DNIT abre licitação de R$ 747 milhões para reconstrução de trecho da BR-364 no Acre

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) abriu uma licitação estimada em R$ 747,45 milhões para reconstruir 104,2 quilômetros da BR-364 no Acre. A obra contempla o trecho entre Sena Madureira e a região do Rio Macapá, além do acesso ao município de Manoel Urbano, e integra o plano de recuperação da principal rodovia de ligação entre Rio Branco e o Vale do Juruá.

A concorrência eletrônica nº 90228/2026 abrange 97,8 quilômetros da BR-364, entre os quilômetros 272,90 e 370,70, e outros 6,4 quilômetros do acesso a Manoel Urbano. O prazo para apresentação das propostas terminou na quinta-feira (17), e o processo segue agora para as próximas etapas da licitação até a contratação da empresa responsável pelos serviços.

O trecho faz parte do Lote 4 do projeto de reconstrução da BR-364 no interior do Acre. A intervenção prevê a recuperação estrutural do pavimento, com a utilização de macadame hidráulico, técnica formada por camadas de pedras de diferentes tamanhos que são compactadas para aumentar a resistência da base da rodovia.

O método foi escolhido para melhorar a durabilidade da pista diante das condições do solo acreano e do intenso período de chuvas. A proposta é reduzir deformações no pavimento e aumentar a capacidade da estrada de suportar o tráfego durante todo o ano.

O projeto faz parte de um planejamento mais amplo para reconstruir 416,4 quilômetros da BR-364 entre Sena Madureira e o Rio Liberdade. A previsão é de investimentos que podem chegar a cerca de R$ 5 bilhões, distribuídos em quatro lotes.

Além do trecho entre Sena Madureira e o Rio Macapá, o planejamento inclui aproximadamente 119,9 quilômetros entre o Rio Macapá e Feijó, 130,3 quilômetros entre Feijó e o Rio Gregório e outros 62 quilômetros entre o Rio Gregório e o Rio Liberdade.

A execução de todos os lotes deve ocorrer de forma gradual, conforme o avanço das licitações e a liberação dos recursos previstos para a rodovia. Enquanto as obras de reconstrução não chegam a todos os segmentos, contratos de manutenção e recuperação continuam sendo utilizados para manter o tráfego em diferentes pontos da BR-364.

A rodovia é a principal ligação terrestre entre a capital e os municípios do Vale do Juruá, sendo utilizada diariamente no transporte de passageiros, alimentos, combustíveis e outros produtos. A reconstrução busca substituir reparos emergenciais por intervenções estruturais capazes de ampliar a vida útil da estrada.

Foto: Sérgio Vale

Ônibus com estudantes tomba na BR-364 durante viagem para premiação em Rio Branco

Um ônibus que levava estudantes e profissionais da educação para uma cerimônia de premiação em Rio Branco tombou por volta das 9h desta segunda-feira (7), na BR-364, entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, no interior do Acre. O veículo atingiu um poste às margens da rodovia. Não houve registro de feridos, e a viagem foi interrompida. O grupo está sendo levado de volta a Cruzeiro do Sul.

A comitiva seguia para a capital para participar, na terça-feira (8), da premiação do projeto Estudantes em Movimento. A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) informou que viajavam nove estudantes, três professoras e uma representante da pasta. Os alunos são das escolas estaduais Indígena Ixubãy Rabui Puyanawa, de Mâncio Lima; Maria Lima de Souza, de Cruzeiro do Sul; e Francisco Braga de Souza, de Rodrigues Alves.

O acidente ocorreu na região da comunidade Liberdade. A SEE situou o tombamento no km 89 da rodovia, enquanto a informação inicial publicada pela ContilNet apontava o km 7, logo após a comunidade. A localização quilométrica exata ainda não foi esclarecida.

A secretaria acionou suas equipes em Tarauacá e Feijó e a Secretaria de Estado de Segurança Pública para prestar apoio aos ocupantes. A pasta também informou que acompanha o retorno da comitiva e oferece assistência aos envolvidos e seus familiares.

O secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Prates, assinou a nota oficial sobre a ocorrência. O comunicado não detalha a dinâmica do acidente nem informa o que provocou o tombamento. Também não há confirmação sobre eventual participação dos estudantes na cerimônia após o retorno a Cruzeiro do Sul.

Prefeitura de Feijó decreta três dias de luto após acidente com três mortos na BR-364

A Prefeitura de Feijó decretou neste domingo (30) três dias de luto pela morte de Verony da Costa Viana Silva, Antônio Carlos Parente da Silva e Nahyure Antonieta Gomes de Oliveira. Os três moradores do município morreram após uma colisão registrada durante a madrugada na BR-364, no trecho entre Tarauacá e Feijó, no interior do Acre.

O acidente ocorreu por volta das 4h20, no quilômetro 15 da rodovia, no sentido Tarauacá–Feijó. As vítimas estavam em motocicletas quando foram atingidas por um Jeep Renegade que trafegava no mesmo sentido. Antônio Carlos e Verony morreram no local.

Nahyure foi encontrada com vida e levada em estado grave para atendimento médico no Hospital Dr. Sansão Gomes, em Tarauacá. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. Uma quarta pessoa envolvida na ocorrência também foi socorrida.

O motorista do Jeep permaneceu nas proximidades do local e foi preso pela Polícia Militar. Ele apresentava sinais aparentes de embriaguez e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. As circunstâncias da colisão serão apuradas pelas autoridades.

Ao anunciar o luto, o prefeito Delegado Railson prestou solidariedade às famílias e aos amigos das vítimas. “Que Deus abençoe e conforte cada familiar e amigo neste momento de muita dor e sofrimento. Nossos irmãos deixarão saudades em nossos corações, cumpriram suas missões e, agora, descansam em paz”, afirmou.

A nota de pesar divulgada pela administração municipal também lamenta as três mortes e manifesta solidariedade aos familiares. O período de luto foi determinado em homenagem às vítimas do acidente.

Flávio Bolsonaro promete ligação rodoviária do Acre com o Peru em vídeo divulgado por Márcio Bittar

O senador Márcio Bittar, candidato à reeleição pelo Acre, divulgou um vídeo em que Flávio Bolsonaro assume o compromisso de apoiar uma ligação rodoviária entre o estado e o Peru. Na gravação, Bittar apresenta a obra como estratégica para ampliar a integração internacional e pede que Flávio assuma publicamente o compromisso de executá-la em um eventual governo.

Bittar inicia o vídeo fazendo uma defesa de Jair Bolsonaro e afirma que o ex-presidente precisa do apoio de seus aliados. Em seguida, lembra que Bolsonaro discutiu com autoridades peruanas o aprofundamento das relações entre os dois países e cita a reconstrução da BR-364 e a continuidade da conexão rodoviária entre Cruzeiro do Sul e o território peruano.

“Você pode, em nome do teu pai, em nome de todo o povo acreano, assumir esse compromisso?”, pergunta Bittar.

Flávio Bolsonaro responde que a infraestrutura estaria entre as prioridades de seu governo e afirma que pretende organizar as contas públicas para ampliar os investimentos no Acre.

“Márcio Bittar e povo do Acre. O compromisso está assumido. Infraestrutura vai ser uma prioridade no nosso governo”, declarou.

Na sequência, Flávio relaciona a proposta à criação de uma rota de integração entre o Brasil e mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico. Ele afirma que a ligação representa um caminho mais curto para o comércio internacional e diz que a distância restante não pode impedir a execução do projeto.

“É a conexão do Brasil com a Ásia. É o caminho mais curto, mais efetivo. E não são duzentos quilômetros que vão separar a prosperidade no Acre do futuro do nosso Brasil”, afirmou.

Flávio encerra a declaração reforçando o compromisso apresentado por Bittar. “Pode contar com esse compromisso. Essa obra vai sair.”

A ligação terrestre do Acre com o Peru é uma pauta recorrente no debate sobre infraestrutura e integração regional. No vídeo, Bittar associa diretamente a proposta à agenda de desenvolvimento do estado e tenta obter de Flávio Bolsonaro uma garantia política para a continuidade do projeto.

DNIT apresenta a Zequinha Lima projeto de reconstrução da BR-364

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes apresentou nesta terça-feira, 21, ao prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, o projeto de reconstrução da BR-364 no Acre. Durante a reunião, o superintendente regional do DNIT, Ricardo Araújo, detalhou as etapas da obra, o modelo técnico escolhido e a previsão de início dos trabalhos entre agosto e setembro.

“Viemos apresentar ao prefeito e à equipe do município todas as etapas que estão sendo executadas e o planejamento da recuperação da BR-364. Nossa meta é que, até o final de agosto, os trechos em manutenção estejam totalmente recuperados, eliminando os buracos e melhorando a trafegabilidade”, afirmou Araújo.

O projeto prevê a reconstrução de 416,4 quilômetros da rodovia entre Sena Madureira e o Rio Liberdade. O investimento total foi estimado em cerca de R$ 5 bilhões, com recursos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento. A execução deverá durar entre cinco e seis anos.

A primeira etapa terá 104 quilômetros entre Sena Madureira e Manoel Urbano, com investimento superior a R$ 714 milhões. O DNIT trabalha para concluir a licitação e iniciar as intervenções ainda no segundo semestre.

A reconstrução será feita com macadame hidráulico, técnica que utiliza camadas de pedras compactadas para formar uma base mais resistente. A solução foi escolhida após estudos sobre as características do solo acreano e os danos provocados pelas chuvas e pela infiltração de água.

“Paralelamente, estamos avançando com a licitação da reconstrução definitiva utilizando o macadame hidráulico, uma solução desenvolvida a partir de estudos do DNIT Nacional e que oferece maior durabilidade para as condições da Amazônia”, explicou o superintendente.

Zequinha Lima afirmou que a apresentação do projeto permite ao município acompanhar o planejamento da obra e reforçou a importância da estrada para os moradores do Vale do Juruá.

“A BR-364 é a principal ligação terrestre da nossa região com o restante do estado, sendo fundamental para o transporte de pessoas, mercadorias, atendimento à saúde e fortalecimento da nossa economia”, declarou o prefeito.

“Ver um planejamento técnico sendo apresentado nos dá esperança de que teremos uma rodovia mais segura, duradoura e capaz de garantir o desenvolvimento do Vale do Juruá”, acrescentou.

Enquanto a contratação da reconstrução definitiva avança, o DNIT mantém serviços emergenciais nos pontos mais danificados da rodovia. A previsão é concluir até o fim de agosto a recuperação dos trechos em manutenção para reduzir os buracos e melhorar as condições de tráfego.

Equipe inicia estudos da ponte sobre o Rio Juruá em Rodrigues Alves

Uma equipe do consórcio Engeplus–Projecta iniciou na segunda-feira, 20 de julho, em Rodrigues Alves, os levantamentos de campo para definir o projeto da ponte sobre o Rio Juruá e do contorno rodoviário do município. Contratado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes por R$ 1.997.005,87, o trabalho reúne estudos preliminares e os projetos básico e executivo de uma travessia reivindicada há anos no Vale do Juruá. A chegada dos técnicos abre uma nova fase administrativa, mas ainda não representa o início da construção: o governo federal terá de aprovar os projetos e fazer outra licitação para executar a obra.

Enquanto os profissionais começam a medir o terreno, examinar o solo e estudar os possíveis acessos, a rotina dos moradores continua presa ao movimento do rio. A ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul depende da balsa mantida pelo governo do Acre. Quando o Juruá sobe ou desce rapidamente, a lama se acumula nas rampas, máquinas precisam refazer o aterro e a embarcação aguarda condições para encostar. Para quem atravessa em busca de atendimento médico, trabalho, estudo ou transporte de mercadorias, a condição do rio ainda interfere no tempo da viagem.

O prefeito Salatiel Magalhães recebeu a equipe na tarde de segunda-feira e ofereceu apoio logístico da prefeitura aos trabalhos de campo. “Receber a equipe da Engeplus Engenharia em Rodrigues Alves representa mais um passo importante rumo à realização de um sonho histórico da nossa população”, afirmou. O município deverá ajudar com deslocamento, acesso às áreas estudadas e contato com estruturas locais necessárias aos levantamentos.

Nesta etapa, o consórcio fará levantamentos topográficos, estudos geológicos, análises ambientais e avaliações de engenharia. Esse conjunto de informações servirá para escolher a localização da ponte, traçar o contorno rodoviário, calcular as fundações, definir os acessos e estabelecer as dimensões da estrutura. Sem essa base, não é possível formar um orçamento confiável nem preparar a futura contratação da obra.

O contrato nº 168/2026 foi assinado pelo DNIT em 5 de maio e permanece vigente até 16 de julho de 2027. A Engeplus Engenharia e Consultoria lidera o consórcio, formado também pela Projecta – Projetos e Consultoria. As empresas venceram a Concorrência Eletrônica nº 90304/2025, aberta especificamente para os estudos e projetos da ponte e do contorno de Rodrigues Alves, na BR-364.

A separação da ponte em uma contratação própria encerra, pelo menos nesta fase, um problema criado anos antes, quando o empreendimento foi colocado dentro do projeto de ligação rodoviária entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. O Edital nº 130/2021 do DNIT reuniu os projetos básico e executivo da estrada internacional e incluiu a travessia sobre o Rio Juruá.

A estrada provocou reação de organizações indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas, que recorreram à Justiça contra o processo. A ação questionou a falta de estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental e a ausência de consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas afetados pela rota até o Peru.

A Justiça Federal declarou a nulidade do edital em junho de 2023. A decisão atingiu todo o processo, inclusive o trecho da ponte, embora o Ministério Público Federal e as organizações autoras tenham defendido que a travessia fosse separada da estrada internacional. O MPF sustentou que a ponte atende uma necessidade local, não alcança diretamente as comunidades indígenas envolvidas no conflito da rodovia e poderia facilitar o acesso da população a serviços essenciais.

O aproveitamento da antiga licitação não foi autorizado. A saída permitida foi abrir um novo processo, restrito à ponte e aos acessos de Rodrigues Alves. A Concorrência nº 90304/2025 e o contrato assinado em maio de 2026 nasceram desse caminho. A travessia deixou de carregar, no mesmo pacote administrativo, as disputas ambientais e territoriais da estrada até Pucallpa.

Em junho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Salatiel Magalhães criticou a decisão de manter a ponte vinculada ao projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Com a ligação internacional cercada por questionamentos judiciais, ambientais e indígenas, a travessia de Rodrigues Alves também ficou presa ao mesmo processo.

“Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou o prefeito.

Para Salatiel, a ponte não pode ser tratada apenas como parte de uma futura rota internacional. A estrutura atenderá primeiro uma necessidade cotidiana dos moradores de Rodrigues Alves e dos demais municípios do Vale do Juruá, onde a travessia ainda depende de balsa. A cobrança feita pelo prefeito ajuda a explicar a mudança adotada depois pelo DNIT: retirar a ponte do conjunto da estrada até o Peru e abrir uma contratação específica para os estudos e projetos da travessia.

A ponte entrou na carteira do Novo PAC em 2023, ainda na área de planejamento. A inclusão no programa federal manteve o empreendimento no orçamento e na estrutura administrativa do DNIT, mas não eliminou a necessidade de projeto, licenciamento, recursos para a construção e licitação da empresa executora.

Em fevereiro de 2026, o governo do Acre divulgou uma previsão atribuída ao DNIT de início da construção ainda naquele ano e conclusão em 2028. O calendário conhecido agora não permite tratar esse prazo como confirmado. O contrato assinado em maio cuida apenas dos estudos e projetos e pode seguir até julho de 2027. Mesmo que os trabalhos sejam entregues antes do encerramento da vigência, a construção continuará condicionada à aprovação técnica e a uma nova concorrência pública.

A urgência da ponte aparece de forma mais clara longe das cerimônias oficiais. Em 2022, o MPF levou ao processo o caso de um idoso que precisou atravessar o Rio Juruá em uma maca enquanto a embarcação capaz de transportar ambulâncias estava em manutenção.

A presença dos técnicos da Engeplus–Projecta em Rodrigues Alves é o passo mais concreto dado desde a anulação do antigo edital. Ainda assim, a ponte permanece no papel. A mudança decisiva virá quando o DNIT receber e aprovar os projetos, definir o custo real da estrutura, garantir o dinheiro da construção e publicar a licitação da obra. Até lá, o morador continuará olhando o nível do Juruá antes de saber quanto tempo levará para chegar ao outro lado.

Deputado Clodoaldo e vice-prefeita Delcimar cobram melhorias na BR-364 em Cruzeiro do Sul

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues e a vice-prefeita de Cruzeiro do Sul, Delcimar Leite, estiveram no DNIT nesta terça-feira, 14, para buscar informações sobre a reconstrução da BR-364 e cobrar melhorias em trechos da rodovia no município. A agenda tratou de pontos como Massipira, Variante e a região que segue até a comunidade Liberdade.

“Viemos buscar informações sobre a BR-364, tanto na região do Massipira como na Variante, em Cruzeiro do Sul, naquela proximidade que chega até o Liberdade, para saber quais são os trabalhos previstos para melhorar esses trechos”, afirmou Clodoaldo.

A reunião também incluiu a solicitação de implantação de uma faixa elevada na comunidade Lagoinha. A demanda foi apresentada após pedido de moradores da região, que procuraram Delcimar em busca de apoio para levar a reivindicação ao órgão responsável.

“Foi uma solicitação dos moradores da Lagoinha, que me procuraram e pediram ajuda para que eu viesse ao DNIT tratar da implantação de uma faixa elevada naquela comunidade”, disse Delcimar.

O pedido tem como foco melhorar a segurança de pedestres e moradores que circulam pela localidade. A pauta foi apresentada ao superintendente estadual do DNIT, Ricardo Araújo, durante a reunião.

Produtores rurais interditam BR-364 e cobram recuperação de ramais em Cruzeiro do Sul

Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.

O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.

Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.

A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.

Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.

Governo federal vai revisar tarifas de pedágio da BR-364 em Rondônia

O governo federal decidiu reavaliar os cálculos usados para definir as tarifas de pedágio no trecho concedido da BR-364, entre Vilhena e Porto Velho, em Rondônia. A medida foi anunciada neste fim de semana após uma reunião, em Brasília, entre a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, representantes do setor produtivo, empresários do transporte, vereadores de Vilhena e lideranças ligadas ao transporte de cargas.

A comitiva relatou problemas no funcionamento do sistema eletrônico de cobrança, como débitos em duplicidade, além dos atrasos provocados por trechos operados no sistema “pare e siga”. Transportadores afirmam que as falhas aumentam os custos das viagens e prejudicam o cumprimento dos prazos de entrega.

Empresários presentes no encontro informaram que as cobranças duplicadas podem superar R$ 100 mil por mês em algumas empresas. Os valores seriam devolvidos posteriormente, mas o período entre o débito e o ressarcimento compromete o fluxo de caixa das transportadoras.

Durante a reunião, Miriam Belchior entrou em contato com a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT deverá fazer uma nova análise dos parâmetros usados na composição das tarifas e concluir o trabalho em até 60 dias.

A revisão poderá reduzir os valores cobrados dos motoristas, caso sejam encontradas distorções nos cálculos. O procedimento também deverá avaliar as reclamações relacionadas ao reconhecimento de placas e ao processamento das cobranças pelo sistema de livre passagem, conhecido como free flow.

O encontro foi articulado pelo ex-senador Acir Gurgacz. “Nosso papel é levar os problemas de Rondônia diretamente a quem pode resolvê-los. Foi isso que fizemos, ao lado dos empresários, dos caminhoneiros e das lideranças de Vilhena”, afirmou.

A concessão administrada pela Nova 364 abrange 686,7 quilômetros da rodovia, entre Vilhena e Porto Velho. O contrato foi assinado em julho de 2025, tem duração de 30 anos e começou a operar em agosto daquele ano. A cobrança do pedágio eletrônico teve início em 12 de janeiro de 2026.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana defende união pelo Acre articulação para o desenvolvimento

Jorge Viana atravessou a manhã desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, no estúdio da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, tentando deslocar a conversa da briga eleitoral para uma ideia mais ampla de reconstrução do Acre. Pré-candidato ao Senado, ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da ApexBrasil, ele falou de ramais, BR-364, café, juventude, internet, ferrovia, meio ambiente, ponte, setor produtivo e diálogo político, sempre tentando amarrar a própria trajetória à promessa de voltar a ser útil ao estado. “Não é uma caminhada pra derrotar ninguém. É uma caminhada pra ver se o Acre vence”, disse, numa das frases que melhor resumiram a entrevista.

A fala de Jorge foi além da cobrança por ramais e BR-364. Nos ramais, ele cobrou planejamento do governo estadual e parceria com as prefeituras. Na BR-364, porém, o tom foi outro: ele não tratou a estrada apenas como uma cobrança externa, mas como uma frente que afirma ter assumido diretamente, mesmo sem mandato, por meio da relação que mantém com o governo federal e com o ministro responsável pela área. “Eu mesmo sem mandato, como tenho relação com o governo federal, com o ministro, eu liguei e estou tentando ajudar na estrada”, afirmou. A diferença é importante porque separa dois movimentos da entrevista: de um lado, Jorge critica a desorganização dos ramais; de outro, tenta se apresentar como alguém capaz de trazer solução para a rodovia que liga o Juruá ao restante do Acre.

Quando falou da BR-364, Jorge recuperou a memória do período em que o governo estadual assumiu responsabilidades sobre rodovias federais por meio de obras delegadas. Disse que buscou a delegação da BR-364 e da BR-317 ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que, naquela época, acumulou estradas federais, estaduais e ramais. “Botei nas minhas costas”, contou. “Eu tinha os ramais, as estradas estaduais, as federais nas minhas costas. Meu amigo, eu dei conta.” Agora, com a BR-364 sob responsabilidade federal, Jorge disse ter chamado engenheiros, montado um plano e atuado para melhorar o trecho entre Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, Rio Liberdade e Rio Gregório. “Nós montamos um plano, o ministro veio aqui, até agosto, setembro, a estrada vai estar regular.”

A cobrança que ele aceitou para si foi pública. Jorge reconheceu que, ao assumir participação na articulação da BR-364, também se coloca sob pressão. “Se não melhorar, eu vou ter que vir aqui me explicar, vou ser cobrado. Vocês cobram, e eu acho que esse é o papel da imprensa mesmo, cobrar todos nós”, disse. Em seguida, traduziu o que considera uma rodovia minimamente aceitável para quem vive no Juruá: “O ônibus não pode ficar fazendo em 18 horas. Ele tem que voltar a fazer em 12 horas daqui pra Rio Branco. Um carro não pode demorar 15 horas, 14 horas, pra fazer e com risco de quebrar na viagem. Tem que voltar a fazer em nove horas, oito horas e meia.”

Nos ramais, a fala foi de cobrança direta. Jorge voltou ao Santa Luzia e contou ter ouvido agricultores preocupados com a produção que não consegue sair da propriedade. “Estão perdendo carregamento de banana”, afirmou. A cena é pequena, mas resume um drama antigo do Acre: quando o ramal fecha, o prejuízo nasce na roça, chega ao mercado e termina no preço pago por quem mora na cidade. “O produtor não botando o produto no mercado, vai ficar mais caro os produtos que tem pro consumidor e afeta todo mundo”, disse. Para Jorge, “trabalhar com ramal é você abraçar o cara que produz e que põe a comida na mesa das pessoas que vivem na cidade”.

A crítica aos ramais passou pelo calendário. Jorge insistiu que a operação precisa nascer no inverno para funcionar no verão. “Você tem um inverno todinho pra planejar a atuação no verão”, disse. Depois, apertou o ponto: “Você tem que planejar quando está chovendo. Nos escritórios não dá pra trabalhar na área rural. Planeja tudo pra, quando chegar em abril, estar com as máquinas arrumadinhas, e em maio tem que estar a todo vapor. Nós já estamos em julho. Já foi.” Ele também afirmou ter ouvido relatos de confusão envolvendo emendas e orçamento, mas evitou transformar o assunto em acusação fechada. “Eu não estou querendo entrar nisso porque eu não estou ocupando cargo público”, disse, antes de completar que “tem que saber o que é que está acontecendo”.

A saída defendida por Jorge passa por convênios bem feitos entre Estado e municípios. Ele não colocou o Deracre sozinho como resposta para toda a malha rural e também não transferiu a conta integralmente para os prefeitos. “Eu aconselho a governadora, aconselho o Deracre: faz o trabalho com as prefeituras”, afirmou. Na visão dele, o Estado deve entrar com coordenação, combustível e apoio, enquanto as prefeituras mobilizam máquinas e equipes que conhecem os pontos críticos. “Se fizer convênios bem feitos, com combustível e mobilizando as máquinas, amigo, dá. Tem ramal que precisa de uma raspagem pra deixar de ficar interditado. Senão, vai vir chuva, e aí, amigo, nem mel nem cabaça.”

A pré-candidatura ao Senado apareceu no meio dessa agenda como consequência da tentativa de Jorge de vender experiência, trânsito político e capacidade de articulação. Ele não negou o PT, mas recusou a ideia de disputar apenas uma guerra partidária. “O PT é meu partido, mas eu estou disputando como Acre”, disse. “Isso não é desrespeito à minha história nem ao partido.” Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Eu não posso aqui querer pegar com minha história e botar uma candidatura: olha, isso aqui é pro partido tal derrotar o partido tal. Não, estou fora disso.” O que Jorge tenta construir é uma pré-candidatura com sotaque de serviço público, menos presa à sigla e mais apoiada na comparação entre o que diz ter feito e o que promete destravar.

Essa tentativa de reposicionamento ficou clara quando ele falou da relação com prefeitos e adversários. “Se for eleito senador, com a minha experiência, vou trabalhar pelo Acre, para trabalhar para todo mundo, de tudo que é partido. Não importa. Eu vou ter que trabalhar com todos os prefeitos”, afirmou. O discurso é calculado para um Acre cansado de briga política e acostumado a ver obras travarem quando a disputa eleitoral passa a valer mais que a necessidade da população. “Quem está querendo disputar eleição majoritária tem que sair dessa polarização idiota”, disse. “Na vida pública, o Acre está precisando é de união e trabalho.”

A frase “o Acre nos une” apareceu quando Jorge falou do encontro com o cantor Leonardo durante a Expoacre Juruá. O episódio, que poderia ficar apenas no anedotário da política, virou argumento para defender convivência com pessoas de campos diferentes. “Eu não fecho a porta pra ninguém”, disse. “Em vez de ficar numa guerra ideológica, eu não estou em guerra ideológica. Ninguém vai me pôr numa guerra ideológica só porque alguém votou no Bolsonaro.” Em seguida, costurou a mensagem que deseja levar para a pré-campanha: “Eu tenho lado, mas eu respeito o lado das pessoas. Será que a gente não pode estar junto numa causa que é o Acre?”

Jorge também levou para a entrevista a defesa do setor produtivo, especialmente do café. Falou como político, mas também como produtor. Disse que o café gera emprego, movimenta pequenas propriedades e pode formar uma nova classe média rural em municípios como Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. “Não tem nenhuma atividade que gere mais emprego do que o café. Eu sou plantador de café. Não tem. Ela gera muito emprego e todo mundo está plantando”, afirmou. A proposta apresentada por ele foi transformar o peso do ICMS em instrumento de financiamento. “Pega os sete por cento e diz: você não me paga, vai pra um fundo. Vai ajudar as cooperativas a funcionar, os sete por cento que deveriam ir pro governo pra financiar os pequenos, pro pequeno poder ter irrigação.”

A fala sobre café abriu caminho para uma agenda mais ampla de produção. Jorge contou ter visitado serraria, cerâmica e cooperativas em Cruzeiro do Sul e Nova Cintra, citou a bioeconomia, o uso da argila e a força de empresas locais. “Eu quero trabalhar muito nesse mandato com o setor produtivo”, afirmou. Para ele, os gargalos estão claros: ramal, passivo ambiental e crédito. “Hoje o maior problema dos produtores rurais do Acre é ramal. O segundo é resolver o passivo ambiental, ou até o primeiro. E o outro é a gente ter linha de crédito.” Nesse ponto, a entrevista deixou de ser apenas sobre estrada e entrou no coração da economia acreana: produzir mais, transportar melhor e vender com menos isolamento.

O meio ambiente apareceu como parte dessa mesma equação. Jorge reagiu às críticas que tentam transformar a pauta ambiental em inimiga automática do desenvolvimento e lembrou sua atuação como relator do Código Florestal. “Fui eu que fui o relator e aprovei o Código Florestal. Tirei a polícia de dentro das propriedades”, afirmou. Depois, disse que a lei não foi implementada como deveria e que muitos produtores continuam com problemas de embargo e passivo ambiental. “Eu quero ser o ajudador de resolver problema do povo do Acre, dos agricultores”, disse. Mas impôs uma condição: “Se não for uma pessoa que respeita o meio ambiente, que respeita o direito dos índios, que respeita o uso da terra, nós estamos vendo crise climática, amigo.”

A ligação com o Peru e a ferrovia também entraram no debate. Jorge defendeu a ferrovia como projeto estratégico para a Amazônia, mas rejeitou a ideia de que uma obra desse tamanho avance sem projeto, viabilidade, respeito a povos indígenas e acordo com o país vizinho. “Óbvio que uma ferrovia eu defendo e vou defender sempre, porque a Amazônia deveria ter trabalhado ferrovia desde o começo”, disse. Em seguida, puxou a conversa para o terreno concreto: “Quem vai viabilizar por onde a ferrovia passa é o governo peruano, porque ela tem que sair no lugar e ser feita dentro de outro país. Não é Jorge Viana, não é senador A, nem B, nem C.” Questionado sobre o traçado ideal, respondeu: “Se eu pudesse ter uma ferrovia que vem ao longo da BR-364 até Cruzeiro do Sul, nota dez.”

Ao falar da ponte de Rodrigues Alves, Jorge negou que Marina Silva tenha relação com a paralisação da obra e chamou a acusação de mentira. Disse que o projeto está em elaboração e defendeu uma solução provisória para reduzir o isolamento enquanto a ponte não sai. O tema serviu para reforçar uma linha recorrente da entrevista: obra pública, no Acre, não pode ser apenas promessa de campanha; precisa de projeto, licitação, recurso, execução e manutenção. Foi essa lógica que ele usou também ao falar da BR-364, dos ramais, da ferrovia e da produção.

A parte mais humana da conversa veio quando Jorge contou ter encontrado no aeroporto uma mãe com a filha prestes a deixar o Acre rumo a Santa Catarina, depois de outros dois filhos já terem ido embora. “Cara, dividir uma família”, disse. “E o que eles estão fazendo lá? Jovens tentando a melhor sorte em outro lugar.” A história abriu a defesa de internet de qualidade, fibra óptica e trabalho remoto como política de permanência da juventude. “Por que a gente não abre porta pro jovem aqui? Por que a gente não põe fibra óptica aqui? Põe internet de qualidade”, afirmou. Depois, resumiu a ambição: “O Acre pode ter a melhor internet da Amazônia. Eu só queria isso. E aí isso vai vir em serviço, emprego, principalmente pra juventude.”

A entrevista terminou com Jorge tentando ocupar um espaço político que mistura memória, prestação de contas e promessa de futuro. Ele citou o Hospital do Juruá, aeroportos, pontes, eletrificação rural, estradas e a experiência na ApexBrasil para dizer que sabe operar dentro e fora de Brasília. “Nesse trabalho meu da Apex, eu consegui criar uma relação fora do Brasil e dentro de Brasília com todo setor produtivo, e eu quero botar tudo isso a favor do Acre”, afirmou. A mensagem central não foi apenas a de quem cobra ramais ou fala da BR-364. Foi a de quem tenta convencer o eleitor de que pode articular estrada, produção, crédito, meio ambiente, internet, juventude e diálogo político numa mesma agenda. “Eu queria essa candidatura pelo futuro do Acre”, disse. Na fase correta do calendário, é pré-candidatura; no discurso, Jorge já trabalha para transformar essa condição numa ideia de retorno ao centro das decisões do estado.