Sitoakore leva vivência cultural a três terras indígenas do Acre em 2026

Projeto terá atividades gratuitas em Rio Branco e em comunidades dos povos Noke Koî, Huni Kuin e Yawanawá, com foco na preservação dos saberes tradicionais e no protagonismo das mulheres indígenas

A Organização de Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore) realizará, em 2026, a sexta edição da Vivência Cultural com a Sitoakore. O projeto terá programação gratuita em Rio Branco e em três terras indígenas do Acre, reunindo atividades voltadas à valorização das tradições, dos conhecimentos ancestrais e da participação das mulheres indígenas na transmissão cultural.

Criada inicialmente para atender indígenas que vivem na capital acreana, a iniciativa foi ampliada para os territórios a partir de demandas apresentadas por conselheiras deliberativas e representantes da organização. A proposta é aproximar as atividades das comunidades e fortalecer as manifestações culturais nos locais onde os conhecimentos são preservados e transmitidos entre gerações.

A programação terá abertura em Rio Branco, com a participação de lideranças indígenas, representantes de instituições e da população. Depois, as atividades serão realizadas na Terra Indígena Campina/Katukina, do povo Noke Koî, localizada na região da BR-364; na Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, do povo Huni Kuin, em Feijó; e na Terra Indígena Rio Gregório, do povo Yawanawá, em Tarauacá.

As quatro localidades receberão atividades que incluem apresentações culturais, cantorias, danças tradicionais, rodas de rapé, defumação, banhos com medicinas tradicionais, pintura corporal, culinária indígena e exposição de artesanato. A programação será desenvolvida com a participação das próprias comunidades, respeitando as práticas e particularidades culturais de cada povo.

Um dos principais objetivos do projeto é fortalecer o papel das mulheres indígenas na preservação e transmissão dos conhecimentos tradicionais. A iniciativa também contempla o trabalho de artesãs, cozinheiras, mulheres que atuam com medicinas tradicionais e integrantes de grupos culturais, contribuindo para a geração de renda e a circulação dos produtos e saberes indígenas.

A realização das atividades nos territórios representa uma mudança na abrangência do projeto, que mantém sua programação em Rio Branco e passa a alcançar diretamente comunidades indígenas do interior do estado. A organização pretende, dessa forma, fortalecer tanto as manifestações culturais nos territórios quanto a identidade dos indígenas que vivem em contexto urbano.

A sexta edição da Vivência Cultural é realizada pela Sitoakore por meio do Edital de Ações Culturais Continuadas nº 013/2025, com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, em parceria com o Governo do Acre e a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

Todas as atividades serão gratuitas. A programação poderá ser acompanhada pelo perfil oficial da organização nas redes sociais, @sitoakoree.

Festival Atsa Puyanawa 2026 acontece de 18 a 23 de julho em Mâncio Lima

A 8ª edição do Festival Atsa Puyanawa será realizada de 18 a 23 de julho de 2026, na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, no interior do Acre. A programação vai reunir moradores das aldeias Barão e Ipiranga, visitantes e representantes de instituições em seis dias de celebração da cultura, da espiritualidade, da gastronomia e dos saberes tradicionais do povo Puyanawa.

O evento terá apresentações culturais, cantos, danças, rituais, exposição de artesanato, comidas típicas e atividades ligadas ao etnoturismo. A mandioca, chamada de atsa na língua Puyanawa, é o principal símbolo do festival e representa alimento, trabalho coletivo, resistência cultural e ligação com a ancestralidade.

Também conhecido como Festival da Macaxeira, o Atsa Puyanawa se consolidou como uma das principais celebrações indígenas do Acre. A cada edição, o encontro fortalece a transmissão de conhecimentos entre gerações e amplia a visibilidade das práticas culturais mantidas nas comunidades.

A edição anterior recebeu cerca de 8 mil pessoas e movimentou a economia local com a venda de alimentos tradicionais, bebidas, peças de artesanato e produtos da sociobiodiversidade. A programação também incluiu brincadeiras, pinturas corporais, circuitos esportivos, uso de plantas medicinais e partilha da caiçuma, bebida tradicional presente nas celebrações do povo Puyanawa.

A Terra Indígena Puyanawa fica em uma região de forte presença florestal, próxima ao Parque Nacional da Serra do Divisor. O festival também reforça o papel do território como espaço de preservação cultural, memória coletiva e valorização dos modos de vida indígenas no Vale do Juruá.