Política

Em entrevista à Integração FM, Gemil critica retirada de apoio à Marcha para Jesus

O líder evangélico Gemil Júnior afirmou nesta segunda-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM, que atribui a uma decisão política a retirada do apoio do Governo do Acre à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul.

Segundo ele, a ausência da estrutura que seria disponibilizada pelo Estado inviabilizou a realização do evento neste ano.

“Cruzeiro do Sul, em 2026, não tem a Marcha para Jesus. E, se você me perguntar os motivos, eu tenho os meus motivos pessoais e acredito que, devido à questão política, o apoio foi retirado”, afirmou.

Gemil é membro da Igreja Batista do Bosque e ligado à Associação dos Ministros Evangélicos do Acre, a Ameacre. Durante a entrevista, ele afirmou que as igrejas não têm condições financeiras de assumir sozinhas despesas com palco, estrutura e organização.

“Não tem como as igrejas arcarem com o custo de uma Marcha para Jesus. É impossível”, declarou.

O líder evangélico também questionou a justificativa apresentada pelo governo para a retirada do apoio. Na avaliação dele, as manifestações dos órgãos de controle foram relacionadas aos valores envolvidos, e não a uma determinação para que a Marcha fosse cancelada.

Gemil citou como comparação a realização do mesmo evento em Tarauacá.

“Na sexta-feira teve uma Marcha para Jesus em Tarauacá com apoio do Governo do Estado do Acre. Então isso é ilógico”, afirmou.

Ele também relacionou o episódio ao atual cenário eleitoral. Gemil destacou que, em Cruzeiro do Sul, o prefeito Zequinha Lima declarou apoio a uma candidatura ao governo que não é a apoiada pelo atual grupo governista, enquanto Tarauacá teria posição diferente.

“Tarauacá realizou a Marcha para Jesus com apoio do governo e com a presença da governadora. Cruzeiro do Sul não tem Marcha. Então aqui não é um assunto que a gente pode passar em branco”, disse.

Para Gemil, o episódio deverá provocar reflexos na relação das lideranças evangélicas com o poder público.

“As igrejas começam a se preparar de uma forma diferente para o ano que vem”, afirmou.

No fim da entrevista, ele reforçou que acredita em uma mudança de postura do segmento evangélico do Juruá após o episódio e disse que as igrejas deverão ter “um posicionamento totalmente diferente” a partir do próximo ano.
Gemil também afirmou que a Ameacre não recebe diretamente os recursos destinados à realização da Marcha para Jesus. Segundo ele, contratos, pagamentos e execução financeira ficam sob responsabilidade do Governo do Estado.

“Pastores não pegam recurso, a Ameacre não recebeu recurso”, declarou.

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