Na aliança de Mailza, quem desafinar do coral pode acabar conhecendo a moderna versão do paredón eleitoral.
A política acreana acaba de produzir uma cena digna dos melhores roteiros de humor.
A chapa formada por Mailza Assis, Jéssica Sales, Gladson Cameli, Márcio Bittar e Flávio Bolsonaro decidiu que seus candidatos deverão marchar rigorosamente em fila. Quem olhar para o lado errado, subir no palanque errado ou demonstrar simpatia pelo candidato errado poderá enfrentar um processo interno, correr o risco de perder o registro e ainda ser expulso do partido. Tudo isso acompanhado por uma comissão encarregada de fiscalizar a fidelidade. É quase uma inquisição eleitoral.
Segundo o decano jornalista Crica, durante a transmissão da convenção, a avaliação nos bastidores é de que a ideia teria partido do senador Márcio Bittar. Se a informação estiver correta, a política brasileira acaba de assistir a uma das mais cômicas e curiosas voltas da história.
Bittar, que na juventude militou no antigo Partido Comunista Brasileiro e chegou a passar um período na antiga União Soviética em atividades de formação política, hoje é um dos principais nomes do PL bolsonarista. Mas, pelo visto, algumas ferramentas organizacionais atravessam as décadas e sobrevivem às mudanças ideológicas.
Mudou a bandeira. Mudou o partido. Mudou o discurso. Mas a formação em patrulhamento ideológico/partidário continua firme.
A novidade é que a democracia deles ganhou um departamento de fiscalização política. Não basta ser candidato da aliança. É preciso demonstrar fidelidade permanente, sob pena de séria punição.
Curiosamente, a resolução abre uma exceção para os prefeitos, que ficaram livres dessa guilhotina partidária. Ou seja, a regra vale para todos… menos para alguns.
George Orwell provavelmente daria um sorriso discreto ao ler esse regulamento.
No fim das contas, fica uma pergunta inevitável: quando uma aliança precisa criar uma comissão para vigiar seus próprios aliados, o problema está na falta de disciplina… ou na falta de confiança?
Porque alianças sólidas costumam ser construídas com liderança. As frágeis, às vezes, recorrem ao medo.