Mailza terá cinco dias para explicar ao TRE divergência sobre formação acadêmica

A governadora e candidata à reeleição Mailza Assis terá cinco dias para responder ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) sobre questionamentos envolvendo sua formação acadêmica. O caso está relacionado a um certificado de Licenciatura em Pedagogia apresentado à Justiça Eleitoral e à diferença entre esse documento e informações declaradas pela própria candidata em eleições anteriores.

O prazo foi determinado pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Samoel Martins Evangelista, dentro de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada pela Coligação Trabalho da Esperança e pelo candidato ao governo Alan Rick. Jéssica Sales, candidata a vice na chapa de Mailza, também foi chamada para apresentar defesa.

No centro da discussão está um certificado segundo o qual Mailza concluiu o curso de Pedagogia no Instituto de Ciências Sociais e Humanas, em Valparaíso de Goiás. O documento registra colação de grau em março de 2020.

Os autores da ação apontam uma divergência: dois anos depois, nas eleições de 2022, Mailza informou à Justiça Eleitoral possuir ensino médio completo como grau de instrução. Agora, a ação busca esclarecer por que uma graduação que teria sido concluída em 2020 não apareceu na declaração eleitoral apresentada em 2022.

O processo também questiona as circunstâncias em que o curso teria sido realizado. A petição confronta o período da formação com as atividades políticas e parlamentares exercidas por Mailza e pede que a Justiça Eleitoral obtenha informações capazes de confirmar os registros acadêmicos.

A documentação entregue no atual registro de candidatura também entrou na discussão. Os autores afirmam que inicialmente foi apresentada apenas a frente do certificado e pediram acesso ao documento completo, além do histórico escolar e de outras informações relacionadas ao curso.

Na decisão, o corregedor abriu espaço para que Mailza apresente, junto com sua defesa, a cópia integral do certificado, incluindo frente e verso, e o histórico acadêmico. Somente depois dessa etapa deverá ser analisada a necessidade de novas diligências.

A ação eleitoral também alcança Jéssica Sales por ela integrar a chapa majoritária. Entre os pedidos apresentados estão consequências sobre o registro ou eventual diploma das candidatas caso alguma irregularidade prevista na legislação eleitoral seja comprovada durante o processo.

Por enquanto, o TRE-AC não declarou que o certificado apresentado por Mailza seja falso ou irregular. A decisão apenas abre prazo para a defesa e para a apresentação de documentos. A existência ou não de irregularidade dependerá da análise das provas e do julgamento do mérito da ação.

Alan Rick pede que instituto confirme em 48 horas diploma apresentado por Mailza

O senador e candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) solicitou ao Instituto de Ciências Sociais e Humanas (ICSH) que confirme, no prazo de 48 horas, a autenticidade do certificado de conclusão do curso de Pedagogia apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (PP) à Justiça Eleitoral. O pedido foi encaminhado nesta quinta-feira (24).

Além de confirmar se o certificado foi efetivamente emitido pela instituição e se possui validade, a solicitação pede informações sobre a matrícula de Mailza, registros de frequência, histórico escolar e a ata de colação de grau. O documento apresentado no processo de registro da candidatura informa que ela concluiu Pedagogia no segundo semestre de 2019 e recebeu o grau em 6 de março de 2020. O certificado está datado de 10 de março daquele ano.

O documento foi apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) em 10 de agosto deste ano, durante o processo de registro da candidatura de Mailza ao Governo do Estado. A defesa de Alan Rick sustenta haver inconsistências que justificariam a conferência das informações acadêmicas diretamente com a instituição de ensino.

Um dos pontos levantados é a mudança na escolaridade informada à Justiça Eleitoral. Na eleição de 2022, quando concorreu ao cargo de vice-governadora na chapa de Gladson Cameli, Mailza declarou possuir ensino médio completo. Na candidatura de 2026 ao Governo do Acre, passou a constar com ensino superior completo. Dados públicos da eleição de 2022 registram a escolaridade da então candidata a vice como “ensino médio completo”.

A mudança de escolaridade, por si só, não comprova qualquer irregularidade. O pedido feito por Alan Rick busca obter da própria instituição os registros acadêmicos que possam confirmar a formação declarada pela governadora. A candidatura de Mailza ao Governo do Acre aparece como deferida na eleição de 2026.

No requerimento, os advogados de Alan Rick também argumentam que o acesso às informações seria necessário para eventual exercício de direitos em procedimentos judiciais ou administrativos. Até a publicação da apuração nesta sexta-feira (25), o instituto e a governadora não haviam apresentado resposta aos questionamentos encaminhados sobre o caso.

TRE-AC dá três dias à Casa Civil para entregar ponto de servidora em ação contra Mailza

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deu prazo de três dias para que a Casa Civil do Estado apresente a folha de pagamento e os registros de frequência de agosto de Eula Sarah da Costa Romão, ex-servidora comissionada citada em uma representação eleitoral contra a governadora Mailza Assis, candidata à reeleição. A Justiça apura a acusação de que Eula teria prestado serviços em um imóvel ligado à campanha durante horário de expediente no serviço público.

A determinação foi assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, auxiliar da Propaganda Eleitoral, e publicada nesta terça-feira, 22 de setembro. A documentação deverá permitir a verificação do último dia em que Eula efetivamente trabalhou no governo e se houve registro de frequência após a data apontada oficialmente para a exoneração.

A representação foi apresentada pela Coligação Trabalho da Esperança, formada por Republicanos, PSD, Novo e Avante. Mailza Assis e Eula Sarah aparecem como representadas no processo que tramita no TRE-AC.

A acusação envolve um episódio ocorrido em 28 de agosto. A coligação sustenta que Eula teria realizado atividades de limpeza, manutenção e descarte de lixo em um prédio usado por uma produtora vinculada à campanha de Mailza, durante o período em que deveria estar cumprindo expediente no governo. As alegações ainda estão sob análise da Justiça Eleitoral.

A defesa apresentou como argumento a exoneração da servidora, com efeitos retroativos a 15 de agosto. O Decreto nº 16.497-P foi assinado em 1º de setembro e publicado no Diário Oficial do Estado, estabelecendo que o desligamento produziria efeitos a partir daquela data anterior ao episódio questionado.

Eula havia sido nomeada em abril para um cargo em comissão do Grupo de Chefia, Assistência e Assessoramento, referência CAS-3, no Gabinete da Governadora.

A divergência sobre a situação funcional levou o TRE-AC a buscar os registros de ponto. A Justiça quer esclarecer se, apesar dos efeitos retroativos do decreto de exoneração, a servidora continuou exercendo atividades no governo depois de 15 de agosto.

Mailza também recebeu prazo de dois dias para informar se a campanha, o comitê eleitoral ou a produtora responsável pelo marketing mantém contrato de aluguel ou custeio do imóvel citado na representação, localizado em Rio Branco.

As defesas pediram o encerramento do processo sem novas diligências, mas o magistrado manteve a apuração. A decisão considerou necessária a obtenção dos documentos que permanecem sob controle da administração estadual para esclarecer as circunstâncias do caso.

A representação continua em andamento e não há, até o momento, decisão definitiva sobre a existência de irregularidade. A eventual apuração de abuso de poder político, com consequências eleitorais distintas das discutidas neste processo, deverá ocorrer em ação própria.

TRE-AC nega pedido de sigilo de Mailza em processo sobre suposto uso de servidora para fins particulares

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) negou o pedido apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis para restringir o acesso a um processo relacionado à acusação de suposto uso de uma servidora comissionada do Estado em atividades particulares. Com a decisão, a tramitação permanece pública enquanto o caso segue sob análise da Justiça Eleitoral.

A controvérsia envolve a servidora Eryclis Feitosa Sá da Silva, ocupante de cargo comissionado CAS-4 e atualmente lotada no Gabinete da Governadora. A transferência para a estrutura do gabinete ocorreu por decreto assinado em maio deste ano, com efeitos financeiros a partir de 1º de junho.

O caso ganhou repercussão após o Republicanos apresentar uma representação contra Mailza ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). O partido acusa a servidora de ter desempenhado tarefas particulares para a família da governadora durante período em que era remunerada pelo poder público.

Entre os documentos usados na acusação estão registros de acesso ao condomínio onde funciona a residência oficial da governadora. Em um cadastro apresentado pelos denunciantes, Eryclis aparece como prestadora de serviço com a descrição de “motorista das crianças”. Também foram reunidos registros de entradas e saídas do imóvel em diferentes dias e horários.

A representação sustenta que a servidora teria atuado como motorista dos filhos da governadora e prestado apoio doméstico. As alegações ainda dependem de apuração e não representam conclusão sobre eventual irregularidade.

O Governo do Acre nega que servidores públicos tenham sido utilizados para atividades particulares de Mailza ou de seus familiares. A Casa Civil afirma que o imóvel ocupado pela governadora foi formalmente transformado em residência oficial e, por essa razão, necessita de serviços permanentes de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também contesta o uso do cadastro do condomínio como prova das atribuições funcionais da servidora. A justificativa é que a descrição lançada no sistema privado de controle de acesso não foi produzida nem validada pelo Estado e, por isso, não definiria oficialmente a função exercida pela comissionada.

O Republicanos pediu inicialmente ao TCE-AC a apuração das atividades desempenhadas pela servidora, dos registros de frequência e dos valores pagos pelo Estado. O partido também solicitou que o caso fosse encaminhado a outros órgãos de controle e à Justiça Eleitoral.

A decisão sobre o sigilo não representa julgamento sobre o mérito das acusações. A discussão sobre eventual utilização irregular da estrutura pública continua sujeita à análise dos elementos apresentados pelas partes e às manifestações dos órgãos responsáveis pela apuração.

Mailza cancela participação em debates da TV Norte e TV Gazeta nesta segunda-feira

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), cancelou a participação nos debates eleitorais da TV Norte e da TV Gazeta marcados para esta segunda-feira (21), em Rio Branco. A campanha comunicou a ausência neste domingo (20) e alegou compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul, onde a candidata terá agendas ao lado da candidata a vice-governadora, Jéssica Sales.

A decisão foi informada na véspera dos encontros. Em nota encaminhada às emissoras, a campanha afirmou que Mailza participará de reuniões com moradores dos dois municípios e que continuará apresentando suas propostas durante atividades de campanha. O comunicado não informou se ela participará de outros debates antes da eleição.

A ausência ocorre depois de uma sequência de entrevistas e sabatinas nas quais Mailza foi questionada sobre metas para um eventual novo mandato e sobre decisões da administração estadual que atualmente comanda. Em algumas dessas participações, respostas a perguntas objetivas ficaram sem definição de números, prazos ou medidas específicas.

Em sabatina realizada pelo ac24horas em agosto, Mailza foi questionada sobre a política habitacional e falou dos recursos disponíveis para a construção de 2,7 mil moradias, mas não apresentou uma meta de unidades que pretende entregar entre 2027 e 2030 caso seja reeleita.

A candidata também foi perguntada sobre a implantação da rastreabilidade individual do rebanho bovino. Ao ser provocada a apresentar um prazo para que o sistema estivesse efetivamente implantado no Acre, afirmou que o assunto ainda dependia de estudos, preparação e diálogo com o setor.

Outro questionamento envolveu a ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou em junho. Mailza responsabilizou a empresa responsável pela construção e citou a judicialização do caso. Quando perguntada sobre o prazo para uma resposta, afirmou não saber quanto tempo a empresa levaria. O episódio também passou a ser investigado pelo Ministério Público, inclusive em relação ao planejamento, fiscalização, monitoramento e manutenção da estrutura.

No dia seguinte, durante sabatina da TV Rio Branco, a candidata voltou a enfrentar perguntas relacionadas à administração estadual. Uma delas pedia que apontasse áreas nas quais os recursos públicos estariam sendo mal aplicados e quais despesas poderiam ser revistas. Mailza falou em planejamento e redução de gastos, mas não citou setores específicos.

Em outro momento, foi questionada sobre a possibilidade de recriar uma secretaria direcionada aos pequenos negócios. A resposta abordou desburocratização, empreendedorismo e ações realizadas pelo governo, mas não definiu se a estrutura administrativa seria recriada.

A entrevista também teve um episódio relacionado ao controle do tempo. Ao responder como pretendia entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador e precisou interromper a fala. Posteriormente, ao tratar da Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que a unidade não havia sido extinta, mas transferida para outro departamento.

As cobranças durante as sabatinas têm uma característica diferente para Mailza em relação a candidatos que não ocupam atualmente o Executivo. A governadora assumiu definitivamente o comando do Estado em abril e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Por isso, parte das perguntas mistura propostas para os próximos quatro anos com medidas que podem ser adotadas ainda durante a atual administração.

Na reta final da campanha, esse ponto também apareceu em entrevistas sobre servidores públicos, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Ao falar sobre mudanças futuras, Mailza foi questionada sobre o que poderia começar a executar ainda no atual mandato.

O cancelamento dos debates acontece ainda em uma semana marcada por investigações policiais no Acre. Na quarta-feira (16), a Polícia Civil deflagrou a Operação Algoritmo Cidadão, que apura uma suposta estrutura de ataques digitais contra o candidato Alan Rick (Republicanos). Três investigados ocupam cargos comissionados no governo estadual, mas a polícia informou que nenhum candidato é alvo da operação. A defesa de Mailza afirmou que a governadora nunca autorizou ou teve conhecimento das ações investigadas.

Na quinta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Death Note, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à Educação no Acre. As apurações tratam de suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. A Secretaria de Estado de Educação informou que colaborou com o cumprimento das determinações.

Jenilson Leite declara apoio à reeleição de Mailza Assis no Acre

O médico e ex-deputado estadual Jenilson Leite declarou apoio à reeleição da governadora do Acre, Mailza Assis, neste domingo (20), durante visita da candidata à clínica Med’AC, em Rio Branco. Proprietário da unidade, Jenilson recebeu Mailza durante uma agenda voltada ao atendimento de pacientes e à ampliação de parcerias entre o Estado e clínicas particulares para realização de exames e consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao manifestar apoio à governadora, Jenilson associou a gestão pública ao cuidado com a população. “Para dar para nossa população desenvolvimento, crescimento, mas também afetividade, o carinho. E a senhora proporciona isso”, afirmou o ex-parlamentar.

Durante a visita, Mailza conversou com pacientes e profissionais de saúde e defendeu o uso da estrutura da rede privada conveniada como alternativa para reduzir o tempo de espera por procedimentos na rede pública. A proposta apresentada durante a agenda prevê o fortalecimento das parcerias para ampliar a oferta de exames e consultas pelo SUS.

A Med’AC, localizada na Rua Rio Grande do Sul, atende pacientes por meio de convênio com o SUS. Entre as pessoas que estavam na unidade estava Mayla Araújo de Oliveira, moradora do bairro São Francisco, que conseguiu realizar um exame enquanto acompanhava uma amiga na clínica.

O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, também acompanhou a visita e o atendimento realizado na unidade. A agenda reuniu a pauta da saúde com a movimentação política para as eleições estaduais de 2026, marcada pela declaração pública de apoio de Jenilson à candidatura de Mailza.

Justiça Eleitoral mantém propaganda de Alan Rick sobre condenação de Mailza por improbidade

A Justiça Eleitoral do Acre manteve a veiculação de propaganda da campanha de Alan Rick (Republicanos) que afirma que a governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (PP) foi condenada por improbidade administrativa. A decisão veio a público neste domingo (20), após Mailza e a coligação Avança Acre recorrerem ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre para contestar o conteúdo divulgado pela campanha adversária.

A controvérsia começou após Alan afirmar, durante propaganda eleitoral, que “a Mailza é condenada por improbidade administrativa”. O trecho foi questionado pela campanha da governadora, que buscou impedir a continuidade da divulgação sob o argumento de que a afirmação apresentava de forma inadequada a situação jurídica da candidata.

O histórico judicial citado na disputa eleitoral remonta ao período em que Mailza ocupou a Secretaria Municipal de Administração de Senador Guiomard. A ação de improbidade administrativa tramitou sob o número 0000819-91.2009.8.01.0009 e resultou em condenação que incluiu, entre as penalidades, a suspensão dos direitos políticos por dois anos.

O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Em decisão de setembro de 2022, o ministro Francisco Falcão registrou que Mailza havia solicitado tutela de urgência para suspender os efeitos da condenação, diante da proximidade das eleições daquele ano, quando concorria ao cargo de vice-governadora. O pedido também discutia os efeitos das mudanças promovidas na Lei de Improbidade Administrativa e a necessidade de comprovação de dolo para a responsabilização.

A existência da condenação, entretanto, não significa automaticamente impedimento eleitoral atual. Nas eleições de 2022, Mailza teve o registro de candidatura deferido e disputou o cargo de vice-governadora na chapa de Gladson Cameli. A análise da elegibilidade segue requisitos próprios da legislação eleitoral e não se confunde com a simples existência de uma decisão em ação de improbidade.

A nova disputa judicial ocorre dentro da campanha para o Governo do Acre em 2026. A representação apresentada por Mailza e pela Avança Acre contra Alan Rick e a coligação Trabalho da Esperança foi protocolada no TRE-AC em 18 de setembro e classificada como processo envolvendo divulgação de falsa imputação.

Com a manutenção da propaganda, o conteúdo continua inserido no debate eleitoral enquanto o processo segue sua tramitação. A decisão sobre a propaganda não representa um novo julgamento da antiga ação de improbidade nem altera, por si só, a situação do registro de candidatura de Mailza nas eleições de 2026.

Mailza, a votada: entre a herança eleitoral de Gladson e o peso de seu governo

Há uma frase que parece simples, quase protocolar, mas que carrega muito mais peso do que talvez pretendesse a governadora Mailza Cameli: “Eu estava lá compondo a chapa, eu fazia parte da chapa, então considero que fui votada”. Ao reivindicar para si os votos dados à chapa de Gladson Cameli em 2022, Mailza não reivindica apenas a legitimidade das urnas. A fala da governadora, feita durante sabatina nesta quinta-feira (17) no Jornal do Acre 1ª Edição, reivindica também um lugar dentro daquela construção política, daquele projeto e daquele governo.

E é justamente aí que a frase ganha outra dimensão.

Mailza tem razão quando lembra que estava na chapa. Estava mesmo. Foi eleita vice-governadora ao lado de Gladson e depois ocupou espaço efetivo na administração, inclusive comandando a área de Assistência Social. Em abril deste ano, quando recebeu o governo, foi ainda mais clara: “Esse não é um novo governo, é a continuidade de um governo que vem dando certo”. Não era uma fala lateral. Era a própria governadora definindo o lugar que pretendia ocupar diante da administração que herdava.

O problema político aparece quando essa continuidade passa a ser apresentada em parcelas.

Há menos de uma semana, durante debate eleitoral, Mailza foi questionada sobre a condenação de Gladson Cameli e respondeu por outro caminho. Disse que, como vice, tinha limites e que não poderia responder pelos problemas jurídicos decorrentes de decisões pessoais do então governador. “Eu era vice, eu tinha limite”, afirmou. Na mesma resposta, porém, reconheceu: “Participei sim do governo trabalhando, fazendo entregas, cuidando da assistência social, cuidando da saúde, visitando os municípios e planejando dentro do meu limite”.

É nessa fronteira que a campanha de Mailza terá de caminhar. Quando o assunto são obras, entregas, políticas sociais ou votos, ela se apresenta como parte da chapa, integrante do governo e herdeira de uma administração que considera bem-sucedida. Quando a discussão chega à crise jurídica que atingiu Gladson, procura demarcar onde terminavam as atribuições da vice e começavam as decisões do governador.

Uma coisa precisa ficar clara: fazer parte daquele governo não torna Mailza responsável pelos crimes pelos quais Gladson foi condenado. Responsabilidade penal é individual, depende de provas e de decisão judicial. Não há base, nos fatos aqui tratados, para atribuir a ela participação nesses crimes.

Mas política não funciona apenas com a régua do Código Penal. Existe também a responsabilidade pela história que um grupo decide reivindicar.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, em 6 de maio, a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também determinou multa e indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre. Em agosto, o STJ rejeitou os embargos apresentados pela defesa sem mudar o resultado da condenação.

É impossível apagar esse capítulo quando se reivindica a continuidade daquele mesmo ciclo político.

A frase de Mailza talvez seja importante justamente porque resolve uma discussão que sua própria campanha vinha tentando administrar. Ela não era uma espectadora no canto da fotografia. Não chegou ao Palácio Rio Branco por acidente institucional. Estava na chapa, participou da administração e agora diz que também se considera votada naquele processo.

Se o voto de 2022 também era dela, como sustenta agora, a herança política daquela chapa também passa por suas mãos. Isso inclui as entregas que pretende apresentar ao eleitor, mas inclui igualmente o desgaste, as escolhas administrativas e a condenação que atingiu o homem com quem dividiu a chapa.

Não se trata de transferir a Mailza os crimes de Gladson. Trata-se de uma pergunta bem mais simples e essencialmente política: até onde vai uma continuidade que reivindica para si os votos e os acertos, mas procura estabelecer distância quando chegam as cobranças?

Mailza agora pede ao eleitor um mandato em seu próprio nome. Talvez por isso tenha chegado a hora de definir, com a mesma clareza daquela frase, qual parte da história de Gladson ela pretende continuar — e qual parte considera que nunca lhe pertenceu.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Maquiadora de Mailza não é localizada em operação contra suposta milícia digital

Luciene da Cunha Nogueira, maquiadora pessoal da governadora Mailza Assis, não foi localizada pela Polícia Civil do Acre durante o cumprimento de mandados da Operação Algoritmo Cidadão, deflagrada nesta quarta-feira (16), em Rio Branco. A ação investiga uma possível estrutura usada para disseminar fake news e promover ataques nas redes sociais durante a campanha eleitoral.

Luciene está entre os alvos identificados na operação. Durante as diligências, os policiais foram até o endereço relacionado a ela, mas a maquiadora não foi encontrada. A apuração publicada nesta quarta-feira aponta que ela teria deixado o local durante a ação policial.

A Polícia Civil, porém, não informou oficialmente em quais circunstâncias Luciene deixou o endereço nem confirmou a existência de outra medida judicial contra ela. Por isso, até o momento, não há informação oficial de que a maquiadora seja considerada foragida.

A Operação Algoritmo Cidadão cumpriu seis mandados de busca e apreensão e recolheu computadores e celulares que serão analisados no decorrer da investigação. A apuração policial envolve suspeitas de divulgação de notícias falsas e associação criminosa relacionadas a ataques contra o candidato ao Governo do Acre Alan Rick.

Além de Luciene, aparecem entre os alvos pessoas com relações profissionais ou funcionais com integrantes do governo estadual e da base política de Mailza. Entre elas estão uma advogada apontada como ligada a Madson Cameli, marido da governadora, uma servidora do Instituto de Meio Ambiente do Acre e um homem que atuaria no gabinete de um deputado estadual da base governista.

A existência de vínculos pessoais, profissionais ou funcionais com integrantes do governo ou da campanha não comprova participação em crime. A responsabilidade de cada pessoa alcançada pela operação ainda está sob investigação.

A Polícia Civil também não confirmou participação de Mailza Assis ou de sua campanha na suposta estrutura investigada. Os candidatos ao Governo do Acre não são apontados como alvos da operação. Os materiais eletrônicos apreendidos deverão passar por perícia para auxiliar na identificação da origem e da circulação dos conteúdos analisados.

Operação investiga fake news contra Alan Rick e suspeita de milícia digital no Acre

A Polícia Civil do Acre deflagrou, na manhã desta quarta-feira (16), em Rio Branco, a Operação Algoritmo Cidadão para investigar possíveis crimes eleitorais relacionados à disseminação de notícias falsas e à atuação de uma suposta milícia digital. A apuração envolve ataques direcionados ao candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos).

Durante a operação, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços da capital acreana. O objetivo é identificar os responsáveis pela produção e divulgação dos conteúdos, além de esclarecer se houve atuação organizada entre os investigados.

O delegado Rêmullo Diniz confirmou que a investigação envolve suspeitas de divulgação de fake news e associação criminosa. A Polícia Civil mantém detalhes do procedimento sob sigilo enquanto analisa os materiais recolhidos durante as diligências.

A possível relação de pessoas investigadas com a estrutura política ligada à governadora Mailza Assis também entrou no caso após materiais gráficos da campanha de reeleição aparecerem em registros feitos durante as buscas. A existência desse material, no entanto, não comprova participação da governadora ou de sua campanha nos crimes investigados.

Informações levantadas durante a operação apontam ainda para a suspeita de participação de pessoas ligadas ao meio político na estrutura digital investigada. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou envolvimento direto de Mailza Assis e informou que os candidatos não são alvos da operação.

A investigação prossegue com a análise dos materiais apreendidos e busca esclarecer a participação de cada envolvido, a origem dos conteúdos publicados e a eventual existência de uma atuação coordenada para espalhar informações falsas durante a campanha eleitoral.