Continuidade, promessa de mudança e experiência administrativa: o que distingue as três principais alternativas ao governo.
Por Zé Américo Silva — jornalista e consultor político
O eleitor acreano escolherá mais do que um governador. Escolherá um modelo de desenvolvimento. Para decidir, precisa confrontar promessas com resultados, discursos com comportamentos e ambição política com capacidade de governar.
Mailza Assis representa a continuidade de um modelo que, na minha avaliação, não respondeu satisfatoriamente aos problemas da saúde, da educação, da segurança e da geração de emprego e renda. Prometer que o Acre vai avançar exige explicar como. Repetir a receita permite esperar resultados diferentes?
As investigações sobre dinheiro público tornam essa cobrança ainda mais necessária. A Operação Death Note, da PF e da CGU, apura desvios de recursos da educação e aponta prejuízo superior a R$ 30 milhões. São fatos graves que exigem esclarecimento e responsabilização dos envolvidos.
Também permanece em disputa a autenticidade do certificado de Pedagogia apresentado por Mailza – com repercussão em sites nacionais. Sua defesa divulgou uma declaração da instituição validando o documento; a parte acusadora contesta essa resposta. Não há, portanto, conclusão judicial de falsidade. Mas, se comprovado o uso consciente de documento falso para enganar o eleitor, a expressão “estelionato eleitoral” traduziria a gravidade política da conduta. A suspeita exige apuração, não silêncio.
Alan Rick oferece mudança, mas também precisa responder a questões relevantes. Segundo reportagem atribuída ao Estadão, confessou apropriação de recursos eleitorais para firmar acordo de não persecução penal. O acordo não equivale a condenação, como ressalta sua defesa, mas tampouco elimina a cobrança política.
Há ainda o episódio de 2023 – noticiado nacionalmente – em que hostilizou e humilhou um funcionário de companhia aérea no aeroporto de Brasília. Um tempo depois, o próprio senador pediu desculpas por perder o controle. O comportamento permite questionar sua capacidade de lidar com frustrações e exercer autoridade com equilíbrio. Governar exige firmeza; humilhar um trabalhador revela uma postura preocupante.
Bocalom apresenta um elemento diferente: nunca respondeu a processos, tem experiência no Executivo e um projeto experimentado em Acrelândia – por três mandatos – e Rio Branco – eleito e reeleito. Na capital, a prestação de contas da sua gestão registra grandes e significativas obras viárias, pontes rurais, recuperação de mais de 1500 quilômetros de ramais, tecnologia nas escolas, merenda escolar e fardamento completo, inclusive com tênis, construção da maior creche da história do Acre para mais de 600 crianças de 0 a seis anos – e ampliação dos serviços de saúde, acabando com o problema crônico da falta de remédios nas UBS. Só essas entregas permitem avaliar sua capacidade administrativa.
Seu projeto “Produzir para Empregar” estabelece uma direção: fortalecer o campo, agregar valor com agroindústria e gerar trabalho e renda. A proposta vincula desenvolvimento à produção de riqueza.
Nenhum currículo dispensa fiscalização. Mas experiência, entregas e coerência de projeto pesam na comparação. Diante dessas evidências, Bocalom pode representar a escolha mais consistente e sensata.
Cabe ao eleitor decidir: continuar, arriscar ou ampliar uma experiência já testada. O futuro do Acre merece essa comparação.