Bittar acusa imprensa, mas é cobrado a provar quem recebeu dinheiro de ONGs no Acre

A resposta veio no ar, na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul. No Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Chico Melo e Rogério Wenceslau rebateram a fala do senador Márcio Bittar (PL-AC), que havia acusado parte da imprensa acreana de ser custeada por ONGs e chamado entrevistas feitas no Juruá de “quase combinadas”. A cobrança foi direta: se há jornalistas ou veículos pagos por ONGs para conduzir entrevistas, Bittar precisa apresentar nomes, valores, contratos e provas.

Chico abriu o programa colocando a acusação no centro da bancada. “A imprensa do Acre, em especial a imprensa do Juruá, é vendida, é comprada por ONGs”, disse ele, ao reproduzir o teor da fala de Bittar. Em seguida, marcou o ponto que atravessou toda a resposta: “Esse negócio de pagamento a jornalista, a veículo de imprensa, para fazer pauta combinada, é um negócio que tem que ser provado. Nem todo mundo está nesse balaio aí”.

Rogério Wenceslau respondeu com ironia, mas também com incômodo de quem viu uma categoria inteira ser colocada sob suspeita. “Me passa por favor o contato dessa ONG que você se vendeu, que eu quero me vender também”, disse. Chico manteve o tom e devolveu a provocação ao senador: “Eu quero saber onde depositaram essa grana. O meu extrato bancário está à disposição, senador Márcio Bittar. Será que o seu está à disposição?”.

A reação da bancada não foi uma defesa vazia da imprensa. Foi uma cobrança por prova. Bittar pode criticar entrevistas, cobrar perguntas mais duras e exigir que Jorge Viana responda sobre BR-364, ponte sobre o Rio Juruá, Serra do Divisor, ligação com o Peru e políticas ambientais. Esse debate é legítimo. O que não se sustenta é usar a tribuna do Senado para lançar suspeita sobre jornalistas e veículos sem dizer quem recebeu, quanto recebeu, de qual ONG recebeu e para fazer qual pauta.

Chico também fez questão de separar crítica política de acusação sem prova. “A imprensa do Juruá não está vendida. Eu não estou”, afirmou. Depois, cobrou que a fala de Bittar tenha consequência concreta: “Vai ter que provar”. A frase resume o ponto central da resposta. Em política, a palavra pode ser dura. Mas quando a palavra acusa, precisa vir acompanhada de documento.

A bancada levou ao ar um levantamento feito a partir da transparência do Senado. Entre maio de 2025 e março de 2026, aparecem pelo menos R$ 281.323,65 em gastos da cota parlamentar de Bittar com serviços ligados à divulgação da atividade parlamentar, imprensa, publicidade, marketing e comunicação. Desse total, R$ 198.933,65 são de 2025 e R$ 82.390,00 dos três primeiros meses de 2026. Janeiro de 2026 concentrou o maior volume, com R$ 55.390,00. O maior pagamento individual reunido no material foi de R$ 31.590,00, descrito como trabalho técnico de apoio ao mandato parlamentar.

Chico fez a ressalva necessária: o uso da cota parlamentar para divulgação do mandato não é ilegal por si só. “A legislação permite isso”, disse. Mas a pergunta política ficou de pé. Se Bittar acusa a imprensa de financiamento oculto, seus próprios gastos públicos com comunicação também podem ser examinados. O levantamento reúne repasses a serviços de comunicação, publicidade, produção, marketing, outdoor e impulsionamento em redes sociais.

O apresentador também deixou claro que a bancada não recebeu dinheiro do gabinete do senador. “Essa bancada não recebeu um real do senhor”, afirmou. Em seguida, reforçou o convite ao confronto público de informações: “Eu deixo à disposição meu extrato bancário”. A resposta mirou o ponto mais sensível da acusação: quem fala em dinheiro escondido precisa aceitar transparência total, inclusive sobre o próprio mandato.

A Rádio Integração não fechou portas. Fez o contrário. Bittar foi convidado a ir ao programa, sentar na bancada, tomar café e responder. “O senhor pode vir aqui tomar um cafezinho com a gente. Está convidado”, disse Chico. Ele lembrou que o senador já foi entrevistado gratuitamente na emissora e que nunca pagou nada por isso. “O senador já teve aqui, já tomou cafezinho com a gente, já tomou água e nunca pagou nada”, afirmou.

A resposta também devolveu a cobrança sobre infraestrutura. Se Bittar quer perguntar a Jorge Viana sobre a BR-364, a ponte e a ligação com o Peru, também deve responder o que fez quando teve força em Brasília, quando foi relator do Orçamento e quando dizia ter influência para mandar recursos ao Acre. “Como é que ele vai criticar a BR-364 se, quando teve a oportunidade de fazer, não fez?”, questionou Chico.

O Juruá não precisa apenas saber quem impediu obras. Precisa saber quem prometeu, quem teve caneta, quem tinha poder e quem não entregou. Foi esse o sentido da pauta que Chico disse que enviaria ao gabinete do senador. “Eu queria combinar aqui uma pauta com o senador Márcio Bittar. Tenho algumas perguntas aqui. Eu vou mandar para sua assessoria e, se o senhor tiver coragem, o senhor vem aqui e responde”, disse.

Chico também fez questão de preservar o tom institucional da cobrança. “Sem ranço, sem ofensa. A gente faz uma gozação porque também nós temos esse direito, já que fomos achincalhados publicamente”, afirmou. A frase mostra o limite da resposta: houve ironia, houve indignação, mas também houve convite ao contraditório. Bittar pode responder no Senado, por nota, pela assessoria ou no próprio Jornal da Manhã. O microfone está aberto.

No fim, o Jornal da Manhã colocou a discussão no lugar certo. A imprensa do Juruá não é extensão de gabinete, nem de Jorge, nem de Bittar, nem de qualquer outro grupo político. Ela existe para perguntar. Se há entrevista combinada, que se prove. Se há ONG pagando jornalista, que se mostre. Se não há prova, a acusação vira apenas tentativa de intimidar quem trabalha com microfone aberto diante da população.

Bittar acertou ao trazer a infraestrutura para o centro do debate. Errou ao atacar a imprensa sem apresentar provas. Quem cobra transparência precisa praticá-la. Quem exige perguntas duras precisa responder perguntas duras. E quem usa a tribuna do Senado para acusar jornalistas deve ter coragem de voltar ao Juruá, sentar diante dos microfones e explicar, com documentos na mão, exatamente o que quis dizer.

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.