O Governo do Acre empenhou pelo menos R$ 364.999,91 para as comemorações dos 20 anos da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ do Acre, realizada em setembro, em Rio Branco. As despesas incluem R$ 335 mil para a contratação da cantora Gaby Amarantos e quase R$ 30 mil em estrutura de iluminação. Ao longo de 2026, o Estado também destinou recursos para eventos religiosos, como Marcha para Jesus, Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário de Nossa Senhora da Glória.
A maior despesa relacionada à Parada foi autorizada pela Fundação Elias Mansour (FEM) em 8 de setembro. O empenho nº 7173031741, de R$ 335 mil, cobre a contratação de Gaby Amarantos e de sua equipe para a programação dos 20 anos do evento. Desse total, R$ 167,5 mil já haviam sido liquidados e pagos até a última atualização da base consultada.
Outro empenho, de R$ 29.999,91, foi emitido em 1º de setembro para a Legalmart Serviço em Eventos. O contrato prevê a locação de equipamento de iluminação de grande porte para o palco utilizado na programação dos dias 11, 12 e 13 de setembro. O valor ainda não aparecia como liquidado ou pago.
Também foi registrado serviço de instalação e manutenção de iluminação especial na fachada do Palácio Rio Branco, com as cores do arco-íris, entre 1º e 13 de setembro. O serviço está relacionado às comemorações dos 20 anos da Parada, mas o lançamento aparece com valores zerados de empenho, liquidação e pagamento. Por esse motivo, ele não integra os R$ 364.999,91 contabilizados.
Os registros de 2026 mostram que outras programações culturais e religiosas também receberam recursos estaduais por meio de contratos, convênios, termos de fomento e emendas parlamentares.
Em maio, a FEM contratou por R$ 300 mil o cantor gospel Thalles Roberto para se apresentar na 30ª Marcha para Jesus de Rio Branco. O valor aparece integralmente empenhado, liquidado e pago.
Em 30 de junho, a Fundação empenhou e pagou R$ 500 mil ao Município de Xapuri por meio de convênio destinado à Semana Evangélica e à ExpoXapuri 2026. O recurso teve origem em emenda parlamentar do deputado Manoel Moraes. Como o convênio reúne os dois eventos no mesmo objeto, não é possível separar quanto dos R$ 500 mil corresponde especificamente à programação religiosa.
No dia seguinte, outro empenho, de R$ 73.080, foi emitido para a Life Show Produções para a locação de palco da XX Semana Evangélica de Xapuri. Na atualização analisada, a despesa ainda não havia sido liquidada nem paga.
Em julho, o governo empenhou R$ 300 mil para o Instituto Vida Plena realizar a segunda edição do Festival Gospel Day. O recurso veio de emenda parlamentar do deputado Marcus Cavalcante. O valor aparece integralmente liquidado, mas ainda sem pagamento registrado.
Os repasses também alcançaram eventos católicos. Em agosto, a Secretaria de Turismo e Empreendedorismo empenhou R$ 150 mil para a Diocese de Cruzeiro do Sul, por meio de termo de fomento, destinado a uma feira cultural relacionada ao 108º Novenário de Nossa Senhora da Glória.
A FEM destinou ainda R$ 50 mil à Diocese para programação vinculada ao mesmo Novenário e empenhou R$ 9.896,97 para uma apresentação musical na festa de encerramento. Os três registros somam R$ 209.896,97 em despesas empenhadas relacionadas à celebração.
Somados os principais registros referentes à Marcha para Jesus de Rio Branco, Semana Evangélica e ExpoXapuri, estrutura da Semana Evangélica, Gospel Day e Novenário, os empenhos chegam a R$ 1.382.976,97. O total inclui os R$ 500 mil destinados conjuntamente à Semana Evangélica e à ExpoXapuri, sem divisão individual entre as duas programações.
Em Cruzeiro do Sul, porém, a Marcha para Jesus não foi realizada em 2026. A entidade responsável pela organização informou que não tinha condições financeiras e estruturais de promover o evento sem apoio estadual.
O Governo do Acre negou que a falta de repasse tivesse motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa apoio à Marcha para Jesus, foi cancelado pela Fundação Elias Mansour em 23 de junho por causa das restrições do período eleitoral, da falta de prazo para concluir o chamamento e de apontamentos de órgãos de controle.
A administração estadual também afirmou que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. Na ocasião, classificou a situação como uma “impossibilidade legal e administrativa de financiamento”.
Os registros de despesas ao longo do ano mostram que o Estado utilizou diferentes mecanismos administrativos para financiar ou estruturar eventos culturais e religiosos em diferentes municípios. Em setembro, o mesmo tipo de apoio alcançou a programação dos 20 anos da Parada do Orgulho em Rio Branco, com contratação artística e estrutura para o evento.
Foto: Juan Diaz/Contilnet