Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

Edvaldo Magalhães diz que ataque a Chico Melo ameaça democracia e levanta hipótese de crime político

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) saiu em defesa da democracia e da liberdade de imprensa ao comentar a agressão sofrida pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzeiro do Sul, em 22 de julho. Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (4), o parlamentar afirmou que o caso pode ter motivação política e relacionou o episódio à atuação jornalística desenvolvida pelo comunicador.

Segundo Edvaldo, a agressão não ocorreu por causa das opiniões pessoais do jornalista, mas pela cobertura de temas considerados sensíveis envolvendo o governo estadual. O deputado citou reportagens e entrevistas exibidas pela emissora sobre denúncias de violência doméstica envolvendo Melissa Sampaio, supostas irregularidades nos pagamentos da Expoacre Juruá, dispensas de licitação e contratações diretas.

“Mas por que cometeram essa agressão ao jornalista Chico Melo? Não foi porque estava a rezar um terço no programa Jornal da Manhã. Foi porque a editoria daquela rádio resolveu abordar assuntos proibidos por gente do poder”, afirmou.

O parlamentar também disse que o Acre não registrava um episódio dessa gravidade contra profissionais da imprensa havia cerca de três décadas. Ao relembrar o período do chamado “Esquadrão da Morte”, Edvaldo mencionou casos de intimidação e violência contra jornalistas que denunciavam crimes e irregularidades.

“Passavam mais de três décadas que um episódio dessa gravidade não havia ocorrido. Pressões e intimidações existiram ao longo dos anos, mas a violência e a ameaça à vida tinham cessado desde que aquelas práticas foram combatidas”, declarou.

Na avaliação do deputado, ataques contra jornalistas representam uma ameaça direta ao regime democrático e à liberdade de expressão. Ele afirmou que o Parlamento não pode permanecer em silêncio diante de episódios dessa natureza.

“Quando um jornalista é atacado, toda a democracia é exposta à violência. Esta tribuna não pode se calar, porque, se isso acontecer, todos seremos coniventes com a violência política, com a intimidação e com a ameaça à vida”, disse.

Edvaldo Magalhães ainda afirmou que, em Cruzeiro do Sul, haveria conhecimento sobre os possíveis envolvidos e as motivações da agressão. Sem citar nomes, declarou que não aceita qualquer forma de intimidação praticada por agentes ligados ao poder e defendeu a continuidade do trabalho jornalístico diante de tentativas de silenciamento.

Roberto Duarte confirma candidatura à reeleição e cobra investigação de atentado contra Chico Melo

O deputado federal Roberto Duarte confirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que disputará a reeleição pelo Republicanos. O parlamentar também defendeu a candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre, criticou a judicialização da disputa eleitoral e cobrou uma resposta rápida das autoridades sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo.

Duarte afirmou que seu nome foi aprovado na convenção do Republicanos e que a aliança política foi construída ao longo dos últimos dois anos. A chapa majoritária reúne Alan Rick como candidato ao governo, Mara Rocha na disputa pelo Senado e o senador Sérgio Petecão entre os aliados.

“O nosso nome também já está oficializado como candidato à reeleição ao cargo de deputado federal. Isso foi uma construção que nós fizemos ao longo dos últimos dois anos, que dependeu de muito diálogo e muita conversa”, declarou.

O deputado disse que o grupo pretende concentrar a campanha em propostas para geração de emprego e renda, saneamento, educação e segurança pública. Segundo ele, Alan Rick não apresentará promessas de resolver todos os problemas do estado.

“O Alan não vai vir a público para dizer que vai resolver todos os problemas do Acre, porque isso é mentir para a população. Mas o Alan tem propostas que podem mudar a história do Acre”, afirmou.

Na área da segurança, Duarte defendeu a participação conjunta do governo estadual, Ministério Público, Poder Judiciário e Defensoria Pública. Ele também afirmou que o grupo pretende enfrentar a atuação das organizações criminosas. Sem citar nomes ou apresentar provas durante a entrevista, o parlamentar falou sobre uma possível relação entre integrantes de facções e agentes políticos.

“Nós não podemos mais aceitar. É inadmissível que hoje as facções comandem o estado do Acre. É inadmissível a interligação das facções com políticos. Isso tem que mudar”, disse.

Duarte também criticou o número de ações eleitorais apresentadas contra integrantes do grupo de Alan Rick. Segundo o deputado, foram protocoladas mais de 30 representações durante a pré-campanha. Ele afirmou que a judicialização prejudica o debate político e dificulta o contato dos candidatos com os eleitores.

“Isso deixa a gente muito triste, porque atrapalha a democracia e atrapalha o eleitor de escolher o seu candidato ou o candidato mais preparado. Eu acredito que nós recebemos mais de 30 representações”, declarou.

O parlamentar afirmou que o grupo procurou o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal para pedir equilíbrio na disputa. Duarte também citou a saída de moradores do Acre em busca de emprego em outros estados como um dos principais problemas que deverão ser discutidos durante a campanha.

“São mais de 30 mil acreanos que deixaram o Acre nos últimos anos, e nós não podemos mais aceitar isso calados. Precisamos fazer essa mudança para trazer de volta os acreanos que estão em outros estados atrás de oportunidades”, afirmou.

Outro tema da entrevista foi o atentado contra o jornalista Chico Melo. Duarte informou que seu gabinete protocolou um pedido para que a Polícia Federal acompanhe o caso. O deputado defendeu a liberdade de imprensa e afirmou que críticas devem ser respondidas pelos meios legais, nunca com violência.

“Repressão, jamais. Nós precisamos de liberdade, independentemente de ela ser crítica ou não. Se houver fake news, você combate dentro do poder correspondente, mas violência, jamais”, declarou.

Duarte cobrou rapidez nas investigações e disse que pretende solicitar uma nova audiência com a Superintendência da Polícia Federal no Acre. O parlamentar também afirmou que buscará informações no Ministério Público e na Polícia Civil.

“A polícia precisa dar uma resposta, a Justiça precisa dar uma resposta, e essa resposta tem que ser rápida. Não pode demorar e tem que ser exemplar para que isso não aconteça mais”, disse.

O deputado afirmou que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, inclusive possíveis mandantes, caso essa participação seja comprovada. “Nós vamos buscar os responsáveis por isso, todos, sem exceção. Se houver comando, nós vamos buscar quem deu o comando”, declarou.

Ao encerrar a entrevista, Duarte afirmou que manterá as agendas no Vale do Juruá e nos demais municípios do Acre durante a campanha. Ele disse ter percorrido todas as regiões do estado durante o mandato e defendido o envio de recursos para as prefeituras.

“Eu procurei, neste mandato, andar em todos os municípios, dialogando com a população e trazendo recursos também para todos os municípios. Enquanto eu estiver na política, vou estar pronto para servir ao próximo”, afirmou.

Mirla Miranda cobra ação rápida no caso Chico Melo e defende investigação federal

A jornalista e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, cobrou nesta quinta-feira, 30, uma resposta rápida das forças de segurança para esclarecer o atentado contra o jornalista Chico Melo. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ela defendeu a participação da Polícia Federal na investigação e afirmou que a demora beneficia os autores do crime.

“Da mesma forma que a bandidagem é rápida, nós exigimos uma ação rápida das polícias do Acre e da Polícia Federal”, declarou. O posicionamento ocorreu após o programa informar que o gabinete do senador Alan Henrique havia protocolado um pedido formal para que a Polícia Federal participasse da apuração. Pedidos semelhantes também teriam sido apresentados por outros parlamentares acreanos.

Mirla afirmou que esteve com Chico Melo no dia anterior e encontrou o jornalista abalado. Segundo ela, o comunicador tremia ao falar sobre a invasão de sua casa, as ameaças recebidas e a arma colocada contra sua cabeça. Para a pré-candidata, a proximidade entre as ameaças e a agressão exige que uma possível motivação política seja investigada.

Ela tratou essa possibilidade como suspeita, não como fato comprovado. “Há indícios fortíssimos de que foi uma coisa planejada e com viés político”, disse, ao cobrar que os responsáveis pela execução e pelo planejamento do ataque sejam identificados.

Durante a entrevista, Mirla também relatou ter ouvido em Cruzeiro do Sul uma versão de que Chico Melo não teria sido morto para evitar uma possível intervenção federal no Acre. A declaração não veio acompanhada da identificação da fonte ou de provas que confirmassem essa hipótese. Mesmo assim, ela aconselhou o jornalista a permanecer protegido e afastado da exposição pública enquanto o caso não for esclarecido.

Para Mirla, a resposta das instituições precisa ocorrer com rapidez para evitar que a violência interfira no processo eleitoral e no trabalho da imprensa. “A Justiça tem que vencer sempre”, afirmou.

No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.

Comitê para a Proteção dos Jornalistas divulga caso de agressão contra Chico Melo

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, organização internacional de defesa da liberdade de imprensa, divulgou o caso de agressão e ameaça contra o jornalista Chico Melo, diretor do grupo independente Integração, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. A entidade cobrou das autoridades brasileiras uma investigação rápida e completa sobre o ataque, ocorrido na madrugada de 22 de julho, e pediu a responsabilização dos envolvidos.

A manifestação do Comitê para a Proteção dos Jornalistas deu projeção internacional ao episódio. Chico Melo foi atacado dentro da própria casa por quatro homens armados, que invadiram o quarto onde ele estava, fizeram perguntas sobre sua atuação no rádio e o ameaçaram. O jornalista foi espancado com socos e chutes, sofreu ferimento na cabeça e teve o celular exigido pelos agressores, além de uma transferência bancária de US$ 400.

A coordenadora do programa da América Latina do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Cristina Zahar, classificou a violência contra Melo como um ataque grave à liberdade de imprensa e ao jornalismo local no Brasil. “A violência sofrida por Chico Melo em sua própria casa é um grave ataque contra a liberdade de imprensa e o jornalismo local no Brasil”, afirmou.

Em vídeo publicado após a agressão, Chico Melo relatou que ficou cerca de meia hora sob violência e ameaça. “Eles me torturaram por meia hora, e eu realmente pensei que fosse morrer”, disse o jornalista.

O caso foi levado ao conhecimento público internacional após Melo relatar suspeita de motivação política. Ele vinha publicando reportagens sobre suposto desvio de recursos públicos destinados a uma feira agropecuária na região do Juruá. O jornalista e o radialista Rogério Wenceslau também disseram ter recebido ameaça de prisão de uma autoridade de alto escalão do governo estadual depois da divulgação das denúncias.

A Federação Nacional dos Jornalistas e o sindicato local repudiaram o ataque. A investigação policial apura as circunstâncias da agressão. O policial Heverton Carvalho, responsável pelo caso, informou ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas que todas as linhas de investigação estão sendo analisadas, inclusive a possível ligação com o trabalho jornalístico de Melo, mas que ainda não há elementos suficientes para confirmar essa relação.

Roberto Duarte cobra entrada da PF e põe sob suspeita investigação da Polícia Civil no caso Chico Melo

O deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC) pediu à Superintendência da Polícia Federal no Acre que entre na investigação do ataque ao jornalista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul. Para o parlamentar, a Polícia Civil não reúne condições para conduzir o inquérito com exclusividade porque a própria corporação aparece nos relatos de intimidação feitos pelos jornalistas antes da agressão. O pedido foi protocolado por meio do Ofício nº 0040/2026.

A questão central levantada por Duarte não está apenas na violência sofrida por Chico Melo, mas no ambiente político que antecedeu o ataque. Em 17 de julho, cinco dias antes da invasão à casa do jornalista, Chico e Rogério Wenceslau relataram publicamente, no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre.

As ameaças teriam surgido depois que os dois jornalistas divulgaram suspeitas de desvios na aplicação de recursos públicos destinados à Expoacre. O caso provocou notas de repúdio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e da Federação Nacional dos Jornalistas.

Roberto Duarte também levou à Polícia Federal o relato de que Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Cameli, teria feito ameaças aos jornalistas e mencionado influência junto ao comando da Polícia Civil. A acusação depende de investigação e prova, mas, para o deputado, impede que a corporação estadual permaneça como única responsável pelo caso.

“A mesma instituição apontada como instrumento da intimidação é a que hoje conduz, com exclusividade, o inquérito instaurado para apurar o ataque”, afirmou Duarte no documento encaminhado à Polícia Federal.

O parlamentar sustenta que o problema ultrapassa a capacidade técnica dos delegados, agentes e peritos. A crise está na falta de distância institucional. A Polícia Civil é subordinada ao governo estadual, enquanto pessoas ligadas ao núcleo político do governo aparecem nos relatos apresentados pelos jornalistas.

Nesse cenário, Duarte considera que a investigação exclusiva da Polícia Civil nasce comprometida por suspeitas de interferência, limitação das apurações e eventual abafamento de linhas que possam alcançar integrantes do poder estadual. “A condução da apuração exclusivamente pela Polícia Civil do Acre compromete a isenção, a credibilidade e a eficácia da investigação”, escreveu.

O deputado também chama atenção para o fato de que a abertura do inquérito foi comunicada em nota oficial do próprio Governo do Estado. Para ele, a circunstância aumenta a necessidade de uma força externa, com autonomia administrativa e política, capaz de investigar tanto os executores do ataque quanto possíveis mandantes e interesses envolvidos.

A entrada da Polícia Federal, na avaliação de Duarte, permitiria separar a investigação da estrutura citada pelos jornalistas e afastaria a suspeita de que o caso possa ser controlado dentro do aparato estadual. Sem essa medida, qualquer resultado produzido pela Polícia Civil continuará sob questionamento público.

O parlamentar relaciona ainda o episódio ao processo eleitoral de 2026. Jornalistas ameaçados após fiscalizarem gastos públicos, em plena disputa política, não representam apenas um caso de violência individual. O ataque atinge o direito da população acreana de conhecer denúncias sobre dinheiro público e acompanha uma tentativa de impor medo a profissionais responsáveis pela fiscalização do governo.

Duarte argumenta que a Polícia Federal também possui atribuições de polícia judiciária eleitoral. Para ele, uma possível perseguição contra jornalistas durante o período eleitoral pode afetar a liberdade de informação e a normalidade do debate político no Acre.

O pedido não atribui culpa definitiva a qualquer pessoa. A cobrança do deputado é por uma investigação fora da estrutura estadual citada nas denúncias. O ponto levantado por Roberto Duarte é direto: uma instituição mencionada em relatos de intimidação não pode investigar sozinha um crime cometido contra quem fez as acusações.

MPAC dá 30 dias para polícia atualizar caso de Chico Melo

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) deu prazo de 30 dias para que a Polícia Civil apresente informações atualizadas sobre a investigação do ataque ao jornalista e radialista Chico Melo, ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. Uma notícia de fato criminal foi instaurada para acompanhar a apuração, identificar os envolvidos e verificar as providências adotadas pela autoridade policial.

A medida foi assinada pela promotora de Justiça substituta Poliana Gusmão, da Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul. O MPAC solicitou acesso ao boletim de ocorrência, ao inquérito policial, a eventual laudo do exame de corpo de delito e às diligências realizadas desde o crime.

A Polícia Civil também deverá informar se os suspeitos já foram identificados ou localizados e se existem imagens de câmeras de segurança, dados de geolocalização dos celulares roubados ou outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento do caso.

Chico Melo, de 54 anos, teve a residência invadida por quatro homens armados no bairro Telégrafo. Os criminosos quebraram uma janela, seguiram até o quarto onde o jornalista estava e exigiram dinheiro enquanto revistavam o imóvel.

Durante o assalto, o radialista foi agredido com socos e atingido por uma coronhada na cabeça, que provocou um corte. Os assaltantes levaram cerca de R$ 3 mil, aparelhos celulares e outros pertences. Antes da fuga, o grupo ainda revistou um veículo estacionado na residência.

Um telefone celular e uma faca encontrados no imóvel foram recolhidos para análise. A Polícia Militar realizou buscas na região, mas nenhum suspeito foi preso. Após o ataque, Chico Melo recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Cruzeiro do Sul.

Quando o prazo terminar, o procedimento retornará ao Ministério Público para uma nova análise. O órgão poderá requisitar outras diligências ou medidas cautelares. O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado também acompanhará a investigação.

Sinjac e Fenaj articulam proteção para Chico Melo no Acre

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) adotaram nesta quinta-feira, 23, medidas para ampliar a proteção do jornalista e radialista Chico Melo, de 54 anos, após a invasão violenta à residência dele na madrugada de quarta-feira, 22, em Cruzeiro do Sul. As entidades trabalham para incluir o comunicador em um programa federal de proteção.

O caso foi encaminhado a representante da organização Repórteres Sem Fronteiras, que deverá orientar Chico Melo sobre o ingresso no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A presidente da Fenaj, Samira de Castro, entrou em contato com o jornalista e repassou as orientações iniciais. O programa federal pode oferecer medidas de segurança conforme o risco enfrentado e as circunstâncias apuradas no caso.

Quatro homens armados invadiram a casa de Chico Melo por volta das 2h30, após arrombarem uma janela. O jornalista foi agredido com socos e uma coronhada na cabeça, recebeu ameaças de morte e precisou de atendimento médico. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Acre para identificar os autores e esclarecer a motivação do crime.

Durante a ação, um dos invasores teria perguntado se Chico Melo era a pessoa que falava de política. O relato levantou a possibilidade de que o ataque tenha relação com a atividade profissional do comunicador, hipótese que ainda depende de confirmação. A apuração policial trabalha inicialmente com a possibilidade de roubo.

A Fenaj também encaminhou o episódio ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. As entidades cobram uma investigação capaz de esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias da invasão.

O presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro, afirmou que o sindicato acompanha o caso e atua para garantir a segurança do jornalista. “Esse caso não pode ficar impune”, declarou. Sinjac e Fenaj também pediram a responsabilização dos envolvidos e medidas para evitar novos ataques contra profissionais da imprensa.

Cinco dias antes da invasão, as duas entidades já haviam divulgado uma nota após Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau relatarem supostas ameaças de prisão. Até o momento, não há confirmação de relação entre as denúncias anteriores e o ataque ocorrido na residência.

Aleac repudia agressões contra jornalista Chico Melo e cobra investigação rigorosa

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) divulgou uma nota de repúdio às agressões sofridas pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração, durante um suposto assalto ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. O posicionamento foi assinado pelos 24 deputados estaduais.

Na manifestação, a Casa afirma que o comunicador foi espancado, teve pertences violados e sofreu tortura psicológica durante a ação criminosa. Para os parlamentares, um atentado contra um jornalista representa também um ataque à democracia e à liberdade de imprensa.

A Aleac solicita uma investigação rigorosa, pública e transparente por parte da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), para identificar e responsabilizar os autores do crime.

A nota também reafirma que a Assembleia não tolera qualquer tipo de violência contra profissionais da imprensa, agentes políticos ou membros da sociedade civil em razão de posicionamentos políticos ou do exercício da atividade jornalística.

Leia a nota completa abaixo.

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), composta por seus 24 membros, vem à público repudiar as agressões praticadas contra o jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzciro do Sul.

Chico Melo foi vítima de um atentado na madrugada desta quarta-feira (22/7), em sua residência no bairro do Telégrafo.

Durante o suposto assalto, ele foi violentamente espancado, teve seus pertences violados e foi submetido à tortura psicológica pelos criminosos.

Um atentado contra um jornalista não se configura apenas uma agressão a um profissional, mas a toda a democracia que essa Casa Legislativa defende com veemência e firmeza ao longo dos seus mais de sessenta anos.

Diante disso, solicitamos uma investigação rigorosa, pública e transparente, por parte da Polícia Civil, com o acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre
(MPAC), apresentado os culpados por essa barbárie.

Reafirmamos ainda que não toleraremos manifestação de violência contra qualquer profissional da imprensa, políticos ou membro da sociedade civil por sua preferência partidária ou política, ou, no caso da imprensa, por simplesmente relatar a verdade dos fatos.

Tortura nunca mais!

Assembleia Legislativa do Estado do Acre – Aleac
Sala das Sessões Deputado Francisco Cartaxo
Rio Branco Acre, 22 de julho de 2026