Jornalista Chico Melo relata invasão, agressões e ameaça de morte dentro de casa em Cruzeiro do Sul
O jornalista e diretor da Rádio Integração FM, Chico Melo, afirmou que homens armados invadiram sua casa durante a madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Cruzeiro do Sul, quebraram uma janela, entraram no quarto e o agrediram enquanto procuravam documentos e o telefone celular. Ferido na cabeça e com hematomas pelo corpo, ele recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento e relatou o ataque horas depois, durante o Jornal da Manhã.
“Eles quebraram a janela, entraram no meu quarto e começaram a procurar uma pasta, documentos e o meu telefone”, afirmou Chico. Segundo o jornalista, a ação não tinha características de um roubo comum porque dinheiro e bens de valor não foram levados. “Não estavam procurando dinheiro nem objetos de valor. Estavam claramente procurando documentos.”
Chico contou que dormia com a luz apagada quando percebeu a entrada dos invasores. Um deles usava uma lanterna, tinha porte físico maior e calçava coturno. Outros dois homens participavam da ação. O jornalista disse que o grupo se comunicava de forma organizada e parecia ter conhecimento sobre o que buscava dentro da residência.
“A forma como um deles me colocou no chão, me imobilizou e manuseava a arma demonstra que eram pessoas preparadas”, declarou. Durante a agressão, Chico sangrou na região da cabeça e teve dificuldade para enxergar porque o sangue atingiu seus olhos. Ele tentou limpar o rosto com roupas que estavam próximas à cama.
O momento de maior tensão ocorreu quando um dos homens o colocou de frente para a parede e encostou uma arma em sua cabeça. “Um deles me virou para a parede e colocou a arma na minha cabeça. Enquanto um dizia ‘vamos matar’, o outro respondia: ‘não viemos aqui para isso’”, relatou.
Chico afirmou que os invasores abriram o guarda-roupa, vasculharam o quarto, foram até a garagem e procuraram materiais dentro do carro. A pasta exigida pelo grupo não foi encontrada. “Eu tive muito medo de morrer. Essa é a verdade. Foi uma sensação horrível.”



Entre os materiais que Chico acredita terem motivado a invasão está um contrato de intenção de compra e venda da Rádio Integração FM, firmado em 12 de junho de 2020. O negócio não foi concluído. O jornalista também citou recibos e outros registros financeiros, mas não detalhou durante a entrevista todo o conteúdo desses documentos.
“Os documentos serão entregues às autoridades para que tudo seja investigado”, afirmou. Ele disse que pretende encaminhar o material à Polícia Federal e colaborar com as investigações, mas reforçou que tem direito constitucional ao sigilo das fontes. “Espero que as autoridades tomem providências. Sou jornalista e não sou obrigado a revelar minhas fontes. Sou amparado pela Constituição.”
O jornalista associa o ataque à procura pelos documentos e ao trabalho editorial desenvolvido pela emissora. Essa relação faz parte da avaliação apresentada por Chico após a invasão. A autoria, a motivação e a eventual participação de mandantes ainda dependem de investigação policial e de provas.
Dias antes do ataque, Chico percebeu um carro branco da marca Citroën parado em frente à residência. Ele afirmou que uma pessoa dentro do veículo parecia observar sua movimentação. O jornalista chegou a circular pelo quarteirão, mas não encontrou novamente o automóvel e não conseguiu anotar a placa.
Chico chegou à emissora com a cabeça enfaixada, roupas manchadas de sangue e marcas das agressões. Durante a entrevista, afirmou que os familiares ficaram com medo de retornar à residência. “A madrugada de hoje foi uma madrugada de terror. Minha família está muito abalada e não quer voltar para casa.”
Mesmo após receber atendimento médico, Chico decidiu participar do programa e tornar público o ataque. “Eu temo pela minha vida, mas poderia me calar, me acovardar e ficar quieto. Não vou fazer isso”, afirmou.
O jornalista também relacionou sua decisão de continuar trabalhando aos 30 anos dedicados à profissão. “Eu tenho 30 anos de profissão. Todo mundo nesta cidade me conhece e nunca tinha acontecido algo assim comigo.”
Ao encerrar o relato, Chico disse que não pretende abandonar o jornalismo por causa das ameaças. “Estou aqui cumprindo o meu papel de jornalista. Vão ter que tirar a minha vida para conseguirem me calar.”