Do plantio à embalagem, café do Juruá agrega valor e abre espaço fora do Acre

Uma propriedade rural de Cruzeiro do Sul está transformando o café cultivado no Vale do Juruá em um produto pronto para chegar diretamente ao consumidor. Na Fazenda Ouro Preto, a família responsável pelo Café Milu acompanha desde o plantio e a colheita até a torra, moagem e embalagem, modelo que permite agregar valor à produção antes da comercialização.

A estratégia acompanha o crescimento da cafeicultura no Juruá, que nos últimos anos passou a reunir novas áreas de cultivo, produtores, cooperativas e marcas locais. Em vez de comercializar apenas o grão, empreendimentos da região começam a investir também no beneficiamento e na construção de marcas próprias.

No caso do Café Milu, a produção familiar instalada em Cruzeiro do Sul vem ampliando sua presença no mercado e já alcança consumidores além das fronteiras do Acre. O negócio também recebe acompanhamento do Sebrae, com orientações voltadas à gestão, organização da empresa e expansão comercial.

A relação da família com o Sebrae começou antes da entrada na cafeicultura. Raimundo Carlos de Oliveira atuou durante anos na piscicultura e manteve o acompanhamento da instituição quando decidiu investir em uma nova atividade produtiva.

“O Sebrae é um parceiro da vida toda da gente, desde a piscicultura até o café”, afirmou o empreendedor.

A experiência da família mostra uma mudança na própria cadeia produtiva do café no Juruá. Além do aumento da produção no campo, parte dos produtores passou a buscar formas de manter uma parcela maior do valor gerado pelo produto dentro da região, com beneficiamento, torrefação, embalagem e comercialização.

O movimento ocorre em uma região que já se consolidou como o principal polo de produção de café do Acre. Dados divulgados pela Cooperativa de Cafeicultores do Juruá apontam mais de 5 milhões de pés plantados e centenas de produtores envolvidos na atividade.

Com marcas locais chegando a novos consumidores, o café cultivado no Juruá deixa de ser apenas matéria-prima e passa a disputar espaço nas prateleiras como produto identificado com a própria região de origem.

Perpétua Almeida afirma que Acre terá quatro indústrias para beneficiamento de café

A candidata a deputada federal pelo PCdoB, Perpétua Almeida, afirmou neste sábado (19) que o Acre terá quatro estruturas destinadas ao beneficiamento de café nos municípios de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul, Capixaba e Acrelândia. A declaração foi feita durante uma publicação sobre a expansão da cafeicultura no estado.

No vídeo, gravado em Cruzeiro do Sul, Perpétua apresenta a estrutura instalada no município e afirma que o empreendimento atende a uma antiga reivindicação dos produtores da região.

“Quando eu comecei a andar nas propriedades dos produtores de café, que eu perguntava qual era o sonho deles, eles diziam para mim que o grande sonho deles era ter onde beneficiar o café deles”, declarou.

A unidade de Cruzeiro do Sul deve atender produtores que, juntos, possuem mais de 2 milhões de pés de café plantados. A proposta é ampliar o processamento da produção na própria região e reduzir a necessidade de deslocamento do café para outras localidades.

“Essa indústria aqui é a realização de um sonho, um sonho de muitos. O sonho de pessoas simples, de pessoas pobres que agora têm dinheiro no bolso porque já começaram a beneficiar o café lá em Mâncio Lima”, afirmou Perpétua.

Das quatro estruturas citadas pela candidata, a de Mâncio Lima já está em funcionamento. O Complexo Industrial do Café do Juruá foi inaugurado em junho de 2025, após receber R$ 10 milhões em investimentos. A unidade foi implantada para beneficiar e rebeneficiar o café produzido principalmente pela agricultura familiar.

Em Cruzeiro do Sul, foram destinados R$ 5 milhões para a ampliação da estrutura de beneficiamento na região do Juruá. A ordem de serviço foi assinada em janeiro de 2026 e previa uma área de 750 metros quadrados, cinco secadores e uma máquina descascadora, com capacidade para processar até 10 mil sacas por safra. Na publicação deste sábado, Perpétua apresenta a estrutura como pronta.

“Essa indústria vai atender pessoas que juntas têm mais de dois milhões de pés de café plantado. Essa aqui é a indústria que traz o desenvolvimento para o Juruá, que traz o desenvolvimento para Cruzeiro do Sul e para a região mais próxima”, disse.

Os outros dois complexos estão previstos para Capixaba e Acrelândia. Os municípios fazem parte do projeto de formação de uma rede de industrialização do café no Acre. Em Capixaba, a atualização oficial divulgada em julho apontava que 42% das obras estavam concluídas.

As unidades de Capixaba e Acrelândia integram um convênio de R$ 14,7 milhões entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Cooperacre. A previsão apresentada no início das obras era atender cerca de 400 famílias produtoras nos dois municípios.

Perpétua participou da articulação dos projetos durante sua passagem pela Diretoria de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI. Agora candidata à Câmara dos Deputados, ela relaciona a implantação das indústrias à estratégia de processar o café dentro do Acre e manter nas regiões produtoras uma parcela maior da renda gerada pela atividade.

O registro da candidatura de Perpétua Almeida a deputada federal está deferido pela Justiça Eleitoral.

Bocalom defende expansão da cafeicultura em visita à Coopercafé em Mâncio Lima

O candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom, reuniu-se com mais de 200 produtores cooperados em Mâncio Lima, no Vale do Juruá, durante agenda realizada no sábado, 5 de setembro. O encontro teve como foco o fortalecimento da cafeicultura e a proposta de ampliar políticas de incentivo à produção rural para gerar emprego e renda em diferentes regiões do estado.

Diante de agricultores, dirigentes da Coopercafé e lideranças do setor, Bocalom apresentou sua experiência como produtor rural e gestor público. Ele defendeu a ampliação do apoio aos produtores como parte do projeto “Produzir para Empregar”, uma das principais bandeiras de sua campanha.

O candidato citou o crescimento da produção de café, mandioca e da pecuária em Mâncio Lima como exemplo do potencial econômico do campo. Na avaliação dele, o aumento da atividade produtiva contribui para a circulação de renda, o comércio e a criação de oportunidades de trabalho. Bocalom também afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do município dobrou, mas não apresentou, na ocasião, o período de comparação nem os dados utilizados para o cálculo.

Durante a visita à indústria da Coopercafé, o candidato conheceu as atividades de apoio aos agricultores, beneficiamento e comercialização do café. Ele elogiou o trabalho da cooperativa e afirmou que pretende levar experiências semelhantes a outras regiões do Acre. “O poder público precisa estar ao lado dessas pessoas, ajudando a criar condições para produzir mais, agregar valor e gerar emprego e renda aqui dentro”, declarou.

O produtor Eliton Maia defendeu atenção aos pequenos agricultores e afirmou que a entidade mantém independência partidária. “A nossa cooperativa é apartidária e o nosso foco é a melhoria da vida dos cooperados e, por tabela, da sociedade”, disse. Romualdo Silva também cobrou políticas voltadas à produção e afirmou que espera do próximo governo medidas capazes de ampliar o desenvolvimento econômico do estado.

Fundada em setembro de 2021, a Coopercafé reúne agricultores familiares do Vale do Juruá e atua na produção e industrialização do café. Em agosto de 2026, a cooperativa informou contar com 267 associados, mais de 4,5 milhões de pés de café plantados e comercialização acumulada superior a R$ 45 milhões. A entidade também registrou mais de 1.500 pessoas contratadas por diárias nas lavouras dos cooperados.

A industrialização da cadeia produtiva recebeu investimentos federais por meio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A parceria destinou R$ 9 milhões ao complexo de Mâncio Lima e R$ 6 milhões ao de Cruzeiro do Sul. A estrutura permite que parte da produção seja beneficiada na própria região, com maior participação dos agricultores nas etapas de comercialização.

A agenda de Bocalom no Juruá também incluiu a apresentação de propostas para ampliar mercados e melhorar as condições de transporte da produção. Entre elas, o candidato defendeu uma rota de integração com o Peru, via Pucallpa, como alternativa para reduzir custos logísticos e facilitar o escoamento de produtos acreanos.

Cruzeiro do Sul investe R$ 957 mil em mudas e adubos para ampliar produção de café

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul destinou R$ 957 mil à compra de mudas de café e adubos para atender agricultores familiares por meio do Programa de Desenvolvimento da Cafeicultura Sustentável. Nesta sexta-feira (14), o prefeito Zequinha Lima visitou uma das áreas beneficiadas, na comunidade Vai e Vem, às margens da BR-364, onde acompanhou o desenvolvimento de uma lavoura implantada com apoio do município.

O programa atende 100 agricultores familiares de diferentes regiões de Cruzeiro do Sul. Mais de 130 mil mudas de café foram distribuídas aos produtores, que também recebem insumos e acompanhamento técnico durante as etapas de implantação das lavouras. Os recursos usados na aquisição das mudas e dos adubos são provenientes de emenda parlamentar.

Um dos beneficiados é o produtor Altemiro Pinheiro, que recebeu 3 mil mudas, além de adubo e assistência técnica. A plantação foi iniciada há cerca de dois meses na propriedade dele, na comunidade Vai e Vem.

“Para mim foi muito importante, porque eu já tinha vontade de plantar, mas as coisas estavam meio fracas. Quando veio esse apoio com 3 mil pés de café, para mim foi ótimo. Vêm as mudas, o adubo e toda essa estrutura, e a gente também faz a nossa parte”, afirmou Altemiro.

Antes do início do plantio, os agricultores cadastrados participaram de cursos de cafeicultura e cooperativismo. Técnicos também visitaram as propriedades para avaliar as áreas escolhidas e coletar amostras de solo para análise de fertilidade.

Na etapa seguinte, as equipes acompanharam o preparo do terreno e a abertura das covas, além de orientar os produtores sobre adubação e plantio. A assistência continua durante o desenvolvimento das lavouras.

A iniciativa alcança comunidades dos rios Juruá Mirim, Valparaíso e Liberdade, além de outras áreas ribeirinhas do município. A proposta é ampliar a produção local de café e permitir que a cultura se torne uma alternativa de renda para famílias da agricultura familiar.

Durante a visita à propriedade de Altemiro Pinheiro, Zequinha Lima afirmou que o acompanhamento técnico será mantido após a distribuição dos insumos. “Além das mudas, recebeu adubo e terá todo o acompanhamento técnico da Prefeitura, para que isso, no futuro, possa se transformar em uma fonte de renda importante para a família dele”, disse o prefeito.

Zequinha Lima afirma que café transforma vidas e fortalece agricultura familiar em Cruzeiro do Sul

O prefeito Zequinha Lima defendeu nesta sexta-feira, 26, em Cruzeiro do Sul, a continuidade dos investimentos na cafeicultura como alternativa de geração de renda, emprego e desenvolvimento para agricultores familiares do município. A declaração foi feita durante sessão solene da Assembleia Legislativa do Acre em alusão ao Dia Mundial do Café, realizada no Teatro dos Náuas.

Zequinha afirmou que os avanços registrados na produção de café em Cruzeiro do Sul são resultado do trabalho diário dos agricultores e do apoio recebido por instituições parceiras que apostaram no potencial produtivo do Vale do Juruá. Para o prefeito, os produtores rurais são os principais responsáveis pelo crescimento da atividade na região.

“Nós só estamos aqui hoje por conta do trabalho que vocês fazem todos os dias. O café tem transformado vidas e fortalecido a agricultura familiar. Cruzeiro do Sul continuará incentivando essa atividade porque sabemos da sua importância para a economia e para os nossos produtores”, disse Zequinha Lima.

O prefeito também ressaltou que os investimentos feitos nos últimos anos ajudaram a ampliar a produção, abrir novas oportunidades no campo e fortalecer a economia local. A avaliação é que a cafeicultura deixou de ser apenas uma aposta e passou a ocupar espaço entre as principais atividades produtivas do município.

Ao reconhecer o papel dos agricultores familiares, Zequinha reforçou que a Prefeitura de Cruzeiro do Sul seguirá apoiando a cadeia produtiva do café, com ações voltadas ao fortalecimento da produção rural e à valorização de quem vive da agricultura no município.

Aleac homenageia cafeicultores e destaca avanço da produção de café no Juruá

A Assembleia Legislativa do Acre realizou nesta sexta-feira, 26, no Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, uma sessão solene em alusão ao Dia Nacional do Café para homenagear produtores rurais, instituições e representantes da cadeia produtiva que impulsionam a cafeicultura no Vale do Juruá e em outras regiões do estado.

Durante a solenidade, mais de 30 homenagens foram entregues a pessoas e entidades ligadas ao setor, com reconhecimento especial a produtores pioneiros e a novos cafeicultores que passaram a investir na atividade. A sessão foi proposta pela Mesa Diretora da Aleac, por meio do Requerimento nº 42/2026, e presidida pelo primeiro-secretário da Casa, deputado Luiz Gonzaga.

A produção acreana de café, baseada principalmente no robusta amazônico, passa por fase de expansão. O parque cafeeiro do estado é estimado em cerca de 1.931 hectares, com forte presença da agricultura familiar. Mais de 83% dos produtores atuam em propriedades de até 20 hectares, o que reforça o peso social da atividade na geração de renda no campo.

Representando o presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior, Luiz Gonzaga afirmou que o café já se consolidou como alternativa econômica para centenas de famílias do Juruá. “O café hoje é uma realidade no Juruá. Está mudando a vida de muitas pessoas, e a Assembleia Legislativa não poderia deixar de reconhecer a importância desses produtores, que têm contribuído para o fortalecimento da economia acreana”, disse.

A solenidade também ressaltou o papel da Coopercafé, da Embrapa, de prefeituras, cooperativas e órgãos de apoio técnico no avanço da produção. Autoridades presentes defenderam que o crescimento do setor depende da continuidade de investimentos em tecnologia, assistência técnica, beneficiamento, crédito e escoamento da produção.

Luiz Gonzaga, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e o prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Pinheiro Magalhães, afirmaram que o Juruá vive um novo ciclo produtivo, com o café como uma das principais apostas para fortalecer a economia regional. Parlamentares que destinaram emendas para fomentar a cadeia produtiva também foram citados durante a solenidade.

O avanço da cafeicultura tem relação direta com a ampliação da estrutura de beneficiamento na região. Em Mâncio Lima, o Complexo Industrial do Café do Juruá foi implantado para agregar valor à produção local e apoiar agricultores familiares, dentro de um modelo cooperativista voltado ao beneficiamento e rebeneficiamento dos grãos.

A sessão foi transmitida pela TV Aleac e encerrada com a entrega das homenagens da Assembleia Legislativa aos produtores e instituições que atuam no fortalecimento do café acreano.

Mâncio Lima sedia oficina da Rota do Café e planeja expansão da cafeicultura no Vale do Juruá

Mâncio Lima recebe nesta terça e quarta-feira, 24 e 25 de junho, na Casa de Cultura Márcia Alencar, a Oficina de Planejamento Estratégico da Rota do Café no Acre. A iniciativa reúne produtores rurais, cooperativas, pesquisadores, instituições públicas e privadas e representantes de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves para definir ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do café no Vale do Juruá.

A oficina faz parte do projeto Rotas de Integração Nacional, coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e tem como meta traçar um plano de desenvolvimento para ampliar a produção, a industrialização e a comercialização do café acreano, além de abrir espaço para o turismo ligado à atividade. A proposta inclui o mapeamento de gargalos em áreas como infraestrutura, assistência técnica, logística e acesso a mercado.

Na abertura do evento, o presidente da Coopercafé, Jonas Lima, afirmou que a articulação entre produtores e instituições é decisiva para consolidar a cafeicultura na região. “Estamos com uma produção altíssima, mas agora precisamos apoiar os produtores no campo para que possam fornecer um café de qualidade para a indústria. A Rota do Café traz exatamente isso: conhecimento, técnica, assistência de engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, além da possibilidade de captar recursos para fortalecer toda a cadeia produtiva”, disse.

O prefeito de Mâncio Lima, Zé Luiz Gomes, afirmou que o município ocupa posição estratégica nesse processo por ter implantado o primeiro Complexo Industrial do Café do Acre. Segundo ele, o encontro também representa um reconhecimento ao papel da cidade no avanço da atividade no estado. “A estratégia é ouvir a cooperativa, a ABDI, os produtores e toda a cadeia produtiva para construir um planejamento que traga mais melhorias e benefícios para quem vive da produção de café”, declarou.

O consultor do ministério Leandro Guimarães de Paulo disse que a oficina foi desenhada para construir uma política pública com participação direta dos envolvidos no setor. A proposta, segundo ele, é definir a abrangência da rota, estabelecer uma visão de futuro para a cadeia do café e produzir um diagnóstico dos principais desafios da atividade no Vale do Juruá.

Os produtores também participaram dos debates e apresentaram demandas ligadas à produção. Um dos exemplos veio da Comunidade Belo Monte, em Mâncio Lima. Há sete anos na cafeicultura, Wilson José cultiva café em nove dos 21 hectares da propriedade, com cerca de 30 mil pés plantados. Neste ano, em três hectares já em produção, ele alcançou média de 300 sacas de café beneficiado. “Um evento como esse é muito importante para toda a cadeia produtiva porque incentiva a gente a produzir com mais qualidade. Isso fortalece o produtor e cria oportunidades de mercado para o nosso café”, afirmou.

Wilson também relatou que a cafeicultura já ultrapassa a produção agrícola e passa a atrair visitantes e pesquisadores interessados no modelo desenvolvido na propriedade. Dono da marca Café Beija-Flor, ele disse que o trabalho com café especial e a participação em concursos ajudaram a dar visibilidade à produção local e a mostrar o potencial da agricultura familiar na região.

Nos últimos três anos, Mâncio Lima ampliou a presença da cafeicultura com a implantação do Complexo Industrial do Café, estrutura que atende mais de 200 famílias produtoras. O reflexo, segundo participantes do evento, já aparece no comércio local, principalmente no período de colheita, quando a circulação de recursos cresce e movimenta a economia do município.

A oficina deve servir de base para a elaboração de um plano de ação e de um programa de investimentos, construídos a partir de visitas técnicas em propriedades rurais e nos complexos industriais da região. A expectativa é transformar o café produzido no Acre em referência nacional, com mais valor agregado, novos mercados e impacto econômico e social para o Vale do Juruá.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul leva 500 sacas de café para beneficiamento em Mâncio Lima

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul fez, na quinta-feira, 18 de junho, o transporte de cerca de 500 sacas de café de uma propriedade rural na região da BR-364 até uma indústria em Mâncio Lima. A ação atendeu o produtor Vitor Silva e faz parte do trabalho da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento para ajudar no escoamento da safra e reduzir custos dos agricultores.

O carregamento ocorreu no Ramal do Caracas. Com o suporte da prefeitura, a produção segue para beneficiamento sem custo de transporte para o produtor. Vitor Silva afirmou que esta foi a décima carga de café transportada este ano com apoio do município. “Esse apoio é muito importante para nós produtores, porque facilita o transporte da produção e ajuda a reduzir os custos. Já estamos no décimo caminhão transportado este ano e isso mostra o quanto essa parceria tem sido fundamental para fortalecer a cafeicultura em nossa região”, disse.

O secretário municipal de Agricultura, Nildson Moura, afirmou que a orientação da gestão é manter o atendimento aos produtores rurais. “O café tem se destacado cada vez mais em nosso município e precisamos garantir que os produtores tenham condições adequadas para escoar sua produção. Esse apoio com maquinários representa mais eficiência, menos custos e mais oportunidades para quem vive da agricultura”, declarou.

Além do transporte, a prefeitura informou que já distribuiu mais de 4,2 toneladas de insumos agrícolas a produtores das regiões dos rios Juruá Mirim e Valparaíso, dentro do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura. A iniciativa atende 100 agricultores, cada um com 3 mil mudas de café, volume suficiente para o plantio de um hectare, além de insumos para correção e fertilização do solo.

O município também faz o transporte dos materiais até as comunidades e oferece acompanhamento técnico com engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura. Em Cruzeiro do Sul, uma indústria de café está em construção no Ramal II, na Vila Santa Luzia, como parte da expansão da cadeia produtiva no município.

Dia de campo em Acrelândia reforça avanço do café e aposta de Bocalom no agro

A cafeicultura voltou ao centro do debate sobre desenvolvimento rural no Acre neste sábado, 16 de maio, durante um dia de campo realizado na propriedade do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, em Acrelândia. O encontro reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades para discutir produtividade, mercado e expansão do café robusta amazônico, hoje tratado por lideranças do setor como uma das principais alternativas de renda no estado.

A programação contou com a presença do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, do prefeito de Acrelândia, além de produtores do município e representantes de outras atividades do agronegócio. Ao longo do evento, a defesa do café apareceu associada à geração de emprego no campo, ao fortalecimento da agricultura familiar e à ampliação da economia local em municípios do Baixo e do Alto Acre.

Com área cultivada de pouco mais de 20 hectares, a lavoura de Bocalom foi apresentada aos participantes como exemplo de desempenho produtivo. Durante o encontro, ele afirmou que o robusta amazônico tem capacidade de elevar a renda do produtor e ampliar a presença do Acre no mercado regional. “O café robusta amazônico é altamente produtivo e oferece uma rentabilidade muito interessante para o produtor. É uma cultura que pode transformar a realidade econômica de muitas famílias”, disse. Mais adiante, reforçou: “O café é uma grande oportunidade para o Acre. O pequeno produtor consegue ter renda, melhorar sua qualidade de vida e ainda contribuir para o crescimento da economia local”.

Bocalom também resgatou o período em que administrou Acrelândia e associou a expansão da cafeicultura no município às políticas de incentivo implantadas naquela fase. Hoje, a cidade é tratada como principal polo produtor do grão no estado. “Quando fui prefeito, investimos fortemente no incentivo ao café. Hoje, Acrelândia é referência no Acre, mostrando que, com apoio e planejamento, é possível desenvolver uma cadeia produtiva forte e sustentável”, afirmou.

Entre os participantes estavam nomes ligados à produção cafeeira local, como Celso Timpurim, Wanderley Lara, Wagner Álvares e outros produtores de Acrelândia. O encontro também atraiu representantes de outras cadeias produtivas. O pecuarista Jorge Moura, que atua ainda com soja, classificou o agronegócio como uma saída econômica para o estado. Já o produtor Mário Maffi, com atuação no cultivo de milho e soja no Alto Acre, avaliou que o café já entrou em fase de consolidação no campo e amplia seu peso na economia rural acreana.

A programação técnica abriu com a palestra de Ronaldo Marciano, representante da UPL, que apresentou um panorama do mercado global do café, a alta dos preços, os custos de produção e a necessidade de gestão eficiente da propriedade. Em seguida, Hadamés Wilson expôs dados da produção no Acre, com foco nas regiões do Baixo e do Alto Acre, e tratou de estratégias de plantio entre abril e maio para reduzir perdas na colheita. Também foram citados resultados de produtividade em municípios como Capixaba, Rio Branco, Porto Acre e Acrelândia.

No encerramento, o professor Leonardo Tavela, da Universidade Federal do Acre, apresentou um panorama da cafeicultura no Vale do Juruá, com os entraves para ampliar a atividade e os avanços obtidos a partir do laboratório de qualidade do café da universidade. A exposição incluiu dados de produtividade e perspectivas de fortalecimento da cadeia no estado.

Após as palestras, produtores e convidados seguiram para visitas de campo. A projeção apresentada durante a atividade aponta safra acima de 880 sacas na área observada. Outra demonstração mostrou o desempenho de um plantio com um ano e três meses conduzido com cobertura vegetal para conter o mato ao redor da planta. O evento também recebeu representantes do governo da Bolívia e da área de agricultura de Boca do Acre, no Amazonas, num movimento que amplia o interesse regional pelo avanço da cafeicultura acreana.