Vale do Juruá

Mâncio Lima sedia oficina da Rota do Café e planeja expansão da cafeicultura no Vale do Juruá

Mâncio Lima recebe nesta terça e quarta-feira, 24 e 25 de junho, na Casa de Cultura Márcia Alencar, a Oficina de Planejamento Estratégico da Rota do Café no Acre. A iniciativa reúne produtores rurais, cooperativas, pesquisadores, instituições públicas e privadas e representantes de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves para definir ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do café no Vale do Juruá.

A oficina faz parte do projeto Rotas de Integração Nacional, coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e tem como meta traçar um plano de desenvolvimento para ampliar a produção, a industrialização e a comercialização do café acreano, além de abrir espaço para o turismo ligado à atividade. A proposta inclui o mapeamento de gargalos em áreas como infraestrutura, assistência técnica, logística e acesso a mercado.

Na abertura do evento, o presidente da Coopercafé, Jonas Lima, afirmou que a articulação entre produtores e instituições é decisiva para consolidar a cafeicultura na região. “Estamos com uma produção altíssima, mas agora precisamos apoiar os produtores no campo para que possam fornecer um café de qualidade para a indústria. A Rota do Café traz exatamente isso: conhecimento, técnica, assistência de engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, além da possibilidade de captar recursos para fortalecer toda a cadeia produtiva”, disse.

O prefeito de Mâncio Lima, Zé Luiz Gomes, afirmou que o município ocupa posição estratégica nesse processo por ter implantado o primeiro Complexo Industrial do Café do Acre. Segundo ele, o encontro também representa um reconhecimento ao papel da cidade no avanço da atividade no estado. “A estratégia é ouvir a cooperativa, a ABDI, os produtores e toda a cadeia produtiva para construir um planejamento que traga mais melhorias e benefícios para quem vive da produção de café”, declarou.

O consultor do ministério Leandro Guimarães de Paulo disse que a oficina foi desenhada para construir uma política pública com participação direta dos envolvidos no setor. A proposta, segundo ele, é definir a abrangência da rota, estabelecer uma visão de futuro para a cadeia do café e produzir um diagnóstico dos principais desafios da atividade no Vale do Juruá.

Os produtores também participaram dos debates e apresentaram demandas ligadas à produção. Um dos exemplos veio da Comunidade Belo Monte, em Mâncio Lima. Há sete anos na cafeicultura, Wilson José cultiva café em nove dos 21 hectares da propriedade, com cerca de 30 mil pés plantados. Neste ano, em três hectares já em produção, ele alcançou média de 300 sacas de café beneficiado. “Um evento como esse é muito importante para toda a cadeia produtiva porque incentiva a gente a produzir com mais qualidade. Isso fortalece o produtor e cria oportunidades de mercado para o nosso café”, afirmou.

Wilson também relatou que a cafeicultura já ultrapassa a produção agrícola e passa a atrair visitantes e pesquisadores interessados no modelo desenvolvido na propriedade. Dono da marca Café Beija-Flor, ele disse que o trabalho com café especial e a participação em concursos ajudaram a dar visibilidade à produção local e a mostrar o potencial da agricultura familiar na região.

Nos últimos três anos, Mâncio Lima ampliou a presença da cafeicultura com a implantação do Complexo Industrial do Café, estrutura que atende mais de 200 famílias produtoras. O reflexo, segundo participantes do evento, já aparece no comércio local, principalmente no período de colheita, quando a circulação de recursos cresce e movimenta a economia do município.

A oficina deve servir de base para a elaboração de um plano de ação e de um programa de investimentos, construídos a partir de visitas técnicas em propriedades rurais e nos complexos industriais da região. A expectativa é transformar o café produzido no Acre em referência nacional, com mais valor agregado, novos mercados e impacto econômico e social para o Vale do Juruá.

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