Política

Crise política e falta de planejamento aceleram saída de jovens do Acre, dizem Jorge Viana e Binho Marques

A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.

Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.

Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.

O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.

Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.

A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.

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