O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana defendeu maior foco da Expoacre na geração de negócios, anunciou planos de exportar café produzido no estado e comentou os embates políticos e ambientais no Acre durante entrevista ao ac24horas, na sexta noite da Expoacre 2026, em Rio Branco. Antes de chegar aos estúdios, ele enfrentou o trânsito intenso da Via Verde e recorreu a motocicletas para conseguir cumprir o horário da entrevista.
“Andreia, me põe um problema que a solução eu arrumo, eu sou nativo. Liga pro Gabriel, manda duas motos vir nos resgatar aqui”, contou Viana ao relatar o deslocamento. “É bom conhecer cada palmo desse chão que eu amo, que é o Acre”, acrescentou.
Na entrevista, o ex-governador relembrou a situação do Parque de Exposições Wildy Viana quando assumiu o governo estadual, em janeiro de 1999. Segundo ele, a feira agropecuária estava interrompida e o espaço permanecia sem atividades havia anos.
“Quando eu assumi o governo em janeiro de 99, não tinha Expoacre. O parque estava paralisado há anos”, afirmou. Para Viana, o evento deve conciliar entretenimento com atividades voltadas à economia e à geração de oportunidades.
“Sempre achei que é muito importante você ter o negócio e o entretenimento. Não gosto quando chamam de ‘arraialzão’. Se o pessoal tá chamando de arraial, é porque não tá legal”, disse. Ele também defendeu maior espaço para negócios durante a feira. “Tem que dar mais atenção aos negócios, focar na economia para que os nossos irmãos acrianos não tenham que ir embora buscar uma melhor sorte na vida em outro estado.”
Viana também falou sobre sua atuação como produtor rural. Há quatro anos, investe no cultivo de café clonal e mantém uma estrutura de produção com indústria própria. A expectativa é iniciar a venda do produto para o mercado internacional.
“Esse ano, se Deus quiser, eu pretendo ser o primeiro a exportar produção de um café de grande qualidade pros Estados Unidos, quem sabe à China”, afirmou. O ex-governador disse que pretende usar a experiência para ampliar a participação de outros produtores acreanos no mercado externo. “Eu tenho que ser pioneiro nisso, para depois dar a mão pros meus colegas cafeicultores e fazer o Acre ser exportador também de café.”
Ao tratar do cenário político, Viana afirmou que passou a evitar confrontos que, na avaliação dele, não contribuem para enfrentar os problemas do estado. A declaração ocorreu ao comentar divergências com adversários políticos, entre eles o senador Márcio Bittar.
“Eu mudei sem mudar de lado, mas eu acho que é triste uma pessoa que tem o privilégio de viver mais dias, mais janeiros, e não procura ficar um pouco melhor”, declarou. Viana afirmou que as dificuldades econômicas e sociais do Acre exigem menos confronto político. “O nosso estado tá passando por tanta dificuldade. Ter uma pessoa ou pessoas querendo acirrar as diferenças na hora da dificuldade não vai ajudar em nada.”
Ao falar sobre sua atuação política, o pré-candidato disse que pretende concentrar esforços na busca de soluções para problemas do estado. “Eu sou um resolvedor de problema, eu penso assim, e eu quero ser um resolvedor de problema do Acre. Eu não tenho mais tempo para gastar energia discutindo bobagem.”
A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental também esteve entre os temas da entrevista. Viana, engenheiro florestal e relator do Código Florestal aprovado em 2012, comentou os embargos aplicados pelo Ibama no Acre e criticou posições radicalizadas no debate ambiental.
“Você acha que a pessoa vai resolver um problema ambiental tendo ódio do meio ambiente?”, questionou. Na sequência, defendeu medidas que conciliem preservação e atividade econômica. “Quem é que pode resolver? Quem conhece o assunto, quem quer proteger o meio ambiente, mas quer também criar condição pro produtor criar e produzir.”
Viana apontou áreas já desmatadas como alternativa para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas de floresta. “Aqui no entorno de Rio Branco tem 400 mil hectares já desmatados que pode ser implantado milho mecanizado, soja, café, algodão, açaí”, afirmou.
Para o ex-governador, a expansão da produção depende ainda de crédito, assistência técnica e regularização das propriedades atingidas por embargos. “Falta política para a gente melhorar o juro, aplicar mais crédito barato pros pequenos, desembargar as propriedades e oferecer assistência técnica por parte do governo.”