Um erro técnico no registro da candidatura impediu o ex-governador Binho Marques de integrar a chapa de Jorge Viana ao Senado nas eleições de 2026. Mesmo fora da suplência, ele confirmou que seguirá na campanha e atuará na coordenação das candidaturas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas ao governo do Acre.
Em carta aberta divulgada nesta sexta-feira, 7, Binho afirmou que o problema envolveu prazos e datas do registro eleitoral. Ele disse que reconhece o erro e que respeitará a decisão da Justiça.
“Houve um erro técnico no registro da minha candidatura como primeiro suplente do senador Jorge Viana. Um erro de prazos, de datas. Erramos”, afirmou.
Binho também reforçou que continuará diretamente envolvido na campanha. “Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, declarou.
O ex-governador ainda manifestou apoio a Jorge Viana para o Senado, Thor Dantas para o governo do Acre e Lula para a Presidência da República.
O pré-candidato ao Senado Jorge Viana (PT) recebeu o pré-candidato ao governo do Acre Thor Dantas (PSB), o ex-governador Binho Marques (PT) e o jornalista Toinho Alves para um café da tarde neste sábado (25). O encontro foi divulgado nas redes sociais e usado por Viana para defender uma mudança na condução política e administrativa do estado.
No vídeo, Viana aparece preparando e servindo café aos convidados. Ao entregar a bebida a Thor Dantas, afirmou que “o Acre precisa ter jeito” e associou a formação médica do pré-candidato à necessidade de recuperar o estado dos problemas que atribui à atual realidade acreana.
A reunião também reforçou a aproximação política entre Viana e Thor, apontado durante o encontro como candidato ao governo. O petista citou ainda a presença de Binho Marques e Toinho Alves ao falar sobre a construção de um projeto voltado ao futuro do Acre.
“A gente vai cuidar dele”, declarou Viana ao comentar os planos do grupo. A gravação terminou em clima descontraído, com brincadeiras sobre a qualidade do café, produzido na propriedade do próprio pré-candidato ao Senado.
Antes do brinde, Viana elogiou os convidados e afirmou que a bebida estava sendo preparada para pessoas exigentes. O encontro foi encerrado com a frase “celebrando o futuro do Acre”.
Os ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques apresentaram, em episódio do podcast Aqui Tem Acre, um plano de recuperação para a BR-364, principal corredor rodoviário do Acre. A proposta prevê intervenções em 15 quilômetros de trechos considerados intrafegáveis e manutenção em outros 65 quilômetros com condições precárias, com foco no deslocamento entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Jorge Viana afirmou que o diagnóstico da rodovia foi feito após avaliação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, para definir os pontos mais críticos da estrada. A previsão apresentada no programa é que as intervenções avancem ao longo dos próximos meses e melhorem o fluxo de veículos até setembro.
“Não se trata apenas de política, é uma questão de cidadania. A estrada é o meio pelo qual chegam a saúde, a educação e a segurança para a população do Acre”, disse Viana ao defender a recuperação da rodovia mesmo fora de um cargo executivo.
A BR-364 voltou ao centro do debate político por causa das dificuldades de tráfego em trechos afetados pelo solo amazônico, pelas chuvas e pela falta de manutenção permanente. A estrada liga regiões estratégicas do estado e tem impacto direto no transporte de passageiros, alimentos, combustíveis, insumos e serviços públicos.
Binho Marques afirmou que as más condições da rodovia ampliam o isolamento de comunidades e dificultam o acesso da população a direitos básicos. Ele também criticou adversários políticos que, na avaliação dele, tratam o tema como disputa eleitoral sem apresentar soluções para o problema.
“Enquanto o Jorge trouxe o ministro dos Transportes e um plano técnico de ação, há quem prefira apenas a crítica vazia”, afirmou Marques durante a conversa.
Os ex-governadores também defenderam a união da bancada federal do Acre para garantir a continuidade dos investimentos na rodovia. O plano discutido no podcast inclui soluções de engenharia de longo prazo, com obras estimadas em mais de R$ 3 bilhões para adequar a estrada às condições do solo e do clima da região.
O programa também resgatou obras realizadas durante as gestões de Jorge Viana e Binho Marques no governo do Acre. Entre os projetos citados estão a pavimentação de estradas, a construção de pontes e ações voltadas à integração regional.
O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.
A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.
Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.
A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.
A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.
A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.
Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.
Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.
O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.
Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.
A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.
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