Política

Apoio de Ciro Nogueira expõe crise de Mailza e cola pré-candidatura a desgaste judicial no Acre

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“Mailza é a prioridade número 1 do nosso partido no Brasil. Sua eleição é muito importante, fundamental, e nós estaremos aí até o fim.” A frase de Ciro Nogueira, que circulou nesta segunda-feira, 29 de junho, tentou estancar a crise aberta em torno da candidatura de Mailza Assis ao governo do Acre em 2026. Mas o efeito político foi outro. No momento em que a pré-campanha da governadora enfrenta ruídos internos, especulações sobre resistências na federação e indefinições de aliados, o gesto mais enfático de apoio veio justamente do presidente nacional do PP, hoje atingido pelo escândalo do Banco Master.

Ciro foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal em maio, no inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo decisão do ministro André Mendonça citada pela Reuters, a investigação aponta que o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro “em troca de vantagens econômicas indevidas”. A defesa nega irregularidades e diz que ele está à disposição para prestar esclarecimentos. O dado pesa porque transforma um apoio partidário em passivo político: em vez de blindar Mailza, o áudio a liga nacionalmente a um dirigente sob investigação.

No Acre, o apoio de Ciro apareceu no pior momento para a governadora. O MDB virou peça central da disputa e ainda não definiu se ficará com Mailza ou se abrirá caminho para outro arranjo. Nos bastidores, dirigentes conversam com os dois lados, preservando margem de negociação e ampliando o poder de barganha do partido. Ao mesmo tempo, Alan Rick se consolidou como principal adversário, liderando a corrida ao Palácio Rio Branco. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de junho mostrou o senador com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Mailza, embora a atual governadora tenha 67% de aprovação administrativa.

A reação do entorno de Mailza foi de trincheira. Luiz Calixto reafirmou a pré-candidatura da governadora como inegociável e fez cobrança pública aos “oportunistas”, sinal de que a turbulência deixou de ser apenas boato de bastidor e passou a ser enfrentada abertamente pelo núcleo político do governo. Quando um projeto precisa ser defendido a esse ponto por seus articuladores, a crise já não está mais do lado de fora.

Mailza tenta vender a própria imagem como continuidade administrativa e política, mas esse discurso cobra um preço cada vez mais alto. Ela é a continuidade de Gladson Cameli, condenado em 6 de maio pela Corte Especial do STJ a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A defesa negou as acusações e alegou nulidade de provas, mas a condenação colocou o antigo comando do grupo sob o maior desgaste judicial de sua trajetória recente.

É isso que torna a situação de Mailza mais delicada. De um lado, o apoio mais ruidoso vem de Ciro Nogueira, investigado no caso Banco Master. De outro, o discurso de continuidade a amarra ao legado de Gladson, já condenado pelo STJ. No meio desse aperto, a governadora ainda precisa segurar a base, impedir novas deserções e provar que sua candidatura consegue andar com força própria. Hoje, porém, o que mais salta aos olhos é o oposto: uma pré-campanha encurralada, obrigada a se sustentar entre o barulho dos aliados e o peso do desgaste que eles carregam.

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