Dois vendedores são afastados após vídeo no Mercado do Peixe de Cruzeiro do Sul

Dois vendedores do Mercado do Peixe de Cruzeiro do Sul foram afastados por tempo indeterminado após serem identificados em um vídeo envolvendo uma mulher em situação de rua. O episódio, que circulou pelas redes sociais, também levou a Vigilância Sanitária Municipal a intensificar, nesta quarta-feira (7), a fiscalização e as orientações no local.

A Associação dos Vendedores de Pescado informou que os dois comerciantes foram retirados das atividades enquanto o caso é apurado. A entidade também iniciou uma investigação interna para verificar se outras pessoas participaram do episódio registrado nas imagens.

Durante a ação realizada no mercado, equipes da Vigilância Sanitária vistoriaram todos os boxes de venda de pescado. A fiscalização verificou as condições de higiene, armazenamento, conservação e manipulação dos produtos.

Os comerciantes receberam orientações sobre as normas sanitárias exigidas para o funcionamento dos boxes. Caso tenham sido encontradas irregularidades, os responsáveis deverão fazer as adequações dentro dos prazos estabelecidos pela fiscalização.

A coordenadora da Vigilância Sanitária de Cruzeiro do Sul, Nazaré Dantas, afirmou que o trabalho busca impedir a comercialização de pescado sem condições adequadas de consumo.

“Nosso objetivo é garantir que as pessoas consumam um produto de qualidade. O peixe impróprio para consumo não pode ser vendido no local”, afirmou.

A fiscalização ocorre após a repercussão do vídeo nas redes sociais e amplia a atenção sobre as condições de funcionamento do Mercado do Peixe, um dos principais pontos de comercialização de pescado em Cruzeiro do Sul.

Anvisa adia para sexta-feira análise de recurso da Ypê e cobra plano para corrigir falhas em fábrica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deixou para sexta-feira, 15 de maio de 2026, a decisão sobre o recurso apresentado pela Química Amparo, dona da marca Ypê, contra a suspensão da fabricação, venda e uso de produtos com lotes terminados em 1. O adiamento foi anunciado na quarta-feira, 13, na abertura da 8ª Reunião Ordinária da diretoria colegiada.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que a agência e a empresa vêm mantendo reuniões técnicas para tratar da mitigação de riscos e disse que a expectativa é receber nesta quinta-feira, 14, medidas voltadas à correção das irregularidades encontradas na unidade industrial.

Safatle relatou que uma fiscalização realizada em abril, com participação do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo, registrou 76 irregularidades na fábrica. Entre os problemas, a Anvisa informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes. O presidente reforçou a orientação para que consumidores não utilizem produtos com numeração final 1 e busquem o serviço de atendimento da empresa. “Reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na Resolução 1.834/2026 e de buscar o serviço de atendimento da empresa”, disse.

Em nota, a Ypê declarou que segue em colaboração com a Anvisa em busca de uma “solução definitiva” para o caso e citou a suspensão de lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, nos termos da RE 1.834/2026. A empresa informou que apresentou à agência a atualização de um plano de ação, com mudanças no processo fabril, além de laudos de microbiologia e análise de risco ao consumidor. Segundo a companhia, foi solicitado que a suspensão seja mantida até a conclusão das medidas.

A restrição foi determinada em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição de lotes com numeração final 1, incluindo detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A agência apontou descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, com falhas em sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria associada a infecções que podem ser graves em pessoas imunocomprometidas e pode apresentar resistência a antibióticos.

Após o recurso, os efeitos da decisão ficaram suspensos, o que reabriu formalmente a possibilidade de fabricação e venda, mas a Ypê afirmou que não retomou a produção. A Anvisa informou que acompanha uma lista de 239 ações corretivas apresentada pela empresa, que inclui itens vinculados também a inspeções feitas em 2024 e 2025. Participaram da reunião mais recente com a agência, segundo a Anvisa, o diretor Daniel Pereira, o presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior, e o COO Jorge Eduardo Beira.