Heloy de Castro cobra cachê atrasado enquanto Expoacres gastam R$ 12,7 milhões com shows nacionais

Aos 76 anos, depois de mais de quatro décadas fazendo música no Acre, Heloy de Castro voltou a ocupar um lugar que conhece tão bem quanto os palcos: o da cobrança por espaço, respeito e pagamento. O músico tornou público nesta semana que ainda não recebeu o cachê por uma apresentação na Expoacre e colocou sua própria sobrevivência profissional diante de uma conta muito maior. Em 2026, os principais shows nacionais contratados ou previstos para as edições da Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, e da Expoacre, em Rio Branco, consumiram R$ 12,7 milhões em recursos públicos. “O nosso cachê não foi pago até hoje”, afirmou Heloy, ao cobrar uma resposta de quem administra a cultura estadual.
Heloy não falou como alguém que desconhece as dificuldades de viver da música no Acre. Mineiro radicado no estado desde o início dos anos 1980, ele passou 15 anos tocando no antigo bar e restaurante O Casarão e atravessou décadas da noite rio-branquense. Em 2019, já aparecia em registros oficiais como um artista que havia enfrentado sucessivas dificuldades para entrar em grandes eventos públicos e aprovar projetos culturais. Naquele mesmo ano, chegou a fazer apresentações nas ruas de Rio Branco em protesto contra a política cultural do município.

Agora, a reclamação tem endereço mais concreto: dinheiro por um serviço já prestado. Heloy diz que a espera passou de 30 dias e se aproxima de dois meses. A conta doméstica, porém, não espera o trâmite administrativo. Ele lembra que ainda possui outra fonte de renda, mas desloca o centro da cobrança para músicos que dependem do palco para pagar aluguel, comprar comida e manter a família. Cita o caso de um colega, Kleber, que estaria pedindo ajuda para conseguir dinheiro e retornar para casa. “E os músicos que não têm, que estão aí perdidos, passando necessidade?”, questiona.

O desabafo ganha peso quando colocado ao lado da estrutura financeira montada pelo governo estadual para trazer artistas de projeção nacional ao Acre. A Expoacre Juruá, realizada de 30 de junho a 5 de julho em Cruzeiro do Sul, reservou R$ 6,25 milhões somente para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão; Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil; Tierry e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada; e a Banda Morada, com R$ 400 mil.

A programação foi executada dentro do Termo de Colaboração nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O valor global da parceria chegou a R$ 16.648.310. Registros financeiros consultados após a feira mostraram R$ 15.848.310 transferidos à entidade responsável por organizar e executar o evento. Além dos R$ 6,25 milhões separados para os cachês nacionais, outros R$ 2.448.520 foram reservados para despesas de produção e logística dessas atrações, incluindo passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e outros serviços. Cachês e operação dos shows nacionais consumiram, juntos, quase R$ 8,7 milhões do planejamento financeiro da feira.

A distância para os artistas da terra aparece dentro do próprio orçamento. Enquanto seis atrações nacionais concentraram R$ 6,25 milhões, o plano da Expoacre Juruá reservou R$ 612,5 mil para o conjunto dos artistas locais e regionais. Os cachês nacionais ficaram, portanto, pouco mais de dez vezes acima de todo o dinheiro separado para as atrações locais.

Nem mesmo a existência dos recursos evitou reclamações de quem trabalhou na feira do Juruá. No dia 14 de julho, nove dias depois do encerramento da Expoacre Juruá, artistas e prestadores ainda cobravam pagamentos. A Casa Civil já havia transferido R$ 15,8 milhões à Associação Transformar em 29 de junho. Comprovantes de Pix começaram a circular entre profissionais somente depois que a cobrança ganhou repercussão pública. O episódio deixou uma pergunta que permanece atual: entre o dinheiro sair do Estado e chegar ao trabalhador que montou estrutura, prestou serviço ou subiu ao palco, quanto tempo pode passar?

Em Rio Branco, onde a Expoacre ocorreu entre 1º e 9 de agosto, o governo escolheu outro caminho para as principais atrações nacionais. A Casa Civil firmou contratos diretamente ligados aos shows e desembolsou R$ 6,45 milhões para seis artistas. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo ficou em R$ 500 mil e a banda Som & Louvor, em R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram reunidos em um único contrato de R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual de cada apresentação.

Bruno & Marrone, que encerraram a programação musical no dia 9, ficaram fora dessa conta porque a apresentação foi realizada pela iniciativa privada, com venda de ingressos. Os R$ 6,45 milhões correspondem aos shows nacionais financiados pelo Estado na capital e, nos registros financeiros levantados após a feira, já apareciam integralmente empenhados, liquidados e pagos. Somados aos R$ 6,25 milhões previstos para os artistas nacionais do Juruá, o gasto alcança R$ 12,7 milhões.

A comparação precisa respeitar uma diferença administrativa importante. O dinheiro destinado às grandes atrações nacionais de Rio Branco saiu de contratos conduzidos pela Casa Civil. No Juruá, os recursos foram repassados à Associação Transformar dentro de uma parceria para execução integral do evento. Os cachês cobrados por músicos acreanos podem percorrer contratos, credenciamentos e empresas responsáveis por intermediar pagamentos. Não se pode afirmar que uma verba poderia simplesmente ser retirada de um contrato nacional para pagar outra obrigação. O problema exposto pelos artistas está no funcionamento da máquina pública: ela conseguiu montar operações milionárias para garantir grandes atrações, mas trabalhadores locais continuam recorrendo às redes sociais para saber quando receberão por serviços que já entregaram.

Heloy também não está sozinho nessa cobrança. Em 18 de agosto, a cantora acreana Sandra Mello tornou pública a situação de músicos e colaboradores que aguardavam havia mais de 90 dias pagamentos ligados a eventos da Fundação de Cultura Elias Mansour. “A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu. No dia seguinte, o presidente da FEM, Matheus Gomes, afirmou que os procedimentos da Fundação haviam sido cumpridos e que a Secretaria de Estado da Fazenda tinha autorizado os pagamentos. A previsão apresentada era de que a empresa responsável começasse a receber os recursos para repassar aos artistas a partir de 19 de agosto.

Uma semana depois daquela resposta, a cobrança de Heloy apareceu publicamente. A pendência dele reforça a necessidade de o governo esclarecer quantos artistas continuam sem receber, quais eventos concentram dívidas, quanto permanece pendente, quais empresas ou entidades estão responsáveis pelos repasses e quais datas foram fixadas para a quitação. No caso específico de Heloy, ainda falta uma resposta pública que esclareça o valor do cachê, o contrato ao qual a apresentação está vinculada e em que etapa se encontra o pagamento.

O contraste também alcança o discurso público sobre valorização da cultura acreana. Durante a própria Expoacre de Rio Branco, a Prefeitura lançou o projeto Rio Branco Street Music com a proposta de criar oportunidades para músicos locais e ocupar praças e bairros com apresentações. Na ocasião, o prefeito Alysson Bestene falou em incentivo aos profissionais da música e o presidente da CDL, Marcelo Moura, resumiu a questão em termos de trabalho e dignidade: “O músico trabalha, gera o seu valor e tem dignidade.”

Para quem vive de música, valorização não termina quando as luzes do palco são apagadas. Ela passa pela contratação, pelo valor do trabalho e pelo pagamento no prazo. Um músico local também paga instrumentista, combustível, alimentação, manutenção de equipamento e contas de casa. Quando o cachê demora dois ou três meses, o custo da espera fica com quem possui menos capacidade financeira para suportá-lo.

Sandra Mello cobra cachês atrasados enquanto Estado destina R$ 12,7 milhões a shows nacionais

Há mais de 90 dias, músicos e outros profissionais da cultura do Acre esperam receber por apresentações já realizadas em eventos ligados à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). A demora levou a cantora Sandra Mello às redes sociais nesta terça-feira, 18 de agosto, para cobrar o pagamento dos trabalhadores. A reivindicação ocorre no mesmo ano em que o Governo do Acre movimentou R$ 12,7 milhões para cachês das principais atrações nacionais contratadas ou previstas nas Expoacres do Juruá e de Rio Branco em 2026.

Sandra tornou pública uma cobrança que atravessa os bastidores da produção cultural acreana. Artistas sobem ao palco, músicos cumprem horários, equipes técnicas trabalham antes e depois dos shows, mas parte desses profissionais ainda aguarda o dinheiro por serviços prestados há mais de três meses. Na publicação, a cantora marcou a Fundação Elias Mansour, o responsável pela área de Cultura e a governadora Mailza Assis.

“A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu.

Até a cobrança vir a público, a FEM não havia informado a razão da demora nem apresentado uma data para a quitação dos valores. Também permaneciam sem resposta questões básicas para dimensionar o problema: quantos profissionais estão com pagamentos pendentes, qual é o montante total devido, quais eventos deram origem às dívidas e em que estágio administrativo se encontram os processos.

A espera enfrentada pelos trabalhadores locais ganha outra dimensão quando colocada diante dos valores destinados aos grandes shows das duas principais feiras agropecuárias realizadas pelo Estado em 2026. Somados, os cachês nacionais previstos para a Expoacre Juruá e os contratos de artistas nacionais da Expoacre de Rio Branco alcançaram R$ 12,7 milhões.

Em Cruzeiro do Sul, a Expoacre Juruá teve R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da Associação Transformar para seis atrações nacionais. Leonardo aparece com o maior valor, R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve previsão de R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, R$ 750 mil. Tierry e padre Fábio de Melo aparecem com R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação, com R$ 400 mil.

Os cachês faziam parte de uma estrutura financeira muito maior. Em 29 de junho, a Casa Civil transferiu R$ 15.848.310 à Associação Transformar para execução, gestão, organização e realização da Expoacre Juruá, por meio de Termo de Colaboração. O dinheiro destinado aos shows nacionais estava inserido nesse orçamento global.

Esse ponto exige uma diferença importante. O repasse de R$ 15,848 milhões comprova que o Estado colocou os recursos da parceria à disposição da entidade responsável pela feira. Não permite afirmar, isoladamente, que cada cantor ou banda recebeu o respectivo cachê naquele momento. A confirmação do valor efetivamente pago a cada atração e da data de cada pagamento depende da prestação de contas da Associação Transformar.

Ainda assim, os números mostram a dimensão da estrutura montada para receber artistas de fora do Acre. Além dos R$ 6,25 milhões destinados aos cachês nacionais no Juruá, outros R$ 2,448 milhões estavam previstos para produção e logística dessas atrações, com despesas como transporte aéreo, fretamento, hospedagem, alimentação, camarins, vans e serviços ligados à realização dos shows.

Em Rio Branco, o caminho administrativo foi diferente e os registros permitem acompanhar o dinheiro de forma mais direta. A Casa Civil firmou cinco contratos para seis atrações nacionais, num total de R$ 6,45 milhões. Os valores aparecem nos registros financeiros como empenhados, liquidados e pagos pelo Governo do Acre.

O maior contrato chegou a R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela no mesmo instrumento. Como os dois nomes foram contratados conjuntamente, o valor disponível não permite separar quanto correspondeu individualmente a cada apresentação. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, de R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu contrato de R$ 500 mil, enquanto a Banda Som e Louvor ficou com R$ 300 mil.

A soma chega aos R$ 6,45 milhões já registrados como pagos em Rio Branco. Acrescentados aos R$ 6,25 milhões previstos para as atrações nacionais da Expoacre Juruá, são R$ 12,7 milhões destinados somente aos principais cachês de artistas de fora do estado nas duas feiras.

O valor não inclui palcos, iluminação, sonorização, segurança, montagem, reformas ou outras despesas de infraestrutura. Também não representa o custo total das duas Expoacres. Trata-se apenas da parcela relacionada aos principais shows nacionais, o que torna a comparação com a cobrança dos artistas acreanos ainda mais sensível.

Os processos não são iguais. Os pagamentos cobrados por Sandra Mello passam pela Fundação Elias Mansour. Na Expoacre de Rio Branco, as atrações nacionais foram contratadas diretamente pela Casa Civil. No Juruá, o Estado transferiu os recursos para uma organização da sociedade civil responsável pela execução da feira. Misturar os três caminhos administrativos como se fossem um único processo distorceria a realidade.

Há, porém, um ponto comum: todos dependem de recursos públicos estaduais.

E é justamente aí que a cobrança feita por Sandra ultrapassa a situação individual de um artista que ainda não recebeu. Ela expõe uma questão sobre a forma como o poder público organiza prioridades, contratos, fluxo financeiro e pagamento de quem trabalha na cultura acreana.

Para colocar grandes nomes nacionais nos palcos das Expoacres, o Estado estruturou contratos e repasses milionários. No Juruá, R$ 15,848 milhões foram transferidos de uma só vez à entidade encarregada da feira, dentro de um orçamento que reservava R$ 6,25 milhões aos principais shows nacionais. Em Rio Branco, R$ 6,45 milhões em contratos de atrações nacionais já aparecem como pagos.

Do outro lado estão artistas, músicos e trabalhadores locais que, conforme a cobrança de Sandra Mello, passaram dos 90 dias de espera por serviços já executados.

A diferença não permite afirmar, por si só, que o dinheiro destinado aos shows nacionais poderia ter sido usado para quitar os débitos da FEM. São contratos, fontes orçamentárias e procedimentos que podem seguir regras distintas. Mas torna inevitável uma cobrança por transparência: se o Estado conseguiu organizar o fluxo administrativo necessário para financiar eventos milionários e assegurar atrações nacionais, o que impede a conclusão dos pagamentos dos profissionais acreanos?

A resposta precisa vir acompanhada de números e datas. A FEM ainda deve esclarecer quantos trabalhadores aguardam pagamento, quanto o Estado deve a esses profissionais, quais contratos ou editais estão envolvidos, onde estão os processos e quando o dinheiro chegará a quem já trabalhou.

Enquanto essas informações não aparecem, a frase publicada por Sandra Mello resume uma situação que deixou de caber apenas nos bastidores dos palcos: “A cultura pede ajuda e respeito”.

R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Alysson Bestene reúne vereadores na Expoacre e define prioridades para segundo semestre em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, reuniu vereadores da base aliada nesta sexta-feira (7), durante a Expoacre 2026, para discutir as prioridades da administração municipal e da Câmara para o segundo semestre. O encontro ocorreu no gabinete institucional da Prefeitura montado no Parque de Exposições e antecede a retomada das sessões do Legislativo municipal, marcada para terça-feira, 11 de agosto.

Entre os principais temas discutidos estão o transporte público, a infraestrutura urbana e a pavimentação de bairros. A reunião também tratou de projetos que devem entrar na pauta da Câmara nos próximos meses e de ações que dependem da articulação entre Executivo e Legislativo.

Alysson Bestene afirmou que a parceria com os vereadores tem ajudado na execução de projetos municipais e na ampliação dos serviços oferecidos à população. Durante a reunião, o prefeito também apresentou aos parlamentares a estrutura das secretarias municipais instalada na Expoacre, com programas, serviços e iniciativas da gestão.

O presidente da Câmara Municipal, Joabe Lira, afirmou que a retomada do semestre legislativo terá uma agenda concentrada em demandas da capital. Transporte coletivo e pavimentação estão entre os assuntos que devem ocupar as discussões dos vereadores após o retorno das sessões.

Joabe também defendeu a articulação entre Prefeitura e Câmara para acelerar projetos e ações nos bairros. “Essa união, com certeza, vai fazer com que essas ações cheguem mais rápido à população de Rio Branco”, afirmou.

O vereador Bruno Moraes também participou do encontro e afirmou que a reunião serviu para ajustar pontos entre a base e o Executivo antes da retomada dos trabalhos parlamentares. A aproximação ocorre em um momento em que projetos municipais devem voltar à análise dos vereadores com o início do novo período legislativo.

Além da reunião política, os vereadores visitaram os espaços mantidos pelas secretarias municipais na Expoacre. A Prefeitura concentra no Parque de Exposições atendimentos, apresentação de programas e divulgação de ações desenvolvidas nas áreas de responsabilidade do município.

Ao fim do encontro, Alysson Bestene entregou aos parlamentares chapéus personalizados do programa Prefeitura nas Ruas, que reúne serviços municipais diretamente nos bairros da capital. A agenda abriu a articulação política entre Prefeitura e Câmara para as pautas previstas até o fim de 2026.

Jorge Viana fala sobre Expoacre, produção de café, política e meio ambiente no Acre

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana defendeu maior foco da Expoacre na geração de negócios, anunciou planos de exportar café produzido no estado e comentou os embates políticos e ambientais no Acre durante entrevista ao ac24horas, na sexta noite da Expoacre 2026, em Rio Branco. Antes de chegar aos estúdios, ele enfrentou o trânsito intenso da Via Verde e recorreu a motocicletas para conseguir cumprir o horário da entrevista.

“Andreia, me põe um problema que a solução eu arrumo, eu sou nativo. Liga pro Gabriel, manda duas motos vir nos resgatar aqui”, contou Viana ao relatar o deslocamento. “É bom conhecer cada palmo desse chão que eu amo, que é o Acre”, acrescentou.

Na entrevista, o ex-governador relembrou a situação do Parque de Exposições Wildy Viana quando assumiu o governo estadual, em janeiro de 1999. Segundo ele, a feira agropecuária estava interrompida e o espaço permanecia sem atividades havia anos.

“Quando eu assumi o governo em janeiro de 99, não tinha Expoacre. O parque estava paralisado há anos”, afirmou. Para Viana, o evento deve conciliar entretenimento com atividades voltadas à economia e à geração de oportunidades.

“Sempre achei que é muito importante você ter o negócio e o entretenimento. Não gosto quando chamam de ‘arraialzão’. Se o pessoal tá chamando de arraial, é porque não tá legal”, disse. Ele também defendeu maior espaço para negócios durante a feira. “Tem que dar mais atenção aos negócios, focar na economia para que os nossos irmãos acrianos não tenham que ir embora buscar uma melhor sorte na vida em outro estado.”

Viana também falou sobre sua atuação como produtor rural. Há quatro anos, investe no cultivo de café clonal e mantém uma estrutura de produção com indústria própria. A expectativa é iniciar a venda do produto para o mercado internacional.

“Esse ano, se Deus quiser, eu pretendo ser o primeiro a exportar produção de um café de grande qualidade pros Estados Unidos, quem sabe à China”, afirmou. O ex-governador disse que pretende usar a experiência para ampliar a participação de outros produtores acreanos no mercado externo. “Eu tenho que ser pioneiro nisso, para depois dar a mão pros meus colegas cafeicultores e fazer o Acre ser exportador também de café.”

Ao tratar do cenário político, Viana afirmou que passou a evitar confrontos que, na avaliação dele, não contribuem para enfrentar os problemas do estado. A declaração ocorreu ao comentar divergências com adversários políticos, entre eles o senador Márcio Bittar.

“Eu mudei sem mudar de lado, mas eu acho que é triste uma pessoa que tem o privilégio de viver mais dias, mais janeiros, e não procura ficar um pouco melhor”, declarou. Viana afirmou que as dificuldades econômicas e sociais do Acre exigem menos confronto político. “O nosso estado tá passando por tanta dificuldade. Ter uma pessoa ou pessoas querendo acirrar as diferenças na hora da dificuldade não vai ajudar em nada.”

Ao falar sobre sua atuação política, o pré-candidato disse que pretende concentrar esforços na busca de soluções para problemas do estado. “Eu sou um resolvedor de problema, eu penso assim, e eu quero ser um resolvedor de problema do Acre. Eu não tenho mais tempo para gastar energia discutindo bobagem.”

A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental também esteve entre os temas da entrevista. Viana, engenheiro florestal e relator do Código Florestal aprovado em 2012, comentou os embargos aplicados pelo Ibama no Acre e criticou posições radicalizadas no debate ambiental.

“Você acha que a pessoa vai resolver um problema ambiental tendo ódio do meio ambiente?”, questionou. Na sequência, defendeu medidas que conciliem preservação e atividade econômica. “Quem é que pode resolver? Quem conhece o assunto, quem quer proteger o meio ambiente, mas quer também criar condição pro produtor criar e produzir.”

Viana apontou áreas já desmatadas como alternativa para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas de floresta. “Aqui no entorno de Rio Branco tem 400 mil hectares já desmatados que pode ser implantado milho mecanizado, soja, café, algodão, açaí”, afirmou.

Para o ex-governador, a expansão da produção depende ainda de crédito, assistência técnica e regularização das propriedades atingidas por embargos. “Falta política para a gente melhorar o juro, aplicar mais crédito barato pros pequenos, desembargar as propriedades e oferecer assistência técnica por parte do governo.”

Shows da Expoacre 2026 custaram R$ 12,7 milhões no Juruá e em Rio Branco

Os shows nacionais contratados para as edições da Expoacre 2026 em Cruzeiro do Sul e Rio Branco somaram R$ 12,7 milhões em cachês. No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da feira. Na capital, cinco contratos que atenderam seis artistas chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que já foi integralmente liquidado e pago pelo Governo do Acre.

Na Expoacre Juruá, realizada em Cruzeiro do Sul, o maior cachê previsto foi o de Leonardo, no valor de R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve R$ 1,7 milhão reservado. A dupla Ícaro e Gilmar aparece com R$ 750 mil, enquanto Tierry e padre Fábio de Melo tiveram R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação com R$ 400 mil. Os seis valores chegam a R$ 6,25 milhões.

A contratação no Juruá ocorreu dentro do Termo de Colaboração CC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. A entidade recebeu R$ 15.848.310 para executar a feira, enquanto o valor global previsto para a parceria era de R$ 16.648.310.

Os R$ 6,25 milhões destinados aos artistas aparecem de forma individual no Plano de Trabalho, mas o dinheiro da feira foi transferido pelo governo à associação em um repasse global. Por essa razão, o valor representa o custo previsto dos cachês. A confirmação do pagamento final feito a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Em Rio Branco, a contratação ocorreu diretamente pela Casa Civil. Os cinco contratos destinados às principais atrações nacionais somaram R$ 6,45 milhões e já constam como integralmente empenhados, liquidados e pagos.

O contrato de maior valor foi de R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela. Como os dois artistas foram contratados no mesmo instrumento, não há separação do valor pago individualmente a cada um.

Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu R$ 500 mil e a Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Com o contrato conjunto de Leonardo e Ana Castela, os shows da edição de Rio Branco chegaram aos R$ 6,45 milhões.

A comparação coloca a programação da capital R$ 200 mil acima da relação de cachês prevista para Cruzeiro do Sul. Foram R$ 6,45 milhões em Rio Branco contra R$ 6,25 milhões no Juruá.

A diferença entre as duas edições não está apenas no valor, mas também na forma de contratação. Em Rio Branco, os R$ 6,45 milhões correspondem a contratos diretos que já foram pagos. No Juruá, os R$ 6,25 milhões correspondem aos valores reservados para os seis artistas no orçamento executado pela Associação Transformar.

Somados os dois grupos, os principais shows nacionais das duas edições da Expoacre 2026 alcançaram R$ 12,7 milhões em cachês previstos ou contratados com recursos públicos.

O Plano de Trabalho do Juruá também reservou R$ 50 mil para uma atração infantil. Esse valor não integra os R$ 6,25 milhões usados na comparação dos principais shows nacionais. Com a inclusão dessa apresentação, a despesa artística prevista para Cruzeiro do Sul sobe para R$ 6,3 milhões e o total das duas edições chega a R$ 12,75 milhões.

O custo dos shows no Juruá não ficou restrito aos cachês. Outros R$ 2.448.520 foram reservados para produção e logística das atrações nacionais, com despesas de passagens aéreas, fretamento de aeronaves, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, camarins, vans, transporte de artistas e pagamento de direitos autorais.

Esse gasto de R$ 2,44 milhões não integra os R$ 12,7 milhões porque a comparação considera somente os cachês. Ele amplia, porém, o custo público necessário para levar as atrações nacionais aos palcos da Expoacre Juruá.

Foto: Secom/AC

É DINHEIRO! Governo do Acre paga R$ 6,45 milhões por shows da Expoacre 2026 em Rio Branco

O Governo do Acre pagou R$ 6,45 milhões pela contratação de seis atrações da programação pública da Expoacre 2026, em Rio Branco. O valor, custeado pela Casa Civil, aparece como liquidado e pago nos registros financeiros dos contratos firmados para os shows de Leonardo, Ana Castela, Wesley Safadão, Natanzinho Lima, padre Fábio de Melo e Banda Som e Louvor.

As contratações estão distribuídas em cinco contratos. O maior deles, no valor de R$ 2,55 milhões, foi firmado com a Apolo Assessoria para as apresentações de Leonardo e Ana Castela. Como os dois artistas foram incluídos no mesmo instrumento contratual, os registros disponíveis não separam quanto foi pago por cada show.

Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima recebeu R$ 1,3 milhão. As apresentações do padre Fábio de Melo e da Banda Som e Louvor custaram R$ 500 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Os valores estão vinculados aos contratos CC nº 45, 46, 51, 54 e 55 de 2026.

Juntos, os contratos de Leonardo e Ana Castela, Wesley Safadão e Natanzinho Lima somam R$ 5,65 milhões, o equivalente a cerca de 87,6% de todo o gasto estadual com a programação musical pública da feira.

Os contratos abrangem apresentações artísticas, bandas completas, equipes técnicas e produção dos shows. As contratações ocorreram por inexigibilidade de licitação, modalidade prevista quando a administração pública contrata artistas diretamente ou por meio de representantes exclusivos.

A programação oficial em Rio Branco teve Leonardo em 2 de agosto, Natanzinho Lima em 3 de agosto, padre Fábio de Melo em 4 de agosto, Wesley Safadão em 5 de agosto, Ana Castela em 6 de agosto e Som e Louvor em 7 de agosto. O acesso aos shows custeados pelo Estado ocorre mediante doação de alimentos.

O total de R$ 6,45 milhões se refere apenas às atrações musicais bancadas pelo governo estadual. A conta não inclui estrutura de palco, som, iluminação, montagem, segurança, reformas no Parque de Exposições Wildy Viana, diárias ou outros serviços ligados à Expoacre. Também não inclui o show de Bruno & Marrone, previsto para o encerramento da feira, promovido pela iniciativa privada e com cobrança de ingresso.

O levantamento considera somente a Expoacre 2026 realizada em Rio Branco. Os gastos da Expoacre Juruá, ocorrida entre junho e julho em Cruzeiro do Sul, fazem parte de outro termo de colaboração e não entram nesse total.

MP cobra pagamento de dívida milionária e plano para manter Hospital Santa Juliana aberto

O Ministério Público do Acre recomendou ao governo estadual a conclusão rápida da conferência, liquidação e pagamento dos valores devidos ao Hospital Santa Juliana e à Casa de Acolhida Souza Araújo, em Rio Branco. A medida, assinada em 31 de julho pelo promotor de Justiça Thalles Ferreira Costa, tenta impedir a interrupção de serviços de saúde e assistência prestados a gestantes, recém-nascidos, idosos, pessoas negras e famílias em situação de vulnerabilidade. A Diocese de Rio Branco calcula que os atrasos nos repasses já ultrapassam R$ 20 milhões.

A Recomendação nº 27/2026 foi encaminhada às secretarias estaduais de Saúde, Planejamento e Fazenda, à Casa Civil e ao Hospital Santa Juliana. O governo terá 30 dias para apresentar resposta fundamentada, informar as providências tomadas, detalhar as medidas em andamento e entregar um cronograma de execução. Caso as ações não sejam suficientes para afastar o risco de paralisação, o MP poderá adotar medidas extrajudiciais e judiciais e comunicar os órgãos de controle.

O centro da cobrança está no Convênio nº 001/2021 e no instrumento que financia a Casa Souza Araújo. O Estado reconheceu a vigência da parceria e informou que parte dos valores permanece em análise técnica. O passivo, porém, é admitido tanto pelo poder público quanto pela Diocese, assim como o risco de comprometimento da assistência. Para o MP, procedimentos administrativos de conferência e certificação não podem se prolongar a ponto de ameaçar serviços que o próprio Estado tem o dever constitucional de garantir.

Entre janeiro e junho de 2026, o Hospital Santa Juliana realizou 14.775 atendimentos vinculados ao convênio. Pessoas pretas e pardas responderam por 84,4% desse total. As mulheres representaram 70,5% e os idosos, 21%. O hospital também recebeu crianças, adolescentes, indígenas, migrantes e moradores da zona rural. Esses números colocam o atraso financeiro além de uma disputa contábil: qualquer redução do atendimento atingirá primeiro a parcela da população mais dependente da rede pública.

A assistência obstétrica ocupa uma parte decisiva dessa estrutura. Aproximadamente metade dos partos realizados em Rio Branco ocorre no Santa Juliana. Uma interrupção alcançaria diretamente gestantes, puérperas e recém-nascidos, além de pressionar uma rede pública que não possui alternativa equivalente anunciada para absorver toda a demanda. O hospital também presta atendimento neonatal, cardiológico e urológico de alta complexidade.

O MP pediu um demonstrativo financeiro detalhado, com a separação dos valores efetivamente atrasados e daqueles ainda submetidos à análise técnica. Também cobrou prazo máximo e improrrogável para o encerramento dessa conferência, reserva orçamentária vinculada às duas instituições e previsão específica nos próximos instrumentos de planejamento financeiro do Estado. A recomendação inclui a avaliação de correção monetária, juros e outros encargos, caso o atraso seja atribuído à administração estadual.

A cobrança alcança ainda as escolhas orçamentárias do governo. O Ministério Público registrou que as dificuldades nos repasses ocorreram no mesmo período em que o Estado destinou recursos a iniciativas de outra natureza. Um dos exemplos citados foi o chamamento público de aproximadamente R$ 22 milhões relacionado à Expoacre 2026, suspenso cautelarmente pelo Tribunal de Contas do Estado em julho por indícios de irregularidades. O valor está próximo dos mais de R$ 20 milhões cobrados pela Diocese. A comparação não atribui responsabilidade pessoal a agentes públicos, mas coloca em discussão a prioridade dada a despesas discricionárias enquanto serviços essenciais enfrentam risco financeiro.

A auditoria das demonstrações financeiras das Obras Sociais da Diocese, referente a 2025, reforçou a preocupação. O relatório da LM Auditores Associados foi emitido sem ressalvas, mas trouxe um alerta sobre a continuidade das operações. A entidade acumulava resultados deficitários, capital circulante líquido negativo e endividamento relacionado a processos trabalhistas, empréstimos e fornecedores. Os valores cobrados ao Estado correspondem, de acordo com a Diocese, a serviços já executados e encaminhados aos procedimentos de conferência e certificação. Até a expedição da recomendação, não havia manifestação técnica conclusiva que negasse a prestação dos serviços ou justificasse a demora prolongada nos pagamentos.

O governo também deverá elaborar um plano público de contingência para impedir a interrupção dos atendimentos. Esse planejamento terá de prever proteção específica para mulheres, pessoas negras, indígenas, idosos, pessoas com deficiência e moradores em situação de rua. Caso o Estado considere alguma hipótese de descontinuidade, deverá apresentar um compromisso de transição assistida e informar para quais unidades os pacientes e acolhidos seriam transferidos, com garantia de atendimento equivalente.

Para a Casa de Acolhida Souza Araújo, o MP cobrou garantia imediata de funcionamento, independentemente do estágio da discussão financeira. A instituição nasceu na década de 1920 como leprosário, durante a política de isolamento compulsório de pessoas com hanseníase. A gestão passou à então Prelazia de Rio Branco em 1966. Hoje, a unidade abriga principalmente idosos, muitos sem possibilidade de retorno à convivência familiar.

A permanência da Casa Souza Araújo foi tratada como parte de uma reparação histórica. Os moradores carregam as consequências de uma política estatal que rompeu famílias, confinou pacientes e aprofundou o estigma contra pessoas atingidas pela hanseníase. O MP recomendou que o governo reconheça formalmente a unidade como espaço de memória, dignidade e reparação, além de incluir os acolhidos em programas voltados a idosos com vínculos familiares e comunitários fragilizados.

A recomendação também expõe falhas no cadastro dos pacientes do Santa Juliana. Campos relacionados a identidade de gênero, orientação sexual, deficiência, vulnerabilidade social, religião e etnia indígena declarada estavam vazios ou não eram utilizados no sistema hospitalar. O hospital deverá preencher essas informações para que o poder público consiga conhecer o perfil da população atendida e planejar ações específicas contra desigualdades no acesso à saúde.

Além de resolver o passivo atual, o Ministério Público quer mudanças permanentes na relação do Estado com entidades filantrópicas que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde. A recomendação cobra um modelo de gestão com previsibilidade financeira, estudo sobre formas duradouras de financiamento e levantamento de outras instituições conveniadas que possam enfrentar atrasos semelhantes. O objetivo é impedir que hospitais e unidades de assistência assumam sozinhos obrigações que continuam pertencendo ao poder público.

O documento será encaminhado ao Tribunal de Contas e à Controladoria-Geral do Estado, além dos conselhos estadual e municipal de Saúde, do Conselho Estadual de Defesa da Mulher e de órgãos internos do Ministério Público. A eventual responsabilização de agentes públicos dependerá da comprovação de dolo, má-fé ou omissão injustificada e reiterada, com respeito ao contraditório e à ampla defesa. Até a apresentação da resposta oficial, permanece aberta a questão principal: como o governo pagará a dívida e manterá funcionando uma estrutura que atende parte expressiva da população mais vulnerável de Rio Branco.

Saúde de Rio Branco abre programação na Expoacre com atividades físicas e escolha de mascote

A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco abriu, no domingo (2), a programação do estande institucional na Expoacre 2026. As primeiras atividades reuniram apresentações da Academia da Saúde, orientações sobre hábitos saudáveis e o lançamento da escolha do mascote do Departamento de Controle de Zoonoses.

Participantes da Academia da Saúde apresentaram danças e exercícios coreografados ao público da feira. A ação buscou incentivar a prática regular de atividades físicas como forma de prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida e promover um envelhecimento ativo.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que o estande foi preparado para aproximar os serviços municipais dos visitantes da Expoacre. A programação inclui orientações, ações educativas e atividades relacionadas à prevenção de doenças e à proteção animal.

A escolha do mascote da Zoonoses será usada nas campanhas de educação em saúde desenvolvidas pelo município. O personagem deverá representar ações de combate aos maus-tratos, prevenção de zoonoses e conscientização sobre os cuidados com os animais.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a presença da pasta na feira amplia o contato da população com os serviços públicos. “Iniciamos a programação incentivando hábitos saudáveis e lançando a escolha do mascote da Zoonoses”, declarou.

Participante da Academia da Saúde há cerca de nove anos, Cléo Soude, de 51 anos, relatou que as atividades físicas e o acompanhamento oferecido pelo programa ajudaram no controle da hipertensão e do diabetes. Ela também afirmou que passou a ter uma rotina mais saudável e melhor qualidade de vida.

Durante a Expoacre, o estande da Secretaria Municipal de Saúde terá atividades educativas, orientações e serviços voltados à promoção da saúde e à prevenção de doenças. A programação será realizada ao longo da feira para ampliar o acesso dos visitantes às ações oferecidas pelo município.