MPE pede impugnação da candidatura de Gladson Cameli ao Senado no Acre

O Ministério Público Eleitoral pediu nesta quinta-feira, 13 de agosto, ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), a impugnação do registro de candidatura de Gladson de Lima Cameli ao Senado nas eleições de 2026. Filiado ao Progressistas (PP), Cameli registrou candidatura com o número 111 pela coligação Avança Acre. O pedido tem como fundamento a condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, para o MPE, enquadra o candidato nas regras de inelegibilidade da Lei Complementar nº 64/1990.

A impugnação tramita no processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000. O edital do pedido de registro foi publicado em 12 de agosto, e o Ministério Público ingressou com a ação dentro do prazo de cinco dias previsto na legislação eleitoral. Agora, caberá ao TRE-AC analisar os argumentos do MPE e a defesa do candidato antes de decidir se o registro para a disputa ao Senado será mantido ou indeferido. A apresentação da impugnação, por si só, não representa uma decisão da Justiça Eleitoral contra a candidatura.

O ponto central da ação é a condenação de Cameli na Ação Penal nº 1.076/DF. Em 6 de maio de 2026, a Corte Especial do STJ o condenou a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 600 dias-multa. Também foi fixado o pagamento de R$ 11.785.020,31 por danos materiais e decretada a perda do cargo público. O julgamento ocorreu por órgão colegiado, condição usada pelo Ministério Público Eleitoral para sustentar a incidência da regra de inelegibilidade.

A condenação abrangeu dispensa indevida de procedimento licitatório, peculato-desvio por 31 vezes, corrupção passiva, lavagem de dinheiro por 46 vezes e organização criminosa. A Corte Especial rejeitou as principais questões preliminares apresentadas durante o processo, entre elas alegações relacionadas a relatórios de inteligência financeira, buscas e apreensões, competência da Justiça Eleitoral, cadeia de custódia de provas digitais e cerceamento de defesa. No mérito, o colegiado considerou comprovados os crimes atribuídos a Cameli.

A discussão eleitoral não reabre o julgamento criminal realizado pelo STJ. O TRE-AC terá de decidir se os efeitos daquela condenação impedem a candidatura ao Senado. O MPE enquadrou o caso no artigo 1º, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar nº 64/1990, dispositivo aplicado a condenações por determinados crimes quando proferidas por órgão judicial colegiado. Entre os delitos citados na impugnação estão crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o ajuizamento da ação, o Ministério Público Eleitoral afirmou não existir decisão judicial suspendendo a inelegibilidade decorrente da condenação.

Antes da impugnação, o nome de Cameli já havia entrado no módulo “Ficha Suja” do Sisconta Eleitoral. O Relatório de Conhecimento nº 000960/2026, produzido em 12 de agosto, registrou a candidatura ao Senado pelo PP no Acre e relacionou como potencial impedimento eleitoral a condenação na Ação Penal nº 1.076/DF. O sistema reúne informações usadas pelo Ministério Público Eleitoral para localizar possíveis casos de inelegibilidade entre candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral.

A ação penal que levou à condenação teve origem nas investigações da Operação Ptolomeu e alcançou contratos públicos firmados durante o governo de Cameli. No processo julgado pelo STJ, a apuração se concentrou no contrato nº 010/2019 da Secretaria de Infraestrutura do Acre com a Murano Construções. A acusação atribuiu a Cameli participação em um esquema para direcionar contratações, desviar recursos públicos e receber vantagens indevidas. No julgamento, a Corte Especial considerou comprovado que o então governador participou do direcionamento de pagamentos e recebeu benefícios ligados à execução do contrato.

Entre os fatos examinados pelo STJ estavam pagamentos relacionados a um apartamento em São Paulo, a um veículo Toyota Hilux SW4 e vantagens destinadas a familiar de Cameli. A relatora da ação penal, ministra Nancy Andrighi, registrou no voto que as provas reunidas permitiram responsabilizar o acusado pelos crimes levados a julgamento. A condenação criminal passou, meses depois, a produzir uma consequência diretamente eleitoral: tornou-se o principal fundamento usado pelo Ministério Público para tentar retirar da disputa ao Senado uma das candidaturas de maior peso político no Acre em 2026.

A decisão sobre o registro terá efeito direto na composição da disputa pelas duas vagas do Acre no Senado. O processo, porém, ainda precisa percorrer a Justiça Eleitoral. A questão imediata não é mais a existência da condenação no STJ, mas se há alguma decisão judicial capaz de suspender seus efeitos eleitorais e permitir a candidatura. Na ação protocolada no TRE-AC, o Ministério Público sustenta que essa suspensão não existia até 13 de agosto e, por isso, requer a aplicação da inelegibilidade ao candidato.

Edvaldo acusa governo Gladson de baixa execução e critica nomeações sem capacidade técnica

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o governo Gladson Cameli executou menos de 50% dos recursos disponíveis para investimentos durante os dois mandatos e atribuiu o problema à nomeação de pessoas com baixa capacidade técnica para cargos comissionados. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul.

Edvaldo afirmou que o Estado teve recursos previstos no orçamento para investimentos, mas não conseguiu transformar boa parte desse dinheiro em obras e ações públicas. Para ele, a discussão sobre a capacidade financeira do governo precisa considerar não apenas quanto dinheiro existe no orçamento, mas quanto efetivamente é executado.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado — não é um dinheiro que vai existir, é o dinheiro que existia no orçamento para investimento — e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

O percentual foi apresentado pelo próprio deputado durante a entrevista. Na participação no Jornal da Manhã. Ao explicar o impacto da baixa execução, o parlamentar relacionou investimento público à contratação de obras, geração de empregos e melhoria da infraestrutura estadual.

“Dinheiro de investimento é aquele que gera emprego, porque tu contrata obra, tu faz investimento em infraestrutura, tu faz investimento na agricultura, na infraestrutura da educação, da saúde”, disse.

Edvaldo fez a crítica mais dura ao tratar da composição administrativa do governo. Segundo ele, a dificuldade para executar os recursos disponíveis está ligada à escolha de pessoas sem preparação técnica suficiente para ocupar funções responsáveis pela elaboração e execução de projetos.

“Dos 100% do dinheiro, menos de 50%, a cada ano, ele teve a capacidade de executar. Sabe por quê? Porque encheu nos cargos comissionados de gente com baixa capacidade técnica e não consegue botar um projeto de pé e depois não consegue botar um projeto em execução”, declarou.

O deputado não citou nomes de servidores, secretários ou órgãos específicos ao fazer a acusação. A crítica foi dirigida à estrutura de cargos comissionados do governo Gladson Cameli. Durante a entrevista, não houve resposta de representante do governo estadual às declarações.

Para Edvaldo, a baixa execução dos investimentos tem reflexos diretos na economia porque reduz a capacidade do poder público de contratar obras e movimentar atividades que geram emprego. O parlamentar também relacionou esse cenário à saída de jovens acreanos para outros estados em busca de oportunidades de trabalho.

A alternativa defendida pelo deputado passa por uma reorganização da administração estadual, com maior capacidade técnica para elaborar projetos e executar os recursos disponíveis.

“Nós precisamos ter um novo pacto do desenvolvimento do Estado, onde a gente retome a nossa capacidade de investimento, retome a capacidade de gerar emprego”, afirmou.

Edvaldo também defendeu que o Acre aumente a articulação com o governo federal para conseguir recursos destinados a projetos estruturantes, principalmente para o Vale do Juruá. Na avaliação dele, divergências partidárias não devem impedir que o Estado apresente projetos e dispute investimentos em Brasília.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

A crítica à execução orçamentária foi feita durante a discussão sobre as eleições de 2026. Edvaldo confirmou na entrevista que é pré-candidato a deputado estadual e colocou a capacidade administrativa do Estado, a execução dos investimentos e a geração de empregos entre os temas que pretende defender no debate eleitoral.

Wherles Rocha confronta Gladson Cameli com condenação no STJ

O ex-vice-governador do Acre Wherles Rocha transformou a disputa em torno da candidatura de Gladson Cameli ao Senado em um confronto direto entre discurso eleitoral e decisão judicial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rocha recupera declarações nas quais o ex-governador se apresenta como “candidatíssimo” e reclama da circulação de “fake news”, intercala as falas com trechos do julgamento no Superior Tribunal de Justiça e sustenta que a condenação criminal e os efeitos eleitorais enfrentados por Cameli não são invenção de adversários. A publicação aparece a poucos dias de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral das eleições de 2026, e leva para o centro da campanha uma pergunta que deverá acompanhar o ex-governador até a análise de seu registro: em que condições jurídicas Gladson chegará à urna de 4 de outubro?

A construção do vídeo é calculada para produzir contraste. Primeiro aparece Gladson falando aos apoiadores. “Eu só tô aguardando chegar o dia 16 pra mim ir pra rua pedir voto. Candidatíssimo, senhor. É candidatíssimo ao Senado”, afirma no trecho utilizado por Rocha. Em seguida, o ex-governador coloca a decisão nas mãos do eleitor: “Quem vai julgar, no julgamento meu, é 4 de outubro. O eleitor vai dizer se ele me quer como senador”. Rocha corta a fala e muda o ambiente da peça. Sai o palanque, entra o tribunal. Sai a promessa de campanha, entram trechos relacionados ao julgamento conduzido pela Corte Especial do STJ.

A data escolhida por Gladson para falar em ir às ruas não é casual. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro de candidatura. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. É justamente nesse intervalo, entre o registro e o início oficial da campanha, que a situação de Cameli se tornou um dos pontos mais delicados da eleição acreana.

Rocha interpreta a referência de Gladson às “fake news” como uma tentativa de empurrar para o terreno da desinformação aquilo que já passou pelo julgamento do STJ. “Vocês viram aí um sujeito chamar de fake news sua condenação e inelegibilidade”, diz, antes de reproduzir trechos ligados ao voto da ministra Nancy Andrighi. O vídeo assume, a partir daí, um tom de acusação política, mas a base jurídica central utilizada pelo ex-vice-governador existe: Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. O STJ também determinou multa e indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre. A Corte decretou ainda a perda do cargo de governador, embora Cameli já tivesse deixado o Palácio Rio Branco para abrir caminho à tentativa de retornar ao Senado. O julgamento não foi unânime em todos os pontos, mas a maioria acompanhou a relatora Nancy Andrighi na condenação.

É nesse ponto que o vídeo de Rocha ganha peso para além da troca de ataques entre dois personagens da política acreana. Durante anos, Wherles Rocha e Gladson Cameli estiveram do mesmo lado. Em 2018, formaram a chapa que venceu a eleição para o Governo do Acre no primeiro turno: Gladson como governador e Rocha como vice. Ainda nos primeiros meses daquela administração, Rocha chegou a celebrar publicamente a parceria entre os dois. Agora, sete anos depois daquela chegada conjunta ao poder, o antigo vice usa uma condenação criminal do ex-aliado como matéria-prima de um dos ataques mais duros lançados contra o projeto de Gladson para 2026.

Os trechos judiciais reproduzidos no vídeo remetem ao núcleo da Ação Penal 1.076. A acusação sustentou que Gladson liderava uma organização criminosa formada por núcleos político, familiar e empresarial. No julgamento, Nancy Andrighi afirmou que servidores de alto escalão e integrantes do grupo familiar teriam participado de uma estrutura criada para permitir fraudes em contratos e desvio de dinheiro público. O STJ registrou que a investigação alcançou a contratação da Murano Construções e relações empresariais que, para a acusação, serviram à movimentação e ao desvio de recursos.

A ministra também tratou de pagamentos relacionados a um apartamento de alto padrão em São Paulo e a um veículo de luxo de propriedade do então governador. Na avaliação acolhida pela maioria da Corte Especial, movimentações financeiras reunidas no processo ligavam recursos desviados ao enriquecimento de Gladson e de integrantes de seu núcleo familiar. A defesa contestou essa versão, negou participação do então governador na condução dos contratos e sustentou a nulidade de provas obtidas durante as investigações. O próprio STJ registrou essas teses defensivas ao divulgar o resultado do julgamento.

A condenação de maio também não ficou congelada naquele dia. Em 5 de agosto, a Corte Especial rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa. O resultado manteve a pena e deixou a discussão sobre uma eventual reversão ou suspensão dos efeitos da decisão para novas medidas judiciais.

É justamente aí que a palavra “inelegibilidade”, repetida por Rocha no vídeo, precisa ser compreendida fora da linguagem do confronto eleitoral. A legislação prevê inelegibilidade para condenados por determinados crimes quando a decisão já transitou em julgado ou foi tomada por órgão judicial colegiado. O Tribunal Superior Eleitoral reúne jurisprudência específica sobre a incidência da regra em condenações criminais desse tipo. Há, ao mesmo tempo, mecanismos judiciais que permitem buscar a suspensão cautelar da inelegibilidade enquanto recursos são examinados. A existência da condenação, portanto, não impede que o Progressistas apresente o pedido de registro de Gladson; abre, porém, uma disputa judicial sobre a possibilidade de ele efetivamente concorrer.

Essa diferença é importante porque o próprio Cameli procura deslocar a batalha para 4 de outubro. Quando diz que será julgado pelo eleitor, ele transforma a urna em argumento político. O problema é que existem dois julgamentos em planos diferentes. O eleitor pode escolher politicamente quem deseja representar o Acre, mas é a Justiça Eleitoral que examina se cada nome colocado pelos partidos reúne as condições legais para disputar o cargo. O calendário do TSE estabelece que os pedidos de registro, inclusive os impugnados, devem passar pelo julgamento das instâncias ordinárias antes do primeiro turno.

Rocha explora exatamente essa fratura. Sua peça não tenta discutir detalhes processuais durante vários minutos. Faz algo mais simples e mais eficiente politicamente: coloca lado a lado a imagem de Gladson dizendo que está pronto para pedir votos e a voz do Judiciário descrevendo os crimes pelos quais foi condenado. “Não é fake news, não é opinião, não é perseguição, é a Justiça falando”, afirma o ex-vice-governador. A frase é a síntese do vídeo e também a escolha narrativa de Rocha: impedir que a discussão sobre a candidatura seja reduzida a uma briga de versões entre adversários.

Ao final, o vídeo ainda incorpora uma antiga entrevista de conteúdo policial em que um homem fala, de forma irônica, sobre roubo, desemprego e a estrutura mobilizada pelo crime. O personagem não é identificado no material transcrito e não há elemento que permita relacioná-lo diretamente a Gladson Cameli ou ao processo da Operação Ptolomeu. Dentro da edição feita por Rocha, o trecho funciona como provocação e recurso de ironia, não como prova relacionada à ação penal.

A gravação chega ao eleitor num momento em que campanha e processo judicial passaram a correr quase na mesma velocidade. Em 15 de agosto termina o prazo para os registros. Em 16, começa a propaganda. Em 4 de outubro, o Acre escolherá dois senadores. Entre essas três datas está uma batalha jurídica que Gladson precisa enfrentar e uma batalha política que seus adversários já decidiram explorar.

Para Wherles Rocha, a estratégia é especialmente carregada de significado porque ele não fala de um personagem distante. Fala do homem com quem dividiu uma chapa, uma vitória eleitoral e o início de um governo. O vídeo transforma essa antiga proximidade em combustível político. O ex-vice não precisa reconstruir toda a Operação Ptolomeu para atacar. Deixa que as imagens de Gladson e os trechos do julgamento se choquem diante do eleitor.

A disputa de 2026 no Acre passa, assim, a ter também uma batalha pela definição das palavras. Gladson fala em “fake”, candidatura e julgamento popular. Rocha responde com condenação, inelegibilidade e STJ. Entre os dois discursos existe um fato que não depende da propaganda de nenhum dos lados: em 6 de maio, Gladson Cameli foi condenado por um colegiado do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão. O que ainda será decidido é o alcance definitivo dessa condenação sobre sua presença na eleição.

Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.

Gladson quer o Senado, mas a condenação continua no caminho; e está inelegível

Gladson Cameli pode repetir quantas vezes quiser que é candidato ao Senado. Pode reunir aliados, subir em palanque, aparecer ao lado de Mailza Assis, organizar chapa, mobilizar prefeitos e tratar a eleição como uma etapa natural depois de deixar o governo. Nada disso muda o ponto que está diante dele desde 6 de maio: Gladson continua condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão e continua alcançado pela Lei da Ficha Limpa.

A condenação não desapareceu com recurso. Não foi anulada. A pena não caiu. O julgamento mais recente dos embargos de declaração também não produziu a virada que a defesa precisava. A Corte Especial mexeu apenas em pontos de esclarecimento do acórdão, sem retirar a condenação, reduzir a pena ou suspender seus efeitos eleitorais. No essencial, Gladson entrou em agosto do mesmo jeito que saiu de maio: condenado por decisão colegiada e com um problema jurídico real para registrar sua candidatura.

É importante colocar os fatos nessa ordem porque a política costuma correr mais rápido que o processo. No Acre, Gladson continua sendo tratado por aliados como candidato ao Senado. Na Justiça, continua sendo o réu condenado na Ação Penal 1.076, resultado de uma das frentes mais pesadas da Operação Ptolomeu.

A Corte Especial do STJ o condenou por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. A soma chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. Vieram ainda multa, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e a perda do cargo de governador, que já havia sido deixado por Gladson semanas antes para cumprir o calendário eleitoral e preparar o projeto de retorno ao Senado.

A pena não saiu de um único episódio.

O julgamento reuniu contratos públicos, empresas privadas, movimentações financeiras, pagamentos e operações que, para a maioria dos ministros, formavam uma estrutura organizada para retirar dinheiro dos cofres públicos e fazer parte desses recursos chegar ao patrimônio privado do grupo investigado.

Uma das empresas colocadas no centro desse caminho foi a Murano Construções. Ela recebeu cerca de R$ 18 milhões em contratos analisados durante a investigação. Técnicos da Controladoria-Geral da União calcularam prejuízo superior a R$ 16 milhões no conjunto examinado. A condenação também passou pela relação da Murano com empresas ligadas ao núcleo familiar de Gladson.

O STJ reconheceu 31 ocorrências de peculato-desvio em continuidade delitiva e considerou 46 operações na condenação por lavagem de dinheiro. Não é uma condenação construída sobre uma frase, uma reunião ou uma assinatura isolada. O tribunal enxergou repetição.

Esse ponto ajuda a entender o tamanho do problema jurídico que Gladson carrega para a eleição.

No processo, dinheiro apontado como produto dos crimes apareceu ligado a despesas particulares. Entre os bens examinados estavam parcelas de um apartamento de alto padrão em São Paulo e gastos relacionados a veículo de luxo. Foi nesse percurso, dos contratos públicos até o patrimônio privado, que a acusação montou parte do caso de lavagem de dinheiro aceito pelo STJ.

A defesa sempre negou os crimes e atacou a validade das provas. Um dos argumentos ganhou força quando o Supremo Tribunal Federal anulou elementos produzidos em uma fase da investigação por entender que houve problema de competência. Os advogados de Gladson tentaram ampliar o alcance dessa decisão para comprometer toda a ação penal.

Não conseguiram.

A maioria da Corte Especial entendeu que as provas anuladas pelo Supremo não sustentavam a condenação e que havia material obtido de forma independente. A discussão atravessou o processo, mas não impediu o julgamento nem derrubou os elementos usados pelos ministros para condená-lo.

Depois vieram os embargos de declaração.

E aqui está a atualização mais recente: eles não mudaram a realidade eleitoral de Gladson.

A defesa voltou ao STJ tentando corrigir e questionar pontos do acórdão. A Corte Especial acolheu parte dos embargos para esclarecimentos, sem alterar o resultado. Gladson continuou condenado a 25 anos e nove meses.

Essa sequência importa porque recurso e reversão são coisas diferentes.

Gladson pode recorrer. Pode tentar levar questões ao Supremo. Pode pedir medida cautelar. Pode buscar uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação. Tudo isso faz parte do jogo jurídico.

O que ele não pode é transformar a existência desses caminhos em uma absolvição que ainda não aconteceu.

Também é preciso separar prisão de inelegibilidade.

Gladson não começa agora a cumprir os 25 anos e nove meses porque ainda existem recursos e a condenação não chegou ao trânsito em julgado. Para a eleição, porém, a exigência é diferente. A Lei da Ficha Limpa alcança determinadas condenações impostas por órgãos colegiados antes mesmo da decisão definitiva.

É exatamente onde ele está.

Gladson foi condenado por uma corte colegiada em crimes que entram no alcance da legislação eleitoral. Por isso, enquanto não houver decisão suspendendo ou derrubando os efeitos dessa condenação, a inelegibilidade continua no caminho da candidatura.

Não é o partido que resolve isso.

O Progressistas pode escolher Gladson. Os aliados podem apresentá-lo como candidato. Ele próprio pode dizer que é “candidatíssimo”. O pedido de registro pode ser protocolado.

Nada disso substitui a decisão da Justiça Eleitoral.

É o Tribunal Regional Eleitoral do Acre que terá de examinar as condições jurídicas do registro de uma candidatura ao Senado. E, quando essa análise chegar, haverá sobre a mesa uma informação impossível de contornar: Gladson foi condenado pelo STJ.

Há ainda uma confusão recorrente sobre o tempo dessa inelegibilidade. Não é correto resumir o caso dizendo apenas que Gladson “ficou inelegível por oito anos”. A legislação atual dá tratamento específico a condenações por crimes contra a administração pública. Dependendo da manutenção da condenação e do cumprimento da pena, o período pode ir muito além de oito anos contados a partir de 2026.

É justamente por isso que uma reversão judicial é tão importante para o projeto político de Gladson.

Sem ela, não se trata apenas de administrar uma crise durante uma campanha. Trata-se de conseguir superar a barreira que pode impedir que essa campanha produza um mandato.

E o calendário já não oferece distância confortável.

O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A política acreana pode passar esses dias discutindo alianças, pesquisas, suplências, prefeitos, estrutura partidária e votos. O processo de Gladson continuará fazendo uma pergunta anterior a todas essas: ele poderá ser candidato com registro válido?

Até agora, a resposta jurídica permanece contra ele.

Há ainda outro processo no STJ. Gladson virou réu em uma segunda ação relacionada às obras da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse caso, aparecem acusações de peculato-desvio e fraude em licitação, com suspeitas sobre o direcionamento de contrato para empresa ligada à família Cameli e sobrepreço de aproximadamente R$ 3,6 milhões calculado pela CGU.

Mas esse segundo processo precisa ficar no lugar correto.

Nele, Gladson ainda não foi condenado.

A inelegibilidade que hoje ameaça sua candidatura ao Senado não nasce dessa nova ação. Nasce da condenação que já existe na Ação Penal 1.076.

É essa diferença que não pode ser escondida nem exagerada.

Gladson não está preso. Continua recorrendo. Pode conseguir uma decisão favorável daqui para frente. Se conseguir, o quadro muda e terá de ser contado como mudança.

Até lá, o que existe é o que foi decidido.

Um ex-governador que deixou o Palácio Rio Branco para tentar voltar ao Senado, mas chegou ao período eleitoral com uma condenação de 25 anos e nove meses.

Um político que continua competitivo dentro de seu grupo, mas que depende de uma vitória nos tribunais antes de transformar força eleitoral em mandato.

Um candidato declarado que, juridicamente, continua inelegível.

A política pode tentar correr na frente.

A condenação continua logo atrás.

Flávio Bolsonaro apoia Mara Rocha e Márcio Bittar ao Senado no Acre e deixa Gladson fora da lista

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou apoio a Márcio Bittar e Mara Rocha na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026. A definição foi apresentada em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 6, dentro de uma estratégia nacional para fortalecer palanques estaduais e ampliar a bancada aliada no Congresso.

No Acre, a escolha junta o PL de Márcio Bittar ao Republicanos de Mara Rocha. Os dois nomes passam a compor o palanque senatorial de Flávio no estado, em uma movimentação que busca organizar a direita em torno da candidatura presidencial do senador. A lista nacional apresentada por Flávio reúne 47 candidatos ao Senado em todas as unidades da Federação.

A decisão também reorganiza o cenário local porque deixa Gladson Cameli fora do grupo anunciado por Flávio, mesmo depois de o ex-governador ter declarado apoio ao presidenciável. Em março, durante o lançamento da União Progressista e recentemente em entrevista, Gladson afirmou que seu voto e seu apoio seriam para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A ausência de Gladson pesa mais porque ele tenta manter espaço na corrida ao Senado em meio aos efeitos da condenação no Superior Tribunal de Justiça. Em maio, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado o tornou inelegível por oito anos, salvo decisão judicial que suspenda os efeitos da condenação.

Com isso, a lista de Flávio expõe um novo desenho político no Acre: Bittar e Mara foram incorporados ao projeto nacional do PL, enquanto Gladson, mesmo aliado declarado do presidenciável, ficou fora da indicação formal para o Senado. Na prática, o ex-governador foi deixado de lado no momento em que Flávio buscou consolidar candidaturas com maior viabilidade jurídica e eleitoral para sustentar sua campanha no estado.

A disputa acreana continua aberta. Pesquisas recentes colocam Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha entre os nomes mais competitivos para as duas vagas, com variações conforme o cenário testado. A diferença agora é que Flávio Bolsonaro passou a tratar Bittar e Mara como seus nomes para o Senado, deixando Gladson em posição mais isolada dentro do campo conservador.

STJ mantém condenação de Gladson Cameli e candidatura ao Senado segue com risco de inelegibilidade

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça manteve nesta quarta-feira, 5 de agosto, a condenação de Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão. Por unanimidade, os ministros acolheram parcialmente os embargos de declaração apresentados pela defesa, mas sem alterar a pena ou o resultado do julgamento. A decisão mantém o ex-governador do Acre sob uma condenação colegiada por crimes que podem gerar inelegibilidade, a dez dias do encerramento do prazo para o registro das candidaturas nas eleições de 2026.

O resultado foi registrado às 15h24 na Ação Penal 1.076. A proclamação final informa que os embargos foram acolhidos parcialmente, sem efeitos modificativos, nos termos do voto da ministra relatora Nancy Andrighi. Na prática, os ministros aceitaram esclarecer pontos da decisão anterior, mas rejeitaram qualquer mudança capaz de afastar os crimes reconhecidos, reduzir a pena ou reverter a condenação.

Gladson Cameli foi condenado por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Além da pena de prisão em regime inicial fechado, o STJ determinou o pagamento de multa e de R$ 11.785.020,31 em indenização ao Estado do Acre. A defesa nega a participação do ex-governador no esquema e questiona provas usadas durante a investigação.

A manutenção da condenação afeta diretamente o projeto eleitoral de Gladson, escolhido pelo Progressistas para disputar uma das duas vagas do Acre no Senado. O partido poderá apresentar o pedido de registro da candidatura até as 19 horas de 15 de agosto. O processo será encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre, responsável por examinar se o candidato cumpre as exigências legais para concorrer.

O protocolo do pedido não significa que a candidatura estará autorizada. O Progressistas pode registrar o nome de Gladson mesmo com a condenação em vigor, mas caberá à Justiça Eleitoral decidir se a situação criminal impede a participação dele na disputa. A escolha partidária feita em convenção e o registro concedido pelo tribunal são etapas diferentes.

A Lei Complementar nº 64, que trata das hipóteses de inelegibilidade, alcança pessoas condenadas por órgão judicial colegiado por crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nesses casos, não é necessário aguardar o fim de todos os recursos para que o impedimento eleitoral seja aplicado. A condenação proferida por um tribunal já pode servir de fundamento para o indeferimento do registro.

Gladson foi condenado pela Corte Especial do STJ, formada por ministros do próprio tribunal. Por esse motivo, o caso reúne os elementos jurídicos para uma discussão sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa. O TRE do Acre deverá analisar o conteúdo da condenação, os crimes reconhecidos e a situação dos recursos apresentados pela defesa.

Depois da publicação do pedido de registro, partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral terão cinco dias para apresentar impugnação. A defesa de Gladson poderá responder, juntar documentos e sustentar que a condenação não deve produzir efeitos eleitorais. O processo também poderá chegar ao Tribunal Superior Eleitoral por meio de recurso.

A principal alternativa da defesa é obter uma decisão judicial que suspenda a inelegibilidade ou os efeitos da condenação. A legislação permite esse tipo de medida quando o tribunal responsável por examinar o recurso reconhece fundamento jurídico suficiente para suspender temporariamente o impedimento. Sem essa decisão, o pedido de registro será analisado com a condenação mantida pelo STJ.

Os embargos julgados nesta quarta-feira não produziram essa mudança. O STJ não afastou os crimes, não anulou o julgamento e não reduziu a pena. A defesa ainda poderá buscar outras medidas judiciais, mas precisará de uma decisão específica que retire ou suspenda o efeito eleitoral da condenação.

Enquanto o registro estiver em análise, Gladson poderá manter atividades de campanha na condição de candidato com situação pendente. A permanência do nome na urna e a validade dos votos dependerão do andamento dos recursos e das decisões tomadas pela Justiça Eleitoral. Uma candidatura nessa condição pode avançar durante a campanha sem garantia de diplomação.

O calendário reduz o tempo disponível para o Progressistas definir sua estratégia. O pedido precisa ser protocolado até 15 de agosto. Os processos de registro, inclusive os impugnados, devem avançar antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A legislação também fixa prazo para substituição de candidatos, o que obriga o partido a avaliar o risco de manter Gladson até as últimas etapas da disputa judicial.

Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.

Gladson mira Zequinha, seu próprio apoiador

A Federação União Progressista, presidida no Acre pelo ex-governador Gladson Cameli, levou à Justiça Eleitoral o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, filiado ao Progressistas e aliado histórico do grupo político de Gladson. A ação foi apresentada poucos dias depois de Zequinha anunciar apoio ao senador Alan Rick para o Governo do Acre, embora tenha mantido publicamente Gladson como seu candidato ao Senado.

O processo também tem como alvo Alan Rick. O senador é acusado de propaganda eleitoral antecipada. Zequinha responde por suposta conduta vedada a agente público durante atividades realizadas pelo senador em Cruzeiro do Sul. O juiz Leandro Leri Gross autorizou que os pedidos fossem analisados no mesmo processo e abriu prazo de cinco dias para apresentação das defesas. Ainda não houve julgamento do mérito nem condenação dos envolvidos.

A inclusão de Zequinha no processo criou um desgaste direto. Gladson preside o PP no Acre e representa formalmente a Federação União Progressista no estado. Foi essa federação que pediu o processamento conjunto das acusações contra Alan e o prefeito de Cruzeiro do Sul.

O ato que levou ao processo ocorreu em 29 de junho, em Cruzeiro do Sul. A atividade reuniu apoiadores vestidos de amarelo, discursos políticos e lideranças locais.

Ao declarar apoio a Alan para o governo, Zequinha não rompeu com Gladson. O prefeito fez questão de dizer que continuaria no palanque do ex-governador na disputa pelo Senado. “O ex-governador sempre me deixou muito livre para tomar as decisões que eu tivesse que tomar. A decisão que estou tomando não vai tirar o apoio que vou dar a ele na candidatura ao Senado. Eu continuo apoiando o ex-governador Gladson Cameli para o Senado. É o meu candidato a senador aqui no Acre”, afirmou.

A acusação formal contra Zequinha não é de infidelidade partidária. O processo trata de possível uso da estrutura ou da autoridade municipal em favor da pré-candidatura de Alan Rick. Na prática política, porém, a ação veio logo depois de o prefeito deixar o palanque de Mailza Assis e aderir ao projeto de um candidato de outra legenda.

O caso também traz de volta a postura adotada pelo próprio Gladson nas eleições municipais de 2020. Naquele ano, o Progressistas tinha Tião Bocalom como candidato à Prefeitura de Rio Branco. Mesmo filiado ao PP, Gladson decidiu apoiar a então prefeita Socorro Neri, que disputava a reeleição pelo PSB.

O apoio de Gladson a Socorro foi público. Ele participou de sessão de fotos para a campanha e apareceu no material eleitoral da chapa formada por ela e Eduardo Ribeiro, do PDT. Na ocasião, Socorro chamou o então governador de seu “apoiador número 1”.

Antes da campanha, Gladson já havia rejeitado apoiar Bocalom, candidato de seu próprio partido. “Ela continua sendo a minha pré-candidata à Prefeitura da capital. E só vai deixar de ser se afirmar que não quer mais o meu apoio”, disse na época, em referência a Socorro Neri.

Mesmo fazendo campanha contra o candidato do próprio partido, Gladson não enfrentou processo semelhante por infidelidade partidária. Em 2023, durante a discussão sobre pedidos de expulsão contra Bocalom por apoio a Sérgio Petecão em 2022, voltou ao debate a diferença de tratamento em relação ao apoio dado por Gladson a Socorro em 2020.

A divergência partidária, por si só, não é novidade no grupo. O próprio Gladson defendeu esse direito quando escolheu Socorro Neri em vez de Tião Bocalom. A diferença está no tratamento dado a Zequinha, que está apoiando Alan para o governo, mas manteve Gladson como seu nome para o Senado.