O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, afirmou em entrevista exclusiva ao IntegraçãoNet.com, conduzida pelos jornalistas Chico Melo e Rogério Wenceslau, que vê perseguição política na decisão judicial que mandou retirar outdoors de divulgação de seu mandato. A conversa, gravada em tom de reação imediata, colocou no centro da disputa eleitoral de 2026 uma pergunta que já atravessa os bastidores da política acreana: onde termina a prestação de contas de um parlamentar e onde começa a propaganda eleitoral antecipada?
Alan Rick tratou a decisão como um ato direcionado contra ele. Ao comentar a retirada dos outdoors, afirmou que divulga ações do mandato desde o período em que exerceu o cargo de deputado federal e que usa instrumentos que considera legais para prestar contas à população. “Isso está na lei. É lícito. É legal”, declarou. O senador comparou sua situação à de outros agentes políticos que, segundo ele, também expõem seus nomes em peças públicas no Acre, incluindo a governadora Mailza Assis e o senador Márcio Bittar. “Os meus, em que eu apenas divulgo as ações do meu mandato, a prestação de contas do mandato, democraticamente concedido pela população, nós somos perseguidos”, disse.
A entrevista ganhou peso político porque Alan Rick não se limitou a contestar a decisão. Ele apontou uma disputa desigual entre um pré-candidato que depende da divulgação do próprio mandato e um governo que, na visão dele, dispõe de contratos de mídia, estrutura administrativa, cargos e influência sobre a máquina pública. “A guerra política fica muito desigual. A disparidade de armas em favor do governo é gigantesca”, afirmou. O senador disse que vai recorrer por meio de sua equipe jurídica, mas declarou que cumprirá a decisão judicial enquanto busca reverter a medida.
A controvérsia entra em uma área sensível do direito eleitoral. A legislação brasileira veda propaganda eleitoral por meio de outdoors, inclusive eletrônicos, com previsão de retirada da peça e multa, conforme compilação do Tribunal Superior Eleitoral sobre o tema. A disputa política, no caso relatado por Alan Rick, passa justamente pela diferença entre propaganda eleitoral e divulgação de mandato, ponto que deve ser enfrentado pela defesa do senador nos recursos anunciados.
Alan Rick também levou a discussão para outro campo: o uso da estrutura do Estado na pré-campanha. Questionado sobre declarações atribuídas ao ex-governador Gladson Cameli a respeito da “máquina” fazer diferença na eleição, o senador afirmou estar preocupado com a atuação do grupo governista. “Eles usam muito esse argumento, que vão usar pesadamente a máquina, que vão atropelar, que têm muito dinheiro, que têm muita estrutura, que têm os cargos”, disse. A frase resume o eixo da entrevista: a disputa pelo governo do Acre, ainda antes da campanha oficial, já se move entre decisões judiciais, comunicação pública, presença territorial e controle da narrativa.
O senador citou ainda um episódio no Instituto Socioeducativo, em Rio Branco, para reforçar a tese de que estaria sendo impedido de exercer prerrogativas do mandato. Alan Rick afirmou que, mesmo na condição de relator de uma proposta sobre carreira e estrutura dos agentes socioeducativos no Senado, foi barrado ao tentar entrar no órgão para dialogar com servidores. “O senador é um fiscalizador. Ele tem prerrogativa constitucional. E nós somos barrados de exercer a nossa função”, declarou. A fala desloca a denúncia do campo eleitoral para o campo institucional, porque envolve a relação entre um parlamentar federal e órgãos administrados pelo governo estadual.
Na parte final da entrevista, Alan Rick tentou separar a reação jurídica da estratégia política. Disse que as questões judiciais ficarão com os advogados e que a pré-campanha seguirá centrada na divulgação do mandato, no diálogo com a população e na plataforma Fala Acre, criada para receber sugestões de moradores dos municípios. “As denúncias que têm que ser feitas serão feitas, que é o nosso papel e a população nos elegeu para isso”, afirmou.
O caso das máquinas compradas com recursos federais também entrou na entrevista como exemplo da disputa de narrativa. Alan Rick afirmou que os equipamentos entregues a municípios, ao governo estadual e a associações de produtores foram viabilizados por emendas parlamentares destinadas ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Segundo ele, o modelo permitiu compra no mesmo ano da indicação dos recursos, com economia estimada por ele entre 20% e 30% em relação a processos mais demorados feitos diretamente pelo Estado.
A crítica mais dura veio ao falar de Mâncio Lima. Alan Rick acusou o governo estadual de tentar apresentar as máquinas como se fossem uma entrega própria da administração. “São emendas parlamentares. Emendas que os parlamentares do Acre, os deputados federais e senadores, destinaram ao Ministério da Integração para aquisição das máquinas”, afirmou. Para ele, Estado e municípios aparecem como beneficiários, não como responsáveis exclusivos pela entrega dos equipamentos.
O tom da entrevista ajuda a entender por que a retirada dos outdoors não é apenas uma disputa sobre placas. Alan Rick aparece nas pesquisas recentes como um dos principais nomes na corrida pelo Palácio Rio Branco. Levantamento Paraná Pesquisas divulgado pelo Poder360 em 3 de junho de 2026 colocou o senador à frente nos cenários de primeiro e segundo turno para o governo do Acre, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais e registro no TSE sob o número AC-01182/2026.
No encerramento, o senador adotou o discurso de quem pretende transformar os ataques que diz sofrer em combustível político. “O jogo é bruto”, afirmou, antes de dizer que percebe “uso abusivo da máquina, do poder econômico e do poder político” contra sua pré-candidatura. A frase, dita ao fim da entrevista, dá o tom do embate que deve marcar a sucessão estadual: de um lado, o governo tentando preservar território político; de outro, Alan Rick tentando sustentar a imagem de candidato perseguido por enfrentar a força da máquina.
A entrevista ao IntegraçãoNet.com não encerra a controvérsia. Ao contrário, abre uma nova fase da disputa. A decisão judicial sobre os outdoors deverá seguir para análise dos recursos anunciados pela defesa do senador. As acusações de uso da máquina pública, por sua vez, exigem apuração própria, manifestação dos citados e eventual exame dos órgãos de controle. Politicamente, porém, Alan Rick já escolheu o caminho: vai tratar a retirada das peças, a entrega das máquinas e os episódios em órgãos estaduais como partes de uma mesma narrativa de enfrentamento ao governo.