Vacina brasileira contra malária avança para testes em humanos e pode beneficiar população da Amazônia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida no Brasil contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. A doença atinge principalmente a região amazônica, incluindo o Acre, e o novo imunizante poderá ampliar as formas de prevenção caso tenha sua segurança e eficácia comprovadas.

A vacina foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália. O Ministério da Saúde prevê investir R$ 12 milhões nas três fases de estudos clínicos.

A primeira etapa envolverá 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que nunca tiveram malária. Os pesquisadores vão avaliar a segurança da vacina, possíveis reações após a aplicação e a capacidade de estimular a produção de anticorpos. Os participantes serão acompanhados durante 360 dias.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pesquisa poderá ampliar as estratégias de combate à doença. “O início do estudo clínico dessa vacina, desenvolvida integralmente em uma universidade pública brasileira, representa um avanço na busca por novas ferramentas de enfrentamento à doença”, declarou.

O desenvolvimento do imunizante tem importância para a Amazônia, onde se concentram cerca de 99% dos casos de malária registrados no Brasil. Em 2025, o país contabilizou 118.037 ocorrências da doença, segundo o Ministério da Saúde.

Diferentemente das duas vacinas contra a malária atualmente recomendadas por autoridades sanitárias internacionais, desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, mais comum na África, a Vivaxin tem como alvo o Plasmodium vivax, responsável pela maioria das infecções no território brasileiro.

A malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles, conhecidos como mosquito-prego. Entre os sintomas estão febre, calafrios, dor de cabeça e suor intenso. Sem tratamento adequado, a doença pode causar complicações graves e até a morte.

Uma das dificuldades no controle da malária vivax é a capacidade do parasita de permanecer no fígado e provocar novos episódios da doença meses depois da infecção inicial.

Apesar da autorização da Anvisa, a vacina ainda não está disponível para aplicação na população. Caso apresente resultados satisfatórios na primeira fase, deverá passar por estudos mais amplos para comprovar sua eficácia e segurança antes de uma eventual aprovação para uso público.

Anvisa adia para sexta-feira análise de recurso da Ypê e cobra plano para corrigir falhas em fábrica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deixou para sexta-feira, 15 de maio de 2026, a decisão sobre o recurso apresentado pela Química Amparo, dona da marca Ypê, contra a suspensão da fabricação, venda e uso de produtos com lotes terminados em 1. O adiamento foi anunciado na quarta-feira, 13, na abertura da 8ª Reunião Ordinária da diretoria colegiada.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que a agência e a empresa vêm mantendo reuniões técnicas para tratar da mitigação de riscos e disse que a expectativa é receber nesta quinta-feira, 14, medidas voltadas à correção das irregularidades encontradas na unidade industrial.

Safatle relatou que uma fiscalização realizada em abril, com participação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo, registrou 76 irregularidades na fábrica. Entre os problemas, a Anvisa informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes. O presidente reforçou a orientação para que consumidores não utilizem produtos com numeração final 1 e busquem o serviço de atendimento da empresa. “Reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na Resolução 1.834/2026 e de buscar o serviço de atendimento da empresa”, disse.

Em nota, a Ypê declarou que segue em colaboração com a Anvisa em busca de uma “solução definitiva” para o caso e citou a suspensão de lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, nos termos da RE 1.834/2026. A empresa informou que apresentou à agência a atualização de um plano de ação, com mudanças no processo fabril, além de laudos de microbiologia e análise de risco ao consumidor. Segundo a companhia, foi solicitado que a suspensão seja mantida até a conclusão das medidas.

A restrição foi determinada em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição de lotes com numeração final 1, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A agência apontou descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, com falhas em sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria associada a infecções que podem ser graves em pessoas imunocomprometidas e pode apresentar resistência a antibióticos.

Após o recurso, os efeitos da decisão ficaram suspensos, o que reabriu formalmente a possibilidade de fabricação e venda, mas a Ypê afirmou que não retomou a produção. A Anvisa informou que acompanha uma lista de 239 ações corretivas apresentada pela empresa, que inclui itens vinculados também a inspeções feitas em 2024 e 2025. Participaram da reunião mais recente com a agência, segundo a Anvisa, o diretor Daniel Pereira, o presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e o COO Jorge Eduardo Beira.