Vale do Juruá

Do plantio à embalagem, café do Juruá agrega valor e abre espaço fora do Acre

Uma propriedade rural de Cruzeiro do Sul está transformando o café cultivado no Vale do Juruá em um produto pronto para chegar diretamente ao consumidor. Na Fazenda Ouro Preto, a família responsável pelo Café Milu acompanha desde o plantio e a colheita até a torra, moagem e embalagem, modelo que permite agregar valor à produção antes da comercialização.

A estratégia acompanha o crescimento da cafeicultura no Juruá, que nos últimos anos passou a reunir novas áreas de cultivo, produtores, cooperativas e marcas locais. Em vez de comercializar apenas o grão, empreendimentos da região começam a investir também no beneficiamento e na construção de marcas próprias.

No caso do Café Milu, a produção familiar instalada em Cruzeiro do Sul vem ampliando sua presença no mercado e já alcança consumidores além das fronteiras do Acre. O negócio também recebe acompanhamento do Sebrae, com orientações voltadas à gestão, organização da empresa e expansão comercial.

A relação da família com o Sebrae começou antes da entrada na cafeicultura. Raimundo Carlos de Oliveira atuou durante anos na piscicultura e manteve o acompanhamento da instituição quando decidiu investir em uma nova atividade produtiva.

“O Sebrae é um parceiro da vida toda da gente, desde a piscicultura até o café”, afirmou o empreendedor.

A experiência da família mostra uma mudança na própria cadeia produtiva do café no Juruá. Além do aumento da produção no campo, parte dos produtores passou a buscar formas de manter uma parcela maior do valor gerado pelo produto dentro da região, com beneficiamento, torrefação, embalagem e comercialização.

O movimento ocorre em uma região que já se consolidou como o principal polo de produção de café do Acre. Dados divulgados pela Cooperativa de Cafeicultores do Juruá apontam mais de 5 milhões de pés plantados e centenas de produtores envolvidos na atividade.

Com marcas locais chegando a novos consumidores, o café cultivado no Juruá deixa de ser apenas matéria-prima e passa a disputar espaço nas prateleiras como produto identificado com a própria região de origem.

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