A defesa de Gladson Cameli apresentou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, embargos de declaração no Superior Tribunal de Justiça, no âmbito da Ação Penal nº 1.076/DF, processo ligado às investigações das operações Ptolomeu e Murano. A nova movimentação foi registrada no sistema processual da Corte como juntada da petição de embargos de declaração nº 556302/2026, protocolada no mesmo dia em nome de Gladson de Lima Cameli.
O recurso foi apresentado menos de um mês depois de a Corte Especial do STJ condenar o ex-governador do Acre a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Na mesma decisão, o tribunal fixou multa, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e decretou a perda do cargo, embora Cameli já tivesse deixado o governo em abril para disputar as eleições deste ano.
Os embargos de declaração são usados quando a defesa ou a acusação entendem que a decisão judicial tem ponto omisso, contraditório, obscuro ou erro material. Na prática, o pedido leva o tribunal a revisar a própria decisão para esclarecer trechos do julgamento ou corrigir eventuais falhas formais. O recurso não reabre automaticamente toda a discussão do caso, mas pode alterar pontos específicos do acórdão, a depender do que for analisado pelos ministros.
A Ação Penal 1.076 teve origem na denúncia apresentada contra Gladson Cameli por suspeitas de liderança de um esquema de desvios de recursos públicos no Acre. Segundo a acusação, o grupo teria atuado a partir de 2019 com apoio de núcleos político, familiar e empresarial para fraudar contratos públicos e direcionar vantagens indevidas. O caso ganhou força no STJ no fim de 2023, quando a Corte manteve sob sua competência a apuração contra o então governador, e avançou em maio de 2024, com o recebimento formal da denúncia.
Ao longo da tramitação, o processo teve prorrogação de medidas cautelares, disputas sobre provas e um julgamento que começou em dezembro de 2025 e só foi concluído em 6 de maio deste ano. Na fase final, prevaleceu o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, que apontou a participação direta de Cameli no esquema e sustentou que houve fraude na contratação da Murano Construções para obras viárias e de edificações no estado.
A apresentação dos embargos marca agora uma nova etapa da defesa, já esperada depois de um julgamento dessa dimensão. O movimento não muda de imediato o resultado da condenação, mas mantém o caso em aberto no STJ e adia o encerramento completo dessa fase processual, enquanto a Corte decide se há pontos a esclarecer ou corrigir no acórdão.
O novo recurso também chega num momento de pressão ampliada para o ex-governador. Em maio, o STJ recebeu outra denúncia contra Cameli, desta vez relacionada a supostas irregularidades em obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul, o que abriu mais uma ação penal contra ele na Corte.