A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deixou para sexta-feira, 15 de maio de 2026, a decisão sobre o recurso apresentado pela Química Amparo, dona da marca Ypê, contra a suspensão da fabricação, venda e uso de produtos com lotes terminados em 1. O adiamento foi anunciado na quarta-feira, 13, na abertura da 8ª Reunião Ordinária da diretoria colegiada.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que a agência e a empresa vêm mantendo reuniões técnicas para tratar da mitigação de riscos e disse que a expectativa é receber nesta quinta-feira, 14, medidas voltadas à correção das irregularidades encontradas na unidade industrial.
Safatle relatou que uma fiscalização realizada em abril, com participação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo, registrou 76 irregularidades na fábrica. Entre os problemas, a Anvisa informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes. O presidente reforçou a orientação para que consumidores não utilizem produtos com numeração final 1 e busquem o serviço de atendimento da empresa. “Reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na Resolução 1.834/2026 e de buscar o serviço de atendimento da empresa”, disse.
Em nota, a Ypê declarou que segue em colaboração com a Anvisa em busca de uma “solução definitiva” para o caso e citou a suspensão de lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, nos termos da RE 1.834/2026. A empresa informou que apresentou à agência a atualização de um plano de ação, com mudanças no processo fabril, além de laudos de microbiologia e análise de risco ao consumidor. Segundo a companhia, foi solicitado que a suspensão seja mantida até a conclusão das medidas.
A restrição foi determinada em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição de lotes com numeração final 1, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A agência apontou descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, com falhas em sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria associada a infecções que podem ser graves em pessoas imunocomprometidas e pode apresentar resistência a antibióticos.
Após o recurso, os efeitos da decisão ficaram suspensos, o que reabriu formalmente a possibilidade de fabricação e venda, mas a Ypê afirmou que não retomou a produção. A Anvisa informou que acompanha uma lista de 239 ações corretivas apresentada pela empresa, que inclui itens vinculados também a inspeções feitas em 2024 e 2025. Participaram da reunião mais recente com a agência, segundo a Anvisa, o diretor Daniel Pereira, o presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e o COO Jorge Eduardo Beira.