PF faz nova operação na casa de Gladson Cameli e apreende carros de luxo no Acre
A Polícia Federal cumpriu mandados na manhã desta terça-feira (22) em endereços ligados ao ex-governador do Acre Gladson Cameli, em Rio Branco, incluindo a residência do político. Durante as diligências, agentes apreenderam carros de luxo vinculados a Cameli e fizeram buscas em imóveis de pessoas próximas a ele. A nova ação ocorre meses depois de outra busca realizada pela PF na casa do ex-governador e pouco mais de quatro meses após a condenação de Gladson a 25 anos e nove meses de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Até as primeiras horas da manhã, não havia divulgação oficial com o nome da operação, o número total de mandados cumpridos ou todos os investigados alcançados pelas medidas desta terça-feira. A presença da PF novamente em endereços ligados ao ex-governador, porém, acrescenta um novo capítulo ao histórico de investigações que envolve Cameli desde a deflagração da Operação Ptolomeu, em dezembro de 2021.
Os carros recolhidos nesta terça também carregam um histórico ligado à Ptolomeu. Os veículos já haviam sido apreendidos no curso da investigação, foram posteriormente levados a leilão judicial e acabaram recomprados, retornando à posse de pessoas ligadas ao ex-governador. A nova apreensão faz com que bens alcançados anteriormente por medidas judiciais voltem a ficar sob custódia das autoridades.

Veículos de alto valor aparecem há anos entre os bens analisados nas investigações envolvendo Cameli. Em 2023, documentos do caso registraram pedidos de alienação antecipada de automóveis apreendidos, entre eles uma Land Rover Discovery, uma BMW X6, um Volkswagen Jetta, uma Amarok e um Chevrolet Cruze, além da aeronave Beech Aircraft de prefixo PT-WGK. A justificativa para a venda antecipada era evitar a desvalorização e os custos de manutenção enquanto o processo seguia em andamento.
Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026, Gladson informou patrimônio de R$ 5,99 milhões. Entre os veículos declarados estão uma BMW X6 avaliada em R$ 920 mil e uma Land Rover Discovery, ano 2019/2020, no valor de R$ 449 mil. A relação também inclui uma motocicleta Honda CBR 650R, um Fusca de 1977 e a aeronave Beech Aircraft BE58, declarada por R$ 1,5 milhão.
A Operação Ptolomeu começou em dezembro de 2021 e avançou nos anos seguintes sobre contratos públicos, movimentações financeiras, imóveis, veículos e outros bens ligados aos investigados. Em março de 2023, a terceira fase mobilizou mais de 300 policiais federais para o cumprimento de 89 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal. Na ocasião, também foram determinadas medidas patrimoniais e cautelares contra Cameli, incluindo restrições de contato com investigados e a entrega do passaporte.
O caso chegou a julgamento neste ano. Em 6 de maio, a Corte Especial do STJ condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, por peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão também estabeleceu 600 dias-multa e indenização de R$ 11,78 milhões ao Estado do Acre. A defesa apresentou recursos e contesta pontos da investigação e da condenação.
A ação desta terça-feira não é a primeira vez que a Polícia Federal vai à residência de Cameli em 2026. Em 5 de fevereiro, quando ele ainda ocupava o governo do Acre, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no imóvel localizado no Condomínio Recanto Verde, em Rio Branco. Aquela investigação era independente da Ptolomeu e tratava de suspeitas relacionadas ao processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação onde Gladson havia sido aluno. Celulares, um computador e dinheiro em espécie foram recolhidos durante a diligência.
As investigações da Ptolomeu também produziram outros desdobramentos. No mesmo período em que foi condenado na ação principal, Gladson tornou-se réu em outro processo no STJ relacionado ao chamado Caso Colorado, que apura suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos nas obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul.
A nova operação ocorre ainda em um momento decisivo para o futuro eleitoral do ex-governador. O Tribunal Regional Eleitoral do Acre indeferiu por unanimidade, em 11 de setembro, o registro da candidatura de Gladson ao Senado com base nos efeitos da condenação criminal previstos na Lei da Ficha Limpa. Ele permanece sub judice enquanto recorre. Para esta terça-feira, o TRE-AC incluiu na pauta o julgamento de embargos apresentados pela defesa no processo eleitoral, sem relação estabelecida com a operação policial realizada pela manhã.

