Após Mailza assumir, diárias do governo passam de R$ 10,9 milhões em menos de três meses

Depois que Mailza Assis assumiu definitivamente o Governo do Acre, em 2 de abril, os gastos com diárias entraram em ritmo mais acelerado. Levantamento do IntegraçãoNet no Portal da Transparência mostra que, entre 2 de abril e 26 de junho, já sob a nova governadora, foram pagos R$ 10.909.441,48 em diárias, distribuídos em 6.889 registros.

O valor representa 57,7% de tudo o que aparece na planilha do semestre. Ao todo, de janeiro a junho, a base analisada reúne 11.614 pagamentos, somando R$ 18.898.942,98.

A comparação com o período anterior ajuda a dimensionar a mudança. De janeiro a março, ainda sob Gladson Cameli, os pagamentos somaram R$ 7.420.752,05, em 4.522 registros. Depois da posse de Mailza, em menos de três meses, o governo pagou R$ 3,48 milhões a mais em diárias do que nos três primeiros meses do ano. Na prática, o governo passou a gastar mais porque ampliou a quantidade de deslocamentos custeados com recursos públicos.

A nova apuração amplia uma pauta que o IntegraçãoNet já havia trazido à tona na semana passada, quando revelou os gastos da comitiva de Mailza em Londres. Naquela viagem, divulgada pelo governo como missão internacional para tratar de créditos de carbono, foram localizados R$ 192.004,21 em diárias internacionais para 12 integrantes da comitiva, incluindo Madson de Castro Cameli, chefe de gabinete e marido da governadora.

No caso de Madson, a planilha mostra 21 pagamentos em seu nome entre abril e junho, considerando os registros como Madson Cordeiro de Castro e Madson de Castro Cameli. O total pago a ele no período foi de R$ 38.869,35. Só a diária de Londres aparece no valor de R$ 14.776,85.

A base não mostra pagamento direto de diária em nome de Mailza Assis. O deslocamento da governadora aparece de forma indireta, nas descrições das diárias pagas a outras pessoas. Ao longo do semestre, há 535 registros que mencionam agendas, viagens ou assessoramento à governadora ou vice-governadora, somando R$ 826.471,63. Depois de 2 de abril, já como chefe do Executivo, são 377 registros vinculados a agendas de Mailza, com R$ 524.501,76 pagos a terceiros.

Embora não haja pagamentos diretos de diárias em nome de Mailza Assis, o levantamento permite identificar ao menos 25 agendas ou viagens da governadora, após sua posse, que geraram pagamentos a equipes de apoio, segurança, comunicação e assessoria.

Esse dado não significa que Mailza tenha recebido diárias. Significa que a estrutura de deslocamento em torno da governadora movimentou centenas de pagamentos no semestre, envolvendo segurança, comunicação, assessoria, gabinete e outros setores.

Há ainda outro ponto que segue sem explicação suficiente na gestão anterior. Durante o governo Gladson, o IntegraçãoNet já havia levantado gastos do governo com jato, em contrato com a Ortiz, que superam R$ 12 milhões. Agora, com Mailza no comando, o foco recai sobre outro tipo de despesa: as diárias, que passaram a consumir mais de R$ 10,9 milhões em menos de três meses.

Entre os órgãos com maiores pagamentos após a posse de Mailza estão o Fundo Estadual de Segurança Pública, com R$ 968.614,13; a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, com R$ 894.125,97; o Ministério Público, com R$ 852.579,85; o Fundo Estadual de Saúde, com R$ 851.526,18; e o Fundo Especial do Corpo de Bombeiros, com R$ 466.710,29.

O recorte por função também reforça a concentração na segurança. Depois da posse de Mailza, a função Segurança Pública somou R$ 3.617.130,11 em diárias. Em seguida aparecem Essencial à Justiça, com R$ 1.202.742,60; Administração, com R$ 968.333,65; Saúde, com R$ 915.375,65; e Agricultura, com R$ 841.864,42.

Junho chama atenção porque ainda não estava fechado na data final da planilha. Mesmo com registros até 26 de junho, o mês já acumulava R$ 3.805.558,22 em diárias, praticamente no mesmo patamar de maio, que fechou com R$ 3.951.941,16. O ritmo de junho foi o maior do semestre: cerca de R$ 146,3 mil por dia, considerando os 26 dias registrados.

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Bonde de Londres: diárias da comitiva de Mailza somam R$ 192 mil em viagem que ainda não apresentou resultado concreto

A viagem da governadora Mailza Assis a Londres, divulgada como missão internacional para tratar de créditos de carbono, teve R$ 192.004,21 pagos em diárias internacionais a 12 integrantes da comitiva. A agenda ocorreu durante a Semana do Clima de Londres, mas ainda não há contrato publicado, valor fechado, cronograma de repasse ou documento que mostre o resultado prático da negociação para o Acre.

O maior valor foi pago a Lauro da Veiga Santos, presidente da Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais do Acre, a CDSA: R$ 28.813,04. Em seguida aparece Victor Hugo Rondon Soto, apresentado como gerente-geral do Projeto de Crédito de Carbono do Estado, com R$ 25.593,12 em diárias.

A lista também inclui Elane Cristina da Costa Cabral e Juliana de Oliveira Moreira, da Casa Civil, cada uma com R$ 14.776,85. O mesmo valor foi pago a Madson de Castro Cameli, chefe de gabinete e marido da governadora, que integrou a missão como assessor na agenda institucional do Consórcio Amazônia Legal.

A comitiva ainda teve integrantes da área jurídica, segurança e comunicação. Janete Melo de Albuquerque Lima, da Procuradoria-Geral do Estado, recebeu R$ 14.013,63. Aldeir Araujo da Costa, Jeffersson Pereira da Silva e Theanne Louise Gonçalves Souza Medeiros, da Casa Militar, receberam R$ 14.241,60 cada um. Jefson Marques Dourado, da Secretaria de Comunicação, recebeu R$ 12.796,56. Francisco Lucena da Costa Neto, fotógrafo, recebeu R$ 11.882,52, e Joscinei Gomes Bastos, videomaker, R$ 11.849,99.

Na prática, o “Bonde de Londres” levou representação institucional, assessoria, segurança, comunicação, foto, vídeo e equipe técnica para uma negociação que, até agora, segue sem resultado público concreto. Enquanto o dinheiro dos créditos de carbono permanece no campo da promessa, as diárias da viagem já aparecem como despesa efetiva para o Estado.

Jorge Viana percorre sete municípios do Juruá e defende agenda suprapartidária pelo Acre

O pré-candidato ao Senado Jorge Viana cumpre nesta semana uma agenda política em sete municípios do Vale do Juruá e de regiões de difícil acesso do Acre, com visitas a Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa do Purus. A viagem faz parte da estratégia de ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais, lideranças comunitárias e moradores em torno de uma plataforma voltada a investimentos, infraestrutura e fortalecimento dos municípios.

Durante os encontros, Jorge Viana defendeu que a disputa eleitoral seja conduzida sem centralidade em pautas ideológicas. O ex-senador afirmou que pretende construir um movimento suprapartidário e atuar em Brasília como representante dos interesses do Acre. “Quero ser senador do Acre, não de um partido. Meu compromisso é representar todos os acreanos e fazer a interlocução necessária para trazer investimentos e soluções para os problemas do nosso Estado”, disse.

Em Cruzeiro do Sul, maior cidade do Vale do Juruá, Jorge visitou a prefeitura e se reuniu com o prefeito Zequinha Lima. Também manteve conversas com vereadores, empresários, produtores rurais e representantes de diferentes setores da sociedade. A agenda tratou de demandas locais e de projetos considerados prioritários para a região.

Em Mâncio Lima, Jorge esteve acompanhado do ex-deputado Jonas Lima e foi recebido pelo prefeito José Luiz. A programação incluiu reunião na Câmara Municipal, com a presença do presidente da Casa e da maioria dos vereadores. O pré-candidato também participou de encontros com produtores rurais, especialmente cafeicultores, e de uma agenda da Coopercafé, que reuniu cooperados e lideranças políticas, entre elas a ex-deputada federal Perpétua Almeida.

A cafeicultura e a agricultura familiar foram tratadas como áreas estratégicas para a economia regional. Jorge afirmou que o Juruá tem potencial para ampliar a produção, gerar renda e fortalecer cooperativas, desde que os municípios tenham apoio técnico, crédito, infraestrutura e canais de escoamento.

Em Rodrigues Alves, Jorge foi recebido pelo prefeito Salatiel Magalhães, pelo presidente da Câmara, vereador Marcelo, e por vereadores do município. A pauta incluiu alternativas para fortalecer a economia local, com foco na agricultura familiar, além da defesa de projetos estruturantes para os municípios do Juruá. Ele também se reuniu com apoiadores na casa do ex-prefeito Burica e de sua esposa, Mônica.

Após passar por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, Jorge seguiu para os municípios mais isolados da região. Ao longo da viagem, ele repetiu que o Acre precisa retomar uma agenda de planejamento, cooperação institucional e investimentos. Entre as prioridades citadas estão a recuperação da BR-364 e obras capazes de melhorar a integração entre os municípios.

O pré-candidato também afirmou que pretende atuar como interlocutor do Acre junto ao governo federal e a uma eventual nova gestão do presidente Lula, caso o petista dispute e vença a eleição presidencial. Para Jorge, a superação da polarização política é uma condição para o Estado ampliar sua capacidade de negociação em Brasília e garantir recursos para áreas consideradas estratégicas.

“Aqui tem Acre” tem sido a mensagem usada por Jorge Viana nas agendas no interior. A frase resume o esforço de apresentar a pré-campanha como uma articulação voltada aos municípios, com ênfase em desenvolvimento regional, diálogo político e aproximação com lideranças locais.

Jornal da Manhã em Coluna – 24 de junho de 2026

A coluna desta quarta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Rogério Wenceslau, com participação de Chico Melo direto da estrada.

Praia Grande foi para a pista

Morador que fecha estrada não faz isso por luxo. Faz porque cansou de esperar.

Na Praia Grande, a BR-307 foi bloqueada porque o rio já começou a levar parte da estrada. Depois da conversa com a PRF e autoridades, o bloqueio saiu. O problema, não.

O rio não espera ofício

A cobrança dos moradores é simples: fazer um desvio antes que a estrada desapareça.

O detalhe é que o verão amazônico está aí. É agora que máquina entra, que o solo ajuda e que o serviço pode andar. Esperar o inverno chegar é transformar descaso em emergência.

Chico na estrada do café

Chico Melo entrou no programa direto da estrada, a caminho de Mâncio Lima, onde participa da oficina da Rota do Café.

A agenda reúne produtores, cooperativas e instituições para discutir o futuro da cadeia produtiva no Juruá. Café, agora, já não cabe mais só no discurso bonito de evento. Tem que virar renda.

Café sem espuma

O programa lembrou que Cruzeiro do Sul já mandou mais de 500 sacos de café para beneficiamento em Mâncio Lima.

É sinal de que a produção começa a andar. Mas o desafio é outro: organizar beneficiamento, assistência, venda e mercado. Sem isso, o produtor planta, colhe, entrega e continua ficando com a menor parte da conta.

Farinha também sobe ao palco

O Festival da Farinha abriu espaço para a escolha de Rei e Rainha. No Teatro dos Náuas, 40 candidatos disputaram a seletiva urbana. Quinze passaram para a próxima fase.

A farinha, que já é marca de Cruzeiro do Sul, agora também ganha passarela, faixa e premiação. É cultura, mas também é vitrine.

Beleza com raiz

Flávio Rosas explicou que o concurso não será só desfile. Os candidatos vão passar por visitas, encontros, café da manhã, jantares, Novenário e atividades ligadas à cultura da farinha.

Faz sentido. Quem quer representar a farinha precisa saber de onde ela vem. E ela não nasce no palco. Nasce no roçado.

Iane e Caio

Entre os nomes citados no programa, apareceram Iane Franco, microempreendedora e filha de agricultora, e Caio Luan, estudante universitário.

A disputa começa a ganhar rostos. E quando o candidato tem história ligada ao tema, a faixa pesa menos que a identidade.

Melissa, Madson e o silêncio

Rogério Wenceslau também comentou a entrevista exclusiva concedida ao Grupo Integração por Melissa Sampaio, ex-esposa de Madson Cameli.

Melissa relatou episódios de agressão, falou sobre medo, cobrou andamento do processo e deu rosto a uma denúncia que não pode ser tratada como fofoca política.

Não é sentença, é escuta

O caso exige cuidado. Madson nega as acusações, e a defesa tem direito ao contraditório.

Mas ouvir uma mulher que se apresenta como vítima também é dever do jornalismo. A Justiça que decida. A imprensa não precisa condenar ninguém para cobrar que um processo não durma na gaveta.

Quando o sobrenome pesa

O comentário de Wenceslau tocou num ponto sensível: quando a denúncia envolve alguém com influência política, o silêncio costuma ser ainda mais barulhento.

Não se trata de usar o caso como palanque. Trata-se de lembrar que violência contra mulher não perde gravidade porque o acusado tem sobrenome conhecido.

Justiça no Juruá

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre realizou sessão itinerante em Cruzeiro do Sul e julgou 14 processos.

A presença dos desembargadores no Juruá tem peso simbólico. Justiça também precisa ser vista. Principalmente no interior, onde muita gente sente que tudo demora mais.

Um caso que pesa

Entre os processos julgados, um chamou atenção pela gravidade: o de um pai acusado de tentar estuprar a filha de 6 anos em um motel.

A pena de 8 anos e 4 meses foi mantida. A defesa tentou reduzir. A Câmara Criminal negou. Há casos em que a frieza do processo não consegue esconder o tamanho do horror.

Mâncio Lima na rota

Depois de Cruzeiro do Sul, a sessão itinerante segue para Mâncio Lima.

É o Judiciário saindo da capital e chegando mais perto de quem mora longe dos gabinetes. Parece simples, mas no Acre isso ainda faz diferença.

Casamento coletivo

As inscrições para o casamento coletivo da Expoacre Juruá seguem até sexta-feira.

São 300 vagas. Para muita gente, é mais que cerimônia. É documento, segurança familiar e oportunidade de resolver uma pendência antiga sem custo.

O Profeta do Acre

O programa também lembrou os 44 anos da morte do Irmão José da Cruz, conhecido como o Profeta do Acre.

No Juruá, algumas figuras atravessam o tempo não só pela religião, mas pela memória popular. José da Cruz é uma delas.

A cadela do hospital

A história da cadela que há três meses espera pelo dono na porta do Hospital do Juruá emocionou o programa.

O dono morreu. Ela ficou. Agora precisa de adoção. Tem notícia que não precisa de muito comentário. A cena já diz quase tudo.

Ronda curta, problema antigo

A ronda policial veio mais curta, mas trouxe o que não pode passar batido: quebra de medida protetiva em caso de violência doméstica e perturbação do sossego.

A semana pode até estar mais calma. Para quem vive sob ameaça, calma é quando a medida protetiva é respeitada e a autoridade age antes da tragédia.

“Medo de morrer”, relata ex-esposa de Madson Cameli; vítima de agressão cobra Justiça 

Melissa Sampaio contou, em entrevista exclusiva ao Grupo Integração, detalhes da violência que afirma ter sofrido durante o relacionamento com Madson de Castro Cameli, seu ex-marido, denunciado pelo Ministério Público do Acre por lesão corporal e violência psicológica. A fala veio depois que vídeos atribuídos ao caso passaram a circular em grupos de mensagens e nas redes sociais. Melissa não entregou os vídeos à reportagem. Ela foi procurada para falar sobre o conteúdo que já circulava e, ao responder, abriu uma parte dura da própria história: a lembrança de agressões, o medo de morrer, a sensação de viver sob intimidação e a angústia de ver o processo caminhar lentamente enquanto o homem que ela acusa segue ocupando espaços de poder.

“É muito difícil para mim revisitar essas lembranças”, disse Melissa. Ela afirmou que as agressões não eram apenas verbais. “Existiam agressões físicas, psicológicas. Viver com Madson Cameli era viver pisando em ovos. Eu nunca sabia qual seria a reação dele diante de uma situação simples do dia a dia e estava sempre tentando evitar conflitos para salvar um casamento na expectativa de uma mudança que nunca acontecia.”

“Viver pisando em ovos”

Melissa contou que falar sobre o assunto ainda exige esforço. “É muito difícil para mim revisitar essas lembranças”, afirmou. Segundo ela, as agressões não eram apenas verbais. “Existiam agressões físicas, psicológicas. Viver com Madson Cameli era viver pisando em ovos. Eu nunca sabia qual seria a reação dele diante de uma situação simples do dia a dia e estava sempre tentando evitar conflitos para salvar um casamento na expectativa de uma mudança que nunca acontecia.”

A frase descreve uma rotina de medo antes mesmo da agressão. É a mulher medindo cada palavra, cada gesto e cada silêncio para tentar evitar uma explosão. É a casa deixando de ser abrigo e virando território de vigilância. Melissa afirma que passou anos tentando preservar um casamento enquanto esperava uma mudança que não veio.

O medo do mata-leão

O relato mais grave aparece quando Melissa fala sobre o jiu-jitsu. Ela afirma que Madson era lutador e usava isso para intimidá-la. “Houve episódios em que me aplicou golpes de mata-leão e me imobilizou. A sensação que eu tinha quando ele fazia isso era uma sensação desesperadora de morte. Era algo tão absurdo, tão assustador, que eu não consigo nem explicar direito o que passava pela minha cabeça naquele momento. Eu só sentia pavor, pois achava que ia morrer.”

Melissa disse que o medo daquele golpe passou a ser maior do que a dor física. “Chegou um momento em que eu pedia a ele que, se fosse me bater, podia fazer qualquer coisa, mas que não me aplicasse o mata-leão. Aquilo me apavorava mais do que qualquer outra agressão. Eu preferia suportar a dor física do que sentir novamente aquela sensação de que estava morrendo.”

O episódio do celular

Melissa também relatou o episódio envolvendo um vídeo que, segundo ela, acabou vindo a público depois de sair do processo. Ela afirma que, após uma briga em que teria sido agredida, decidiu gravar Madson admitindo que havia batido nela. “Quando descobriu, ele tomou meu celular, me bateu tanto e ainda aplicou um mata-leão. Eu fiquei desesperada porque ele disse que ia arremessar meu celular na parede, como fez com tantos outros celulares. Eu implorei para que ele não quebrasse o celular.”

Na mesma sequência, Melissa afirma que Madson exigiu que ela pedisse perdão. “Ele disse que eu teria que pedir perdão a ele. O Madson pediu para eu ficar de joelhos no chão e implorar o perdão dele, mesmo sendo eu a vítima de toda aquela situação. Foi uma das maiores humilhações que vivi.” Ela contou que os vídeos foram apagados, mas não retirados da lixeira do celular. “Foi como eu recuperei e enviei para o meu e-mail.”

A dor não é saudade

Melissa fez questão de separar a dor que sente hoje de qualquer vínculo afetivo com Madson. Ela não quer que sua fala seja confundida com sofrimento pelo fim do relacionamento. A angústia, segundo ela, nasce do que afirma ter sofrido e da sensação de impunidade.

“O que eu sofro hoje é pelo mal que ele me fez e pela impunidade. Por estar sendo injustiçada. Isso me deixa chateada. A morosidade da Justiça”, afirmou.

Esse ponto muda o centro da história. Melissa não fala como alguém presa à ausência do ex-marido. Fala como uma mulher que diz ter se libertado de uma relação violenta, mas que ainda se vê obrigada a conviver com as marcas do que viveu porque o processo não chega a uma resposta.

O processo que parece nunca andar

“O mais difícil é que, anos depois, por conta de um processo que parece nunca andar, eu continuo tendo que reviver algo que já deveria ter sido apurado pela Justiça. Cada vez que preciso falar sobre isso, é como se eu voltasse um pouco para aqueles momentos”, disse Melissa.

A frase resume o peso da morosidade em casos de violência contra a mulher. A denúncia deveria abrir caminho para proteção e resposta. Mas, quando o processo anda devagar, a vítima continua presa ao fato. Precisa recontar, explicar, lembrar, responder, sustentar a própria palavra e enfrentar a dúvida pública enquanto tenta reconstruir a vida.

A espera diante da ascensão pública

No caso de Melissa, a espera tem uma camada política. Enquanto ela cobra uma resposta da Justiça, Madson aparece em espaços públicos e passou a circular no núcleo do poder estadual, ao lado da governadora Mailza Assis, sua atual esposa. Para uma mulher que acusa o ex-marido de agressões, ver o homem denunciado sorrindo, ocupando espaço e ascendendo publicamente antes de uma decisão definitiva pode ferir de novo.

Melissa não pede condenação fora dos autos. Pede que sua dor não seja engolida pelo tempo. Justiça lenta, em casos de violência doméstica, pode virar uma nova forma de sofrimento porque mantém a mulher ligada ao trauma enquanto a vida do acusado segue em outra velocidade.

Denunciar não deveria virar uma batalha sem fim

Nos últimos dias, Melissa também cobrou publicamente que iniciativas de defesa das mulheres discutam a celeridade dos processos de violência doméstica e familiar. Para ela, proteger mulheres não se resume a campanhas, programas ou eventos. A proteção precisa chegar no processo que anda, na audiência que acontece, na decisão que vem antes da prescrição e no acolhimento de quem teve coragem de denunciar.

A história de Melissa toca em uma ferida conhecida por muitas mulheres. Antes da denúncia, existe medo. Depois da denúncia, muitas vezes vem a exposição. E, quando a Justiça demora, chega outra violência: a obrigação de continuar vivendo perto da própria dor, esperando que o Estado trate como urgência aquilo que já custou demais para ser contado.

O que Melissa pede agora é simples e profundo: ser ouvida sem ter que reviver tudo indefinidamente. Enquanto o processo contra Madson Cameli segue sem uma resposta definitiva, sua fala deixa uma cobrança direta às instituições. Uma mulher que denuncia violência não pode passar anos presa ao mesmo medo para provar que merece Justiça.

Mailza quer Zequinha no barco ou quer empurrar o prefeito para fora?

A cada novo movimento do Palácio Rio Branco no Juruá, uma pergunta ganha força nos bastidores da política acreana: o grupo da governadora Mailza Assis quer mesmo manter o apoio do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima?

A dúvida não nasce do nada. Zequinha não é um aliado qualquer. É prefeito da segunda maior cidade do Acre, foi reeleito em uma disputa dura, pertence ao mesmo campo político de Gladson Cameli e Mailza Assis, esteve ao lado do grupo em momentos decisivos e sempre foi tratado como peça importante para qualquer projeto governista no Juruá.

Mas os gestos recentes do governo caminham em outra direção.

O incômodo de Zequinha já havia aparecido publicamente. Em abril, o prefeito disse que não tomaria decisões com base em boatos, mas admitiu insatisfação com atitudes do governo em relação a Cruzeiro do Sul. A frase foi direta: ele sempre quis ser aliado, mas parecia que algumas pessoas não queriam essa aliança.

Na mesma entrevista, Zequinha apontou um problema que agora fica ainda mais evidente: a tentativa de ampliar alianças não pode significar o isolamento de quem já é de casa. Em outras palavras, o prefeito cobrou respeito aos aliados históricos.

De lá para cá, o cenário não melhorou. Pelo contrário.

Nos últimos dias, a governadora Mailza nomeou quatro integrantes da família do ex-vereador Leandro Cândido dos Santos em cargos comissionados no governo estadual. Leandro Cândido, apontado na imprensa local como ligado ao grupo do ex-prefeito Vagner Sales e opositor de Zequinha em Cruzeiro do Sul, foi nomeado em cargo na estrutura do Estado. Outros três integrantes da família Cândido também foram nomeados na Secretaria de Educação.

A nomeação pode até ser defendida administrativamente pelo governo, mas politicamente tem leitura clara no Juruá: o Palácio está dando espaço e estrutura a um grupo adversário do prefeito dentro da própria cidade.

Para aliados de Zequinha, esse é o tipo de gesto que não combina com o discurso de manutenção da aliança. Se o governo quer o prefeito no barco, por que entrega espaço justamente a quem faz oposição a ele em Cruzeiro do Sul?

A situação fica ainda mais delicada porque não se trata de um episódio isolado.

O deputado federal Zezinho Barbary, aliado de Mailza e figura ativa nas agendas do governo, também passou a atacar publicamente Zequinha. Em evento oficial no Juruá, Zezinho criticou a ausência de representantes da Prefeitura de Cruzeiro do Sul em solenidade de entrega de máquinas. Zequinha respondeu no dia seguinte, defendendo diálogo, respeito institucional e afirmando que divergências políticas não deveriam ser levadas para eventos administrativos, principalmente com a presença da governadora.

Mailza, teoricamente a líder do grupo, estava no centro da cena política. Mas, até aqui, não houve sinal público de uma intervenção firme para conter o desgaste entre seus próprios aliados.

Esse silêncio também comunica.

A coluna Tricas&Futricas, do AC24h, trouxe nesta terça-feira mais lenha para a fogueira ao registrar o sentimento de aliados de Zequinha de que estariam sendo “jogados ao vento”. A nota fala em suspeita de abandono do prefeito pelo Palácio Rio Branco, cita a nomeação de adversários políticos em cargos-chave do Estado em Cruzeiro do Sul e aponta que, aparentemente, já não haveria mais interlocução efetiva com o prefeito.

O quadro, portanto, é mais amplo do que uma simples intriga local. Há uma sequência de sinais políticos: Zequinha reclama de isolamento; adversários do prefeito ganham espaço no Estado; Zezinho Barbary o confronta publicamente; o Palácio não demonstra força para pacificar a base; e as informações internas que chegam à redação indicam que muitos aliados já avaliam pular fora do barco de Mailza.

O problema para a governadora é que, na política, abandono também se mede por gesto. E os gestos do governo com Zequinha parecem cada vez menos de aproximação e cada vez mais de empurrão.

Se Mailza quer mesmo o apoio do prefeito de Cruzeiro do Sul, precisa responder a uma pergunta simples: por que seu governo age como se Zequinha fosse dispensável?

Porque, se o Palácio continuar tratando aliados históricos como peça secundária, não será surpresa se o barco de Mailza começar a perder passageiros justamente no Juruá, região onde ela mais precisa mostrar força.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Jornal da Manhã em Coluna – 22 de junho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne os principais bastidores, comentários e informações levados ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9.

Rueda inflacionou a praça

O lançamento da pré-candidatura de Fabio Rueda a deputado federal, no fim de semana, foi tratado no Jornal da Manhã como um evento com cara de campanha majoritária. Rogério Wenceslau resumiu o impacto político: Rueda levou lideranças de vários municípios, misturou siglas, atraiu prefeitos, vereadores, empresários e gente do governo.

A leitura da bancada foi direta: o ato não serviu apenas para lançar uma pré-candidatura. Serviu para mostrar força, testar musculatura e avisar aos concorrentes que a disputa por deputado federal ficou mais cara.

Quem pagou o voo?

A presença de vereadores de Cruzeiro do Sul no evento de Fabio Rueda, em Rio Branco, também entrou na pauta. Foram citados Cristiano Rodrigues, Keleu, Antonio Cosmo, Zé Roberto, Tiago da Milênio e Mazinho da BR.

A pergunta feita no ar ficou no ar mesmo: quem bancou a viagem? A bancada evitou cravar qualquer irregularidade, mas lembrou que deslocamento, hospedagem e alimentação custam dinheiro. E em pré-campanha, quando muita gente viaja junto, a conta sempre vira assunto político.

O capacete de Mailza

A governadora Mailza Assis apareceu no evento de Fabio Rueda e, segundo o comentário feito no programa, chegou de motocicleta sem capacete. A cena virou símbolo.

Não pelo valor jurídico do episódio, mas pelo valor político. Quem comanda o Estado precisa dar exemplo, ainda mais em um programa que também discutiu acidentes de trânsito, álcool ao volante e blitzes. A crítica foi simples: o cidadão comum seria cobrado. A governadora também deve ser.

Londres e o Acre sem comando político claro

A viagem de Mailza a Londres abriu outro flanco. A bancada não atacou a agenda internacional em si, mas questionou o momento da saída do Estado. O Acre vive problemas administrativos, a ponte Frei Paolino ainda cobra respostas, e a pauta ambiental precisa sair do discurso.

O ponto político mais sensível é a linha sucessória. Sem vice-governador, a ausência de Mailza empurra o comando do Estado para o presidente da Assembleia Legislativa. Como Nicolau Júnior é candidato à reeleição, assumir o governo, ainda que por pouco tempo, cria problema eleitoral. Resultado: ele também precisa se ausentar para não ficar inelegível.

No fim, sobra a pergunta incômoda: quem, de fato, segura o governo quando a governadora viaja?

MDB ainda na sala de espera

A novela do MDB voltou ao ar. O partido esperava sair de uma conversa com Alan Rick mais próximo da vaga de vice. Não saiu. Wagner Sales e Jéssica Sales foram citados como parte dessa movimentação, mas a avaliação foi de frustração no MDB.

A governadora havia dito que o partido estava “dentro”. Agora, a impressão é outra: o MDB continua negociando, pressionando e esperando. A definição, como de costume, deve ficar para a convenção, talvez no limite do prazo.

Jorge Viana mexe no tabuleiro

A presença de Jorge Viana no Juruá também foi lida como movimento capaz de incomodar adversários, especialmente Márcio Bittar. A bancada comentou o vídeo publicado por Bittar com uso de inteligência artificial e colocou o tema no campo da fake news e da regulação eleitoral.

O recado político foi claro: a disputa ao Senado já começou antes da campanha oficial. E, quando Jorge circula pelo interior, os adversários reagem.

Salatiel e a ponte esquecida

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, foi ao estúdio falar do Festival da Banana, mas a conversa entrou no tema inevitável: a ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.

Salatiel reconheceu a importância da obra e concordou com a crítica feita por Chico Melo: a ponte não deveria ter sido amarrada ao projeto da estrada para o Peru. Quando tudo entrou no mesmo pacote, o embargo ambiental travou também uma obra essencial para Rodrigues Alves e para o Juruá.

A frase que ficou é política: a ponte virou promessa de décadas, mas segue dependendo de decisão técnica, vontade política e menos uso eleitoral.

“O município perdeu população”

Salatiel também explicou a queda na população oficial de Rodrigues Alves no último censo. Segundo ele, comunidades que antes eram contabilizadas para o município passaram a ser enquadradas de outra forma por causa dos limites georreferenciados.

O efeito é direto no Fundo de Participação dos Municípios. Menos população no cálculo significa menos dinheiro. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves não paga nem metade da folha dos garis. É o retrato do aperto vivido por municípios pequenos do interior.

Petecão bem na foto

Na bancada federal, Salatiel fez questão de citar quem, segundo ele, tem ajudado Rodrigues Alves. O primeiro nome foi Sérgio Petecão. O prefeito atribuiu ao senador recursos para estradas vicinais, ponte de alvenaria, orla e a futura rua coberta do município.

Também citou Zezinho Barbary, com mais de R$ 25 milhões em investimentos encaminhados; Antônia Lúcia, pelo recurso que viabiliza a festa via Ministério da Cultura; e Roberto Duarte, com apoio na área da saúde.

Quando perguntado sobre quem não ajuda, o prefeito desviou. Preferiu deixar que a lista dos citados falasse por si.

Fabio Rueda passou por lá, mas ouviu não

Salatiel confirmou que já recebeu Fabio Rueda em Rodrigues Alves, em visita institucional, mas disse que falou ao pré-candidato sobre seus compromissos políticos. A mensagem foi simples: quem já ajuda o município tem prioridade.

Em política, isso é quase uma declaração. O prefeito abriu a porta, mas não entregou a chave.

Festival da Banana com data e produto

O Festival da Banana foi defendido por Salatiel como evento cultural e econômico. A programação começa com atividades em julho e terá shows de Samuel Mariano, na abertura da feira, e Léo Magalhães no encerramento.

O prefeito reforçou que Rodrigues Alves tem banana de verdade, com produção em áreas como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Moju, Pucalpa e Foz do Paraná. Também citou derivados como doce, chips, bombom, tapioca e o pastel de banana, produzido pela Panificadora Davi.

A festa, segundo ele, não é só palco. É vitrine para a produção rural.

Expoacre Juruá esquenta

A Expoacre Juruá também dominou o fim do programa. A seletiva da Rainha do Rodeio teve sete candidatas e definiu cinco finalistas. A final será realizada durante o rodeio.

A cavalgada, coordenada por Eric Thiago Salles Castanha, já tem mais de 100 cavalos inscritos. A saída dos animais será ajustada para reduzir o percurso e atender recomendações de bem-estar animal. A festa vai até a Arena do Juruá e deve encerrar antes do show de Leonardo.

Casamento coletivo

Cruzeiro do Sul terá 300 vagas para casamento coletivo durante a Expoacre Juruá. As inscrições começam nesta segunda-feira, 22, na Secretaria Municipal de Assistência Social, próxima à OCA.

Rodrigues Alves também terá casamento coletivo dentro do Projeto Cidadão, em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, durante a programação do Festival da Banana.

MP cobra o Iapen

Na área institucional, o Ministério Público do Acre acionou a Justiça para cobrar melhorias estruturais e reforço de segurança no Complexo Penitenciário do Juruá. A ação é assinada pelo promotor Vanderlei Batista Cerqueira e tem como alvo o Estado e o Iapen.

O assunto entra em um ponto sensível: segurança pública não se resolve só na rua. Também passa por presídio funcionando com estrutura mínima.

Trânsito, álcool e morte

O programa abriu com um alerta pesado: o Acre aparece entre os estados com maior taxa de internações por acidentes de trânsito envolvendo álcool. Gledisson Albano lembrou que a PM flagra com frequência motoristas dirigindo sob efeito de bebida.

O fim de semana também teve a morte de Wesley Nepomuceno Galvão, em acidente na Ladeira do Bode, na Avenida Copacabana, em Cruzeiro do Sul. A polícia informou que ele não era habilitado. Não foi feita ligação direta, no programa, entre o caso e consumo de álcool.

Folga para quem doa sangue

Cruzeiro do Sul sancionou lei que garante dois dias de folga ao servidor municipal que doar sangue. O benefício poderá ser usado duas vezes ao ano, totalizando quatro dias.

A medida foi tratada como incentivo importante porque o Hemocentro do Juruá atende pacientes de vários municípios, de Porto Walter a Marechal Thaumaturgo, e costuma enfrentar estoque baixo.

Fim de semana policial

Gledisson Albano também trouxe um resumo pesado da área policial: assalto em Mâncio Lima, furto de mercadorias de caminhão no centro de Cruzeiro do Sul, roubo a loja no bairro João Alves e prisão de foragido pelo Gefron em ônibus na BR-364.

O fim de semana mostrou, mais uma vez, que a pauta policial no Juruá não cabe em um bloco só.

Mailza vai a Londres com discurso ambiental, mas Acre cobra respostas sobre ponte e floresta

A governadora Mailza Assis deixa o Acre rumo a Londres para ocupar uma vitrine internacional da agenda climática, enquanto o Estado ainda espera respostas sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e sobre a distância entre o discurso ambiental levado ao exterior e a execução real das políticas de floresta em casa. A London Climate Action Week ocorre entre 20 e 28 de junho, reunindo governos, empresas, financiadores e organizações em torno de ações climáticas; no Acre, a ponte inaugurada em 2023 caiu no dia 5 de junho, havia sido interditada um dia antes, custou R$ 36 milhões e deixou quatro pessoas feridas. A viagem pode abrir portas, mas também expõe uma pergunta que o governo tenta contornar: quem conduz o Estado quando a governadora sai em meio a crises políticas, administrativas e ambientais?

Mailza não chega a Londres como gestora de um ciclo novo e separado do passado. Ela assumiu o Palácio Rio Branco no dia 2 de abril, depois da saída de Gladson Cameli, e fez da continuidade a marca do governo. Na transmissão do cargo, a nova governadora disse: “Vamos dar continuidade a um governo que já vinha dando certo”. Essa frase cola a atual administração ao ciclo anterior. Não há como apresentar no exterior apenas a parte vistosa da agenda ambiental, com siglas, fóruns, ativos climáticos e promessas de economia verde, deixando no Acre a parte incômoda da conta.

A ausência da governadora também cria um problema político no comando do Estado. O Acre está sem vice-governador. Pela linha sucessória, a chefia temporária do Executivo passa pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior. Em abril, quando Mailza e Nicolau estavam fora do Estado, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Laudivon Nogueira, assumiu interinamente o governo. O episódio não foi apenas uma formalidade. Em ano eleitoral, cada afastamento de Mailza obriga Nicolau a calcular seus próprios passos, porque assumir o governo pode atravessar planos eleitorais e mexer na engenharia interna do grupo governista.

Nicolau não é peça decorativa nesse tabuleiro. Gladson Cameli já tratou Mailza e o presidente da Assembleia como “dois planos A” do Progressistas para a eleição de 2026. A frase, dita em 2025, deixou os dois no mesmo campo de expectativa política. Quando Mailza viaja e Nicolau precisa sair do Acre para não ocupar interinamente o governo, a missão internacional deixa de ser apenas agenda institucional. Ela empurra para a superfície uma disputa que o grupo tenta administrar sem rompimento público.

O MDB amplia essa instabilidade. Em março, o partido oficializou aliança com o projeto eleitoral de Mailza e passou a reivindicar a indicação do vice na chapa. Antes disso, a sigla já era cortejada por Alan Rick e tratada como fiel da balança para 2026. A vaga que deveria dar musculatura política à governadora virou ponto de pressão. O MDB tem força eleitoral em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, tem nomes próprios e sabe que sua presença pode alterar o peso de qualquer palanque. Mailza viaja a Londres enquanto sua chapa ainda precisa provar que não será desmontada antes de chegar à campanha.

No campo ambiental, a cobrança é ainda mais dura. O Acre tem uma história importante, construída antes do atual governo, com o Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais, o Sisa, e com a entrada precoce no debate de REDD+ e pagamento por resultados. Essa trajetória deu ao Estado respeito internacional. Mas reputação antiga não paga a conta da gestão presente. O governo Mailza-Gladson precisa responder o que tem de efetivo para mostrar na área ambiental: qual cadeia produtiva de baixo carbono ganhou escala, qual política de desenvolvimento sustentável mudou a renda de quem vive da floresta, qual programa chegou à ponta com resultado verificável, qual produtor recebeu apoio consistente para produzir sem derrubar e qual comunidade extrativista passou a viver melhor da floresta em pé.

A Fase II do Programa REM Acre, financiada pela Alemanha, por meio do KfW, e pelo Reino Unido, expõe a distância entre promessa e execução. O programa foi desenhado para ser executado em cinco anos, recebeu R$ 91 milhões e havia executado R$ 53,1 milhões, ou 58,4%, até dezembro de 2022, quando restava um ano para a conclusão prevista. A gestão precisou replanejar ações porque os instrumentos usados nos primeiros anos foram pouco efetivos e a ligação entre gasto público e resultado ficou frágil. Isso não é detalhe burocrático. É o principal programa climático recente do Acre tentando corrigir, tarde, aquilo que deveria ter entregado no tempo certo.

O desmatamento é a parte mais difícil de maquiar. O REM trabalhava com um gatilho anual de 330 km². Durante a Fase II, o Acre ficou acima desse limite em 2018, com 444 km²; em 2019, com 682 km²; em 2020, com 706 km²; e em 2021, com 889 km². A segunda fase do programa nasceu para ajudar a proteger a floresta e reduzir emissões, mas atravessou justamente o período em que o desmatamento subiu de forma persistente. O governo pode falar em REDD+, mas os números cobram coerência.

Quando o governo se movimentou de forma mais concreta sobre florestas públicas, o resultado foi uma derrota no Supremo Tribunal Federal. A Corte declarou inconstitucional a regra estadual que autorizava conceder título definitivo e retirar áreas do regime de floresta pública após dez anos de uso ou posse. A norma alcançava áreas como as Florestas Públicas Estaduais do Rio Gregório, Rio Liberdade, Mogno, Antimary e Afluente do Complexo do Seringal Jurupari. O Acre que pretende se apresentar ao mundo como guardião da floresta precisou ser barrado pelo STF em uma regra que abria caminho para transferir áreas protegidas a particulares.

A política de crédito de carbono também exige menos propaganda e mais entrega. Em agosto de 2025, Gladson assinou decreto que atualizou a estratégia de repartição de benefícios do Programa ISA Carbono, destinando 72% dos recursos captados com a comercialização futura de créditos de carbono aos beneficiários do Sisa e 28% ao governo para ações de comando e controle, governança e gestão de áreas públicas. A palavra central é “futura”. O governo tem desenho institucional, percentuais, fóruns e discurso. Ainda falta mostrar uma política em escala, com dinheiro circulando de forma transparente, resultado ambiental medido e melhoria concreta na vida das populações que conservam a floresta.

A pergunta que deve acompanhar Mailza em Londres é simples: o que o governo Mailza-Gladson tem para mostrar além da memória ambiental do Acre? A resposta não pode ser a história do Sisa, nem a herança simbólica de Chico Mendes, nem a reputação construída por outros ciclos. A resposta precisa estar na execução real: redução de desmatamento, cadeia produtiva de baixo carbono funcionando, crédito de carbono com governança madura, assistência técnica contínua, fiscalização forte, renda para extrativistas, regularização sem abrir brecha para privatizar floresta pública e programas climáticos concluídos com resultado, não empurrados por reestruturações.

A ponte de Sena Madureira torna esse debate ainda mais concreto. A estrutura caiu sobre o Rio Iaco, deixou feridos e obrigou o governo a abrir procedimento administrativo, acionar medidas judiciais e prometer apuração das responsabilidades. A ponte virou símbolo de uma gestão que vende entrega, mas agora precisa explicar fiscalização, contrato, manutenção, risco e resposta. Não há vitrine internacional capaz de apagar a imagem de uma obra pública desabando diante de moradores que dependiam dela para atravessar a cidade.

O Acre deve participar das grandes agendas climáticas. A floresta acreana tem valor ambiental, econômico e político. Mas presença internacional não é certificado de eficiência. Mailza pode falar em Londres sobre floresta em pé, desenvolvimento sustentável e ativos climáticos. No Acre, porém, a cobrança continua de pé: quem responde pela ponte que caiu, quem comanda o Estado na ausência da governadora, quem segura a base política, quem entrega o REM, quem reduz o desmatamento e quem transforma carbono em renda real para quem vive na floresta. Sem essas respostas, a viagem vira fotografia. E o governo Mailza-Gladson, em vez de honrar o histórico ambiental do Acre, envergonha essa história diante do país.

Ex-companheira de Madson Cameli cobra rapidez da Justiça em casos de violência contra a mulher

Melissa Sampaio levou para uma postagem sobre o programa Defesa Lilás uma cobrança que atravessa o Acre e alcança o país: não basta criar campanhas, vestir camisetas ou ocupar palcos em nome da defesa das mulheres se a Justiça demora tanto que a resposta chega tarde, fraca ou prescrita. Ex-companheira de Madson de Castro Cameli, contra quem move processo por supostas agressões, Melissa comentou uma publicação sobre o lançamento da iniciativa do União Brasil, realizada neste sábado, 20, em Rio Branco, com a presença da governadora Mailza Assis, atual esposa de Madson Cameli, e puxou o debate para o ponto mais duro da violência doméstica: depois de vencer o medo para denunciar, muitas mulheres ainda precisam esperar anos para serem ouvidas pelo sistema que prometeu protegê-las. O lançamento do Defesa Lilás reuniu lideranças políticas e foi apresentado como uma ação para ampliar a participação feminina nos espaços de poder. Vale lembrar ainda que Madson, além de marido de Mailza, é atualmente o seu o chefe do Gabinete Pessoal, no Palácio Rio Branco.

No comentário, Melissa foi direta. Escreveu que iniciativas voltadas à defesa das mulheres também precisam enfrentar a lentidão dos processos de violência doméstica e familiar. Citou o dado de que mais de 307 mil ações de violência contra a mulher prescreveram no Brasil nos últimos anos e amarrou o número à vida real de quem espera. “Quando um processo permanece parado por meses ou anos em razão de sucessivos recursos, adiamentos e entraves processuais, a vítima continua revivendo a violência que já sofreu”, afirmou. A frase tira a discussão do cartaz de campanha e a coloca dentro do fórum, onde cada remarcação de audiência, cada recurso e cada silêncio institucional podem obrigar a mulher a repetir a dor que tentou encerrar quando procurou ajuda.

O número usado por Melissa tem peso nacional. Levantamento da socióloga Regina Gondim, pesquisadora do Instituto de Direito Público, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgado pela Band, registrou 307 mil processos judiciais de violência contra a mulher prescritos entre 2020 e 2025. O mesmo levantamento apontou que 24% dos processos foram arquivados depois da perda do prazo legal para julgamento.

Foi nesse chão que Melissa pisou ao escrever: “Proteger as mulheres não é apenas criar novos programas ou incentivar sua participação na política. Também é garantir que aquelas que tiveram coragem de denunciar encontrem uma Justiça acessível, eficiente e capaz de dar uma resposta em tempo razoável.” A última frase veio como recado: “Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão depois de já ter esperado tanto para conseguir denunciar. Defender as mulheres também é garantir que a Justiça não chegue tarde demais.”

A manifestação ganha outra dimensão porque Melissa não fala de fora dessa realidade. Em 2024, o Ministério Público do Acre denunciou Madson Cameli por lesão corporal e violência psicológica, em um caso que envolve supostas agressões físicas e psicológicas relatadas por ela. A defesa de Madson nega as acusações e sustenta que o caso nasceu em um contexto de término de relacionamento. O processo ainda precisa seguir o caminho legal, com contraditório e ampla defesa, mas a existência da denúncia e a exposição pública de Melissa colocaram a história no centro de uma discussão que o Acre costuma empurrar para dentro das casas: o que acontece com uma mulher depois que ela decide falar?

Horas antes dessa cobrança, Melissa já vinha trazendo luz sobre esse tema em seus stories, apontando aquilo que muitas vítimas só conseguem dizer depois de sobreviver ao pior trecho do caminho. “Não foi fácil. Houve dias em que eu pensei que não conseguiria. Mas Deus me sustentou em cada um deles”, escreveu. Em outro trecho, tocou no ponto mais invisível da violência: “Nem toda violência deixa marcas visíveis e nem toda injustiça acontece de forma explícita.” A sequência terminou como um chamado sem enfeite: “Mulheres, denunciem e não desistam!”

A força desses posicionamentos está justamente no que eles não tentam esconder. Denunciar não é um gesto simples. Para muitas mulheres, é o momento em que a violência sai da casa e passa a circular pela família, pelos amigos, pelo trabalho, pela internet, pela polícia e pela Justiça. A mulher que denuncia quase sempre precisa provar mais do que o fato. Precisa provar que sofreu, que lembra, que não exagerou, que não inventou, que não quer vingança, que merece crédito. Quando o processo se arrasta, essa cobrança se repete por meses ou anos. A agressão vira lembrança obrigatória. A espera vira punição.

Ao comentar a publicação do Defesa Lilás, Melissa deslocou o debate de um evento político para uma pergunta concreta: que proteção existe quando uma mulher denuncia e passa anos olhando para um processo parado? No Acre, onde sobrenomes pesam, relações políticas se cruzam e a vida pública invade a vida privada, essa pergunta não é abstrata. Ela alcança delegacias, promotorias, gabinetes, tribunais e também as rodas de conversa onde a palavra da mulher ainda costuma ser colocada em dúvida antes mesmo de o processo andar.

A defesa das mulheres não se mede apenas pelo discurso de combate à violência. Mede-se pelo tempo da resposta, pela coragem de acolher quem denuncia, pela proteção dada antes que o risco aumente e pela capacidade de impedir que a vítima seja esmagada pela própria engrenagem que deveria ampará-la. Quando Melissa escreve que a Justiça não pode chegar tarde demais, ela fala de prescrição, mas fala também de abandono. Porque, para uma mulher que esperou muito para denunciar, cada ano sem decisão pode parecer uma nova forma de silêncio.

A sequência publicada por Melissa deixa uma pergunta incômoda para instituições, autoridades e para a própria sociedade acreana: o que acontece com uma mulher depois que ela tem coragem de denunciar?