Carreatas de Isaac Piyãko reúnem multidões em Cruzeiro do Sul e Marechal Thaumaturgo

A reta final da campanha de Isaac Piyãko ganhou ruas tomadas por carros, motocicletas, bandeiras e apoiadores neste sábado (26), no Vale do Juruá. Em Cruzeiro do Sul e, horas depois, em Marechal Thaumaturgo, as mobilizações reuniram um grande número de pessoas e deram visibilidade à base de apoio construída pelo candidato ao longo da pré-campanha e da campanha eleitoral.

Em Cruzeiro do Sul, a carreata formou uma extensa fila pelas ruas da cidade, com motociclistas, veículos e apoiadores acompanhando o percurso. As imagens divulgadas nas redes sociais de Piyãko mostram a mobilização atravessando diferentes pontos do município.

O cenário se repetiu em Marechal Thaumaturgo. Na cidade, Isaac foi recebido por apoiadores, lideranças locais e moradores que acompanharam a carreata. A mobilização ocupou ruas do município e reuniu também pessoas que seguiram o percurso a pé.

Depois dos dois atos, Isaac afirmou que o resultado das mobilizações reflete um trabalho iniciado ainda antes do período oficial de campanha, com visitas às comunidades e encontros com moradores.

“Nós fizemos uma campanha, uma pré-campanha, com muito pé no chão, visitando todas as comunidades, as mais distantes e os centros da cidade. Fizemos o planejamento como deveria ser para acontecer e agora, na campanha, mais ainda, consolidando, fazendo as reuniões, ouvindo a população. Isso só nos engrandece”, afirmou.

Para Piyãko, as duas carreatas tiveram significado especial justamente por ocorrerem nos últimos dias antes da votação.

“O sentimento dessas duas carreatas que fizemos no dia de hoje, sábado, foi muito, muito importante. Fizemos Cruzeiro do Sul ali, todo o grupo, pessoas com o coração aberto, fazendo a participação, com sentimento mesmo de construir um projeto diferente pro nosso estado, que tenha pessoas com compromisso, com responsabilidade”, disse.

A chegada a Marechal Thaumaturgo teve peso particular na fala do candidato. Isaac relacionou a recepção ao vínculo que mantém com o município e ao projeto de representar não apenas sua cidade, mas outras regiões do Acre e os povos indígenas.

“Hoje à tarde, chegando em Marechal, mais ainda, o sentimento de trabalhar um filho aqui da cidade que possa representar não só Marechal Thaumaturgo, mas também todos os povos indígenas e o povo acreano, as demais cidades e o estado do Acre na nossa capital. Então temos responsabilidade para isso”, declarou.

Cruzeiro do Sul celebra 122 anos com corrida, esporte, literatura e desfile cívico-militar

Cruzeiro do Sul completa 122 anos nesta segunda-feira (28) com uma programação que começa ainda neste domingo (27) e reúne atividades esportivas, culturais e cívicas em diferentes pontos da cidade.

As comemorações deste domingo começam às 6h, em frente à Catedral Nossa Senhora da Glória, com uma corrida alusiva aos 122 anos do município, promovida pelos Amigos da Saúde.

À tarde, a programação segue no Estádio O Cruzeirão. A partir das 17h, será realizado o encerramento do Copão do Vale do Juruá de Seleções, competição que reuniu equipes da região.

Na segunda-feira (28), data do aniversário de Cruzeiro do Sul, as atividades começam às 9h, no Museu José de Alencar, com o lançamento do livro “Uma História de Vida”, de Mariano Maciel.

O encerramento das comemorações está previsto para as 17h, com o desfile cívico-militar na Praça Orleir Cameli, no Centro da cidade.

Fundado em 28 de setembro de 1904, Cruzeiro do Sul chega aos 122 anos como o segundo município mais populoso do Acre e principal centro urbano do Vale do Juruá.

MPF encerra atendimento presencial em Cruzeiro do Sul a partir de 16 de setembro

O Ministério Público Federal (MPF) vai encerrar o atendimento presencial do Escritório de Representação em Cruzeiro do Sul a partir de 16 de setembro. A unidade terá as atividades encerradas definitivamente em 30 de setembro de 2026, dentro de uma reestruturação da presença do órgão no Acre motivada pela baixa procura pelo atendimento físico e pela ampliação dos serviços digitais.

A mudança foi formalizada pela Portaria PR/AC nº 40, de 24 de agosto. Com o fechamento da unidade, moradores de Cruzeiro do Sul e dos demais municípios do Vale do Juruá continuarão tendo acesso aos serviços do MPF, mas exclusivamente por canais eletrônicos.

Denúncias, pedidos de informação e outras manifestações poderão ser encaminhados pelo Sistema Cidadão do MPF. O atendimento também continuará disponível pelo telefone nacional gratuito 0800 000 5640 e por videoconferência, por meio do Atendimento Virtual do órgão.

A reorganização também prevê a concentração de recursos em tecnologia e força de trabalho. As ferramentas virtuais passam a substituir o atendimento físico na região após a avaliação de que a demanda presencial caiu enquanto aumentou o uso dos meios digitais.

O encerramento do escritório foi autorizado pela Secretaria-Geral do Ministério Público Federal. A portaria foi assinada pelo procurador-chefe da Procuradoria da República no Acre, Ricardo Alexandre Souza Lagos.

O atendimento presencial será interrompido em 16 de setembro, duas semanas antes do fechamento definitivo da estrutura física, marcado para 30 de setembro.

Dois homens são presos por violência contra a mulher no Juruá

Dois homens foram presos no sábado (5) por suspeita de violência contra a mulher em Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, no Vale do Juruá, interior do Acre. Em Cruzeiro do Sul, uma jovem de 20 anos foi agredida com socos, sofreu ferimentos e perdeu a consciência. Em Mâncio Lima, uma mulher de 35 anos denunciou ameaças do companheiro após episódios de conflitos dentro de casa, presenciados pelos filhos.

A ocorrência de Cruzeiro do Sul foi registrada durante a madrugada, em uma residência na Rua Alita, no bairro do Telégrafo. Uelmisson Figuiredo Santiago, de 46 anos, foi preso suspeito de agredir a companheira. O caso foi registrado como lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica.

A vítima procurou a Delegacia Geral para pedir ajuda. Ela apresentava sangramento, escoriações pelo corpo e uma lesão na cabeça. A jovem contou que havia consumido bebida alcoólica com o companheiro e, depois de voltar para casa, foi dormir. Algum tempo depois, acordou com o homem sobre seu corpo e passou a receber socos. Ela relatou ainda que sofreu um golpe na cabeça e perdeu a consciência.

Quando recobrou os sentidos, percebeu que o companheiro tentava cuidar dos ferimentos. A mulher conseguiu pegar uma motocicleta e seguir até a delegacia. Policiais foram ao apartamento do casal, mas não encontraram o suspeito inicialmente. Após buscas, ele foi localizado e preso.

A jovem permaneceu em atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), enquanto o suspeito foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil.

Em Mâncio Lima, Gilmar Alves da Costa, de 43 anos, foi preso na noite de sábado, no bairro Iracema. A esposa, de 35 anos, relatou que ele chegou em casa embriagado, entrou no imóvel e trancou a porta, impedindo que ela entrasse. A mulher ficou do lado de fora acompanhada dos filhos.

Ela contou que a Polícia Militar já havia sido acionada pela manhã por causa de uma situação semelhante. Após o primeiro episódio, familiares levaram o homem para a comunidade São Domingos, na tentativa de evitar novos conflitos. Ele retornou à residência e, conforme o relato da esposa, voltou a ameaçá-la.

A mulher também afirmou que o companheiro costumava chegar em casa após consumir bebidas alcoólicas e quebrar objetos. Nessas ocasiões, os filhos ficavam assustados e choravam. Os policiais deram voz de prisão ao homem, que foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Cruzeiro do Sul.

As duas ocorrências envolveram violência no ambiente doméstico e terminaram com a prisão dos suspeitos. A Lei Maria da Penha prevê medidas de proteção para mulheres em situação de violência doméstica e familiar, que pode ocorrer de forma física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral.

Mulheres que precisam de orientação ou desejam denunciar podem procurar a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

Alan Rick propõe ampliar atendimento especializado no Vale do Juruá

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick, do Republicanos, apresentou no plano de governo a proposta de ampliar o atendimento especializado no Vale do Juruá para reduzir filas e diminuir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco. A medida busca levar consultas com especialistas, exames e cirurgias para mais perto da população de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

A proposta aposta na regionalização da saúde como caminho para tornar o atendimento mais próximo das famílias que vivem no interior. A estratégia prevê fortalecer as regionais de saúde, ampliar a estrutura hospitalar e integrar os serviços entre os municípios, para que parte maior das demandas seja resolvida na própria região.

“Quem mora no Vale do Juruá sabe o que é precisar de um atendimento especializado e enfrentar uma verdadeira maratona para conseguir tratamento. Muitas famílias passam horas na estrada, quando as condições da BR-364 permitem a viagem, ou precisam deixar a sua cidade por dias. Essa realidade precisa mudar. Saúde tem que estar mais perto das pessoas, com estrutura para atender quem vive em cada região do Acre”, afirmou Alan Rick.

A dificuldade de acesso pesa mais sobre moradores de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, que não têm ligação terrestre com o restante do estado. Além da distância até Rio Branco, pacientes de municípios do Juruá dependem das condições da BR-364, rodovia que em determinados períodos torna a viagem entre as regiões ainda mais demorada.

A reconstrução da BR-364 também aparece entre os pontos ligados à proposta de saúde. A rodovia é tratada como via estratégica para integrar o estado e garantir o transporte de pacientes, profissionais, medicamentos e insumos entre as regionais.

Alan Rick também cita ações do mandato no Senado relacionadas à saúde no Juruá. Entre elas está a destinação de R$ 17 milhões para cirurgias eletivas no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, com a finalidade de reduzir a fila de espera por procedimentos.

“Nosso mandato garantiu os recursos para que esse mutirão fosse realizado e as pessoas pudessem voltar a enxergar uma solução para um problema que afeta milhares de famílias. Infelizmente, isso não aconteceu. Até hoje, o governo não explicou por que as cirurgias não foram realizadas nem apresentou uma prestação de contas sobre a aplicação desses recursos”, disse.

A proposta também prevê parcerias com hospitais de referência de outros estados para atender pacientes acreanos quando determinados procedimentos ainda não estiverem disponíveis no Acre. Alan Rick afirma que essa alternativa deve continuar enquanto a rede estadual não tiver condições de realizar todos os atendimentos especializados.

“Enquanto não tivermos todos os serviços disponíveis no Acre, o paciente não pode esperar. Vamos continuar buscando atendimento onde houver excelência, mas sem abrir mão de fortalecer nossas regionais. O objetivo é que, a cada ano, mais consultas, exames e cirurgias sejam realizados perto de casa, reduzindo filas, diminuindo o sofrimento das famílias e garantindo um atendimento cada vez mais digno”, declarou.

Jéssica Sales cancela compromissos no Juruá após crise renal

Jéssica Sales cancelou a agenda que cumpriria neste sábado, 15, no Vale do Juruá, depois de sofrer uma forte crise renal. Por orientação médica, ela permaneceu em repouso e não viajou para Cruzeiro do Sul, onde tinha compromissos programados ao longo do dia.

A médica e ex-deputada federal comunicou a mudança na programação pelas redes sociais. Em vídeo, explicou que pretendia seguir viagem para Cruzeiro do Sul, mas o quadro de saúde exigiu a suspensão das atividades.

“Meus amigos, hoje era um dia mega especial. Vocês sabem que era para eu estar embarcando para Cruzeiro do Sul, mas infelizmente tive uma crise renal muito forte e, por orientação médica, me pediram para ficar em repouso e cuidar da minha saúde”, afirmou.

Entre os compromissos previstos estava a participação nas atividades relacionadas à celebração de Nossa Senhora da Glória, uma das principais manifestações religiosas de Cruzeiro do Sul. Natural do município, Jéssica lamentou a ausência e enviou uma mensagem aos moradores da região.

Durante a gravação, ela também aproveitou para reforçar os cuidados com a hidratação. Médica ginecologista e obstetra, Jéssica relacionou o episódio à dificuldade de manter o consumo adequado de água durante uma rotina intensa.

“Como médica e como paciente, deixo um alerta muito importante: bebam bastante água. Eu sei que no corre do dia a dia, da vida, do trabalho, a gente acaba não se hidratando e, infelizmente, acontece o que me aconteceu hoje. Por favor, cuidem-se, hidratem-se, e se Deus quiser logo estaremos juntos”, declarou.

A expectativa é de que Jéssica retome os compromissos depois da recuperação e da liberação médica.

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Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

Imac reforça fiscalização contra queimadas e desmatamento no Vale do Juruá

O Instituto de Meio Ambiente do Acre reforçou em agosto as ações de fiscalização contra queimadas e desmatamento no Vale do Juruá, no interior do estado, por causa do período de estiagem. A operação integra o plano anual de combate a crimes ambientais e deve continuar até novembro, fase em que o risco de incêndios florestais aumenta na região.

Na regional de Cruzeiro do Sul, as equipes atuam por terra e com apoio de monitoramento aéreo para localizar áreas com suspeita de desmate e queimadas irregulares. As ocorrências são mapeadas por imagens de satélite antes da ida dos fiscais a campo.

A chefe interina do Imac no Juruá, Marla Amorim, afirmou que o planejamento foi feito com antecedência para ampliar a presença das equipes no período mais crítico do ano. “As áreas são identificadas por meio de imagens de satélite e, a partir dessas informações, nossas equipes vão a campo verificar se há irregularidades. Somente para este mês de agosto recebemos 28 pontos com indícios de desmatamento e queimadas que já estão sendo fiscalizados”, disse.

Queimadas e desmatamentos feitos sem autorização ambiental podem levar a multa, embargo da propriedade e restrições para acesso a financiamentos rurais. As penalidades mudam conforme o tipo e o tamanho da área atingida. Em reserva legal ou área de preservação permanente, os valores podem passar de R$ 5 mil por hectare. Fora dessas áreas, as multas ficam em torno de R$ 1 mil por hectare.

Além da fiscalização, o Imac orienta produtores rurais sobre a regularização ambiental, incluindo o Cadastro Ambiental Rural e as licenças exigidas para desmate e queima controlada. O órgão mantém ações durante todo o ano, mas amplia as operações na estiagem, quando cresce o risco de degradação ambiental.

Marla Amorim afirmou que a redução do desmatamento também ajuda a combater incêndios, já que o fogo costuma ser usado após a derrubada da vegetação. “Quando combatemos o desmatamento, também reduzimos as queimadas, porque, na maioria das vezes, o fogo é utilizado após a derrubada da vegetação”, afirmou.

A destruição da floresta também afeta o equilíbrio ambiental, a disponibilidade de recursos naturais e agrava os efeitos das mudanças climáticas. Nos últimos anos, o Acre enfrentou alta pressão de queimadas, o que levou os órgãos ambientais a ampliar ações integradas de fiscalização e orientação no campo.

No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.

Bocalom apresenta projeto para fortalecer produção e gerar emprego no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom apresentou, na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, as bases do projeto político que pretende levar à disputa estadual ao lado do pré-candidato a vice-governador Sargento Adonis. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bocalom colocou a geração de emprego, o fortalecimento da agricultura e a aproximação entre o Vale do Juruá e as demais regiões do estado no centro de sua proposta.

A passagem por Cruzeiro do Sul ocorreu após a apresentação pública de Sargento Adonis como integrante da chapa. Bocalom afirmou que a escolha nasceu de uma sequência de conversas e da identificação de valores comuns entre os dois. Para ele, o militar reúne ligação com a população, disposição para percorrer o estado e conhecimento da realidade vivida pelas famílias do Juruá.

“Deus colocou no coração dele e colocou no meu coração que a gente tinha que andar juntos”, disse Bocalom. O pré-candidato contou que recebeu manifestações favoráveis ao nome de Adonis vindas de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e de outras cidades acreanas.

Bocalom também lembrou a participação de Adonis na eleição municipal de 2020, quando o militar disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e conquistou uma votação expressiva por meio do contato direto com os moradores. A trajetória, segundo ele, demonstrou capacidade de mobilização e abriu caminho para a formação de uma chapa com presença política no Juruá.

“Eu tenho certeza absoluta de que o Adonis vai representar muito bem o nosso Vale do Juruá. Não é só Cruzeiro do Sul. A família dele tem raízes em Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Isso é muito importante”, afirmou Bocalom. Ele definiu o pré-candidato a vice como um homem simples, cristão, leal e comprometido com uma forma de fazer política voltada ao atendimento da população.

A produção rural ocupou a maior parte da entrevista. Bocalom defendeu uma política estadual que ofereça ramais em condições de tráfego, assistência técnica, mecanização, tratores, combustível, peças e acompanhamento permanente aos produtores. O objetivo, afirmou, é criar condições para que as famílias aumentem a produtividade, ampliem a renda e movimentem o comércio dentro dos próprios municípios.

O pré-candidato usou sua experiência com o cultivo de café para explicar o potencial da agricultura acreana. Ele relatou que mantém uma área de quatro hectares e que a produção passou de 140 sacas por hectare, no ano anterior, para 204 sacas por hectare na colheita mais recente. Para Bocalom, resultados como esse podem alcançar milhares de famílias quando o poder público garante estrutura, conhecimento técnico e apoio contínuo.

“Eu quero que o produtor ganhe dinheiro. Não tem outra saída para a agricultura familiar. É o café, é o cacau, é o leite, é o arroz, é o milho e é o feijão, produtos que são consumidos aqui”, declarou. Bocalom calcula que o aumento da produção local pode manter mais de R$ 2 bilhões por ano circulando no Acre, reduzir a compra de alimentos de outros estados e criar novas oportunidades de trabalho.

Na visão apresentada durante a entrevista, a riqueza produzida no campo chega às cidades por meio da compra de máquinas, veículos, materiais de construção, alimentos, serviços e outros produtos. Bocalom resumiu essa relação ao afirmar que “campo rico é cidade rica”, defendendo uma economia na qual o desenvolvimento rural fortaleça também os comerciantes e trabalhadores das áreas urbanas.

A agroindustrialização aparece como uma etapa desse processo. Bocalom explicou que fábricas de café, arroz, leite, óleo, carne suína e carne de frango precisam de matéria-prima em quantidade suficiente para operar durante todo o ano. Por isso, o primeiro passo de seu projeto será ampliar a produção e organizar as cadeias produtivas.

“Só existe indústria se tiver matéria-prima. Vamos fazer matéria-prima primeiro, que as indústrias vêm”, afirmou. A proposta prevê que o crescimento da agricultura abra espaço para novos empreendimentos, agregue valor aos produtos acreanos e mantenha uma parcela maior da riqueza dentro do estado.

Bocalom também apresentou o trabalho como instrumento de transformação social. Ele afirmou que deseja criar oportunidades para que as famílias possam aumentar a renda, comprar a casa própria, adquirir veículos, investir na propriedade e garantir melhores condições de estudo aos filhos.

“Eu quero dar oportunidade para o povo ganhar dinheiro, comprar seu caminhão, comprar seu carro, comprar sua casa e colocar o filho para estudar. É isso que eu quero”, declarou. O pré-candidato associou essa visão aos projetos de café desenvolvidos no Juruá e elogiou os produtores que vêm ampliando a atividade em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e municípios próximos.

Sargento Adonis afirmou que assumiu o projeto com responsabilidade e disposição para percorrer todas as regiões acreanas. “O que eu tenho para ofertar ao povo do Acre é a minha sinceridade e a minha lealdade. Nós vamos caminhar de Assis Brasil a Mâncio Lima, carregando nas costas o projeto do Tião Bocalom”, disse.

A entrevista marcou o início de uma agenda conjunta no Juruá e apresentou uma chapa baseada na experiência administrativa de Bocalom e na presença regional de Adonis. Com a produção rural como principal caminho para gerar emprego e renda, os dois defenderam um projeto de integração do Acre, apoio ao trabalhador e criação de oportunidades para as famílias nos municípios.