DNIT apresenta a Zequinha Lima projeto de reconstrução da BR-364

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes apresentou nesta terça-feira, 21, ao prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, o projeto de reconstrução da BR-364 no Acre. Durante a reunião, o superintendente regional do DNIT, Ricardo Araújo, detalhou as etapas da obra, o modelo técnico escolhido e a previsão de início dos trabalhos entre agosto e setembro.

“Viemos apresentar ao prefeito e à equipe do município todas as etapas que estão sendo executadas e o planejamento da recuperação da BR-364. Nossa meta é que, até o final de agosto, os trechos em manutenção estejam totalmente recuperados, eliminando os buracos e melhorando a trafegabilidade”, afirmou Araújo.

O projeto prevê a reconstrução de 416,4 quilômetros da rodovia entre Sena Madureira e o Rio Liberdade. O investimento total foi estimado em cerca de R$ 5 bilhões, com recursos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento. A execução deverá durar entre cinco e seis anos.

A primeira etapa terá 104 quilômetros entre Sena Madureira e Manoel Urbano, com investimento superior a R$ 714 milhões. O DNIT trabalha para concluir a licitação e iniciar as intervenções ainda no segundo semestre.

A reconstrução será feita com macadame hidráulico, técnica que utiliza camadas de pedras compactadas para formar uma base mais resistente. A solução foi escolhida após estudos sobre as características do solo acreano e os danos provocados pelas chuvas e pela infiltração de água.

“Paralelamente, estamos avançando com a licitação da reconstrução definitiva utilizando o macadame hidráulico, uma solução desenvolvida a partir de estudos do DNIT Nacional e que oferece maior durabilidade para as condições da Amazônia”, explicou o superintendente.

Zequinha Lima afirmou que a apresentação do projeto permite ao município acompanhar o planejamento da obra e reforçou a importância da estrada para os moradores do Vale do Juruá.

“A BR-364 é a principal ligação terrestre da nossa região com o restante do estado, sendo fundamental para o transporte de pessoas, mercadorias, atendimento à saúde e fortalecimento da nossa economia”, declarou o prefeito.

“Ver um planejamento técnico sendo apresentado nos dá esperança de que teremos uma rodovia mais segura, duradoura e capaz de garantir o desenvolvimento do Vale do Juruá”, acrescentou.

Enquanto a contratação da reconstrução definitiva avança, o DNIT mantém serviços emergenciais nos pontos mais danificados da rodovia. A previsão é concluir até o fim de agosto a recuperação dos trechos em manutenção para reduzir os buracos e melhorar as condições de tráfego.

Equipe inicia estudos da ponte sobre o Rio Juruá em Rodrigues Alves

Uma equipe do consórcio Engeplus–Projecta iniciou na segunda-feira, 20 de julho, em Rodrigues Alves, os levantamentos de campo para definir o projeto da ponte sobre o Rio Juruá e do contorno rodoviário do município. Contratado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes por R$ 1.997.005,87, o trabalho reúne estudos preliminares e os projetos básico e executivo de uma travessia reivindicada há anos no Vale do Juruá. A chegada dos técnicos abre uma nova fase administrativa, mas ainda não representa o início da construção: o governo federal terá de aprovar os projetos e fazer outra licitação para executar a obra.

Enquanto os profissionais começam a medir o terreno, examinar o solo e estudar os possíveis acessos, a rotina dos moradores continua presa ao movimento do rio. A ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul depende da balsa mantida pelo governo do Acre. Quando o Juruá sobe ou desce rapidamente, a lama se acumula nas rampas, máquinas precisam refazer o aterro e a embarcação aguarda condições para encostar. Para quem atravessa em busca de atendimento médico, trabalho, estudo ou transporte de mercadorias, a condição do rio ainda interfere no tempo da viagem.

O prefeito Salatiel Magalhães recebeu a equipe na tarde de segunda-feira e ofereceu apoio logístico da prefeitura aos trabalhos de campo. “Receber a equipe da Engeplus Engenharia em Rodrigues Alves representa mais um passo importante rumo à realização de um sonho histórico da nossa população”, afirmou. O município deverá ajudar com deslocamento, acesso às áreas estudadas e contato com estruturas locais necessárias aos levantamentos.

Nesta etapa, o consórcio fará levantamentos topográficos, estudos geológicos, análises ambientais e avaliações de engenharia. Esse conjunto de informações servirá para escolher a localização da ponte, traçar o contorno rodoviário, calcular as fundações, definir os acessos e estabelecer as dimensões da estrutura. Sem essa base, não é possível formar um orçamento confiável nem preparar a futura contratação da obra.

O contrato nº 168/2026 foi assinado pelo DNIT em 5 de maio e permanece vigente até 16 de julho de 2027. A Engeplus Engenharia e Consultoria lidera o consórcio, formado também pela Projecta – Projetos e Consultoria. As empresas venceram a Concorrência Eletrônica nº 90304/2025, aberta especificamente para os estudos e projetos da ponte e do contorno de Rodrigues Alves, na BR-364.

A separação da ponte em uma contratação própria encerra, pelo menos nesta fase, um problema criado anos antes, quando o empreendimento foi colocado dentro do projeto de ligação rodoviária entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. O Edital nº 130/2021 do DNIT reuniu os projetos básico e executivo da estrada internacional e incluiu a travessia sobre o Rio Juruá.

A estrada provocou reação de organizações indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas, que recorreram à Justiça contra o processo. A ação questionou a falta de estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental e a ausência de consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas afetados pela rota até o Peru.

A Justiça Federal declarou a nulidade do edital em junho de 2023. A decisão atingiu todo o processo, inclusive o trecho da ponte, embora o Ministério Público Federal e as organizações autoras tenham defendido que a travessia fosse separada da estrada internacional. O MPF sustentou que a ponte atende uma necessidade local, não alcança diretamente as comunidades indígenas envolvidas no conflito da rodovia e poderia facilitar o acesso da população a serviços essenciais.

O aproveitamento da antiga licitação não foi autorizado. A saída permitida foi abrir um novo processo, restrito à ponte e aos acessos de Rodrigues Alves. A Concorrência nº 90304/2025 e o contrato assinado em maio de 2026 nasceram desse caminho. A travessia deixou de carregar, no mesmo pacote administrativo, as disputas ambientais e territoriais da estrada até Pucallpa.

Em junho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Salatiel Magalhães criticou a decisão de manter a ponte vinculada ao projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Com a ligação internacional cercada por questionamentos judiciais, ambientais e indígenas, a travessia de Rodrigues Alves também ficou presa ao mesmo processo.

“Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou o prefeito.

Para Salatiel, a ponte não pode ser tratada apenas como parte de uma futura rota internacional. A estrutura atenderá primeiro uma necessidade cotidiana dos moradores de Rodrigues Alves e dos demais municípios do Vale do Juruá, onde a travessia ainda depende de balsa. A cobrança feita pelo prefeito ajuda a explicar a mudança adotada depois pelo DNIT: retirar a ponte do conjunto da estrada até o Peru e abrir uma contratação específica para os estudos e projetos da travessia.

A ponte entrou na carteira do Novo PAC em 2023, ainda na área de planejamento. A inclusão no programa federal manteve o empreendimento no orçamento e na estrutura administrativa do DNIT, mas não eliminou a necessidade de projeto, licenciamento, recursos para a construção e licitação da empresa executora.

Em fevereiro de 2026, o governo do Acre divulgou uma previsão atribuída ao DNIT de início da construção ainda naquele ano e conclusão em 2028. O calendário conhecido agora não permite tratar esse prazo como confirmado. O contrato assinado em maio cuida apenas dos estudos e projetos e pode seguir até julho de 2027. Mesmo que os trabalhos sejam entregues antes do encerramento da vigência, a construção continuará condicionada à aprovação técnica e a uma nova concorrência pública.

A urgência da ponte aparece de forma mais clara longe das cerimônias oficiais. Em 2022, o MPF levou ao processo o caso de um idoso que precisou atravessar o Rio Juruá em uma maca enquanto a embarcação capaz de transportar ambulâncias estava em manutenção.

A presença dos técnicos da Engeplus–Projecta em Rodrigues Alves é o passo mais concreto dado desde a anulação do antigo edital. Ainda assim, a ponte permanece no papel. A mudança decisiva virá quando o DNIT receber e aprovar os projetos, definir o custo real da estrutura, garantir o dinheiro da construção e publicar a licitação da obra. Até lá, o morador continuará olhando o nível do Juruá antes de saber quanto tempo levará para chegar ao outro lado.

Deputado Clodoaldo e vice-prefeita Delcimar cobram melhorias na BR-364 em Cruzeiro do Sul

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues e a vice-prefeita de Cruzeiro do Sul, Delcimar Leite, estiveram no DNIT nesta terça-feira, 14, para buscar informações sobre a reconstrução da BR-364 e cobrar melhorias em trechos da rodovia no município. A agenda tratou de pontos como Massipira, Variante e a região que segue até a comunidade Liberdade.

“Viemos buscar informações sobre a BR-364, tanto na região do Massipira como na Variante, em Cruzeiro do Sul, naquela proximidade que chega até o Liberdade, para saber quais são os trabalhos previstos para melhorar esses trechos”, afirmou Clodoaldo.

A reunião também incluiu a solicitação de implantação de uma faixa elevada na comunidade Lagoinha. A demanda foi apresentada após pedido de moradores da região, que procuraram Delcimar em busca de apoio para levar a reivindicação ao órgão responsável.

“Foi uma solicitação dos moradores da Lagoinha, que me procuraram e pediram ajuda para que eu viesse ao DNIT tratar da implantação de uma faixa elevada naquela comunidade”, disse Delcimar.

O pedido tem como foco melhorar a segurança de pedestres e moradores que circulam pela localidade. A pauta foi apresentada ao superintendente estadual do DNIT, Ricardo Araújo, durante a reunião.

Produtores rurais interditam BR-364 e cobram recuperação de ramais em Cruzeiro do Sul

Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.

O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.

Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.

A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.

Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.

Governo federal vai revisar tarifas de pedágio da BR-364 em Rondônia

O governo federal decidiu reavaliar os cálculos usados para definir as tarifas de pedágio no trecho concedido da BR-364, entre Vilhena e Porto Velho, em Rondônia. A medida foi anunciada neste fim de semana após uma reunião, em Brasília, entre a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, representantes do setor produtivo, empresários do transporte, vereadores de Vilhena e lideranças ligadas ao transporte de cargas.

A comitiva relatou problemas no funcionamento do sistema eletrônico de cobrança, como débitos em duplicidade, além dos atrasos provocados por trechos operados no sistema “pare e siga”. Transportadores afirmam que as falhas aumentam os custos das viagens e prejudicam o cumprimento dos prazos de entrega.

Empresários presentes no encontro informaram que as cobranças duplicadas podem superar R$ 100 mil por mês em algumas empresas. Os valores seriam devolvidos posteriormente, mas o período entre o débito e o ressarcimento compromete o fluxo de caixa das transportadoras.

Durante a reunião, Miriam Belchior entrou em contato com a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT deverá fazer uma nova análise dos parâmetros usados na composição das tarifas e concluir o trabalho em até 60 dias.

A revisão poderá reduzir os valores cobrados dos motoristas, caso sejam encontradas distorções nos cálculos. O procedimento também deverá avaliar as reclamações relacionadas ao reconhecimento de placas e ao processamento das cobranças pelo sistema de livre passagem, conhecido como free flow.

O encontro foi articulado pelo ex-senador Acir Gurgacz. “Nosso papel é levar os problemas de Rondônia diretamente a quem pode resolvê-los. Foi isso que fizemos, ao lado dos empresários, dos caminhoneiros e das lideranças de Vilhena”, afirmou.

A concessão administrada pela Nova 364 abrange 686,7 quilômetros da rodovia, entre Vilhena e Porto Velho. O contrato foi assinado em julho de 2025, tem duração de 30 anos e começou a operar em agosto daquele ano. A cobrança do pedágio eletrônico teve início em 12 de janeiro de 2026.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana defende união pelo Acre articulação para o desenvolvimento

Jorge Viana atravessou a manhã desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, no estúdio da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, tentando deslocar a conversa da briga eleitoral para uma ideia mais ampla de reconstrução do Acre. Pré-candidato ao Senado, ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da ApexBrasil, ele falou de ramais, BR-364, café, juventude, internet, ferrovia, meio ambiente, ponte, setor produtivo e diálogo político, sempre tentando amarrar a própria trajetória à promessa de voltar a ser útil ao estado. “Não é uma caminhada pra derrotar ninguém. É uma caminhada pra ver se o Acre vence”, disse, numa das frases que melhor resumiram a entrevista.

A fala de Jorge foi além da cobrança por ramais e BR-364. Nos ramais, ele cobrou planejamento do governo estadual e parceria com as prefeituras. Na BR-364, porém, o tom foi outro: ele não tratou a estrada apenas como uma cobrança externa, mas como uma frente que afirma ter assumido diretamente, mesmo sem mandato, por meio da relação que mantém com o governo federal e com o ministro responsável pela área. “Eu mesmo sem mandato, como tenho relação com o governo federal, com o ministro, eu liguei e estou tentando ajudar na estrada”, afirmou. A diferença é importante porque separa dois movimentos da entrevista: de um lado, Jorge critica a desorganização dos ramais; de outro, tenta se apresentar como alguém capaz de trazer solução para a rodovia que liga o Juruá ao restante do Acre.

Quando falou da BR-364, Jorge recuperou a memória do período em que o governo estadual assumiu responsabilidades sobre rodovias federais por meio de obras delegadas. Disse que buscou a delegação da BR-364 e da BR-317 ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que, naquela época, acumulou estradas federais, estaduais e ramais. “Botei nas minhas costas”, contou. “Eu tinha os ramais, as estradas estaduais, as federais nas minhas costas. Meu amigo, eu dei conta.” Agora, com a BR-364 sob responsabilidade federal, Jorge disse ter chamado engenheiros, montado um plano e atuado para melhorar o trecho entre Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, Rio Liberdade e Rio Gregório. “Nós montamos um plano, o ministro veio aqui, até agosto, setembro, a estrada vai estar regular.”

A cobrança que ele aceitou para si foi pública. Jorge reconheceu que, ao assumir participação na articulação da BR-364, também se coloca sob pressão. “Se não melhorar, eu vou ter que vir aqui me explicar, vou ser cobrado. Vocês cobram, e eu acho que esse é o papel da imprensa mesmo, cobrar todos nós”, disse. Em seguida, traduziu o que considera uma rodovia minimamente aceitável para quem vive no Juruá: “O ônibus não pode ficar fazendo em 18 horas. Ele tem que voltar a fazer em 12 horas daqui pra Rio Branco. Um carro não pode demorar 15 horas, 14 horas, pra fazer e com risco de quebrar na viagem. Tem que voltar a fazer em nove horas, oito horas e meia.”

Nos ramais, a fala foi de cobrança direta. Jorge voltou ao Santa Luzia e contou ter ouvido agricultores preocupados com a produção que não consegue sair da propriedade. “Estão perdendo carregamento de banana”, afirmou. A cena é pequena, mas resume um drama antigo do Acre: quando o ramal fecha, o prejuízo nasce na roça, chega ao mercado e termina no preço pago por quem mora na cidade. “O produtor não botando o produto no mercado, vai ficar mais caro os produtos que tem pro consumidor e afeta todo mundo”, disse. Para Jorge, “trabalhar com ramal é você abraçar o cara que produz e que põe a comida na mesa das pessoas que vivem na cidade”.

A crítica aos ramais passou pelo calendário. Jorge insistiu que a operação precisa nascer no inverno para funcionar no verão. “Você tem um inverno todinho pra planejar a atuação no verão”, disse. Depois, apertou o ponto: “Você tem que planejar quando está chovendo. Nos escritórios não dá pra trabalhar na área rural. Planeja tudo pra, quando chegar em abril, estar com as máquinas arrumadinhas, e em maio tem que estar a todo vapor. Nós já estamos em julho. Já foi.” Ele também afirmou ter ouvido relatos de confusão envolvendo emendas e orçamento, mas evitou transformar o assunto em acusação fechada. “Eu não estou querendo entrar nisso porque eu não estou ocupando cargo público”, disse, antes de completar que “tem que saber o que é que está acontecendo”.

A saída defendida por Jorge passa por convênios bem feitos entre Estado e municípios. Ele não colocou o Deracre sozinho como resposta para toda a malha rural e também não transferiu a conta integralmente para os prefeitos. “Eu aconselho a governadora, aconselho o Deracre: faz o trabalho com as prefeituras”, afirmou. Na visão dele, o Estado deve entrar com coordenação, combustível e apoio, enquanto as prefeituras mobilizam máquinas e equipes que conhecem os pontos críticos. “Se fizer convênios bem feitos, com combustível e mobilizando as máquinas, amigo, dá. Tem ramal que precisa de uma raspagem pra deixar de ficar interditado. Senão, vai vir chuva, e aí, amigo, nem mel nem cabaça.”

A pré-candidatura ao Senado apareceu no meio dessa agenda como consequência da tentativa de Jorge de vender experiência, trânsito político e capacidade de articulação. Ele não negou o PT, mas recusou a ideia de disputar apenas uma guerra partidária. “O PT é meu partido, mas eu estou disputando como Acre”, disse. “Isso não é desrespeito à minha história nem ao partido.” Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Eu não posso aqui querer pegar com minha história e botar uma candidatura: olha, isso aqui é pro partido tal derrotar o partido tal. Não, estou fora disso.” O que Jorge tenta construir é uma pré-candidatura com sotaque de serviço público, menos presa à sigla e mais apoiada na comparação entre o que diz ter feito e o que promete destravar.

Essa tentativa de reposicionamento ficou clara quando ele falou da relação com prefeitos e adversários. “Se for eleito senador, com a minha experiência, vou trabalhar pelo Acre, para trabalhar para todo mundo, de tudo que é partido. Não importa. Eu vou ter que trabalhar com todos os prefeitos”, afirmou. O discurso é calculado para um Acre cansado de briga política e acostumado a ver obras travarem quando a disputa eleitoral passa a valer mais que a necessidade da população. “Quem está querendo disputar eleição majoritária tem que sair dessa polarização idiota”, disse. “Na vida pública, o Acre está precisando é de união e trabalho.”

A frase “o Acre nos une” apareceu quando Jorge falou do encontro com o cantor Leonardo durante a Expoacre Juruá. O episódio, que poderia ficar apenas no anedotário da política, virou argumento para defender convivência com pessoas de campos diferentes. “Eu não fecho a porta pra ninguém”, disse. “Em vez de ficar numa guerra ideológica, eu não estou em guerra ideológica. Ninguém vai me pôr numa guerra ideológica só porque alguém votou no Bolsonaro.” Em seguida, costurou a mensagem que deseja levar para a pré-campanha: “Eu tenho lado, mas eu respeito o lado das pessoas. Será que a gente não pode estar junto numa causa que é o Acre?”

Jorge também levou para a entrevista a defesa do setor produtivo, especialmente do café. Falou como político, mas também como produtor. Disse que o café gera emprego, movimenta pequenas propriedades e pode formar uma nova classe média rural em municípios como Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. “Não tem nenhuma atividade que gere mais emprego do que o café. Eu sou plantador de café. Não tem. Ela gera muito emprego e todo mundo está plantando”, afirmou. A proposta apresentada por ele foi transformar o peso do ICMS em instrumento de financiamento. “Pega os sete por cento e diz: você não me paga, vai pra um fundo. Vai ajudar as cooperativas a funcionar, os sete por cento que deveriam ir pro governo pra financiar os pequenos, pro pequeno poder ter irrigação.”

A fala sobre café abriu caminho para uma agenda mais ampla de produção. Jorge contou ter visitado serraria, cerâmica e cooperativas em Cruzeiro do Sul e Nova Cintra, citou a bioeconomia, o uso da argila e a força de empresas locais. “Eu quero trabalhar muito nesse mandato com o setor produtivo”, afirmou. Para ele, os gargalos estão claros: ramal, passivo ambiental e crédito. “Hoje o maior problema dos produtores rurais do Acre é ramal. O segundo é resolver o passivo ambiental, ou até o primeiro. E o outro é a gente ter linha de crédito.” Nesse ponto, a entrevista deixou de ser apenas sobre estrada e entrou no coração da economia acreana: produzir mais, transportar melhor e vender com menos isolamento.

O meio ambiente apareceu como parte dessa mesma equação. Jorge reagiu às críticas que tentam transformar a pauta ambiental em inimiga automática do desenvolvimento e lembrou sua atuação como relator do Código Florestal. “Fui eu que fui o relator e aprovei o Código Florestal. Tirei a polícia de dentro das propriedades”, afirmou. Depois, disse que a lei não foi implementada como deveria e que muitos produtores continuam com problemas de embargo e passivo ambiental. “Eu quero ser o ajudador de resolver problema do povo do Acre, dos agricultores”, disse. Mas impôs uma condição: “Se não for uma pessoa que respeita o meio ambiente, que respeita o direito dos índios, que respeita o uso da terra, nós estamos vendo crise climática, amigo.”

A ligação com o Peru e a ferrovia também entraram no debate. Jorge defendeu a ferrovia como projeto estratégico para a Amazônia, mas rejeitou a ideia de que uma obra desse tamanho avance sem projeto, viabilidade, respeito a povos indígenas e acordo com o país vizinho. “Óbvio que uma ferrovia eu defendo e vou defender sempre, porque a Amazônia deveria ter trabalhado ferrovia desde o começo”, disse. Em seguida, puxou a conversa para o terreno concreto: “Quem vai viabilizar por onde a ferrovia passa é o governo peruano, porque ela tem que sair no lugar e ser feita dentro de outro país. Não é Jorge Viana, não é senador A, nem B, nem C.” Questionado sobre o traçado ideal, respondeu: “Se eu pudesse ter uma ferrovia que vem ao longo da BR-364 até Cruzeiro do Sul, nota dez.”

Ao falar da ponte de Rodrigues Alves, Jorge negou que Marina Silva tenha relação com a paralisação da obra e chamou a acusação de mentira. Disse que o projeto está em elaboração e defendeu uma solução provisória para reduzir o isolamento enquanto a ponte não sai. O tema serviu para reforçar uma linha recorrente da entrevista: obra pública, no Acre, não pode ser apenas promessa de campanha; precisa de projeto, licitação, recurso, execução e manutenção. Foi essa lógica que ele usou também ao falar da BR-364, dos ramais, da ferrovia e da produção.

A parte mais humana da conversa veio quando Jorge contou ter encontrado no aeroporto uma mãe com a filha prestes a deixar o Acre rumo a Santa Catarina, depois de outros dois filhos já terem ido embora. “Cara, dividir uma família”, disse. “E o que eles estão fazendo lá? Jovens tentando a melhor sorte em outro lugar.” A história abriu a defesa de internet de qualidade, fibra óptica e trabalho remoto como política de permanência da juventude. “Por que a gente não abre porta pro jovem aqui? Por que a gente não põe fibra óptica aqui? Põe internet de qualidade”, afirmou. Depois, resumiu a ambição: “O Acre pode ter a melhor internet da Amazônia. Eu só queria isso. E aí isso vai vir em serviço, emprego, principalmente pra juventude.”

A entrevista terminou com Jorge tentando ocupar um espaço político que mistura memória, prestação de contas e promessa de futuro. Ele citou o Hospital do Juruá, aeroportos, pontes, eletrificação rural, estradas e a experiência na ApexBrasil para dizer que sabe operar dentro e fora de Brasília. “Nesse trabalho meu da Apex, eu consegui criar uma relação fora do Brasil e dentro de Brasília com todo setor produtivo, e eu quero botar tudo isso a favor do Acre”, afirmou. A mensagem central não foi apenas a de quem cobra ramais ou fala da BR-364. Foi a de quem tenta convencer o eleitor de que pode articular estrada, produção, crédito, meio ambiente, internet, juventude e diálogo político numa mesma agenda. “Eu queria essa candidatura pelo futuro do Acre”, disse. Na fase correta do calendário, é pré-candidatura; no discurso, Jorge já trabalha para transformar essa condição numa ideia de retorno ao centro das decisões do estado.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

No “Aqui Tem Acre”, Jorge Viana e Binho Marques apresentam plano para recuperar BR-364

Os ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques apresentaram, em episódio do podcast Aqui Tem Acre, um plano de recuperação para a BR-364, principal corredor rodoviário do Acre. A proposta prevê intervenções em 15 quilômetros de trechos considerados intrafegáveis e manutenção em outros 65 quilômetros com condições precárias, com foco no deslocamento entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

Jorge Viana afirmou que o diagnóstico da rodovia foi feito após avaliação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, para definir os pontos mais críticos da estrada. A previsão apresentada no programa é que as intervenções avancem ao longo dos próximos meses e melhorem o fluxo de veículos até setembro.

“Não se trata apenas de política, é uma questão de cidadania. A estrada é o meio pelo qual chegam a saúde, a educação e a segurança para a população do Acre”, disse Viana ao defender a recuperação da rodovia mesmo fora de um cargo executivo.

A BR-364 voltou ao centro do debate político por causa das dificuldades de tráfego em trechos afetados pelo solo amazônico, pelas chuvas e pela falta de manutenção permanente. A estrada liga regiões estratégicas do estado e tem impacto direto no transporte de passageiros, alimentos, combustíveis, insumos e serviços públicos.

Binho Marques afirmou que as más condições da rodovia ampliam o isolamento de comunidades e dificultam o acesso da população a direitos básicos. Ele também criticou adversários políticos que, na avaliação dele, tratam o tema como disputa eleitoral sem apresentar soluções para o problema.

“Enquanto o Jorge trouxe o ministro dos Transportes e um plano técnico de ação, há quem prefira apenas a crítica vazia”, afirmou Marques durante a conversa.

Os ex-governadores também defenderam a união da bancada federal do Acre para garantir a continuidade dos investimentos na rodovia. O plano discutido no podcast inclui soluções de engenharia de longo prazo, com obras estimadas em mais de R$ 3 bilhões para adequar a estrada às condições do solo e do clima da região.

O programa também resgatou obras realizadas durante as gestões de Jorge Viana e Binho Marques no governo do Acre. Entre os projetos citados estão a pavimentação de estradas, a construção de pontes e ações voltadas à integração regional.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Prefeito de Rodrigues Alves diz que ponte ficou parada por ter sido amarrada à estrada para o Peru

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, afirmou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, que a ponte sobre o Rio Juruá continua sem execução porque foi colocada dentro do projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Para ele, a obra deveria ter sido tratada separadamente, já que a necessidade da ponte é local e imediata, enquanto a rodovia internacional envolve licenciamento, consulta a povos indígenas, estudos ambientais e uma disputa jurídica bem mais ampla. “Hoje nós todos sabemos da importância de nós termos ali aquela ponte em Rodrigues Alves”, disse o prefeito.

A ponte é prometida há décadas e seria a ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Hoje, a travessia depende da balsa. A própria conversa no programa nasceu desse ponto: não dá para falar de Rodrigues Alves sem falar da ponte. A BR-364 passa nas proximidades da frente do município, abaixo da travessia da balsa, numa área onde os limites de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima se encontram. Essa localização torna a obra mais do que uma demanda municipal. Ela mexe com o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, comerciantes, produtores rurais e moradores que dependem de Cruzeiro do Sul para serviços públicos, saúde, comércio e transporte.

Salatiel disse que a ponte acabou presa ao mesmo processo da estrada para o Peru. “Antes se dizia que ia ter a construção da estrada até o Peru e que o projeto da ponte estava dentro desse projeto dessa estrada. Depois veio o embargo pelo Ministério Público Federal dessa rodovia, onde não tiveram como executar a ponte porque estava dentro desse projeto”, afirmou. A explicação do prefeito coincide com o histórico do edital nº 130/2021 do DNIT, questionado judicialmente por entidades indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas por falta de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e por ausência de consulta prévia a povos indígenas afetados pela rodovia até Pucallpa.

O ponto central da entrevista foi a crítica ao erro de origem. Chico Melo questionou se a ponte não deveria ter ficado fora do pacote da estrada internacional. Salatiel concordou. Para o prefeito, assim que o projeto maior foi embargado, o caminho deveria ter sido retirar a ponte daquele processo e criar uma tramitação independente em Brasília. “No próprio instante que o projeto foi embargado pelo Ministério Público Federal, era também, se possível, imediatamente ali, que se tivesse feito os mecanismos lá em Brasília para que rapidamente tirasse a ponte desse projeto”, disse.

A crítica do prefeito foi além da demora. Salatiel disse que já havia projeto e estudo para a ponte, mas a obra voltou para uma nova rodada de etapas técnicas. “Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou. Na avaliação dele, a burocracia transformou uma obra regional em promessa permanente. “As pessoas burocratizam muito as coisas que findam deixando de desenvolver uma região”, afirmou.

O contexto jurídico da ponte é mais específico do que a discussão pública costuma apresentar. Em 2023, a SOS Amazônia afirmou ser favorável à construção da ponte sobre o Rio Juruá entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul e defendeu que a ação civil pública contra a estrada para Pucallpa preservava a ponte. O MPF também afirmou que pediu a nulidade do edital da rodovia, mas tentou excluir do bloqueio o trecho da ponte sobre o Rio Juruá. A Justiça Federal não liberou o aproveitamento da licitação embargada, mas admitiu a possibilidade de novas licitações específicas para a ponte.

Esse detalhe muda o peso da discussão. A ponte não foi barrada por ser considerada desnecessária. O problema foi o caminho escolhido para tentar tirá-la do papel, uma escolha politica, com apoio da bancada federal do Acre na época. Ao entrar junto da ligação até o Peru, a obra passou a carregar o mesmo conflito da rodovia internacional, que envolve impacto ambiental, consulta a povos indígenas e abertura de uma rota até Pucallpa. Para Rodrigues Alves, a demanda é outra: atravessar o Rio Juruá sem depender de balsa.

Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes incluiu a ponte no pacote de obras rodoviárias do Acre. A pasta anunciou R$ 875 milhões para rodovias no estado e previu estudos e projetos básicos e executivos de engenharia para a construção da ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, na BR-364. O investimento anunciado para essa etapa foi de R$ 1,9 milhão, com estrutura prevista de cerca de sete quilômetros.

Na entrevista, Salatiel tentou separar o que é promessa antiga do que é necessidade concreta. Para ele, a ponte não atenderia apenas Rodrigues Alves. “Aquela ponte não vai desenvolver só o município de Rodrigues Alves, ela vai desenvolver a região do Juruá”, disse. A frase resume a cobrança política que permanece sobre a obra: enquanto o projeto não avança para execução, a população continua dependendo da balsa, e Rodrigues Alves segue com uma barreira física entre sua sede, Cruzeiro do Sul e o restante da malha de serviços da região.