Alan Rick critica gastos com shows e diz que governo do Acre deixa saúde em segundo plano

O senador e pré-candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) criticou nesta quinta-feira, 13, os gastos do governo estadual com shows e afirmou que os recursos deveriam ter como prioridade áreas como a saúde. Em entrevista à TV Norte, ele ampliou os ataques à atual gestão e também cobrou resultados na educação, segurança pública e na atração de indústrias para o estado.

“O governo gasta demais com shows ao invés de gastar com saúde”, afirmou Alan Rick. Na sequência, o senador resumiu sua avaliação sobre a administração estadual: “O governo tá errado em tudo”.

A declaração coloca os gastos com eventos no centro do discurso do pré-candidato contra a gestão estadual em um momento de intensificação da disputa pelo Palácio Rio Branco. Alan tem adotado como uma das principais linhas de oposição a comparação entre despesas consideradas não prioritárias e problemas enfrentados em serviços públicos.

Na educação, o senador voltou a mencionar contratos que estão sob investigação da Polícia Federal. Alan falou em R$ 51 milhões e acusou a administração de retirar recursos que deveriam atender áreas como merenda e transporte escolar. A quantia citada corresponde ao valor de contratos investigados na Operação Talha Real, deflagrada pela PF em julho para apurar possíveis irregularidades envolvendo recursos federais do Fundeb. A investigação ainda está em andamento e não há decisão definitiva que comprove desvio de todo o montante mencionado pelo senador.

Alan também acusou o governo de usar ônibus do transporte escolar para transportar pessoas para uma convenção política. “Isso é uma vergonha”, declarou.

Outro alvo foi a estrutura tecnológica das escolas. O pré-candidato criticou a compra de equipamentos sem que, segundo ele, haja conectividade suficiente nas unidades de ensino. “Não adianta comprar tablet, entregar para o aluno. Ele não tem internet na escola. Dinheiro jogado fora. Dinheiro do acreano, do contribuinte”, disse.

O senador ainda cobrou uma política de formação para professores e voltou a relacionar os problemas da educação à situação da saúde pública. Na área econômica, atacou a falta de indústrias em funcionamento na Zona de Processamento de Exportação, em Senador Guiomard, estrutura criada para receber empresas voltadas principalmente à produção e exportação.

A segurança pública completou a série de críticas. Para Alan Rick, o atual modelo não consegue devolver à população a sensação de segurança. “O Estado hoje não tem um modelo de segurança pública que torne ao acreano a sensação de segurança”, afirmou.

Ao concentrar a fala nos gastos com shows e contrapô-los às demandas da saúde e de outros serviços públicos, Alan reforça uma das linhas que pretende explorar na pré-campanha: a discussão sobre prioridades na aplicação do orçamento estadual.

Alan Rick propõe ampliar crédito rural e industrialização para gerar empregos no Acre

O candidato ao Governo do Acre, senador Alan Rick, propõe ampliar a assistência técnica e o crédito rural, incentivar a industrialização da produção e reduzir entraves para novos investimentos no estado. As medidas integram o primeiro eixo do plano de governo protocolado na Justiça Eleitoral na quarta-feira, 12 de agosto, com foco na geração de emprego e renda e no fortalecimento das atividades produtivas acreanas.

O plano concentra ações na agricultura familiar, responsável por 26.851 estabelecimentos rurais no Acre, o equivalente a 91% das propriedades. Entre os problemas enfrentados pelo setor estão as dificuldades de logística, a assistência técnica limitada, o custo elevado dos insumos e a baixa agregação de valor aos produtos.

A proposta prevê ampliar o atendimento técnico em todas as regiões do estado e facilitar o acesso dos produtores ao crédito rural. Também estão previstas ações para incentivar o uso de tecnologia no campo e fortalecer cooperativas e associações ligadas à produção.

As medidas alcançam cadeias como pecuária, café, grãos, mandioca, fruticultura, piscicultura, suinocultura, avicultura e produtos da sociobiodiversidade. A intenção é aumentar a produtividade e criar condições para que uma parcela maior da produção seja processada no próprio Acre.

O plano também prevê incentivos ao beneficiamento e à industrialização. A estratégia busca aproximar produtores, cooperativas, agroindústrias e compradores, além de ampliar a comercialização para outros estados e mercados internacionais.

A localização do Acre na fronteira com Peru e Bolívia aparece entre os pontos considerados para ampliar o comércio com países vizinhos e buscar acesso aos mercados da região do Pacífico. A proposta combina essa abertura de mercados com ações para aumentar o valor dos produtos antes da venda.

“Não podemos falar em desenvolvimento sem criar condições para quem trabalha, produz e empreende crescer. O Acre tem potencial, tem gente trabalhadora e tem riquezas. O que precisamos é fazer o Estado funcionar como parceiro, ajudando a abrir caminhos para transformar tudo isso em oportunidade, emprego e renda para a nossa população”, afirmou Alan Rick.

A bioeconomia também integra o eixo econômico do programa. As propostas incluem o aproveitamento sustentável dos recursos da floresta e o processamento de produtos da sociobiodiversidade, com participação de produtores, extrativistas, comunidades e cooperativas.

O candidato também propõe reduzir burocracias e ampliar a segurança jurídica para estimular novos negócios e investimentos. Outra medida é aproximar universidades, Embrapa, Instituto Federal do Acre e setor produtivo em projetos de pesquisa e inovação voltados ao aumento da produtividade e da competitividade.

“Nosso desafio é fazer a riqueza do Acre gerar riqueza para os acreanos. Isso significa apoiar o pequeno produtor, fortalecer o agro, incentivar a indústria, o comércio e os serviços e aproveitar de forma responsável as oportunidades da nossa floresta”, declarou o senador.

Edvaldo acusa governo Gladson de baixa execução e critica nomeações sem capacidade técnica

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o governo Gladson Cameli executou menos de 50% dos recursos disponíveis para investimentos durante os dois mandatos e atribuiu o problema à nomeação de pessoas com baixa capacidade técnica para cargos comissionados. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul.

Edvaldo afirmou que o Estado teve recursos previstos no orçamento para investimentos, mas não conseguiu transformar boa parte desse dinheiro em obras e ações públicas. Para ele, a discussão sobre a capacidade financeira do governo precisa considerar não apenas quanto dinheiro existe no orçamento, mas quanto efetivamente é executado.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado — não é um dinheiro que vai existir, é o dinheiro que existia no orçamento para investimento — e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

O percentual foi apresentado pelo próprio deputado durante a entrevista. Na participação no Jornal da Manhã. Ao explicar o impacto da baixa execução, o parlamentar relacionou investimento público à contratação de obras, geração de empregos e melhoria da infraestrutura estadual.

“Dinheiro de investimento é aquele que gera emprego, porque tu contrata obra, tu faz investimento em infraestrutura, tu faz investimento na agricultura, na infraestrutura da educação, da saúde”, disse.

Edvaldo fez a crítica mais dura ao tratar da composição administrativa do governo. Segundo ele, a dificuldade para executar os recursos disponíveis está ligada à escolha de pessoas sem preparação técnica suficiente para ocupar funções responsáveis pela elaboração e execução de projetos.

“Dos 100% do dinheiro, menos de 50%, a cada ano, ele teve a capacidade de executar. Sabe por quê? Porque encheu nos cargos comissionados de gente com baixa capacidade técnica e não consegue botar um projeto de pé e depois não consegue botar um projeto em execução”, declarou.

O deputado não citou nomes de servidores, secretários ou órgãos específicos ao fazer a acusação. A crítica foi dirigida à estrutura de cargos comissionados do governo Gladson Cameli. Durante a entrevista, não houve resposta de representante do governo estadual às declarações.

Para Edvaldo, a baixa execução dos investimentos tem reflexos diretos na economia porque reduz a capacidade do poder público de contratar obras e movimentar atividades que geram emprego. O parlamentar também relacionou esse cenário à saída de jovens acreanos para outros estados em busca de oportunidades de trabalho.

A alternativa defendida pelo deputado passa por uma reorganização da administração estadual, com maior capacidade técnica para elaborar projetos e executar os recursos disponíveis.

“Nós precisamos ter um novo pacto do desenvolvimento do Estado, onde a gente retome a nossa capacidade de investimento, retome a capacidade de gerar emprego”, afirmou.

Edvaldo também defendeu que o Acre aumente a articulação com o governo federal para conseguir recursos destinados a projetos estruturantes, principalmente para o Vale do Juruá. Na avaliação dele, divergências partidárias não devem impedir que o Estado apresente projetos e dispute investimentos em Brasília.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

A crítica à execução orçamentária foi feita durante a discussão sobre as eleições de 2026. Edvaldo confirmou na entrevista que é pré-candidato a deputado estadual e colocou a capacidade administrativa do Estado, a execução dos investimentos e a geração de empregos entre os temas que pretende defender no debate eleitoral.

TCE alerta Governo do Acre após gasto com pessoal chegar a 48,09% da receita

O Governo do Acre chegou ao primeiro quadrimestre de 2026 com a despesa de pessoal equivalente a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e próximo do teto de 49% permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O gasto acumulado com pessoal alcançou R$ 5,48 bilhões entre maio de 2025 e abril deste ano.

Com o percentual acima do limite prudencial, o Estado passa a enfrentar restrições para ampliar despesas permanentes com servidores, como criação de cargos, concessão de vantagens e novas contratações fora das exceções previstas em lei. A margem até o limite máximo ficou em apenas 0,91 ponto percentual.

No fim de 2025, o comprometimento da receita com pessoal estava em 47,99%, com despesa de aproximadamente R$ 5,37 bilhões. Nos primeiros quatro meses de 2026, o percentual voltou a crescer e aumentou a preocupação dos órgãos de controle com a capacidade financeira do Estado.

O Tribunal de Contas do Estado já havia notificado o governador Gladson Cameli, em fevereiro, sobre a ultrapassagem do limite prudencial. Na mesma decisão, a Corte também cobrou medidas relacionadas ao déficit financeiro e atuarial da Acreprevidência e maior controle sobre despesas que impactam as contas públicas.

A situação interfere diretamente na capacidade do governo de fazer novas nomeações, conceder reajustes e ampliar estruturas administrativas. Em julho, ao autorizar a nomeação de aprovados no concurso do Idaf, o TCE voltou a lembrar que o Executivo precisa respeitar as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado ainda permanece abaixo do limite máximo de 49%, mas a pequena diferença amplia a necessidade de controle da folha. Qualquer crescimento das despesas ou redução da receita pode aproximar ainda mais o governo do teto estabelecido pela legislação.

R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Sargento Adonis leva trajetória militar e força eleitoral do Juruá à chapa de Bocalom

Escolhido para disputar o cargo de vice-governador do Acre na chapa de Tião Bocalom, do PSDB, Sargento Adonis chega à eleição de 2026 com uma trajetória ligada ao Vale do Juruá, à Polícia Militar e à política de Cruzeiro do Sul. A composição amplia a presença da região na disputa pelo Governo do Estado e leva para a campanha um nome que recebeu mais de 9 mil votos na primeira eleição que disputou.

Adonis Souza nasceu na comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, em uma família que vivia do comércio pelos rios da região. O pai trabalhava como regatão, transportando e vendendo mercadorias em comunidades isoladas, enquanto a mãe era natural de Porto Walter. Nos primeiros anos de vida, a família morava em um batelão usado durante as viagens comerciais.

A mudança para a cidade ocorreu quando Adonis ainda era criança. A decisão dos pais teve como principal objetivo garantir acesso à escola para os filhos. Aos 12 anos, ele já conciliava os estudos com diferentes atividades para conseguir renda, entre elas a retirada e venda de areia, a comercialização de bolinhos de trigo e a revenda de produtos fornecidos por comerciantes de Cruzeiro do Sul.

A rotina de trabalho continuou durante a formação acadêmica. Adonis graduou-se em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre e também concluiu o curso de Direito em Rio Branco.

Posteriormente, ingressou na Polícia Militar do Acre, onde permanece na ativa. A carreira acrescentou à sua trajetória profissional a experiência na segurança pública e o contato direto com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias do Vale do Juruá.

“Durante toda a minha vida, estive servindo as pessoas com aquela atividade simples. Depois, passei a prestar um serviço de segurança pública à sociedade”, afirmou Adonis ao falar sobre a passagem do trabalho no comércio para a atuação policial.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2020. Naquele ano, Sargento Adonis disputou pela primeira vez a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e recebeu 9.077 votos. Ele terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Zequinha Lima e Jéssica Sales.

A votação municipal deu projeção ao nome de Adonis no Juruá e passou a integrar seu principal capital político para a eleição estadual de 2026. Seis anos depois da primeira candidatura, ele deixa uma disputa concentrada em Cruzeiro do Sul para integrar uma chapa que busca votos nos 22 municípios acreanos.

Adonis afirma que decidiu participar da política após acompanhar problemas relacionados à administração pública e questionar a aplicação dos recursos destinados à população.

“Eu sempre tive dentro de mim esse desejo de devolver para a sociedade, de alguma forma, aquilo que é dela por direito”, declarou.

Na chapa de Bocalom, a escolha do policial militar também estabelece uma ligação direta com o segundo maior colégio eleitoral do Acre e com os municípios do Vale do Juruá. A campanha passa a reunir, na mesma composição, uma liderança política sediada em Rio Branco e um candidato a vice com trajetória profissional, familiar e eleitoral construída no interior do estado.

Assista a entrevista:

Shows da Expoacre 2026 custaram R$ 12,7 milhões no Juruá e em Rio Branco

Os shows nacionais contratados para as edições da Expoacre 2026 em Cruzeiro do Sul e Rio Branco somaram R$ 12,7 milhões em cachês. No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da feira. Na capital, cinco contratos que atenderam seis artistas chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que já foi integralmente liquidado e pago pelo Governo do Acre.

Na Expoacre Juruá, realizada em Cruzeiro do Sul, o maior cachê previsto foi o de Leonardo, no valor de R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve R$ 1,7 milhão reservado. A dupla Ícaro e Gilmar aparece com R$ 750 mil, enquanto Tierry e padre Fábio de Melo tiveram R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação com R$ 400 mil. Os seis valores chegam a R$ 6,25 milhões.

A contratação no Juruá ocorreu dentro do Termo de Colaboração CC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. A entidade recebeu R$ 15.848.310 para executar a feira, enquanto o valor global previsto para a parceria era de R$ 16.648.310.

Os R$ 6,25 milhões destinados aos artistas aparecem de forma individual no Plano de Trabalho, mas o dinheiro da feira foi transferido pelo governo à associação em um repasse global. Por essa razão, o valor representa o custo previsto dos cachês. A confirmação do pagamento final feito a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Em Rio Branco, a contratação ocorreu diretamente pela Casa Civil. Os cinco contratos destinados às principais atrações nacionais somaram R$ 6,45 milhões e já constam como integralmente empenhados, liquidados e pagos.

O contrato de maior valor foi de R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela. Como os dois artistas foram contratados no mesmo instrumento, não há separação do valor pago individualmente a cada um.

Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu R$ 500 mil e a Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Com o contrato conjunto de Leonardo e Ana Castela, os shows da edição de Rio Branco chegaram aos R$ 6,45 milhões.

A comparação coloca a programação da capital R$ 200 mil acima da relação de cachês prevista para Cruzeiro do Sul. Foram R$ 6,45 milhões em Rio Branco contra R$ 6,25 milhões no Juruá.

A diferença entre as duas edições não está apenas no valor, mas também na forma de contratação. Em Rio Branco, os R$ 6,45 milhões correspondem a contratos diretos que já foram pagos. No Juruá, os R$ 6,25 milhões correspondem aos valores reservados para os seis artistas no orçamento executado pela Associação Transformar.

Somados os dois grupos, os principais shows nacionais das duas edições da Expoacre 2026 alcançaram R$ 12,7 milhões em cachês previstos ou contratados com recursos públicos.

O Plano de Trabalho do Juruá também reservou R$ 50 mil para uma atração infantil. Esse valor não integra os R$ 6,25 milhões usados na comparação dos principais shows nacionais. Com a inclusão dessa apresentação, a despesa artística prevista para Cruzeiro do Sul sobe para R$ 6,3 milhões e o total das duas edições chega a R$ 12,75 milhões.

O custo dos shows no Juruá não ficou restrito aos cachês. Outros R$ 2.448.520 foram reservados para produção e logística das atrações nacionais, com despesas de passagens aéreas, fretamento de aeronaves, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, camarins, vans, transporte de artistas e pagamento de direitos autorais.

Esse gasto de R$ 2,44 milhões não integra os R$ 12,7 milhões porque a comparação considera somente os cachês. Ele amplia, porém, o custo público necessário para levar as atrações nacionais aos palcos da Expoacre Juruá.

Foto: Secom/AC

É DINHEIRO! Governo do Acre paga R$ 6,45 milhões por shows da Expoacre 2026 em Rio Branco

O Governo do Acre pagou R$ 6,45 milhões pela contratação de seis atrações da programação pública da Expoacre 2026, em Rio Branco. O valor, custeado pela Casa Civil, aparece como liquidado e pago nos registros financeiros dos contratos firmados para os shows de Leonardo, Ana Castela, Wesley Safadão, Natanzinho Lima, padre Fábio de Melo e Banda Som e Louvor.

As contratações estão distribuídas em cinco contratos. O maior deles, no valor de R$ 2,55 milhões, foi firmado com a Apolo Assessoria para as apresentações de Leonardo e Ana Castela. Como os dois artistas foram incluídos no mesmo instrumento contratual, os registros disponíveis não separam quanto foi pago por cada show.

Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima recebeu R$ 1,3 milhão. As apresentações do padre Fábio de Melo e da Banda Som e Louvor custaram R$ 500 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Os valores estão vinculados aos contratos CC nº 45, 46, 51, 54 e 55 de 2026.

Juntos, os contratos de Leonardo e Ana Castela, Wesley Safadão e Natanzinho Lima somam R$ 5,65 milhões, o equivalente a cerca de 87,6% de todo o gasto estadual com a programação musical pública da feira.

Os contratos abrangem apresentações artísticas, bandas completas, equipes técnicas e produção dos shows. As contratações ocorreram por inexigibilidade de licitação, modalidade prevista quando a administração pública contrata artistas diretamente ou por meio de representantes exclusivos.

A programação oficial em Rio Branco teve Leonardo em 2 de agosto, Natanzinho Lima em 3 de agosto, padre Fábio de Melo em 4 de agosto, Wesley Safadão em 5 de agosto, Ana Castela em 6 de agosto e Som e Louvor em 7 de agosto. O acesso aos shows custeados pelo Estado ocorre mediante doação de alimentos.

O total de R$ 6,45 milhões se refere apenas às atrações musicais bancadas pelo governo estadual. A conta não inclui estrutura de palco, som, iluminação, montagem, segurança, reformas no Parque de Exposições Wildy Viana, diárias ou outros serviços ligados à Expoacre. Também não inclui o show de Bruno & Marrone, previsto para o encerramento da feira, promovido pela iniciativa privada e com cobrança de ingresso.

O levantamento considera somente a Expoacre 2026 realizada em Rio Branco. Os gastos da Expoacre Juruá, ocorrida entre junho e julho em Cruzeiro do Sul, fazem parte de outro termo de colaboração e não entram nesse total.

Wenceslau vê Bocalom fortalecido após convenção e questiona pesquisa AtlasIntel no Acre

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou, na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, que a convenção de Tião Bocalom mudou a percepção sobre a força do ex-prefeito de Rio Branco na disputa pelo Governo do Acre. Durante sua análise no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o apresentador também questionou a diferença entre os números divulgados pela AtlasIntel e o cenário construído por pesquisas anteriores no estado.

A leitura de Wenceslau partiu das imagens do Ginásio do Sesi lotado na sexta-feira, 31 de julho, durante o ato que oficializou a candidatura de Bocalom ao governo. Para o jornalista, a mobilização retirou o candidato de uma posição secundária no debate eleitoral e obrigou adversários, aliados e observadores da política acreana a reverem suas avaliações.

“Uma multidão lotou o ginásio, muita gente realmente, acho que mais de cinco mil pessoas. Isso reposicionou a candidatura de Tião Bocalom”, declarou.

Wenceslau sustentou que o tamanho do público teve um peso político que ultrapassou a formalidade da convenção. Na avaliação apresentada no programa, o evento mostrou que Bocalom preserva capacidade de mobilização, estrutura partidária e presença entre eleitores que já o acompanharam em outras disputas.

“Muita gente que achava que ele não estava tão forte assim acabou revendo os conceitos e entendendo que é um candidato que está na disputa, que está forte e que o jogo está pareado”, afirmou.

A convenção confirmou o sargento Adônis Souza como candidato a vice-governador e o deputado federal Eduardo Velloso como candidato ao Senado. Ao comentar a formação da chapa, Wenceslau lembrou que Velloso se aproximou do grupo de Bocalom depois de não conquistar espaço para disputar o Senado na composição governista.

Mesmo diante da demonstração de força, o jornalista tratou o cenário como aberto. As convenções ainda estavam em andamento, as candidaturas passariam pelo registro na Justiça Eleitoral e a campanha não havia começado oficialmente. Para Wenceslau, novas alianças e movimentos partidários ainda poderiam alterar a disputa antes de o eleitor entrar em contato direto com a propaganda eleitoral.

Foi nesse ambiente que a pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo AC24horas, entrou no centro da análise. No cenário estimulado para o Governo do Acre, Mailza Assis apareceu com 35,2%, Alan Rick com 33,1%, Tião Bocalom com 18,5% e Thor Dantas com 9,7%.

Wenceslau não tratou os números como uma oscilação comum entre levantamentos. Para ele, a pesquisa colocou diante do eleitor uma configuração muito diferente daquela apresentada até então por institutos que acompanharam a corrida estadual.

“Essa pesquisa muda completamente o panorama político. Coloca a situação completamente diferente do que até então a gente imaginava”, disse.

O principal ponto de estranhamento levantado pelo jornalista foi a ascensão de Mailza Assis. Wenceslau comparou o resultado da AtlasIntel com pesquisas divulgadas poucos dias antes, nas quais a governadora aparecia em posição inferior, e questionou quais fatos políticos teriam provocado uma mudança tão rápida na preferência do eleitorado.

“Na pesquisa do AC24horas, a governadora já ultrapassou o pré-candidato Alan. Ela sai da terceira colocação para a primeira colocação em menos de 15 dias”, observou.

A crítica apresentada no Jornal da Manhã não se limitou à posição de Mailza. Wenceslau colocou em dúvida a capacidade dos levantamentos disponíveis de oferecer uma fotografia coerente da disputa, diante das diferenças entre os resultados divulgados por institutos nacionais e locais.

“Ou eu não vi nada do que aconteceu nos últimos dias na política ou todos os institutos de pesquisa da região estão mentindo, e mentindo feio. Das duas, uma”, afirmou.

O jornalista reconheceu que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes. Cada levantamento trabalha com amostras, métodos, períodos de coleta e formas de abordagem próprias. Ainda assim, considerou difícil explicar uma mudança tão ampla em tão pouco tempo sem que um acontecimento político de grande impacto tivesse sido percebido nas ruas, nos partidos ou no debate público.

“Ou a gente não acompanhou nada de política nos últimos dias, que não viu essa mudança toda, ou os institutos de pesquisa do Acre não estão mais servindo para aferir a intenção de voto do eleitor, porque isso coloca de cabeça para baixo tudo que vinha sendo mostrado”, declarou.

Ao recuperar o histórico eleitoral de Bocalom, Wenceslau também pediu cautela na transformação de pesquisas em resultados antecipados. O apresentador lembrou que o político já chegou desacreditado a outras eleições municipais e terminou vencedor.

“No Acre, nós já temos um especialista em desmentir pesquisa. Eu acabei de falar nele, que é o Tião Bocalom. Nas eleições majoritárias que disputou, era dado como derrotado e venceu pelo menos duas”, comentou.

A análise feita por Wenceslau no Jornal da Manhã colocou lado a lado dois elementos que passaram a movimentar a eleição acreana. A convenção mostrou Bocalom cercado por apoiadores e lideranças, enquanto a pesquisa AtlasIntel o manteve distante dos dois primeiros colocados. Para o jornalista, essa diferença precisa ser acompanhada com atenção, porque a força demonstrada em um ato partidário não pode ser confundida automaticamente com intenção de voto, mas também não deve ser ignorada na leitura da campanha.

Wenceslau encerrou a análise defendendo que as pesquisas sejam divulgadas e debatidas, sem que os percentuais sejam tratados como sentença definitiva. Na avaliação do apresentador, a disputa ainda passará pelas convenções, pela campanha nas ruas, pelo confronto de propostas e pelo julgamento direto do eleitor. A resposta final, como ocorre em qualquer eleição, não estará no ginásio nem nas planilhas dos institutos, mas nas urnas.