Gleici diz que sua vida mudou antes do BBB e defende programas sociais ao reafirmar voto em Lula

A acreana Gleici Damasceno, campeã do Big Brother Brasil 2018, usou as redes sociais nesta sexta-feira (9) para responder às críticas recebidas após declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um vídeo, ela relembrou a infância na zona rural do Acre e afirmou que sua trajetória de superação começou muito antes da participação no reality show, graças ao acesso à energia elétrica, à educação e a programas sociais.

A manifestação ocorreu depois que internautas atribuíram sua ascensão financeira exclusivamente à vitória no programa da TV Globo. Gleici contestou os comentários e contou que, durante a infância, sua família viveu em uma comunidade rural sem eletricidade.

“Só venceu na vida por causa do BBB. Esta foi a frase que eu mais li na postagem que eu fiz falando que eu voto no Lula. Queria tanto que essa tivesse sido minha única batalha na vida, mas não foi”, declarou.

A ex-BBB lembrou que a chegada do programa Luz para Todos representou uma mudança nas condições de vida de sua família e de outros moradores da região.

“Eu cresci na zona rural do Acre. Lá não tinha energia elétrica. Eu vi o Luz para Todos chegar na minha casa e vi as pessoas muito felizes, com dignidade. E isso é vencer na vida para muita gente”, afirmou.

Gleici também falou sobre as dificuldades enfrentadas pela mãe, que trabalhou como empregada doméstica para sustentar os filhos. Segundo ela, o Bolsa Família ajudava a complementar a renda familiar e permitia a compra de materiais escolares.

A acreana recordou ainda que foi a primeira pessoa da família a ingressar no ensino superior, por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Para ela, a conquista representou uma transformação em sua vida antes mesmo da exposição nacional conquistada em 2018.

“Vencer na vida também, acho que essa foi a minha maior vitória, foi quando eu consegui ser a primeira da minha família a entrar numa faculdade, através do Prouni”, contou.

Ao responder aos críticos, Gleici reconheceu que a participação no BBB ampliou suas oportunidades profissionais e financeiras, mas argumentou que já havia conquistado espaço no mercado de trabalho e avançado nos estudos antes de entrar no programa.

“Eu já estava avançando na vida, eu estava ascendendo na vida, eu estava com um trabalho bom, eu estava estudando. O BBB passou ali pela minha vida, obviamente, e eu consegui ascender mesmo, de uma vez por todas”, afirmou.

A vencedora do reality também rejeitou a interpretação de que seu apoio ao presidente seria uma demonstração de gratidão pessoal. Segundo ela, garantir acesso à educação e a condições básicas de vida é uma responsabilidade do poder público.

“Não é que aí você tá votando por gratidão. Isso é obrigação do governo”, declarou.

Gleici encerrou a manifestação com uma crítica à ideia de que sucesso pessoal deve ser medido apenas pela riqueza ou pela fama. Ela defendeu que as políticas públicas precisam alcançar principalmente a população de baixa renda.

“O nosso país é muito desigual, profundamente desigual, e a gente ainda precisa trabalhar muito para que todo mundo tenha equidade. Ainda tem gente precisando de comida na mesa, ainda tem gente precisando de oportunidade para estudar”, afirmou.

A manifestação ocorre durante a campanha do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrenta Flávio Bolsonaro (PL). Gleici já havia anunciado publicamente seu voto no petista no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno das eleições.

Bolsa Família no Acre recua e passa a atender 123,7 mil famílias em abril de 2026

O Bolsa Família alcançou 123,7 mil famílias no Acre em abril de 2026, número que marca uma nova queda no estado e consolida a tendência de redução após o pico observado em 2024. O movimento fecha um ciclo de oscilações: o Acre terminou 2022 com 133,4 mil famílias atendidas, caiu para 130,9 mil em 2023, voltou a subir em 2024, quando chegou a 133,9 mil, e recuou em 2025 para 125 mil. Em relação ao patamar de 2024, a diferença é de aproximadamente 10,2 mil famílias a menos.

No mês, os repasses no estado somaram mais de R$ 89,4 milhões, com benefício médio em torno de R$ 725 por família. A maior concentração de beneficiários ficou na capital, onde 42,4 mil famílias receberam o pagamento. Em seguida aparecem Cruzeiro do Sul, com 13.880 famílias, Sena Madureira, com 8.694, Tarauacá, com 8.578, e Feijó, com 5.885. Entre os municípios, Santa Rosa do Purus registrou o maior valor médio por família, de R$ 900,21, em um cenário em que o benefício tende a ser mais elevado onde há maior presença de crianças e composição familiar com direito aos adicionais.

Os pagamentos mantiveram os complementos que ampliam o valor final. No Acre, 68,2 mil crianças de zero a seis anos receberam o Benefício Primeira Infância, de R$ 150 por criança. Também foram pagos adicionais de R$ 50 para gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de sete a 18 anos, além do atendimento a públicos considerados prioritários nas regras do programa, como famílias indígenas e pessoas em situação de rua.

A redução no total de beneficiários ocorre em paralelo à intensificação das ações de revisão e atualização do Cadastro Único em 2026, com convocação nacional para regularização cadastral dentro do prazo máximo de 24 meses. A atualização passou a ter peso ainda maior na permanência no programa, já que pendências e informações desatualizadas podem resultar em bloqueio ou cancelamento do benefício até que a situação seja resolvida.

No panorama nacional, o Bolsa Família atendeu 18,9 milhões de famílias em abril, com benefício médio de R$ 678,22 e investimento de R$ 12,79 bilhões. Mesmo com a retração no número de atendidos, o Acre permaneceu entre os estados com médias mais altas no mês, puxado pela presença dos adicionais e pelo perfil das famílias inscritas.