Tarcísio de Freitas declara apoio a Alan Rick e aposta em vitória do Republicanos no Acre

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entrou na campanha de Alan Rick ao governo do Acre. Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de quinta-feira (8), o governador paulista pediu apoio ao senador no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, e afirmou que o candidato está preparado para administrar o estado.

Na gravação, feita ao lado de Alan Rick, Tarcísio falou sobre sua relação com o Acre, citou a BR-364 e mencionou municípios como Assis Brasil, Santa Rosa do Purus e Marechal Thaumaturgo, por onde afirmou já ter passado. Ao defender a candidatura do correligionário, declarou que Alan Rick “está pronto para ser um grande governador”.

Alan agradeceu a manifestação e associou o apoio de Tarcísio à possibilidade de atrair investimentos privados para o Acre. O senador afirmou que a aproximação com o governo paulista poderá facilitar o diálogo com empresas instaladas no Sudeste, região que concentra parte importante da atividade econômica do país.

“Isso importa muito, porque é lá no Sudeste que estão as grandes empresas”, escreveu Alan, ao defender a possibilidade de buscar investimentos para o estado.

O candidato acreano também recordou a passagem de Tarcísio pelo Ministério da Infraestrutura durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que o atual governador de São Paulo teve contato com demandas relacionadas à infraestrutura do Acre.

A manifestação ocorre dois dias depois de o Republicanos anunciar oficialmente apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Tarcísio participou das articulações nacionais para a adesão do partido e também trabalha pela eleição do candidato do PL. Alan Rick esteve em Brasília durante o anúncio e declarou apoio a Flávio no segundo turno.

No Acre, Alan tenta reverter a vantagem obtida pela governadora Mailza Assis (PP) no primeiro turno. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mailza recebeu 218.760 votos, equivalentes a 49,76% dos válidos, enquanto Alan somou 141.859 votos, ou 32,27%.

A disputa estadual será decidida no mesmo dia da eleição presidencial. Mailza também declarou apoio a Flávio Bolsonaro, fazendo com que os dois candidatos ao governo do Acre estejam alinhados ao mesmo presidenciável, embora representem grupos políticos adversários no estado.

Mara Rocha assume coordenação da campanha de Alan Rick no segundo turno

A senadora eleita Mara Rocha (Republicanos) assumiu a coordenação da campanha de Alan Rick (Republicanos) para o segundo turno da disputa pelo Governo do Acre. A mudança foi definida nesta quarta-feira (7), durante uma reunião com lideranças políticas e representantes dos partidos que apoiam a candidatura.

Com a nova organização, a campanha pretende concentrar a reta final na apresentação de propostas para áreas como saúde, educação e infraestrutura, além de ampliar a mobilização nos municípios. Mara Rocha também ficará à frente da articulação política entre os diferentes grupos que integram a aliança de Alan Rick.

“A ideia é fazer com que a população veja realmente que nós temos um projeto para desenvolver o Acre”, afirmou Mara ao comentar a estratégia para o segundo turno.

Participaram da reunião o senador Sérgio Petecão (PSD), o candidato a vice-governador Ricardo Leite (Republicanos), o ex-prefeito de Sena Madureira Jairo Cassiano, além de deputados estaduais, vereadores e representantes de municípios do interior.

Alan Rick não participou presencialmente do encontro porque cumpria agenda em Brasília, mas acompanhou as definições da equipe. A reorganização ocorre no início de uma nova fase da campanha, quando o candidato busca ampliar alianças e conquistar eleitores que apoiaram outras candidaturas no primeiro turno.

Alan Rick enfrenta Mailza Assis (PP) no segundo turno da eleição para o Governo do Acre, marcado para 25 de outubro.

Alan Rick busca ampliar alianças e convoca eleitores para segundo turno no Acre

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) iniciou a campanha do segundo turno com um chamado à união dos eleitores em torno de sua candidatura. Nesta terça-feira (6), o senador defendeu a ampliação do movimento político que o levou à segunda etapa da eleição e voltou a apresentar sua candidatura como alternativa de mudança no comando do Estado.

Alan enfrentará a governadora Mailza Assis (PP) no dia 25 de outubro. No primeiro turno, Mailza terminou na liderança, com 49,76% dos votos válidos, enquanto o candidato do Republicanos recebeu 32,27%.

Com a disputa reduzida a dois nomes, Alan tenta agora conquistar parte dos eleitores que votaram nos candidatos eliminados no primeiro turno. Tião Bocalom (PSDB), terceiro colocado, recebeu 10,22%, e Thor Dantas (PSB) terminou com 7,50%. Juntos, os dois concentraram uma parcela do eleitorado que passa a ser disputada pelas duas campanhas.

Desde a confirmação do segundo turno, Alan também intensificou as conversas em busca de novas alianças políticas nos municípios. Na noite da apuração, o candidato afirmou que a nova etapa representaria um reinício da disputa. “Agora, o jogo começa no 0 a 0 e a gente vai trabalhar para ter essa vitória no segundo turno”, declarou.

A movimentação ocorre enquanto Mailza também amplia sua base política. O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), que apoiou Bocalom no primeiro turno, anunciou adesão à candidatura da governadora na segunda-feira (5).

Com pouco menos de três semanas até a votação, as duas campanhas concentram esforços na conquista dos eleitores dos candidatos que ficaram fora da disputa. O segundo turno também terá divisão igualitária do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, abrindo uma nova fase da campanha pelo Palácio Rio Branco.

Alysson anuncia apoio a Mailza e entra na campanha do segundo turno

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), declarou nesta segunda-feira (5) apoio à governadora Mailza Assis (PP) no segundo turno da eleição para o Governo do Acre. O anúncio foi feito durante um ato político na sede do Progressistas, em Rio Branco, um dia após a votação que colocou Mailza e Alan Rick (Republicanos) na disputa final pelo Palácio Rio Branco.

Alysson afirmou que participará diretamente da campanha e colocou a estrutura de seu grupo político na capital ao lado da candidatura de Mailza. No discurso, o prefeito relacionou a decisão à necessidade de manter uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Rio Branco.

“A partir de agora, o 11 que estava aqui no meu coração também estará na minha boca”, afirmou Alysson, ao assumir publicamente o número de campanha da governadora.

O prefeito também disse que pretende percorrer bairros e diferentes regiões de Rio Branco durante o segundo turno para pedir votos a Mailza. A capital é o maior colégio eleitoral do Acre e passa a ocupar posição central na estratégia das duas candidaturas nesta nova fase da campanha.

A definição de Alysson ocorre depois de Alan Rick anunciar que pretendia procurá-lo em busca de apoio. Após o encerramento do primeiro turno, o candidato do Republicanos lembrou que apoiou o atual prefeito na eleição municipal de 2024 e afirmou que buscaria uma conversa para tentar atraí-lo para sua campanha.

A movimentação de Alysson também repercute na posição do ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB), terceiro colocado na eleição para governador. Antes do anúncio desta segunda-feira, Bocalom havia informado que conversaria primeiro com Alysson antes de definir seu posicionamento no segundo turno.

Mailza chegou ao segundo turno após terminar a primeira etapa da eleição com 49,76% dos votos válidos, enquanto Alan Rick recebeu cerca de 32,27%. Bocalom ficou na terceira posição, com pouco mais de 10%, tornando os apoios e a redistribuição dos votos dos candidatos eliminados um dos principais pontos da campanha até a votação do segundo turno.

Com a adesão de Alysson, Mailza passa a contar formalmente com o prefeito da maior cidade do estado em sua campanha. A disputa pelo Governo do Acre será decidida entre a governadora e Alan Rick no segundo turno.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Mailza vence primeiro turno, mas disputa pelo Governo do Acre vai para segundo turno com Alan Rick

A eleição para o Governo do Acre será decidida no segundo turno entre Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos). A governadora terminou o primeiro turno na liderança neste domingo (4), mas não alcançou a maioria absoluta dos votos válidos necessária para encerrar a disputa.

Com 99,30% das seções totalizadas, Mailza tinha 49,76% dos votos válidos, somando 217.011 votos. Alan Rick aparecia na segunda colocação, com 32,28%, equivalente a 140.769 votos.

A diferença entre os dois candidatos era de aproximadamente 76 mil votos nesta etapa da apuração. Apesar de chegar perto dos 50%, Mailza precisava superar metade dos votos válidos para ser eleita ainda no primeiro turno.

Tião Bocalom (PSDB) ficou na terceira posição, com 10,22%, ou 44.559 votos. Thor Dantas (PSB) aparecia em seguida, com 7,48%, totalizando 32.625 votos.

Com o resultado, Mailza e Alan passam a disputar diretamente os votos dos eleitores que escolheram os demais candidatos no primeiro turno. A nova votação está marcada para 25 de outubro, conforme o calendário das Eleições Gerais de 2026.

Mailza chegou à eleição ocupando o Governo do Acre após assumir definitivamente o cargo em abril, com a saída de Gladson Cameli para a disputa pelo Senado. Alan Rick, senador da República, construiu sua candidatura como oposição ao grupo que administra o Estado.

No segundo turno, vence quem receber a maioria dos votos válidos. Votos brancos e nulos ficam fora do cálculo utilizado para definir o governador.

Zequinha diz que governo rompeu relação com Cruzeiro do Sul e acusa retaliação política

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), afirmou nesta sexta-feira (2), durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração 99,9 FM, que a relação institucional entre a Prefeitura e o Governo do Acre deixou de existir depois de sua mudança de posição na disputa estadual. Zequinha acusou o governo de retirar investimentos do município em razão da decisão política que tomou durante a campanha. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul confirma Zequinha como atual prefeito do município.

“A relação institucional entre governo e prefeitura deixou de existir a partir do momento que eu fiz uma ruptura e fiz uma escolha. Infelizmente, porque eu tenho o direito de fazer minhas escolhas e, independentemente das escolhas que eu fizer, as relações institucionais não podem deixar de existir”, declarou.

Zequinha afirmou que considera a reação do governo uma punição que ultrapassa a disputa entre lideranças políticas e chega à população de Cruzeiro do Sul. “Eu optei por uma linha política diferente da do governo e a decisão que o governo tomou foi de me punir, punir o município. Quando ele pune o município, ele não está punindo o Zequinha, ele está sacrificando as pessoas”, disse.

O rompimento político de Zequinha com o grupo governista ocorreu durante a disputa de 2026, quando o prefeito passou a apoiar a candidatura de Alan Rick ao Governo do Acre. A mudança de posição já vinha sendo registrada publicamente desde junho.

Na entrevista, o prefeito citou os ramais como uma das áreas atingidas pelo afastamento entre Estado e município. Zequinha disse que Prefeitura e Deracre haviam dividido as regiões que seriam atendidas e afirmou que os serviços de responsabilidade municipal continuam sendo executados, enquanto criticou a atuação estadual.

“A parte que coube à Prefeitura eu tenho me esforçado muito, com a nossa equipe, para que a gente possa deixar o ramal funcionando no período invernoso. A parte que coube ao Estado, eu lamento, porque infelizmente não está sendo feito e, quando se faz, se faz pela metade”, declarou.

Questionado sobre a afirmação de que a manutenção de ramais seria responsabilidade dos municípios, Zequinha disse que, historicamente, o trabalho em Cruzeiro do Sul sempre foi dividido entre Estado e Prefeitura. Ele citou Santa Luzia como uma das regiões tradicionalmente atendidas pelo Estado e questionou a função do Deracre caso o órgão deixe de atuar nessas áreas.

“Para que existe Deracre em Cruzeiro do Sul? Para trabalhar na cidade? Não. O Deracre existe para ajudar nos ramais, para ajudar o agricultor. Senão fecha a porta do Deracre e tira todo mundo dali”, afirmou.

A declaração mais direta sobre a relação com o Palácio Rio Branco veio quando Zequinha afirmou que os convênios existentes entre Estado e Prefeitura foram cancelados após sua mudança política. Segundo ele, um deles previa R$ 4 milhões para a educação municipal.

“Infelizmente, a posição política que eu tomei fez com que o Estado deixasse de investir nessa cidade. Os convênios que tinha com a Prefeitura, todos eles foram cancelados. Todos, 100%”, afirmou.

Zequinha também fez uma acusação sobre as condições para liberação desse convênio. Segundo o prefeito, o recurso teria sido apresentado pelo próprio governo, mas posteriormente a liberação teria sido vinculada ao apoio político a um parlamentar governista.

“Vieram com o convênio. Aí depois, para que pudesse liberar o dinheiro, eu tinha que apoiar o deputado X do governo para poder liberar o dinheiro. Eu disse: ‘Não, isso eu não vou fazer. Eu não vou me amarrar em cima de um convênio. Se o convênio é para investir, investe, independentemente de posições políticas do prefeito ou não’”, relatou.

O prefeito também respondeu a críticas sobre emendas parlamentares destinadas a Cruzeiro do Sul. Ele citou uma indicação de R$ 2 milhões para o Pentecostes e afirmou que apenas R$ 500 mil teriam sido liberados até agora. Segundo Zequinha, a Prefeitura entrou com outros R$ 500 mil de contrapartida para permitir o andamento do serviço.

“Não basta só você alocar o recurso. Você tem que alocar o recurso, mas tem que ter a capacidade de se articular diante do Governo Federal e fazer com que esse recurso possa chegar às prefeituras ou ao Governo do Estado”, disse.

Ao fazer o balanço da própria administração, Zequinha colocou a infraestrutura como o principal problema ainda enfrentado pelo município. Segundo ele, a Prefeitura executou quase 40 quilômetros de pavimentação ao longo dos últimos seis anos e já possui mais de R$ 50 milhões em recursos destinados a obras de asfaltamento para os próximos dois anos. Também afirmou que pretende emitir, depois do período eleitoral, ordens de serviço para outras oito obras.

Na Avenida Copacabana, uma das obras citadas durante a entrevista, Zequinha afirmou que a drenagem já foi concluída e que a meta é avançar com a pavimentação antes do encerramento do período de verão. “Nós queremos, se Deus quiser, antes do término do verão, concluir pelo menos a pavimentação da Copacabana. A drenagem já está pronta”, declarou.

Na saúde, o prefeito afirmou que Cruzeiro do Sul ampliou serviços para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco. Zequinha disse que aproximadamente 5 mil cirurgias oftalmológicas foram realizadas em cerca de um ano e meio a dois anos, dentro de um conjunto de 18 mil procedimentos. Os atendimentos, segundo ele, alcançaram também moradores de municípios vizinhos.

“Foram 5 mil pessoas que deixaram de viajar para Rio Branco para fazer uma cirurgia do olho”, afirmou.

Na agricultura, Zequinha citou a implantação da unidade de beneficiamento de café em Santa Luzia e disse que o projeto foi executado sem recursos do Governo do Estado. Segundo o prefeito, a estrutura possui sete secadores e capacidade para receber até 1,5 mil sacas de café por dia.

“Aquela indústria deveria ter sido feita pelo Governo do Estado, mas ali não tem um centavo do Governo do Estado naquela indústria”, afirmou.

O prefeito também disse que passou a plantar café como forma de estimular pequenos produtores a aderirem à cultura. Atualmente, afirmou possuir nove hectares plantados. A Prefeitura, segundo ele, criou um programa que oferece mudas, calcário, adubo e assistência técnica às famílias interessadas na produção.

“A mandioca tem que continuar sendo cultivada porque é a nossa principal fonte de economia no município. Agora, o café pode ajudar”, disse.

Ao falar sobre o Festival da Farinha, Zequinha afirmou que a movimentação financeira chegou a aproximadamente R$ 13,5 milhões e disse que o evento foi realizado sem participação financeira do Estado. “Foi o maior Festival da Farinha que Cruzeiro do Sul já fez, sem um centavo do Governo do Estado”, declarou.

Na parte política da entrevista, Zequinha afirmou que estava consciente das consequências quando decidiu mudar de grupo na eleição estadual. Disse ter sofrido ataques durante a campanha, inclusive ofensas racistas, e declarou não se arrepender da decisão.

“Quando eu tomei uma decisão, não foi uma decisão feita de supetão. Foi uma decisão pensada. E quando eu tomei uma decisão pensada, eu pensei nas pessoas. Eu não pensei em mim. Se eu tivesse pensado em mim, eu estava hoje dentro do governo, tinha uns convênios lá, estava bem”, afirmou.

Zequinha também reafirmou apoio a Gladson Cameli e fez críticas a integrantes do atual grupo governista. Segundo o prefeito, pessoas que chegaram a posições de poder com o apoio de Gladson estariam agora se afastando dele.

“Eu já era Gladson, vou continuar sendo Gladson, vou continuar votando no Gladson e vou continuar pedindo voto para o Gladson”, disse. O prefeito também alegou que integrantes do governo estariam orientando lideranças a não apoiar o ex-governador, afirmação apresentada por ele sem identificar nominalmente os responsáveis.

No encerramento, Zequinha fez uma defesa da liberdade de imprensa e afirmou que agentes públicos precisam aceitar críticas. “Quem não está preparado para ouvir crítica não pode estar na vida pública”, disse. Para o prefeito, jornalistas precisam ter liberdade para questionar governos e gestores sem sofrer pressão.

“O jornalista tem que ter a liberdade de falar aquilo que ele pensa. Nós estamos vivendo numa democracia”, afirmou. Zequinha disse ainda que pretende manter o ritmo administrativo até o fim de seu segundo mandato: “Eu vou cada dia mais buscar todas as forças que eu tiver para continuar trabalhando cada vez mais por essa cidade.”

É gente! TCE determina suspensão de novas nomeações que ampliem gastos no Governo Mailza

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) determinou que a governadora Mailza Cameli suspenda novas nomeações para cargos em comissão e designações para funções de confiança que aumentem as despesas com pessoal do Estado. A medida cautelar foi publicada nesta quarta-feira (30) e prevê multa diária de R$ 500, aplicada pessoalmente à governadora, caso a ordem seja descumprida.

A decisão foi tomada pelo conselheiro Ronald Polanco Ribeiro no Processo nº 150.521, aberto a partir de uma representação apresentada pelo senador Alan Rick. O procedimento apura possíveis irregularidades nos gastos do Poder Executivo com cargos comissionados e funções de confiança, principalmente em relação ao Valor Referencial Mensal utilizado pelo TCE para acompanhar essas despesas.

A cautelar não proíbe todas as nomeações no Governo do Acre. A determinação alcança novos atos que aumentem a despesa com pessoal, ampliem o valor que já ultrapassa o parâmetro considerado pelo Tribunal ou sejam realizados sem comprovação de que não haverá aumento de gastos. A ordem também vale para a administração indireta estadual.

Os números apresentados no processo mostram que o parâmetro mensal considerado pelo TCE é de aproximadamente R$ 18,47 milhões. Em junho, as despesas analisadas chegaram a R$ 19,36 milhões, cerca de R$ 889,8 mil acima desse valor. No mês seguinte, os gastos subiram para R$ 19,98 milhões, com uma diferença de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Em agosto, as despesas alcançaram R$ 20,89 milhões. O excesso calculado pelo Tribunal foi de R$ 2,41 milhões, equivalente a 13,10% acima do valor de referência. Do total gasto naquele mês, R$ 17,45 milhões foram destinados a cargos em comissão e outros R$ 3,43 milhões a funções de confiança.

Mailza terá dois dias úteis, após ser oficialmente notificada, para comprovar que cumpriu a cautelar e informar quais medidas administrativas foram adotadas para impedir novas nomeações ou designações que aumentem as despesas. Em caso de descumprimento, além da multa diária, a decisão prevê possibilidade de responsabilização civil e administrativa e eventual apuração por crime de desobediência.

O TCE também determinou que a Secretaria de Estado de Administração apresente informações detalhadas sobre a folha de pagamento. O secretário Paulo Roberto Correia da Silva terá 15 dias úteis para encaminhar dados referentes ao período de janeiro a agosto de 2026.

Entre as informações exigidas estão a quantidade de cargos ocupados e vagos, os valores de remuneração, a relação nominal das pessoas nomeadas para cargos comissionados e funções de confiança, os atos de provimento e as memórias de cálculo utilizadas pelo governo. O Tribunal também quer explicações sobre valores classificados na folha como “não identificados”.

Depois de adotar as medidas para reduzir ou readequar as despesas, o Governo do Acre deverá comprovar ao TCE que os gastos retornaram aos limites estabelecidos. A decisão é cautelar e o processo ainda será analisado quanto ao mérito. Mailza poderá apresentar defesa e contestar os valores e os critérios utilizados na apuração.

Silvania diz que Nayara deixa “ambiente tóxico” após pedir exoneração da Secom

A jornalista Silvania Pinheiro reagiu à saída de Nayara Lessa do governo do Acre com críticas ao ambiente enfrentado pela então secretária de Comunicação do governo de Mailza Cameli. Em comentário publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (25), Silvania afirmou que Nayara foi perseguida e injustiçada e classificou como “tóxico, podre e fétido” o ambiente do qual a jornalista estaria se afastando após pedir exoneração da Secom.

A manifestação foi feita em uma publicação que noticiava a decisão de Nayara de deixar o comando da Secretaria de Estado de Comunicação. Silvania, que também já esteve à frente da comunicação do governo acreano, dedicou parte do comentário a elogiar a atuação profissional da jornalista.

“Sempre honrada, sempre honesta, sempre lutando, virando noites e madrugadas, dias afora dedicando-se a uma comunicação social decente para os profissionais da área e para a sociedade de fato”, escreveu.

Na sequência, Silvania elevou o tom e afirmou que Nayara teria enfrentado perseguição dentro do ambiente em que trabalhava. “Foi perseguida, injustiçada, tentaram te humilhar pelo fato de você não se render aos ‘feitores’ de plantão”, declarou.

O trecho de maior peso político do comentário aparece quando Silvania se refere diretamente ao ambiente do qual Nayara estaria saindo. “Você está livre desse ambiente tóxico, podre, fétido, desse castelo de areia e ilha da fantasia criada por essas pessoas”, escreveu.

Apesar da dureza das declarações, Silvania não apontou nomes nem explicou quem seriam os responsáveis pelas supostas perseguições, humilhações e pelo ambiente descrito por ela. Também não apresentou, no comentário, episódios específicos relacionados às acusações.

A manifestação ganha relevância pelo histórico das duas jornalistas dentro da estrutura de comunicação do Estado. Silvania já comandou a Secom e, posteriormente, ocupou a presidência da Fundação Aldeia de Comunicação e é uma pessoa de confiança do ex-governador Gladson Cameli. Nayara, por sua vez, construiu parte de sua trajetória profissional dentro da comunicação governamental antes de assumir o comando da secretaria.

A saída de Nayara também ocorre poucos dias depois da exoneração de três familiares da jornalista que ocupavam cargos na administração estadual. Na ocasião, Nayara afirmou respeitar a decisão da governadora Mailza, embora tenha dito que a forma como os desligamentos ocorreram causava “estranheza”.

No pedido para deixar a Secom, entretanto, Nayara adotou um tom institucional e não fez acusações públicas semelhantes às apresentadas por Silvania. A jornalista afirmou que a decisão ocorreu após uma reflexão sobre o momento atual e os próximos caminhos profissionais.

O comentário de Silvania coloca publicamente uma versão mais crítica sobre os bastidores da saída. Além da alegação de perseguição, a ex-integrante do governo descreveu um ambiente marcado, em sua avaliação, por conflitos e tentativas de desgaste contra Nayara.

Ao encerrar a mensagem, Silvania voltou a demonstrar apoio pessoal à jornalista. “Obrigada, Nay! Feliz de quem te tem como amiga, como profissional”, escreveu.

Bocalom fala em “moralizar” o Acre e apresenta propostas para produção, saúde e ramais

Candidato ao governo participou do Jornal da Manhã nesta quarta-feira e falou sobre operações policiais, agricultura, infraestrutura rural, saúde e educação

“Eu quero ser o governador desse Acre pra ver se a gente moraliza esse Acre.” A declaração foi feita pelo candidato ao governo Tião Bocalom (PSDB), nesta quarta-feira (23), durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração. Acompanhado do candidato a vice, Sargento Adones, Bocalom respondeu a perguntas sobre as operações policiais recentes no estado, produção rural, ramais, saúde, educação e gestão dos recursos públicos.

A entrevista começou com uma pergunta sobre o cenário político do Acre após as operações da Polícia Federal realizadas na terça-feira (22). Bocalom afirmou que episódios envolvendo suspeitas sobre o uso de recursos públicos reforçam um dos discursos que pretende levar para a administração estadual.

“Eu fico muito triste quando eu vejo esses tipos de acontecimentos”, afirmou. O candidato citou sua passagem pelas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco e por funções no governo estadual para defender seu histórico administrativo. “O dinheiro público é dinheiro sagrado. É o suor de cada um. É do rico, mas é do pobre também”, disse.

Ao longo da entrevista, Bocalom voltou a colocar a produção rural entre as prioridades de seu projeto para o governo. Ele citou Acrelândia como exemplo de município onde, segundo ele, o fortalecimento da agricultura familiar aumentou a circulação de recursos no comércio e defendeu a expansão desse modelo para outras regiões do estado.

“Eu quero ver o povo trabalhando e ganhando dinheiro. Não dá pra ser burro de carga, igual a gente sempre fala: trabalha, trabalha, trabalha e, no final do ano, não sobra nada”, afirmou. Bocalom voltou a usar uma frase recorrente de sua campanha para explicar a proposta: “Campo rico, cidade rica”.
Entre as medidas citadas estão mecanização, análise e correção do solo, distribuição de calcário, adubo, sementes e mudas, além de assistência técnica. Bocalom afirmou que pretende ampliar para o estado iniciativas que diz ter adotado em Rio Branco. Segundo ele, durante sua gestão foram mecanizados 4 mil hectares destinados à agricultura familiar, além da distribuição de 6 mil toneladas de calcário e mais de mil toneladas de adubo.

“Eu não sou um candidato laboratório. Eu sou um candidato experiente. O que eu estou falando aqui é porque eu já fiz”, declarou. Os números apresentados foram citados pelo próprio candidato durante a entrevista.

Ramais

Questionado sobre a situação dos ramais, Bocalom descartou prometer o asfaltamento de toda a malha rural. Para ele, o objetivo principal deve ser garantir que as estradas tenham condições de tráfego durante todo o ano.

“O agricultor não quer que o ramal seja só asfaltado. Ele quer andar de inverno a verão”, disse.

O candidato defendeu investimentos em drenagem, tubulação e recuperação do leito das estradas, além do asfaltamento de pontos considerados necessários. “Não adianta eu vir aqui e prometer uma coisa que não vai acontecer. Asfaltar todos os ramais, não”, afirmou.

Bocalom também defendeu parceria entre o governo e as prefeituras para manutenção das estradas rurais. Segundo ele, municípios possuem máquinas, mas muitas vezes enfrentam dificuldades para comprar combustível ou fazer reparos nos equipamentos.

Saúde regionalizada

Outro tema abordado foi a saúde, principalmente após casos recentes de pacientes do interior que aguardaram transporte aeromédico. A bancada também citou moradores que esperam há anos por cirurgias e exames na rede estadual.

Bocalom defendeu a regionalização dos atendimentos e disse que pretende manter médicos especialistas nas diferentes regiões do Acre. “Nós vamos pagar o que for necessário pra segurar o especialista em cada regional”, afirmou.

O candidato também propôs hospitais de pequeno porte nos municípios, com estrutura para estabilizar pacientes e realizar procedimentos de emergência sem que toda ocorrência dependa imediatamente de uma transferência aérea.

Ao comentar as filas por procedimentos, Bocalom afirmou que encontrou aproximadamente 2,7 mil pequenas cirurgias acumuladas quando assumiu a Prefeitura de Rio Branco e que a demanda foi reduzida durante sua administração. “Eu já fiz, sei fazer e nós vamos fazer no Acre”, declarou.

Bocalom também falou sobre o fornecimento de medicamentos e criticou situações em que pacientes precisam recorrer ao Judiciário para receber remédios. “Tem um monte de gente que tem que entrar na Justiça pra poder ter medicamento. É obrigação ter o medicamento”, disse.

Educação e transporte escolar

Na educação, a bancada apresentou relatos sobre falta de merenda e problemas no transporte escolar da rede estadual, principalmente nas comunidades rurais. Bocalom concentrou sua resposta na manutenção da frota e afirmou que veículos mais antigos podem continuar atendendo os estudantes desde que passem por revisões e reparos adequados.

“Não é a idade. É manutenção”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a dimensão da estrutura estadual e as dificuldades de administrar serviços em todas as regiões, Bocalom respondeu que pretende formar equipes responsáveis por acompanhar os problemas em cada área. “Tem que ter time”, disse.

Para o candidato, o tamanho da estrutura não impede a execução das políticas públicas caso exista organização administrativa. “Não interessa o tamanho. A gente faz. É vontade política”, afirmou.

Durante a entrevista, Bocalom repetiu que pretende levar para o governo estadual experiências de suas administrações municipais e colocou o controle dos gastos como uma das bases desse projeto. Ao resumir a proposta apresentada durante a campanha, voltou ao lema que tem utilizado na disputa: “Produzir para Empregar e, se não roubar o dinheiro, dá”.

Acre pagou R$ 14,7 milhões por transporte aeromédico em 2026; dois pacientes morreram à espera de avião

Duas mortes registradas em menos de duas semanas no interior do Acre colocaram sob questionamento o funcionamento das remoções aeromédicas contratadas pelo governo estadual. Em Feijó e Santa Rosa do Purus, pacientes em estado grave morreram enquanto aguardavam transferência aérea para atendimento de maior complexidade. No mesmo ano, o Estado já desembolsou R$ 14,75 milhões em pagamentos identificados diretamente como transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

O caso mais recente ocorreu em Feijó. O servidor público municipal Anderson Montefusco, de 32 anos, morreu na segunda-feira (21) após sofrer um infarto. O prefeito Railson Ferreira afirmou que o paciente foi estabilizado pela equipe médica e teve a transferência solicitada pelo TFD, mas a aeronave não chegou. “Tinha condições de embarcar e sair de Feijó para ter a vida salva. Mas a aeronave não veio”, declarou.

Treze dias antes, Davi de Lima, de 34 anos, morreu em Santa Rosa do Purus após ser esfaqueado e permanecer por mais de 12 horas aguardando transferência para Rio Branco. O prefeito Tamir Sá também questionou a demora no atendimento aéreo. “Tem tanto avião e helicóptero à disposição, e eles deixaram o rapaz morrer sem receber o transporte aéreo”, afirmou.

As declarações dos prefeitos levantam questionamentos sobre a regulação e a disponibilidade do serviço, mas não permitem concluir que a demora no transporte tenha provocado as mortes ou que tenha ocorrido negligência do Estado. Uma conclusão desse tipo depende da análise dos prontuários, dos horários de solicitação e autorização das transferências, do acionamento das empresas e da disponibilidade de aeronaves em cada ocorrência.

Os valores movimentados pelo governo dão dimensão do serviço contratado. Registros de despesas estaduais analisados pelo Grupo Integração mostram que a Ortiz Táxi Aéreo Ltda. e a Rio Branco Aerotáxi Ltda. receberam juntas R$ 31.640.661,22 em 2026.

A Ortiz recebeu R$ 26.657.784,12, enquanto a Rio Branco Aerotáxi acumulou R$ 4.982.877,10. O total, porém, inclui contratos de diferentes órgãos e serviços que não envolvem necessariamente transporte de pacientes.

Ao separar apenas os empenhos cujo histórico menciona expressamente transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou TFD, os pagamentos somam R$ 14.751.146,80 neste ano. A Ortiz recebeu R$ 10.602.269,70 desse montante, e a Rio Branco Aerotáxi, R$ 4.148.877,10.

Os outros R$ 16.889.514,42 pagos às duas empresas correspondem a diferentes serviços de aviação. Os registros incluem fretamentos ligados à Casa Civil, Educação, Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Obras Públicas e à própria Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), além de transporte de carga, Saúde Itinerante e translado de esquifes.

A Casa Civil responde por cerca de R$ 12,21 milhões pagos à Ortiz em 2026. Os registros abrangem fretamentos para atender demandas da pasta, do Gabinete do Governador e de outros órgãos estaduais.

Na Saúde, além dos R$ 10,6 milhões classificados diretamente como serviços aeromédicos, a Ortiz recebeu aproximadamente R$ 1,42 milhão por outros serviços. Desse valor, cerca de R$ 649 mil correspondem a translado de esquifes, R$ 225 mil à Saúde Itinerante e aproximadamente R$ 544 mil a outros fretamentos destinados à Sesacre.

Na Rio Branco Aerotáxi, a maior parte dos pagamentos está ligada diretamente à área da Saúde. Dos R$ 4,98 milhões recebidos pela empresa, R$ 4,15 milhões aparecem associados à evacuação e à transferência de pacientes em UTI aérea. Outros R$ 834 mil foram pagos pelo Iteracre.

Parte dos R$ 14,75 milhões desembolsados em registros aeromédicos neste ano não corresponde a serviços necessariamente prestados em 2026. Cerca de R$ 3,99 milhões estão classificados como despesas de exercícios anteriores, ou seja, foram pagos neste ano, mas se referem a obrigações de períodos anteriores. Aproximadamente R$ 10,76 milhões aparecem como despesas do exercício atual.

A dependência da aviação para assistência à saúde no interior já havia sido reconhecida pelo próprio governo. Em março, o Executivo informou que os aeródromos estaduais são essenciais para municípios de difícil acesso terrestre e para operações relacionadas ao atendimento de saúde. Feijó e Santa Rosa do Purus estão entre as cidades atendidas pela estrutura aeroportuária estadual.

Outro ponto envolve valores devidos à Ortiz que já passaram pela etapa de liquidação da despesa, mas não apareciam como pagos na base consultada até 17 de setembro. A empresa acumulava R$ 31.638.971,82 empenhados, R$ 28.776.208,30 liquidados e R$ 26.657.784,12 efetivamente pagos.

A diferença entre o valor liquidado e o pago era de R$ 2.118.424,18. Desse total, R$ 745.936,18 correspondem a empenhos identificados diretamente como transporte aeromédico. Outros R$ 1.372.488 estavam relacionados aos demais serviços prestados pela companhia.

Entre as despesas aeromédicas liquidadas e ainda sem registro de pagamento na base estavam valores de aproximadamente R$ 357,2 mil, R$ 194,8 mil, R$ 158,5 mil e R$ 35,3 mil.

A existência de despesas liquidadas e não pagas não significa, por si só, que o Estado esteja inadimplente com a empresa. A base financeira mostra o estágio da despesa, mas não informa, nesses registros, a data de vencimento de cada fatura nem o prazo contratual previsto para o pagamento. Esses dados são necessários para determinar se há valores formalmente em atraso.

Também não há, a partir dos registros financeiros disponíveis, elementos que permitam relacionar eventual pendência de pagamento à disponibilidade das aeronaves nos casos de Feijó e Santa Rosa do Purus.

As duas mortes deixam questões que dependem de esclarecimentos do governo e das empresas contratadas: quais aeronaves estavam disponíveis nos dois dias, onde estavam posicionadas, em que horários as remoções foram solicitadas e autorizadas, quando as empresas foram acionadas e por que os voos não chegaram antes da morte dos pacientes. Também permanece sem resposta se existem faturas vencidas e se alguma pendência financeira interferiu, em algum momento, na operação do transporte aeromédico.