Política

Jorge Viana diz que tirou carga ideológica da campanha ao Senado: “Minha candidatura é do Acre”

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana afirmou, durante entrevista na última noite da Expoacre Juruá, no Portal Acre, que pretende conduzir a campanha de 2026 com foco no desenvolvimento do Acre e longe da polarização partidária. Filiado ao PT, ele disse que não vai negar sua trajetória política, mas defendeu que a disputa não seja resumida a um confronto ideológico. “Eu tirei a carga ideológica da minha campanha. Minha candidatura ao Senado é uma candidatura do PT, é uma candidatura do Acre”, afirmou.

Jorge Viana disse que o estado atravessa um momento difícil e que a eleição precisa tratar de propostas concretas. “O Acre está vivendo uma fase que não é boa. Se você gastar tua energia errada, aí piora. Eu quero gastar a minha de positiva”, declarou. Ele afirmou que tem encontrado pessoas em busca de “esperança de dias melhores” e que não pretende alimentar disputas políticas diárias. “As pessoas estão querendo ter esperança de dias melhores e não querer saber qual é a briga do dia.”

Ao comentar a rejeição ao PT e ao próprio nome, o ex-governador afirmou que o cenário político mudou com a polarização dos últimos anos. “Quando eu saí do governo, eu tinha 87% de ótimo e bom. Não era de aprovação. Isso era a maior do Brasil”, disse. Na sequência, reconheceu que houve desgaste nas gestões petistas no Acre. “Teve muitos erros nos nossos últimos governos, a gente cometeu falhas graves. Os acertos são maiores, mas teve muitos erros e teve uma rejeição enorme.”

O pré-candidato avaliou que uma campanha baseada em confronto partidário tende a fracassar. “Se fizer uma campanha aí PT contra não sei o quê, vai perder”, afirmou. Para Jorge Viana, a disputa pelo Senado deve ser apresentada como um projeto estadual, não apenas partidário. “O PT é o partido que eu tenho. Ninguém vai questionar. Eu não estou negando minha história. Só estou dizendo que eu não vou votar porque o PT”, disse.

Viana também falou sobre divergências internas no partido e citou a derrota eleitoral de 2018. “O PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram outra candidatura, querendo me tirar”, afirmou. Mesmo assim, disse que não pretende transformar esse episódio em nova disputa interna. “Eu vou brigar? Não. Então não tem briga com ninguém no PT. Não tem briga com nenhum. Mas a minha candidatura é pelo Acre.”

O ex-governador defendeu uma campanha de aproximação com eleitores de diferentes campos políticos. “Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado”, declarou. Ele disse que tem visitado prefeitos e lideranças municipais para tratar de desenvolvimento, infraestrutura e serviços. “Meu propósito é ajudar o Acre, trabalhar com todo mundo, com todos os prefeitos, independente de partido.”

Ao responder sobre adversários políticos, Jorge Viana evitou ataques diretos ao senador Márcio Bittar e ao governador Gladson Cameli. “Eu não vou criticar o Márcio, não vou criticar o Gladson, não vou criticar ninguém”, disse. Em seguida, afirmou que pretende concentrar o debate em propostas como internet de qualidade, desenvolvimento econômico e recuperação de áreas estratégicas do estado. “Eu estava falando agora de botar internet de qualidade pra todo mundo, de ter um modelo de desenvolvimento.”

Viana criticou a dependência política de emendas parlamentares e cobrou planejamento para o Acre. “É uma falácia esse negócio das emendas. Fica todo mundo inventando. Arruma uma emenda pra cá, uma emenda pra lá. Cadê o plano?”, questionou. Para ele, a eleição ao Senado não deve ser movida pelo objetivo de impedir adversários de vencer. “Eu acho ruim uma pessoa ser candidata ao Senado pra derrotar isso, pra impedir que alguém não ganhe aquilo. Você tem que ser por um propósito.”

O ex-governador disse que pretende atuar em Brasília para recolocar o Acre em uma rota de crescimento. “Se eu ganhar, se o Lula for presidente, eu vou lutar pra que o Acre saia desse purgatório, desse borralho e volte a prosperar”, afirmou. “Eu vou ajudar. Então o meu propósito é esse.”

Foto: Cefas Queiróz

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