Nova saída de pista na BR-364 amplia pressão por recuperação da estrada entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul
A saída de pista de uma caminhonete carregada com extintores, na tarde de domingo (14), nas proximidades da comunidade do Boto, em Tarauacá, voltou a expor a BR-364 como um dos principais pontos de tensão da infraestrutura acreana. O veículo seguia de Cruzeiro do Sul quando o motorista perdeu o controle e foi parar em uma cerca às margens da rodovia. Moradores fizeram os primeiros atendimentos até a chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros. O caso engrossa uma sequência de ocorrências no corredor entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul e reforça a pressão sobre o poder público para dar resposta estrutural à estrada.
A série mais recente se concentrou nos primeiros dias de junho. Em 1º de junho, uma carreta bitrem tombou a cerca de 150 quilômetros de Cruzeiro do Sul depois de o motorista tentar desviar de buracos na pista. Em 5 de junho, um caminhão que prestava serviço ao DNIT tombou no km 80, entre Sena Madureira e Rio Branco. Em 8 de junho, um caminhão carregado de cimento caiu em uma ribanceira entre Manoel Urbano e Feijó. Em 10 de junho, uma carreta-cegonha tombou no km 112, na região da comunidade Taquari, em Tarauacá. O padrão se repete em pontos diferentes da rodovia e com veículos de perfis distintos, do transporte leve ao de carga pesada.
A pressão aumenta porque a BR-364 é o principal eixo terrestre de integração do Acre. Em ordens de serviço assinadas em 2025, o DNIT informou que o segmento de 286,7 quilômetros contemplado nas frentes de manutenção e recuperação corta 12 dos 22 municípios acreanos e beneficia diretamente 500 mil pessoas. Quando acidentes e tombamentos passam a se repetir em série, a discussão deixa de ser apenas sobre falha humana e alcança o estado do pavimento, a drenagem, a sinalização e a proteção lateral em trechos críticos.
No plano técnico, o problema não se resolve só com resposta emergencial depois do acidente. O DNIT define o BR-Legal 2 como programa voltado ao aumento da segurança na malha federal por meio da implantação e manutenção de sinalização horizontal, vertical e dispositivos de segurança. A PRF, em orientações para direção sob chuva, recomenda velocidade moderada, farol baixo aceso, maior distância do veículo à frente e ausência de manobras bruscas. Em pista castigada, essas medidas continuam indispensáveis, mas elas não substituem conservação permanente, drenagem limpa e sinalização visível.
A cobrança agora está formalmente instalada na Justiça Federal. Em 10 de junho, o MPF informou que a decisão judicial reforçou a obrigação da União e do DNIT de recuperar trechos críticos da BR-364, reativar as balanças da Tucandeira, de Sena Madureira e do Rio Liberdade e avançar em obras estruturantes. Em despacho mais recente no mesmo processo, o juízo determinou a apresentação, em 60 dias, de plano de ação detalhado e minucioso, sob multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 1 milhão. Depois de uma nova sequência de tombamentos e saídas de pista, a BR-364 volta ao centro da discussão não apenas como rota logística, mas como teste de capacidade do poder público de manter aberta, segura e previsível a principal estrada do Acre.