Mailza tem 5 dias para se explicar ao TRE-AC por suposta conduta vedada em isenção do IPVA

A governadora do Acre, Mailza Assis, tem cinco dias para apresentar defesa ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) em uma representação que a acusa de prática de conduta vedada pela legislação eleitoral na concessão de benefício fiscal em ano de eleição. A ação foi apresentada por Republicanos, PSD, Novo e Avante, partidos que integram a Coligação Trabalho da Esperança. A notificação já foi expedida pela Justiça Eleitoral.

O processo questiona a isenção do IPVA de 2026 para veículos novos adquiridos por pessoas físicas entre 1º e 30 de agosto. A medida foi proposta pelo governo estadual, encaminhada à Assembleia Legislativa do Acre em regime de urgência e posteriormente sancionada por Mailza.

Os partidos não pedem a suspensão nem a revogação da isenção. A representação concentra o questionamento na responsabilidade da governadora pela criação do benefício em ano eleitoral e pede que o TRE-AC reconheça a ocorrência de conduta vedada e aplique a penalidade prevista na legislação.

A ação se baseia no artigo 73, parágrafo 10, da Lei das Eleições, que proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, exceto em situações previstas pela própria legislação, como calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

“Não se trata de programa social, de situação de calamidade ou de estado de emergência”, afirma a representação. Os partidos sustentam que a medida criou uma “exoneração tributária temporária e generalizada” em período que coincide com a realização de uma feira de negócios promovida pelo Estado.

A representação também cita decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo benefícios fiscais concedidos em ano de eleição. Entre os precedentes mencionados está um caso relacionado às eleições municipais de 2012, no Paraná, no qual uma lei de iniciativa do então prefeito concedeu isenção tributária e houve reconhecimento de conduta vedada pela Justiça Eleitoral.

No caso acreano, os autores atribuem responsabilidade direta a Mailza por ela ter encaminhado o projeto ao Legislativo e sancionado a medida. “Trata-se, portanto, da agente pública responsável pela iniciativa e pela sanção da norma que instituiu a vantagem”, diz a representação.

Esta é a segunda ação eleitoral recente envolvendo atos do governo estadual. Na semana passada, o Republicanos acionou o TRE-AC em outro processo que questiona cerca de 1,4 mil nomeações realizadas pelo governo durante o período de restrições estabelecido pela legislação eleitoral.

Na nova representação, Republicanos, PSD, Novo e Avante pedem a aplicação da multa máxima, calculada em R$ 106.410. Mailza poderá apresentar sua defesa dentro do prazo de cinco dias. Depois dessa etapa, o processo seguirá para julgamento, e caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve ou não prática de conduta vedada.

Republicanos leva ao TCE denúncia contra quase 14 mil nomeações no governo Mailza

O Republicanos, partido do senador Alan Rick, levou nesta quarta-feira, 12 de agosto, ao Tribunal de Contas do Estado do Acre uma denúncia contra uma sequência de quase 14 mil nomeações, exonerações e movimentações de pessoal atribuídas ao governo de Mailza Assis. A ofensiva empurra a folha de pagamento do Estado para o centro da disputa pelo Palácio Rio Branco num momento em que o Executivo opera sob forte pressão fiscal: no primeiro quadrimestre de 2026, a despesa com pessoal chegou a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e a apenas 0,91 ponto percentual do teto de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Caberá ao TCE separar, dentro do volume apresentado pelo partido, quais atos criaram custo novo para o Estado e quais representam concursos, substituições, remanejamentos ou trocas em cargos já existentes.

O tamanho do número transforma uma rotina administrativa em um problema político. Quase 14 mil atos relacionados a pessoal, apresentados em bloco durante uma campanha apertada, produzem um efeito imediato sobre a opinião pública. O efeito contábil, porém, não pode ser calculado apenas pela quantidade de nomes publicados no Diário Oficial. Uma exoneração seguida de nomeação para outro cargo, por exemplo, pode aparecer duas vezes nos registros sem acrescentar uma única pessoa à folha. Um servidor pode mudar de secretaria, um cargo pode trocar de ocupante e um aprovado em concurso pode entrar no lugar de alguém que se aposentou. A questão central, por isso, não está apenas no tamanho da lista, mas no custo líquido produzido por ela.

A situação fiscal amplia o peso da denúncia. Entre maio de 2025 e abril de 2026, a despesa considerada no cálculo do limite de pessoal chegou a aproximadamente R$ 5,48 bilhões. Ao fim de 2025, o comprometimento da Receita Corrente Líquida estava em 47,99%. Quatro meses depois, atingiu 48,09%. O Executivo ainda permanece abaixo do teto de 49%, mas já atravessou a faixa em que a Lei de Responsabilidade Fiscal começa a fechar portas para decisões capazes de elevar permanentemente o gasto com servidores.

Essa fotografia, no entanto, não nasceu inteiramente no governo de Mailza Assis. Ela assumiu o comando definitivo do Estado em 2 de abril de 2026, depois da saída de Gladson Cameli. O índice de 48,09% considera uma janela de doze meses, de maio de 2025 a abril deste ano. Quase todo esse período ainda pertence à gestão anterior. Mailza recebeu uma máquina que já funcionava acima do limite prudencial, mas também recebeu as amarras criadas por essa condição. Desde a posse, qualquer decisão que amplie despesa permanente com pessoal passou a ser tomada com uma margem inferior a um ponto percentual até o teto legal.

É justamente nessa faixa que o debate jurídico precisa ser separado da guerra eleitoral. A Lei de Responsabilidade Fiscal não transforma automaticamente toda nomeação feita acima do limite prudencial em irregular. O artigo 22 cria restrições quando a despesa total com pessoal supera 95% do limite máximo. No caso do Executivo estadual, cujo teto é 49% da Receita Corrente Líquida, essa barreira intermediária fica em 46,55%.

Acima desse percentual, o poder público enfrenta restrições para conceder vantagens, criar cargos com aumento de despesa, alterar carreiras com impacto financeiro e fazer novas admissões ou contratações. A própria lei, contudo, abre exceções. Reposições decorrentes de aposentadoria ou falecimento em áreas essenciais, como educação, saúde e segurança, recebem tratamento diferente. É dentro dessa fronteira que cada ato precisará ser examinado.

O número levado pelo Republicanos ao TCE, portanto, tem força política imediata, mas não pode ser confundido automaticamente com 14 mil novos servidores incorporados à folha. O Diário Oficial registra uma sequência de decretos que mistura realidades administrativas diferentes. Há exonerações seguidas de novas nomeações, mudanças de lotação, remanejamentos entre órgãos, anulações de atos anteriores, convocações de aprovados em concursos e substituições de ocupantes de cargos comissionados.

Essa diferença muda completamente o tamanho do impacto fiscal. Se um servidor deixa uma função e assume outra no mesmo dia, o Estado pode ter dois atos publicados e nenhum trabalhador adicional. Se um concursado entra para preencher uma vaga aberta por aposentadoria, há uma nova nomeação, mas dentro de uma hipótese que pode ser admitida pela legislação. Se, por outro lado, um cargo comissionado é criado ou preenchido sem substituição, com aumento permanente de despesa, a análise passa a ser outra.

Desde que assumiu o governo, Mailza promoveu sucessivas mudanças na estrutura administrativa. Em 15 de abril, menos de duas semanas depois de receber definitivamente o cargo, uma edição extraordinária do Diário Oficial reuniu alterações em postos estratégicos. Em 22 de abril, uma nova rodada alcançou áreas como Saúde, Assistência Social, Agricultura, Comunicação e Governo, além do Detran. Parte dos servidores apareceu primeiro entre os exonerados e depois entre os nomeados para outras funções, situação que ajuda a explicar por que a contagem de atos não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas que entraram no serviço público.

O movimento continuou nos meses seguintes. Em julho, novas alterações passaram por Deracre, Saúde, Educação, Agricultura, Comunicação, Governo, Administração, Assistência Social, Segurança Pública, Detran, Imac, IMC, Idaf, Acreprevidência e outros órgãos. Os decretos misturavam nomeações, exonerações, mudanças de lotação e atos que tornavam nomeações anteriores sem efeito.

A repetição, a abrangência e o volume dessas mudanças criaram o material político que agora chegou ao Tribunal de Contas. O Republicanos procura transformar os atos administrativos em um questionamento sobre responsabilidade fiscal. O governo, por sua vez, terá de demonstrar a natureza de cada movimento e o efeito real sobre a folha.

No meio dessa disputa estão pessoas que não cabem confortavelmente dentro de um número de cinco dígitos. Entre os atos publicados pelo Estado estão servidores concursados que aguardaram meses ou anos por uma vaga. Na Saúde, o governo nomeou 89 aprovados para diferentes regionais, entre enfermeiros, médicos, técnicos, assistentes sociais, fisioterapeutas e outros profissionais. Na área de segurança, aprovados no concurso da Polícia Penal chegaram a protestar durante a convenção que oficializou a candidatura de Mailza, cobrando convocação.

Para quem passou meses estudando, pagou inscrição, enfrentou provas e esperou a publicação de um nome no Diário Oficial, ser incluído no mesmo pacote de uma nomeação política para cargo de confiança apaga uma diferença decisiva. Um vínculo pode atender a uma necessidade permanente do serviço público. Outro pode decorrer da escolha política de quem ocupa o governo. A legislação, o impacto orçamentário e o interesse público não são iguais nos dois casos.

A denúncia chega ao TCE no momento em que Mailza Assis e Alan Rick travam uma disputa direta pelo governo. O senador teve a candidatura oficializada pelo Republicanos em 25 de julho. A governadora entrou formalmente na corrida dias depois. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou os dois em empate técnico: Mailza apareceu com 35,2% das intenções de voto e Alan Rick com 33,1%, diferença inferior à margem de erro de três pontos percentuais.

Nesse cenário, discutir milhares de nomeações significa discutir muito mais que burocracia. Significa tocar em dois temas capazes de alterar o humor de uma campanha: dinheiro público e distribuição de cargos. Para Alan Rick, a denúncia oferece um caminho para questionar a gestão da adversária a partir das contas do Estado. Para Mailza, a resposta exige demonstrar que a reorganização administrativa não empurrou a folha para uma situação incompatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O uso das instituições de controle também já faz parte dessa disputa. Em junho, a Federação União Progressista, ligada ao grupo político de Mailza, procurou a Justiça Eleitoral para tentar impedir novos eventos de Alan Rick, sob a alegação de propaganda antecipada. O pedido de urgência não prosperou naquele momento por falta de elementos suficientes para uma proibição preventiva. Agora, é o partido do senador que leva um tema de forte repercussão eleitoral a outro órgão de controle.

O fato de uma denúncia surgir no meio de uma eleição não retira automaticamente sua validade. Da mesma forma, o protocolo de uma denúncia não transforma suspeita em irregularidade comprovada. Entre esses dois extremos existe o trabalho técnico que caberá ao Tribunal de Contas: abrir os atos, cruzar datas, identificar cargos, calcular impactos e verificar quais decisões se enquadram nas restrições da legislação fiscal.

A pressão sobre a folha de pagamento já vinha sendo acompanhada pelo TCE antes da ofensiva do Republicanos. O avanço da despesa para além do limite prudencial colocou gestores sob cobrança para conter gastos e preservar a capacidade financeira do Estado. A preocupação não se resume aos salários pagos diretamente pelo Executivo. Restos a pagar, terceirizações e a sustentabilidade da previdência estadual também pesam sobre uma estrutura que precisa financiar hospitais, escolas, segurança, estradas e políticas sociais.

Em julho, durante passagem pela Assembleia Legislativa, o secretário estadual da Fazenda, Amarísio Freitas, defendeu a condução fiscal do governo. “Temos nos esforçado (…) para manter abaixo do limite os gastos com pessoal”, afirmou. A defesa do Executivo parte de um dado objetivo: os 48,09% ainda não rompem o teto de 49%. A margem, porém, é curta, e a própria Lei de Responsabilidade Fiscal cria restrições antes de esse teto ser atingido.

Mailza assumiu o governo com outro desafio político. Depois de anos na condição de vice-governadora, precisava construir uma administração com decisões próprias em pleno ano eleitoral. Mudanças em secretarias, assessorias e cargos estratégicos também fazem parte desse esforço de reorganização. O problema é que a tentativa de imprimir uma identidade própria ao governo encontrou uma folha que já havia cruzado o limite prudencial.

É nessa colisão entre política, administração e dinheiro público que a denúncia ganha dimensão além da eleição. Por trás de cada decreto há uma função exercida dentro do Estado. Pode ser um enfermeiro numa unidade de saúde do interior, um professor diante de uma sala de aula, um policial penal dentro de uma unidade prisional, um servidor deslocado de uma secretaria para outra ou um assessor escolhido para ocupar um cargo de confiança. Colocar todos no mesmo número facilita o discurso político. Separá-los exige auditoria.

A pergunta que agora chega ao TCE não é apenas se o governo de Mailza publicou quase 14 mil atos relacionados a pessoal. É quantas pessoas efetivamente entraram na folha, quais vagas ocuparam, quanto cada decisão acrescentou à despesa, quantos atos corresponderam apenas a trocas internas e quais nomeações ocorreram depois que o Estado já estava acima do limite prudencial.

Essa resposta vai definir o tamanho real do caso. Sem a separação entre novas despesas e movimentações administrativas, o número serve principalmente à campanha. Com a análise individual dos atos, pode revelar se houve expansão da máquina incompatível com a situação fiscal ou se parte relevante da cifra nasceu da soma de procedimentos que não aumentaram o número de servidores.

Mailza governa sob uma folha herdada quase no teto e responde pelas decisões tomadas desde abril. Alan Rick carrega o ônus de provar que a denúncia possui substância para além do impacto de um número de cinco dígitos. No meio dos dois está o Tribunal de Contas, com uma tarefa menos ruidosa que o embate eleitoral e muito mais trabalhosa: separar nome por nome, cargo por cargo, concurso por concurso e descobrir quanto, de fato, cada ato custou ao Acre.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Cruzeiro do Sul homenageia Melissa Sampaio no Dia dos Pais enquanto ela cobra andamento de caso contra Madson Cameli

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa Sampaio, ex-esposa de Madson de Castro Cameli, para uma campanha de Dia dos Pais publicada neste domingo, 9 de agosto. Na arte, Melissa aparece ao lado dos filhos e integra a homenagem dirigida a “todas as mulheres que também são pais”. A publicação ocorre enquanto ela cobra da Justiça andamento no caso em que Madson foi denunciado pelo Ministério Público do Acre por lesão corporal grave e violência psicológica.

A peça produzida pela prefeitura reúne duas mães acompanhadas dos filhos. Melissa aparece na parte superior da imagem, recebendo beijos das crianças. A mensagem principal diz: “Neste domingo especial desejamos feliz Dia dos Pais para todas as mulheres que também são pais!”. A campanha leva a identidade visual oficial da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

O caso envolvendo Melissa e Madson chegou ao Ministério Público em 2024. Em agosto daquele ano, o MPAC informou que Madson era investigado por lesão corporal grave e violência psicológica e que Melissa tinha medida protetiva deferida. Ela também passou a receber acompanhamento do Centro de Atendimento à Vítima.

Posteriormente, a 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul denunciou Madson pelos crimes de lesão corporal grave e violência psicológica. A acusação foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação, entre eles depoimentos e documentos relacionados ao caso. A defesa de Madson contestou as acusações e afirmou que os fatos ocorreram no contexto do fim do relacionamento.

Em 2026, Melissa voltou a falar publicamente sobre o processo. Em junho, ela cobrou rapidez da Justiça em casos de violência doméstica e criticou a demora enfrentada por mulheres que procuram proteção e permanecem durante longos períodos sem uma decisão judicial.

“Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão”, escreveu Melissa ao tratar da necessidade de maior rapidez na tramitação de processos envolvendo violência contra a mulher.

A situação de Madson também mudou desde que o caso ganhou repercussão. Ele se casou com Mailza Assis, atual governadora do Acre, e passou a ocupar o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora, função diretamente ligada ao núcleo administrativo do Palácio Rio Branco.

A campanha da Prefeitura de Cruzeiro do Sul coloca Melissa em uma comunicação oficial voltada ao reconhecimento de mulheres que assumem responsabilidades familiares sem a presença cotidiana do pai. Ao mesmo tempo, ela continua cobrando resposta para um processo que envolve justamente o pai de seus filhos e que permanece sem desfecho judicial.

A arte não menciona Madson, a denúncia ou o processo. A homenagem se concentra na condição de Melissa como mãe e na criação dos filhos. A presença dela, porém, ocorre pouco tempo depois de voltar a público para reclamar da demora da Justiça em um caso iniciado há cerca de dois anos.

Madson não foi condenado pelos fatos relacionados ao processo. Há uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, contestada pela defesa, e uma cobrança pública de Melissa para que o caso avance na Justiça.

Neste domingo, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa como uma das mulheres que representam a mensagem de mães que “também são pais”. A homenagem ocorre enquanto ela permanece à espera de uma resposta judicial sobre as acusações feitas contra o ex-marido.

Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Wenceslau vê Bocalom fortalecido após convenção e questiona pesquisa AtlasIntel no Acre

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou, na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, que a convenção de Tião Bocalom mudou a percepção sobre a força do ex-prefeito de Rio Branco na disputa pelo Governo do Acre. Durante sua análise no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o apresentador também questionou a diferença entre os números divulgados pela AtlasIntel e o cenário construído por pesquisas anteriores no estado.

A leitura de Wenceslau partiu das imagens do Ginásio do Sesi lotado na sexta-feira, 31 de julho, durante o ato que oficializou a candidatura de Bocalom ao governo. Para o jornalista, a mobilização retirou o candidato de uma posição secundária no debate eleitoral e obrigou adversários, aliados e observadores da política acreana a reverem suas avaliações.

“Uma multidão lotou o ginásio, muita gente realmente, acho que mais de cinco mil pessoas. Isso reposicionou a candidatura de Tião Bocalom”, declarou.

Wenceslau sustentou que o tamanho do público teve um peso político que ultrapassou a formalidade da convenção. Na avaliação apresentada no programa, o evento mostrou que Bocalom preserva capacidade de mobilização, estrutura partidária e presença entre eleitores que já o acompanharam em outras disputas.

“Muita gente que achava que ele não estava tão forte assim acabou revendo os conceitos e entendendo que é um candidato que está na disputa, que está forte e que o jogo está pareado”, afirmou.

A convenção confirmou o sargento Adônis Souza como candidato a vice-governador e o deputado federal Eduardo Velloso como candidato ao Senado. Ao comentar a formação da chapa, Wenceslau lembrou que Velloso se aproximou do grupo de Bocalom depois de não conquistar espaço para disputar o Senado na composição governista.

Mesmo diante da demonstração de força, o jornalista tratou o cenário como aberto. As convenções ainda estavam em andamento, as candidaturas passariam pelo registro na Justiça Eleitoral e a campanha não havia começado oficialmente. Para Wenceslau, novas alianças e movimentos partidários ainda poderiam alterar a disputa antes de o eleitor entrar em contato direto com a propaganda eleitoral.

Foi nesse ambiente que a pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo AC24horas, entrou no centro da análise. No cenário estimulado para o Governo do Acre, Mailza Assis apareceu com 35,2%, Alan Rick com 33,1%, Tião Bocalom com 18,5% e Thor Dantas com 9,7%.

Wenceslau não tratou os números como uma oscilação comum entre levantamentos. Para ele, a pesquisa colocou diante do eleitor uma configuração muito diferente daquela apresentada até então por institutos que acompanharam a corrida estadual.

“Essa pesquisa muda completamente o panorama político. Coloca a situação completamente diferente do que até então a gente imaginava”, disse.

O principal ponto de estranhamento levantado pelo jornalista foi a ascensão de Mailza Assis. Wenceslau comparou o resultado da AtlasIntel com pesquisas divulgadas poucos dias antes, nas quais a governadora aparecia em posição inferior, e questionou quais fatos políticos teriam provocado uma mudança tão rápida na preferência do eleitorado.

“Na pesquisa do AC24horas, a governadora já ultrapassou o pré-candidato Alan. Ela sai da terceira colocação para a primeira colocação em menos de 15 dias”, observou.

A crítica apresentada no Jornal da Manhã não se limitou à posição de Mailza. Wenceslau colocou em dúvida a capacidade dos levantamentos disponíveis de oferecer uma fotografia coerente da disputa, diante das diferenças entre os resultados divulgados por institutos nacionais e locais.

“Ou eu não vi nada do que aconteceu nos últimos dias na política ou todos os institutos de pesquisa da região estão mentindo, e mentindo feio. Das duas, uma”, afirmou.

O jornalista reconheceu que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes. Cada levantamento trabalha com amostras, métodos, períodos de coleta e formas de abordagem próprias. Ainda assim, considerou difícil explicar uma mudança tão ampla em tão pouco tempo sem que um acontecimento político de grande impacto tivesse sido percebido nas ruas, nos partidos ou no debate público.

“Ou a gente não acompanhou nada de política nos últimos dias, que não viu essa mudança toda, ou os institutos de pesquisa do Acre não estão mais servindo para aferir a intenção de voto do eleitor, porque isso coloca de cabeça para baixo tudo que vinha sendo mostrado”, declarou.

Ao recuperar o histórico eleitoral de Bocalom, Wenceslau também pediu cautela na transformação de pesquisas em resultados antecipados. O apresentador lembrou que o político já chegou desacreditado a outras eleições municipais e terminou vencedor.

“No Acre, nós já temos um especialista em desmentir pesquisa. Eu acabei de falar nele, que é o Tião Bocalom. Nas eleições majoritárias que disputou, era dado como derrotado e venceu pelo menos duas”, comentou.

A análise feita por Wenceslau no Jornal da Manhã colocou lado a lado dois elementos que passaram a movimentar a eleição acreana. A convenção mostrou Bocalom cercado por apoiadores e lideranças, enquanto a pesquisa AtlasIntel o manteve distante dos dois primeiros colocados. Para o jornalista, essa diferença precisa ser acompanhada com atenção, porque a força demonstrada em um ato partidário não pode ser confundida automaticamente com intenção de voto, mas também não deve ser ignorada na leitura da campanha.

Wenceslau encerrou a análise defendendo que as pesquisas sejam divulgadas e debatidas, sem que os percentuais sejam tratados como sentença definitiva. Na avaliação do apresentador, a disputa ainda passará pelas convenções, pela campanha nas ruas, pelo confronto de propostas e pelo julgamento direto do eleitor. A resposta final, como ocorre em qualquer eleição, não estará no ginásio nem nas planilhas dos institutos, mas nas urnas.

Pago com dinheiro público, Leonardo evita imprensa na Expoacre e grava com governadora

Segundo o portal Contilnet, o cantor Leonardo não atendeu a imprensa antes do show realizado neste domingo, 2 de agosto, na Expoacre 2026, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco. A entrevista prevista foi cancelada, mas o artista recebeu a governadora Mailza Assis no camarim e participou de um vídeo divulgado nas redes sociais.

A recusa aos jornalistas ocorreu durante uma apresentação financiada com recursos públicos. Leonardo e Ana Castela foram contratados pelo Governo do Acre em um único processo de R$ 2,55 milhões. Do total, R$ 1.912.500 já foram pagos. O registro financeiro não separa quanto corresponde a cada artista.

Além do cancelamento das entrevistas, uma equipe do Alerta Cidade afirmou ter sido impedida de realizar a cobertura e tratada com grosseria por integrantes da produção responsável pelo show. A denúncia foi feita pelo jornalista e diretor do veículo, Iám Arábar, em um vídeo publicado após o episódio.

Arábar criticou o tratamento dispensado aos profissionais e afirmou que buscará informações sobre os gastos públicos relacionados à contratação. Ele também declarou que pretende divulgar os valores e mostrar como pessoas remuneradas com dinheiro público se comportam nos bastidores.

O jornalista citou ainda um episódio ocorrido durante a Expo Xapuri de 2025 e afirmou que o Alerta Cidade não aceitará desrespeito durante o exercício da atividade jornalística. O relato amplia os questionamentos sobre o acesso da imprensa aos bastidores de eventos custeados pelo poder público.

Leonardo também foi contratado para se apresentar na Expoacre Juruá, realizada em Cruzeiro do Sul. No Plano de Trabalho da Associação Transformar, R$ 2,1 milhões foram reservados exclusivamente para o show do cantor. As despesas de produção e logística das atrações nacionais apareceram em outra rubrica.

Em Rio Branco, a ausência de divisão do contrato impede saber quanto foi destinado individualmente a Leonardo. A recusa à imprensa também deixou sem resposta perguntas sobre o valor do show, as condições da contratação e os critérios usados pelo governo para pagar as atrações.

Não há prova de que o cantor tenha evitado os jornalistas por receio de perguntas sobre os valores. O episódio, porém, impediu que esses questionamentos fossem apresentados diretamente ao artista, enquanto a governadora teve acesso ao camarim e divulgou o encontro em suas redes sociais.

Expoacre 2026 é lançada em Rio Branco; Mailza garante realização dos shows

O governo do Acre lançou oficialmente, nesta terça-feira, 28 de julho, a programação da Expoacre 2026 e confirmou a manutenção dos shows nacionais. A apresentação ocorreu no Galpão do Empreendedorismo, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, onde a feira será realizada entre os dias 1º e 9 de agosto.

Durante o lançamento, a governadora Mailza Assis afastou as dúvidas sobre a realização das atrações após a suspensão de contratos pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre. “Vai ter Expoacre e todos os shows gratuitos, sim”, afirmou.

A programação musical terá Leonardo, Natanzinho Lima, Padre Fábio de Melo, Wesley Safadão, Ana Castela, a banda Som & Louvor e a dupla Bruno & Marrone. As apresentações serão distribuídas ao longo dos nove dias de feira, com início previsto para as 22h no palco principal.

O secretário-chefe da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, explicou que o governo alterou o modelo jurídico usado na organização da Expoacre. A administração estadual desistiu de recorrer à Justiça contra a decisão do TCE e substituiu os acordos com organizações da sociedade civil por contratações feitas diretamente pela Casa Civil.

A mudança foi definida com apoio da Procuradoria-Geral do Estado. As equipes trabalharam durante o fim de semana para reorganizar os processos administrativos e garantir a continuidade da programação. “O formato dos shows e o formato do evento serão idênticos ao do ano passado”, declarou Cristovam.

Os shows terão ingressos solidários. A primeira etapa de troca começa nesta quarta-feira, 29, e continua na quinta-feira, 30, em tendas montadas em frente ao Palácio Rio Branco. O atendimento será realizado das 8h às 20h, mediante a entrega de dois quilos de alimentos não perecíveis. Depois desse período, a distribuição continuará em supermercados credenciados da capital.

Os primeiros ingressos disponibilizados serão para as apresentações de Leonardo, marcada para domingo, 2 de agosto, e Natanzinho Lima, na segunda-feira, 3. A organização divulgará os demais pontos de troca e as datas de distribuição das entradas para os outros shows.

Além das atrações musicais, a Expoacre 2026 terá cavalgada, rodeio, vaquejada, motocross, exposição de animais, gastronomia, agricultura familiar e espaços destinados ao comércio, à indústria e aos serviços. A abertura ocorre no sábado, 1º de agosto, com a tradicional Cavalgada.

MDB oficializa Jéssica Sales como vice de Mailza e homologa candidaturas no Acre

O MDB oficializou, na manhã deste sábado (25), em convenção realizada na sede estadual do partido, em Rio Branco, a candidatura da ex-deputada federal Jéssica Sales a vice-governadora na chapa liderada pela governadora Mailza Assis, do Progressistas. O encontro também homologou os candidatos da legenda à Assembleia Legislativa do Acre e à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.

A convenção reuniu dirigentes partidários, filiados, militantes, candidatos e representantes de partidos aliados. Mailza participou do evento ao lado de Jéssica e defendeu a aliança entre Progressistas e MDB como base do projeto de reeleição ao governo estadual.

A composição forma uma chapa majoritária exclusivamente feminina na disputa pelo Governo do Acre. Durante o evento, Mailza afirmou que a aliança busca ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão política. “Duas mulheres, e nós estamos de coração aberto, felizes para essa batalha”, declarou.

Jéssica Sales agradeceu o apoio recebido desde que aceitou integrar a chapa e afirmou que a união não ficará restrita às duas candidatas. “Não vai ser só uma fotografia entre eu e Mailza”, disse, ao defender uma campanha próxima dos moradores dos municípios acreanos.

A ex-deputada também respondeu às críticas de que suas decisões políticas seriam conduzidas pelo pai, o presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales. Jéssica afirmou que construiu uma trajetória própria durante os oito anos em que exerceu mandato na Câmara dos Deputados e que a decisão de disputar a vice-governadoria partiu de suas convicções pessoais.

Entre os nomes oficializados para a Câmara dos Deputados estão o ex-deputado estadual Ney Amorim, o ex-reitor da Universidade Federal do Acre Minoru Kinpara e o deputado estadual Pedro Longo. Ney classificou a convenção como a largada da mobilização eleitoral do partido, enquanto Minoru apresentou a experiência nas áreas de educação, cultura e gestão pública como base de sua candidatura. Pedro Longo afirmou que pretende levar ao Congresso pautas relacionadas à realidade econômica, social e ambiental do Acre.

Para a Assembleia Legislativa, um dos nomes confirmados foi o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre. Pela primeira vez candidato a um cargo proporcional, ele classificou a nova disputa como um recomeço na carreira política e afirmou que pretende percorrer os municípios durante a campanha.

O MDB trabalha com a meta de eleger entre dois e três deputados federais e pelo menos quatro deputados estaduais. A convenção deste sábado consolidou a entrada da legenda na aliança governista e preparou o partido para a disputa marcada para 4 de outubro.

Com informações: A Gazeta do Acre

Mailza bloqueia Integração e expõe falta de maturidade política diante das críticas

A governadora Mailza Cameli bloqueou o acesso do Grupo Integração ao perfil oficial dela no Instagram depois de uma sequência de críticas ao governo, à condução política do Palácio Rio Branco e ao papel de Madson Castro Cameli, marido da governadora, dentro da estrutura administrativa do Estado. Enquanto a conta @mailza.acre permanece aberta para outros usuários, com cerca de 57 mil seguidores, mais de 7,3 mil perfis seguidos e 5.256 publicações, o veículo passou a ver a página como privada e inacessível. O gesto pode parecer pequeno para quem trata rede social como assunto menor, mas no caso de uma governadora ele ganha outro peso: autoridade pública não escolhe quem pode fiscalizar, perguntar ou criticar.

O bloqueio veio depois de o Integração aumentar o tom sobre temas que incomodam diretamente o governo. O grupo cobrou explicações sobre a viagem de Mailza a Londres, criticou a falta de resultados concretos da agenda internacional, questionou quem manda de fato no Palácio Rio Branco e tratou como mau exemplo político a chegada da governadora de motocicleta sem capacete a um evento de pré-campanha. Em qualquer governo com musculatura política, esse tipo de cobrança seria respondido com informação, entrevista, nota pública ou prestação de contas. Mailza escolheu o atalho mais frágil: fechar a porta.

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A reação pesa ainda mais porque a cobertura mais incômoda envolve Madson Castro Cameli, nomeado chefe do Gabinete Pessoal no Palácio Rio Branco e que também bloqueou nosso Instagram. Ele não é apenas marido da governadora. Ocupa uma função dentro do núcleo de poder e, por isso, seus atos, sua influência e sua presença no governo deixaram de pertencer à esfera privada. O caso criminal envolvendo a ex-mulher dele, Melissa Sampaio, já teve manifestação do Ministério Público do Acre, atendimento do Centro de Atendimento à Vítima e medida protetiva deferida. O Integração voltou ao tema ao publicar a cobrança de Melissa pela lentidão da Justiça e, depois, uma entrevista em que ela relatou medo, agressões e revitimização. A defesa de Madson nega as acusações.

Esse é o ponto que torna o bloqueio politicamente grave. Não se trata de uma divergência banal entre uma autoridade e um perfil de Instagram. O governo foi confrontado por reportagens sobre poder, influência familiar, uso da máquina pública, prestação de contas e violência doméstica. Em vez de enfrentar o conteúdo, Mailza isolou o emissor. A atitude não responde a nenhuma pergunta. Apenas mostra que a crítica atingiu um ponto sensível.

Maturidade política não aparece nos discursos em eventos oficiais nem nas postagens bem editadas das redes sociais. Aparece quando o governo é cobrado. Aparece quando a imprensa pergunta o que o Palácio não quer responder. Aparece quando uma autoridade aceita que o cargo público exige tolerância ao contraditório. Ao bloquear o Integração, Mailza fez o contrário. Tratou a crítica como incômodo pessoal, não como parte do jogo democrático.