Secretário de Obras afirma que trecho apresenta risco por problema na drenagem e também critica intervenções da Saneacre que, segundo ele, deixam buracos e geram gastos ao município
A montagem da estrutura para o primeiro comício da campanha da governadora Mailza Cameli em Cruzeiro do Sul provocou a interdição de um trecho da Avenida Joaquim Távora por vários dias e abriu uma discussão sobre a autorização para utilização do local. A Prefeitura afirma que a Secretaria Municipal de Obras não foi consultada previamente e alerta que a área escolhida apresenta problemas estruturais.
O assunto foi abordado nesta sexta-feira (21) pelo jornalista Rogério Wenceslau, durante o Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM. Segundo ele, a avenida começou a ser fechada ainda na quarta-feira para montagem da estrutura do evento, marcado para esta sexta. Com a desmontagem prevista para o fim de semana, o trecho poderá permanecer interrompido entre quatro e cinco dias.
“É muito tempo de transtorno para a população”, afirmou Rogério ao comentar que motoristas que utilizam a região para chegar ao Centro precisam alterar o trajeto, aumentando o tempo de deslocamento e o consumo de combustível.
Além da interdição, o jornalista chamou atenção para as condições do ponto onde a estrutura foi instalada. O trecho apresenta um problema recorrente de afundamento da pista e fica sobre um canal que já passou por sucessivas intervenções da Prefeitura.

Segundo Rogério, a área destinada à concentração do público coincide justamente com o trecho que apresenta instabilidade no pavimento.
“Há um risco seríssimo de acontecer um acidente grave”, afirmou.
Prefeitura diz que não houve consulta
Durante o programa, Rogério afirmou que, segundo as informações apuradas por ele, a ocupação da via ocorreu sem consulta prévia aos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização e pelo trânsito.
“A montagem da estrutura, a ocupação do espaço, a interrupção do trânsito foi feita sem qualquer consulta prévia aos órgãos de fiscalização. Não houve solicitação formal, pedido formal para utilização do espaço, comunicado oficial aos órgãos de trânsito”, disse.
O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, participou do programa e confirmou que, pelo menos em sua pasta, nenhum pedido ou consulta sobre as condições do local foi apresentado antes da instalação da estrutura.
“Pelo menos pela minha secretaria não chegou nenhum documento perguntando como é que estava aquele canal, se poderia ser feito esse evento lá. Não chegou nenhum documento para nós, nem alguém foi até a secretaria querendo saber de informações”, declarou.
Carlos Alves explicou que o local passa por manutenção frequente e que um novo buraco havia surgido no trecho ainda na quinta-feira. Segundo ele, uma obra definitiva, com instalação de uma galeria, já foi licitada e aguarda a produção das estruturas.
O secretário classificou o ponto como sensível e disse que a Prefeitura decidiu sinalizar a área e divulgar uma nota para alertar a população.
“A Prefeitura não pode se responsabilizar porque já fez a nota. Ninguém consultou que ia ser feito lá aquele palco para receber as pessoas”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de impedir a realização do evento, Carlos Alves disse que, até onde tinha conhecimento, o município não havia cogitado o cancelamento.
“A gente só se preocupa que não aconteça nada com as pessoas, que possam se acidentar ali. O que deveria ter sido feito era pelo menos ter enviado um documento ou alguém ter ido lá saber como estava realmente aquela situação”, disse.
A defesa civil municipal também informou que não recebeu nenhum contato por parte dos organizadores
Secretário também critica intervenções da Saneacre
Durante a mesma entrevista, outro problema envolvendo intervenções em ruas de Cruzeiro do Sul entrou em discussão. Rogério questionou Carlos Alves sobre serviços executados pela Saneacre na rede de abastecimento de água e os buracos deixados após as obras.
Segundo o secretário, o problema continua e estaria aumentando.
“Infelizmente isso aí cada vez está pior”, afirmou Carlos Alves. Ele relatou situações em que trechos recuperados pela Prefeitura precisaram ser novamente abertos poucos dias depois.
O secretário disse que as intervenções geram despesas extras com asfalto, barro e mão de obra para o município.
“É transtorno que causa aos cidadãos cruzeirenses, porque é todo tempo interditando rua, fazendo buraco, e a Prefeitura de Cruzeiro do Sul gastando asfalto, que é um gasto alto, com asfalto, com barro”, declarou.
Carlos Alves informou ainda que a Secretaria Municipal de Obras já notificou a Saneacre sobre o problema. Segundo ele, também existe uma iniciativa na Câmara de Vereadores para discutir a responsabilização pelos custos decorrentes das intervenções realizadas nas vias do município.