A Federação União Progressista, presidida no Acre pelo ex-governador Gladson Cameli, levou à Justiça Eleitoral o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, filiado ao Progressistas e aliado histórico do grupo político de Gladson. A ação foi apresentada poucos dias depois de Zequinha anunciar apoio ao senador Alan Rick para o Governo do Acre, embora tenha mantido publicamente Gladson como seu candidato ao Senado.
O processo também tem como alvo Alan Rick. O senador é acusado de propaganda eleitoral antecipada. Zequinha responde por suposta conduta vedada a agente público durante atividades realizadas pelo senador em Cruzeiro do Sul. O juiz Leandro Leri Gross autorizou que os pedidos fossem analisados no mesmo processo e abriu prazo de cinco dias para apresentação das defesas. Ainda não houve julgamento do mérito nem condenação dos envolvidos.
A inclusão de Zequinha no processo criou um desgaste direto. Gladson preside o PP no Acre e representa formalmente a Federação União Progressista no estado. Foi essa federação que pediu o processamento conjunto das acusações contra Alan e o prefeito de Cruzeiro do Sul.
O ato que levou ao processo ocorreu em 29 de junho, em Cruzeiro do Sul. A atividade reuniu apoiadores vestidos de amarelo, discursos políticos e lideranças locais.
Ao declarar apoio a Alan para o governo, Zequinha não rompeu com Gladson. O prefeito fez questão de dizer que continuaria no palanque do ex-governador na disputa pelo Senado. “O ex-governador sempre me deixou muito livre para tomar as decisões que eu tivesse que tomar. A decisão que estou tomando não vai tirar o apoio que vou dar a ele na candidatura ao Senado. Eu continuo apoiando o ex-governador Gladson Cameli para o Senado. É o meu candidato a senador aqui no Acre”, afirmou.
A acusação formal contra Zequinha não é de infidelidade partidária. O processo trata de possível uso da estrutura ou da autoridade municipal em favor da pré-candidatura de Alan Rick. Na prática política, porém, a ação veio logo depois de o prefeito deixar o palanque de Mailza Assis e aderir ao projeto de um candidato de outra legenda.
O caso também traz de volta a postura adotada pelo próprio Gladson nas eleições municipais de 2020. Naquele ano, o Progressistas tinha Tião Bocalom como candidato à Prefeitura de Rio Branco. Mesmo filiado ao PP, Gladson decidiu apoiar a então prefeita Socorro Neri, que disputava a reeleição pelo PSB.
O apoio de Gladson a Socorro foi público. Ele participou de sessão de fotos para a campanha e apareceu no material eleitoral da chapa formada por ela e Eduardo Ribeiro, do PDT. Na ocasião, Socorro chamou o então governador de seu “apoiador número 1”.
Antes da campanha, Gladson já havia rejeitado apoiar Bocalom, candidato de seu próprio partido. “Ela continua sendo a minha pré-candidata à Prefeitura da capital. E só vai deixar de ser se afirmar que não quer mais o meu apoio”, disse na época, em referência a Socorro Neri.
Mesmo fazendo campanha contra o candidato do próprio partido, Gladson não enfrentou processo semelhante por infidelidade partidária. Em 2023, durante a discussão sobre pedidos de expulsão contra Bocalom por apoio a Sérgio Petecão em 2022, voltou ao debate a diferença de tratamento em relação ao apoio dado por Gladson a Socorro em 2020.
A divergência partidária, por si só, não é novidade no grupo. O próprio Gladson defendeu esse direito quando escolheu Socorro Neri em vez de Tião Bocalom. A diferença está no tratamento dado a Zequinha, que está apoiando Alan para o governo, mas manteve Gladson como seu nome para o Senado.