Rio Branco antecipa plano contra seca e quer evitar desabastecimento de água em 2026

A Prefeitura de Rio Branco apresentou nesta terça-feira, 16 de junho, um plano de contingência para manter a captação, o tratamento e a distribuição de água durante o período de estiagem de 2026, diante da previsão de nova queda acentuada no nível do Rio Acre. O pacote foi detalhado em reunião com órgãos de controle, fiscalização e defesa civil e prevê intervenções no leito do rio, monitoramento permanente e mobilização de equipes para evitar interrupções no abastecimento da capital.

A estratégia foi organizada pelo Saerb, que trata o cenário como preventivo, mas trabalha com a possibilidade de uma seca mais severa do que a registrada em 2024. No ano passado, o Rio Acre chegou a 1,23 metro, na pior estiagem em 54 anos de medições. Agora, a prefeitura pretende agir antes do agravamento do quadro. Entre as medidas previstas estão dragagem, escavações em pontos estratégicos, construção de pequenas barragens e outras ações técnicas para manter a operação do sistema mesmo com o rio em níveis críticos.

Durante a apresentação, o diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, afirmou que a meta é manter a cidade abastecida mesmo em um cenário extremo. “Se houver qualquer volume de água no rio, teremos condições de captar, tratar e distribuir. Nosso compromisso é não deixar faltar água na casa de ninguém”, disse.

O plano foi apresentado a representantes do Ministério Público, do Tribunal de Contas, da Câmara Municipal, das Defesas Civis estadual e municipal e de órgãos ambientais. A proposta também prevê receber sugestões de instituições parceiras para reforçar a resposta do município durante o período mais crítico do verão amazônico.

A Defesa Civil municipal também trabalha com um cenário de risco para os próximos meses, sobretudo a partir de julho, com possibilidade de agravamento dos efeitos climáticos associados ao El Niño. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, disse que o planejamento vai além da área urbana e considera reflexos da estiagem sobre saúde pública, agricultura, educação, meio ambiente e zona rural.

Pelas projeções apresentadas, os 230 bairros de Rio Branco e 71 comunidades rurais poderão sentir os efeitos da falta de chuva, das temperaturas elevadas e do aumento do risco de queimadas. A avaliação da prefeitura é que o enfrentamento da estiagem exigirá ação conjunta de diferentes áreas da administração para reduzir os impactos e preservar a segurança hídrica da população.