Candidato falou sobre saúde, produção rural, infraestrutura, combate à corrupção e cenário eleitoral durante entrevista ao Jornal da Manhã
O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) participou, nesta terça-feira, 1º de setembro, da série de sabatinas promovida pelo Grupo Integração com os candidatos aos cargos majoritários nas eleições de 2026. A entrevista foi realizada ao vivo no Jornal da Manhã, da Integração FM, em Cruzeiro do Sul, e teve duração prevista de 30 minutos, seguindo o mesmo formato estabelecido para os demais candidatos.
Acompanhado do candidato a vice-governador, sargento Adonis, Bocalom falou sobre a campanha no Vale do Juruá, apresentou propostas do plano de governo e respondeu a questionamentos sobre saúde, agricultura, infraestrutura, situação financeira do Estado e alianças políticas.
Logo no início da entrevista, o candidato voltou a defender o projeto “Produzir para Empregar”, bandeira utilizada por ele em campanhas anteriores e também durante suas gestões municipais. Bocalom afirmou que pretende aplicar no Estado medidas de incentivo à produção rural e à instalação de agroindústrias.
“O meu projeto é o mesmo: Produzir para Empregar”, declarou. Segundo ele, o Acre precisa mudar o modelo de desenvolvimento para ampliar a produção local e reduzir a dependência de alimentos trazidos de outros estados.
Na área da saúde, Bocalom reconheceu dificuldades no atendimento público e apresentou como uma das propostas a implantação de hospitais de pequeno porte nos municípios do interior. A ideia, segundo ele, é aproveitar estruturas existentes e ampliar a capacidade para procedimentos de urgência, incluindo pequenas cirurgias.

“Cada município do Estado do Acre terá um hospital de pequeno porte”, afirmou. Bocalom disse ainda que pretende buscar recursos federais e envolver as prefeituras na gestão das unidades.
A produção rural também ocupou parte significativa da entrevista. O candidato defendeu a recuperação de ramais, mecanização agrícola, distribuição de calcário, assistência técnica e a retomada da atuação da Emater. Bocalom citou o avanço da cafeicultura no Juruá como exemplo de atividade capaz de movimentar a economia dos municípios.
Segundo ele, o Estado deve atuar junto aos produtores desde a preparação da terra até a organização da produção e industrialização. “A riqueza nasce e multiplica no campo e vem para a cidade”, disse.
Integração com o Peru
Questionado sobre a ligação rodoviária entre o Vale do Juruá e o Peru, passando pela região da Serra do Divisor, Bocalom defendeu a execução do projeto e afirmou que pretende pressionar o Governo Federal para viabilizar a obra.
O candidato citou o decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor, que prevê a possibilidade de implantação da BR-364 observadas as medidas de proteção ambiental, e atribuiu a ausência da estrada à falta de decisão política.
“Essa estrada vai sair”, afirmou. Bocalom disse que pretende dialogar com o Governo Federal e defendeu que a integração com o Peru pode abrir uma nova rota para exportações acreanas em direção aos portos do Pacífico.
Durante a sabatina, ele também voltou a tratar das condições da BR-364 e defendeu que trechos da rodovia sejam reconstruídos em concreto. Bocalom criticou os sucessivos investimentos realizados na estrada sem que, segundo ele, os problemas tenham sido definitivamente solucionados. Também afirmou que pretende cobrar a execução da ponte entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.
Gestão financeira e combate a irregularidades
Ao falar sobre as finanças públicas, Bocalom citou sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco e afirmou que pretende adotar no Governo do Acre uma política de controle de despesas e formação de caixa antes da execução de grandes investimentos.
O candidato declarou que pretende chegar ao fim do terceiro ano de um eventual mandato com mais de R$ 1 bilhão disponível em caixa.
“Agora o dinheiro está na conta, agora a gente vai fazer grandes obras”, afirmou ao explicar o modelo que pretende aplicar.
Bocalom também fez críticas à administração estadual ao ser questionado sobre corrupção. Ele afirmou que pretende aumentar o controle sobre contratos e despesas e encaminhar eventuais irregularidades aos órgãos de fiscalização e investigação.
Ao ser perguntado se considera que ainda existe “roubalheira” no Estado, respondeu: “E muita. Desculpe, mas a roubalheira não diminuiu”. A declaração foi feita pelo candidato durante a entrevista. Ele disse manter relação de amizade e respeito com integrantes do atual grupo político, mas defendeu maior fiscalização sobre a estrutura administrativa.
Senado e cenário eleitoral
A disputa eleitoral também esteve entre os assuntos abordados. Bocalom afirmou acreditar que Eduardo Veloso, candidato ao Senado apoiado pelo seu grupo, será o mais votado para o cargo no Acre.
“Eduardo Veloso será o senador mais bem votado do Estado. Eu não tenho dúvida”, declarou.
Questionado sobre o desempenho de Gladson Cameli nas pesquisas, Bocalom reconheceu a popularidade do ex-governador, mas levantou dúvidas sobre a situação de sua candidatura. O candidato informou ainda que, neste momento, sua campanha trabalha prioritariamente com o nome de Eduardo Veloso para o Senado, sem descartar uma definição sobre um segundo nome na reta final.
No encerramento da sabatina, Bocalom descartou fazer projeções sobre alianças para um eventual segundo turno e afirmou acreditar que poderá vencer a disputa ainda na primeira votação.
“Nós vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”, disse. Ao comparar sua estrutura de campanha com a dos adversários, utilizou a expressão “o tostão contra o milhão” e pediu aos apoiadores que atuem como multiplicadores da candidatura.
A entrevista com Tião Bocalom integra a rodada de sabatinas do Grupo Integração com os candidatos majoritários das eleições de 2026, realizada pelo Jornal da Manhã, na Integração FM.