voltará a ter uma composição totalmente masculina, situação que não ocorria após uma eleição estadual no Acre desde 1994.

Acre define nova bancada federal e elege 24 deputados estaduais

O Acre encerrou a apuração das eleições de 2026 com a definição dos oito deputados federais que representarão o estado em Brasília e dos 24 nomes que vão compor a próxima legislatura da Assembleia Legislativa. As 2.270 seções eleitorais foram totalizadas neste domingo (4).

Na disputa pela Câmara dos Deputados, a Federação União Progressista saiu das urnas com quatro das oito cadeiras do Acre. Socorro Neri, do PP, recebeu 39.587 votos e teve a maior votação entre os eleitos da bancada federal. Também conquistaram mandato Dr. Fábio Rueda, do União Brasil, com 33.203 votos; Coronel Ulysses, também do União Brasil, com 33.155; e Zé Adriano, do PP, com 23.810.

As demais vagas ficaram com Pedro Longo, do MDB, que somou 26.263 votos; Roberto Duarte, do Republicanos, com 24.854; Perpétua Almeida, do PCdoB, com 15.800; e Júnior Betão, do PL, com 13.732 votos.

A última cadeira do PL foi definida por apenas 292 votos. Júnior Betão terminou à frente de João Bittar, que recebeu 13.440 votos e ficou como primeiro suplente da legenda. A diferença foi a menor entre os candidatos que disputavam internamente uma vaga na bancada federal.

A nova representação acreana na Câmara terá duas mulheres, Socorro Neri e Perpétua Almeida, entre os oito parlamentares eleitos.

Na Assembleia Legislativa, a maior bancada também será da Federação União Progressista, que conquistou nove das 24 cadeiras. Foram eleitos Nicolau Júnior, com 18.149 votos; Fagner Calegario, com 13.640; Clodoaldo Rodrigues, com 13.575; André da Droga Vale, com 13.173; Manoel Moraes, com 12.837; Adailton Cruz, com 11.476; Samir Bestene, com 11.335; Tio Pablo Bregense, com 9.981; e Afonso Fernandes, com 9.593.

O PL conquistou quatro cadeiras, com Chiquinho do Duda, Arlenilson Cunha, Raimundo Neném e Gláucio Pedrosa. O Republicanos terá três representantes: Eduardo Ribeiro, Gene Diniz e Tadeu Hassem.

PSD e MDB elegeram dois deputados cada. Pelo PSD, garantiram mandato Jailson Amorim, com 5.158 votos, e Antonio Pedro, com 5.118. No MDB, foram eleitos Marcus Alexandre, com 12.872 votos, e Tanizio Sá, com 12.023.

As quatro cadeiras restantes ficaram com Edvaldo Magalhães, do PCdoB, que recebeu 9.273 votos; Emerson Jarude, do Novo, com 9.434; Tchê, do PDT, com 10.003; e Leôncio Castro, do PSDB, com 4.933 votos.

Uma das disputas mais apertadas da eleição proporcional ocorreu na Federação União Progressista. Afonso Fernandes conquistou a nona vaga da federação com 9.593 votos, apenas 62 a mais que Whendy Lima, que recebeu 9.531 e ficou na primeira suplência.

A composição da próxima Aleac não terá mulheres entre os 24 titulares eleitos. Antonia Sales, do MDB, recebeu 5.809 votos e ficou na suplência, enquanto Taiane Santos, do PDT, somou 2.748 votos e também não alcançou uma das vagas da legenda.

Tião Viana defende retomada da industrialização e diz que Acre precisa de nova etapa econômica

O ex-governador do Acre Tião Viana afirmou, nesta terça-feira (29), em entrevista exclusiva ao Sistema Integração de Comunicação, que o estado precisa retomar uma agenda de industrialização, geração de empregos e investimentos na produção para ampliar as oportunidades à população. Durante a conversa, o ex-senador também falou sobre democracia, infraestrutura, políticas públicas, as eleições de 2026 e a candidatura do filho, Vigílio Viana, a deputado federal.

Ao analisar o cenário nacional, Tião Viana colocou a defesa da democracia como um dos pontos centrais do atual momento político brasileiro. Para ele, o país vive um período de disputa entre diferentes modelos de organização política e social.

“O que eu manifesto sobre esse momento do Brasil é a relevância da democracia na vida de cada um, na vida das comunidades, de um país continente como é o Brasil”, afirmou.

Na avaliação do ex-governador, o desenvolvimento econômico precisa caminhar ao lado da inclusão social, da educação e da redução das desigualdades. Ao trazer a discussão para o Acre, Tião disse que vê a necessidade de uma nova agenda econômica voltada principalmente à industrialização.

“Acre só terá futuro se apostar na economia, na industrialização, mais terra para as populações de baixa renda, seja reforma agrária, [e] tecnologia”, declarou.

Tião Viana relembrou projetos executados durante os dois mandatos em que esteve à frente do governo estadual e afirmou que havia, naquele período, uma estratégia para criar uma nova plataforma econômica no Acre. Entre os exemplos citados estão investimentos na piscicultura, produção de aves e suínos, setor moveleiro, infraestrutura rodoviária e habitação.

O ex-governador disse que a industrialização deveria ter avançado nos anos seguintes. Segundo ele, parte da estrutura implantada perdeu espaço ou deixou de receber estímulos.

“Faltou a continuidade. Faltou a nova etapa da economia para o Acre avançar”, disse.

Durante a entrevista, Tião também lembrou a situação da BR-364 e afirmou que a integração rodoviária entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul teve papel importante para aproximar as regiões do estado. Ele citou obras realizadas durante sua gestão e defendeu investimentos de longo prazo para garantir estabilidade à rodovia.

Outro setor mencionado foi a piscicultura. Tião lembrou a implantação de milhares de tanques para criação de peixes e das estruturas industriais criadas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Segundo ele, o objetivo era transformar a atividade em uma alternativa permanente de renda, especialmente para pequenos produtores.

Ao falar sobre geração de emprego, o ex-governador defendeu investimentos em cadeias produtivas capazes de agregar valor à produção dentro do próprio Acre. Ele citou ainda a produção de café no Juruá e o desenvolvimento da avicultura e da suinocultura como exemplos de atividades que podem ampliar a participação da indústria na economia estadual.

“Indústria gera emprego de qualidade, gera bom salário e eleva o padrão de qualidade de vida das famílias”, afirmou.

Tião também fez críticas à atual situação de políticas públicas estaduais e relatou problemas que disse ter encontrado durante viagens recentes ao interior. Na entrevista, afirmou ter recebido relatos sobre dificuldades em escolas e cobrou maior atenção para educação, desenvolvimento econômico e infraestrutura.

A conversa ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para domingo, 4 de outubro. Ao tratar do processo eleitoral, o ex-governador defendeu que os eleitores façam suas escolhas de forma consciente e voltou a relacionar o voto à preservação da democracia.

“A minha esperança é que uma hora o Acre vai acordar e vai se reencontrar com a verdade, com a democracia, com o estado da fraternidade”, declarou.

Tião também falou sobre a entrada do filho, Vigílio Viana, na disputa por uma vaga de deputado federal. Ele contou que, inicialmente, tentou convencer o filho a não entrar para a política, diante da avaliação crítica que faz do atual ambiente político.

Segundo o ex-governador, Vigílio respondeu que a saída de pessoas interessadas em mudar a política significaria deixar o espaço apenas para aqueles que recebem críticas da sociedade.

“Eu disse: ‘Não, meu filho, não seja candidato. A política está contaminada’. […] Ele disse: ‘Mas, pai, então é só para os ruins irem para a política e os bons vão ficar escondidos?’. Aí eu me rendi a ele”, contou.

Tião afirmou que acompanha a campanha como pai e vê na candidatura do filho uma oportunidade de participação de uma nova geração na vida pública. Durante a entrevista, ele também recordou viagens feitas ao lado de Vigílio quando governava o Acre e afirmou que essas experiências permitiram ao filho conhecer diferentes regiões e comunidades do estado.

No encerramento da entrevista, o ex-governador prestou homenagem a Cruzeiro do Sul pelos 122 anos de fundação e recordou experiências vividas na região do Juruá e na Serra do Divisor.

“Que o Brasil e o Acre sejam abençoados neste domingo por um suspiro crescente de democracia e que surja o novo ser do amanhã, a nova geração amorosa e de paz”, concluiu.

Cruzeiro do Sul celebra 122 anos com desfile cívico-militar e 67 instituições

Cruzeiro do Sul comemorou 122 anos com um desfile cívico-militar realizado nesta segunda-feira (28), no Centro da cidade. A programação reuniu 67 instituições, entre forças militares e de segurança, escolas, entidades religiosas e organizações sociais, e mobilizou cerca de 10 mil pessoas durante as celebrações pelo aniversário do município.

O desfile encerrou as principais atividades comemorativas organizadas para a data. O público ocupou as arquibancadas e outros pontos ao longo do percurso para acompanhar as apresentações das instituições participantes.

A solenidade começou com o hasteamento das bandeiras pelo prefeito Zequinha Lima, pelo comandante do Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva, tenente-coronel Fabio dos Santos, e por representantes de instituições estaduais e municipais. A Banda de Música do 61º BIS e a Guarda Mirim também participaram da abertura, que contou com a execução do Hino de Cruzeiro do Sul.

Integrantes da Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Colégio Militar, Guarda Mirim, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron) e Polícia Civil desfilaram pelo percurso. Viaturas, motocicletas e outros equipamentos utilizados pelas instituições também foram apresentados ao público.

A educação teve participação expressiva na programação. Escolas cívico-militares, unidades das redes municipal e estadual, instituições de educação infantil e ensino fundamental e representantes das regionais educacionais integraram o desfile. Também participaram a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), grupos de Aventureiros e Desbravadores, escolas particulares e instituições de ensino médio e superior, entre elas o Instituto Federal do Acre (Ifac), a Universidade Federal do Acre (Ufac) e a Faculdade Afya.

A Diocese de Cruzeiro do Sul participou com representantes de pastorais, creches e escolas. A programação também contou com grupos de carros antigos, clube de som automotivo, veículos rebaixados e associação ligada a esportes radicais.

Zequinha Lima afirmou que a participação das 67 instituições representa a preservação da história, da cultura e das tradições de Cruzeiro do Sul. As comemorações pelos 122 anos começaram antes da data oficial e incluíram inaugurações, ordens de serviço e assinatura de convênios.

O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, major Abraão, participou do evento com a tropa da corporação, integrantes da Guarda Mirim e veículos utilizados pela instituição. O deputado estadual Luiz Gonzaga também acompanhou a programação e falou sobre sua ligação com Cruzeiro do Sul, município onde nasceu e iniciou sua trajetória política.

Famílias acompanharam o desfile durante toda a programação. Entre o público estava Marta Silva Pedrosa, que foi ao evento para prestigiar a filha, integrante da Guarda Mirim. A presença de estudantes, forças de segurança, instituições públicas e organizações sociais marcou a celebração dos 122 anos do município.

Jorge Viana celebra 122 anos de Cruzeiro do Sul e relembra obras realizadas durante governo

O ex-governador Jorge Viana publicou nesta segunda-feira (28), aniversário de 122 anos de Cruzeiro do Sul, uma mensagem em homenagem ao município. No vídeo, ele falou da relação com a cidade, relembrou obras realizadas durante sua passagem pelo Governo do Acre e encerrou a gravação fazendo referência à atual campanha eleitoral.

Viana afirmou ter “muito carinho” por Cruzeiro do Sul e disse que guarda orgulho das ações executadas no município quando esteve à frente do governo estadual. Na gravação, ele citou investimentos em saúde, educação, habitação, infraestrutura e apoio à produção.

Entre as ações mencionadas estão a Avenida Mâncio Lima, conjuntos habitacionais, o porto, o hospital, a implantação do campus da Universidade da Floresta, além de ponte, ramais e iniciativas destinadas aos produtores rurais.

“Foi tudo isso que a gente fez para trás. Por isso que eu digo com orgulho: eu tenho muito o que comemorar com os meus irmãos cruzeirenses nesses 122 anos”, declarou.

Na homenagem, Viana chamou Cruzeiro do Sul de “a Amazônia do meu coração” e afirmou que a história do município foi construída por um povo “apaixonado por sua terra”. Ele encerrou a mensagem com um “Viva Cruzeiro do Sul!”.

No trecho final do vídeo, o ex-governador também vinculou a comemoração à agenda eleitoral e convidou apoiadores para uma atividade prevista para domingo em Cruzeiro do Sul. “Vamos celebrar juntos e domingo fazer uma festa da nossa vitória e da vitória do povo cruzeirense na nossa campanha no céu de Cruzeiro do Sul”, afirmou. A fala ocorre durante a campanha de Viana ao Senado pelo Acre em 2026.

Márcio Bittar fala sobre reeleição, futuro do Acre e relação com Bolsonaro

Candidato à reeleição ao Senado pelo Acre, Márcio Bittar (PL) afirmou, em entrevista ao IntegraçãoNet, que chega à disputa de 2026 vivendo a campanha mais madura de sua trajetória política. O senador falou sobre os oito anos de mandato, a relação com Jair Bolsonaro, os projetos que defende para o estado, a possibilidade de atuar diante de diferentes governos em Brasília e também sobre mudanças na vida pessoal. Bittar exerce mandato no Senado desde 2019 e está entre os candidatos registrados para a disputa deste ano.

Ao fazer um balanço de sua passagem pelo Senado, Bittar definiu o período como de “realização” e afirmou que a cadeira dá ao Acre capacidade de participação nas principais decisões nacionais. Ele lembrou que cada estado possui três senadores, independentemente do tamanho da população, e citou como exemplo o período em que assumiu a relatoria-geral do Orçamento da União.

“São três para o Acre e três para São Paulo. Eu, como acreano, pude ser relator do Orçamento do Brasil. Você junta 513 deputados federais e 81 senadores e apenas um parlamentar relata o Orçamento da União”, afirmou. Bittar foi relator-geral da proposta orçamentária de 2021, função confirmada pelos registros do Congresso Nacional.

O senador disse que sua atuação política tem como uma das prioridades o desenvolvimento econômico do Acre e da Amazônia. Segundo ele, essa discussão acompanha sua trajetória há décadas. “Há 36 anos eu luto pela mesma coisa: ajudar a desenvolver o Acre e a Amazônia”, declarou.

Bittar também falou sobre a proximidade política que manteve com Jair Bolsonaro durante os quatro anos em que o ex-presidente esteve no Palácio do Planalto. Para o senador, a relação permitiu uma interlocução direta com o governo federal.

“Eu tive o privilégio de gozar da confiança e da amizade de um presidente da República. A relação que o presidente Bolsonaro criou comigo é algo raro para um acreano que vai daqui para lá”, disse.

Ao projetar um novo mandato, Bittar afirmou que pretende concentrar parte da atuação em propostas para infraestrutura e integração econômica da Amazônia. Entre os projetos citados estão a recuperação da BR-364, novas ligações rodoviárias no Vale do Juruá, a ponte sobre o Rio Juruá em Rodrigues Alves e a continuidade de uma ligação terrestre em direção ao Peru.

“Estradas são importantíssimas não só para a economia, mas para a saúde e para a educação”, afirmou. Na avaliação do senador, ampliar as conexões terrestres pode aproximar o Acre de mercados internacionais pela costa do Pacífico.

Questionado sobre como atuaria caso seja reeleito e o grupo político de Flávio Bolsonaro chegue à Presidência, Bittar disse acreditar que teria participação direta na discussão de políticas para a Amazônia. Segundo ele, já apresentou ao grupo propostas voltadas à economia da região.

“Eu me tornei, para o meu time, para o Flávio Bolsonaro, para a família Bolsonaro e para vários atores que provavelmente estarão no governo dele, um porta-voz privilegiado da Amazônia”, declarou. A referência a uma eventual futura administração foi apresentada por Bittar como cenário político, e não como resultado definido da eleição presidencial.

O senador também foi perguntado sobre como seria sua atuação caso o campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneça no comando do governo federal. Bittar, que faz oposição ao atual governo, afirmou que continuaria buscando recursos e articulação para o Acre.

“Eu governei quatro anos com Bolsonaro e sou oposição há quatro anos, mas não deixei de conseguir trazer para casa emendas de minha autoria. O senador tem muito poder. Se você tiver capacidade de se articular dentro do Senado, criar relações, acaba conseguindo, mesmo no governo diferente, ajudar o seu estado”, disse.

Durante a entrevista, Bittar também comentou a disputa pelas duas vagas do Acre no Senado e a possibilidade de eleitores combinarem votos em candidatos de campos políticos diferentes. Ele citou como exemplo eleitores que poderiam escolher seu nome e o do ex-governador Jorge Viana (PT), apesar das diferenças políticas entre os dois.

“Pode ter essa lógica pragmática de um setor que não é ligado nem à esquerda nem à direita e que imagina o seguinte: se for a esquerda, eu quero um interlocutor; se for a direita, eu quero o interlocutor. São dois votos”, afirmou.

Na parte pessoal da conversa, o senador relacionou o momento político à experiência de voltar a ser pai aos 63 anos. Bittar contou que os quatro filhos mais velhos já são adultos e que o nascimento do filho com Taís mudou sua rotina e a forma como enxerga esta etapa da vida.

A mesma comparação foi usada por ele para definir a campanha eleitoral de 2026. “É a campanha mais madura da minha vida. É muito diferente o Márcio de hoje do Márcio candidato a deputado estadual em 1994. É maturidade, equilíbrio, coisas que vêm com o tempo”, afirmou.

Para Bittar, as experiências acumuladas ao longo da trajetória tiveram peso nessa mudança. “As derrotas ensinam mais do que as vitórias. É a campanha mais tranquila da minha vida, reflexiva. Eu sei o que quero”, completou.

Ao final, o senador afirmou que, caso seja reeleito, pretende dedicar a vitória ao irmão Mauro Bittar, que morreu no ano passado. Ele definiu o irmão como seu principal aliado ao longo da vida.

“Meu pai foi meu herói. O Mauro Bittar, meu irmão, foi o maior aliado que eu tive na vida. Se Deus me der e o povo acreditar nessa vitória, eu vou dedicar ao meu irmão, em homenagem a ele”, declarou.

Perpétua Almeida se emociona em reencontro com filha e neta no aeroporto

A candidata a deputada federal Perpétua Almeida compartilhou neste sábado (26) um momento de reencontro com a filha e a neta, que retornavam de viagem. O encontro ocorreu no aeroporto e foi registrado em vídeo publicado nas redes sociais.

Nas imagens, Perpétua aparece aguardando a chegada das duas e registra a emoção ao encontrá-las após o desembarque.

“Como eu fico quando os amores da minha vida chegam?”, escreveu a candidata na publicação, acompanhando a mensagem com emojis de choro.

O vídeo mostra Perpétua recebendo a filha e a neta e acompanhando as duas na saída do aeroporto. A publicação levou às redes sociais um registro da rotina familiar da candidata durante o período eleitoral.