Acre

Comitê para a Proteção dos Jornalistas divulga caso de agressão contra Chico Melo

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, organização internacional de defesa da liberdade de imprensa, divulgou o caso de agressão e ameaça contra o jornalista Chico Melo, diretor do grupo independente Integração, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. A entidade cobrou das autoridades brasileiras uma investigação rápida e completa sobre o ataque, ocorrido na madrugada de 22 de julho, e pediu a responsabilização dos envolvidos.

A manifestação do Comitê para a Proteção dos Jornalistas deu projeção internacional ao episódio. Chico Melo foi atacado dentro da própria casa por quatro homens armados, que invadiram o quarto onde ele estava, fizeram perguntas sobre sua atuação no rádio e o ameaçaram. O jornalista foi espancado com socos e chutes, sofreu ferimento na cabeça e teve o celular exigido pelos agressores, além de uma transferência bancária de US$ 400.

A coordenadora do programa da América Latina do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Cristina Zahar, classificou a violência contra Melo como um ataque grave à liberdade de imprensa e ao jornalismo local no Brasil. “A violência sofrida por Chico Melo em sua própria casa é um grave ataque contra a liberdade de imprensa e o jornalismo local no Brasil”, afirmou.

Em vídeo publicado após a agressão, Chico Melo relatou que ficou cerca de meia hora sob violência e ameaça. “Eles me torturaram por meia hora, e eu realmente pensei que fosse morrer”, disse o jornalista.

O caso foi levado ao conhecimento público internacional após Melo relatar suspeita de motivação política. Ele vinha publicando reportagens sobre suposto desvio de recursos públicos destinados a uma feira agropecuária na região do Juruá. O jornalista e o radialista Rogério Wenceslau também disseram ter recebido ameaça de prisão de uma autoridade de alto escalão do governo estadual depois da divulgação das denúncias.

A Federação Nacional dos Jornalistas e o sindicato local repudiaram o ataque. A investigação policial apura as circunstâncias da agressão. O policial Heverton Carvalho, responsável pelo caso, informou ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas que todas as linhas de investigação estão sendo analisadas, inclusive a possível ligação com o trabalho jornalístico de Melo, mas que ainda não há elementos suficientes para confirmar essa relação.

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