O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a negar, nesta quarta-feira (24), qualquer possibilidade de compor como vice em uma chapa governista e manteve a candidatura ao governo do Acre nas eleições deste ano. Filiado ao PSDB, ele disse que deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o Palácio Rio Branco e não para ocupar posição secundária em uma aliança com a governadora Mailza Assis, do PP.
“Alguém acha que eu deixei a prefeitura para ser vice de alguém? Quem espalha esse tipo de boato quer me tirar da frente, porque sabe que ganharei o governo. Ninguém tem nem a coragem de vir com essa conversa comigo”, afirmou Bocalom.
A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão estadual, num cenário em que partidos da base governista discutem alianças, composição de chapa e espaços nas disputas para o Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Bocalom tenta se firmar como alternativa fora da chapa de Mailza e aposta no legado de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco para sustentar a campanha.
O ex-prefeito disse que seu grupo começou a distribuir à população um jornal com realizações de sua gestão municipal. Segundo ele, a receptividade nas ruas mostra que há espaço para crescimento eleitoral. “Meu pessoal está distribuindo um jornal com as minhas realizações como prefeito, e noventa por cento dos que são abordados para receber o material, recebe e ainda me elogia. O povo quer o Bocalom no governo”, afirmou.
Bocalom também pretende usar como bandeira de campanha o argumento de que não responde a processos por mau uso de recursos públicos nas gestões em Acrelândia e Rio Branco. Mesmo aparecendo atrás de adversários em pesquisas recentes, ele minimizou os levantamentos e disse confiar no desempenho nas urnas.
“São pesquisas feitas para agradar. Quando foi que uma pesquisa me colocou na liderança? Sempre me colocaram como sem chance de ser eleito, e quando as urnas são abertas o Bocalom é que ganha. Foi assim nas duas últimas eleições para a prefeitura da capital”, disse.
A posição de Bocalom reduz, no momento, a possibilidade de uma composição com a chapa governista e mantém a disputa pelo governo aberta entre os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral acreano.
A Diocese de Rio Branco afirmou, em coletiva realizada na terça-feira, 23 de junho, na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, que os atrasos nos pagamentos do governo do Acre ao Hospital Santa Juliana e à Casa de Acolhida Souza Araújo levaram as duas instituições a uma situação crítica. Segundo a Igreja, a dívida acumulada passa de R$ 20 milhões. No mesmo dia, houve um repasse de cerca de R$ 3,5 milhões, mas a Diocese disse que o valor cobre apenas parte do passivo e não resolve o problema.
Ao detalhar o quadro, o bispo dom Joaquim Pertíñez disse que a crise se arrasta há anos e chegou a um ponto insustentável. “A situação chegou a um limite que já vinha se arrastando há vários anos, não é de hoje. Fomos aguentando, mas chegou o limite que não temos mais viabilidade de continuar os serviços, tanto hospitalares quanto na Casa de Acolhida Souza Araújo”, afirmou.
Dom Joaquim disse que o Hospital Santa Juliana ainda não interrompeu totalmente os atendimentos, mas reconheceu impacto direto em áreas de alta complexidade. “Até o momento, nenhum serviço está paralisado. As cirurgias cardíacas estão fechadas porque os nossos fornecedores de material não recebem. Portanto, não tem como fazer cirurgias cardíacas”, declarou. Em outro momento, responsabilizou o governo pela suspensão desse tipo de procedimento. “É bom que todo mundo saiba que, se as cirurgias cardíacas que muitas pessoas precisam não estão sendo realizadas, não é culpa do hospital, não é culpa do bispo. É culpa do governo que não repassa, não paga”, disse.
O bispo também afirmou que a Diocese tem recorrido a empréstimos para manter a estrutura funcionando e pagar os trabalhadores. “Nós vivemos de empréstimos para poder pagar nossos funcionários e tudo mais. O hospital ajudava financeiramente a Casa de Acolhida Souza Araújo quando o governo atrasava. Mas agora o hospital não tem condições nem de se manter e muito menos de injetar dinheiro na casa”, declarou. Segundo ele, a situação da Casa Souza Araújo também expõe a falta de recursos para manutenção e investimentos.
A cobrança pública da Diocese ganhou força após a divulgação de uma nota em que a instituição afirmou que o Santa Juliana responde por parte expressiva dos partos realizados em Rio Branco e também atende pacientes em cirurgias cardíacas e urológicas de alta complexidade pelo SUS. No texto, a Igreja afirmou que os serviços foram prestados, auditados e reconhecidos pelo poder público, e que a manifestação não tem caráter político-partidário, mas busca garantir a continuidade do atendimento à população.
Após a coletiva, o governo do Acre informou, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, que os valores apresentados pela Diocese reúnem processos de naturezas diferentes, incluindo repasses em tramitação regular e procedimentos ainda em fase administrativa. A Sesacre afirmou que o Hospital Santa Juliana recebeu mais de R$ 50 milhões em 2026, incluindo os repasses de março e abril, e sustentou que a competência de maio ainda está em análise, sem caracterização de obrigação vencida.
O impasse expôs o agravamento da relação entre a Diocese e o governo em torno do financiamento de serviços essenciais de saúde. Enquanto a Igreja diz que o hospital e a casa de acolhida operam no limite e sem margem para continuar absorvendo atrasos, o governo afirma que parte dos valores cobrados ainda depende de trâmites técnicos e administrativos.
A Diocese de Rio Branco cobrou publicamente, nesta segunda-feira, 21 de junho de 2026, a regularização de uma dívida de mais de R$ 20 milhões do governo do Acre com o Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, por atendimentos prestados ao Sistema Único de Saúde, já realizados, auditados e reconhecidos pelo poder público. O atraso nos repasses, acumulado ao longo dos últimos anos, atinge a principal unidade filantrópica de saúde do Estado e ameaça serviços usados diariamente por pacientes de todos os municípios acreanos.
O Santa Juliana não ocupa posição secundária na rede pública. Cerca de 80% dos atendimentos feitos pelo hospital são destinados a usuários do SUS. Na prática, isso significa que a crise financeira da instituição não afeta apenas a administração interna, fornecedores ou contratos de manutenção. Ela alcança diretamente pacientes que dependem da unidade para cirurgias, internações, partos e procedimentos que o próprio Estado não consegue absorver sozinho.
A situação é mais sensível porque o hospital concentra serviços que não têm substituição simples no Acre. O Santa Juliana é a única instituição hospitalar que realiza regularmente cirurgias cardíacas no Estado, área em que a interrupção ou redução de capacidade pode obrigar pacientes a buscar tratamento fora do Acre. Também é a única unidade que realiza cirurgias urológicas eletivas de alta complexidade, atendendo pessoas encaminhadas de diferentes municípios.
A maternidade é outro ponto central da cobrança. Aproximadamente metade dos partos realizados em Rio Branco ocorre no Santa Juliana. A informação dimensiona o risco de qualquer instabilidade na unidade: uma crise prolongada no hospital pressionaria imediatamente a rede obstétrica da capital, com reflexo sobre mães, recém-nascidos e equipes de saúde.
A mensagem assinada por Dom Joaquín Pertíñez, bispo de Rio Branco, trata a dívida como uma ameaça à continuidade de serviços essenciais. A Diocese afirma que o hospital atravessa um dos momentos mais delicados de sua história por causa dos sucessivos atrasos nos repasses financeiros devidos pelo Estado referentes aos serviços prestados ao SUS. A cobrança também alcança a Casa de Acolhida Souza Araújo, mantida pelas Obras Sociais da Diocese, que recebe pacientes em situação de vulnerabilidade social e de saúde. Os repasses para a manutenção desse serviço também estão atrasados.
O comunicado evita enquadrar a cobrança como disputa partidária. A Diocese afirma que a manifestação “não tem caráter político-partidário nem busca privilégios ou benefícios especiais” e cobra providências das autoridades para regularizar os pagamentos pendentes. O ponto central é objetivo: os serviços foram prestados, passaram por auditoria, foram reconhecidos pelo poder público e seguem sem pagamento integral.
O problema expõe uma dependência antiga da saúde acreana em relação às instituições filantrópicas. O Santa Juliana funciona como retaguarda de alta complexidade para o SUS, especialmente em áreas nas quais a rede pública estadual não oferece cobertura suficiente. Quando o governo atrasa repasses por anos, transfere para o hospital o custo imediato de manter equipes, estrutura, insumos e atendimento funcionando.
A Diocese também reforça que o Santa Juliana não pertence apenas à Igreja Católica. A instituição faz parte da história da saúde no Acre e atende uma demanda pública que vai além de Rio Branco. Por isso, a dívida de mais de R$ 20 milhões não pode ser tratada apenas como pendência administrativa. Ela envolve a capacidade do Estado de garantir assistência a pacientes que dependem do SUS para procedimentos de alta complexidade.
No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?
A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.
O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.
Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.
A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.
A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.
A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.
A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?
No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.
O senador Alan Rick (Republicanos) lidera a disputa pelo governo do Acre, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 18. A governadora Mailza Assis (PP) aparece em segundo lugar, com 26%, seguida pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), com 18%.
Thor Dantas (PSB) tem 5%, enquanto Eudo Raffael (PCB) não pontuou. Brancos e nulos somam 6%, mesmo percentual dos eleitores que não souberam ou não responderam. A vantagem de Alan Rick sobre Mailza é de 13 pontos percentuais. A distância entre Mailza e Bocalom é de 8 pontos.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Alan Rick também aparece à frente, com 15%. Mailza Assis tem 8%, Tião Bocalom registra 6%, Gladson Cameli aparece com 3% e Jorge Viana tem 1%. Outros nomes somam 3%, brancos e nulos chegam a 11%, e 53% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O levantamento também testou cenários de segundo turno. Contra Mailza Assis, Alan Rick aparece com 46%, ante 35% da governadora. Brancos e nulos somam 10%, e 9% não responderam. Em uma disputa contra Tião Bocalom, o senador tem 55%, contra 26% do prefeito de Rio Branco. Nesse caso, brancos e nulos são 11%, e 8% não souberam ou não responderam.
Na simulação entre Mailza Assis e Tião Bocalom, a governadora aparece com 40%, enquanto o prefeito registra 28%. Brancos e nulos somam 12%, e 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
A RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores do Acre entre os dias 16 e 17 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número AC-04914/2026.
Em levantamento separado sobre a disputa presidencial no Acre, Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT). No cenário estimulado, Flávio tem 51%, contra 29% de Lula. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Flávio registra 58%, e Lula aparece com 32%. Essa pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08879/2026.
O comentarista Rogério Wenceslau disse nesta quarta-feira, 17, durante o Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, que a presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre, Sula Ximenes, teria perdido autonomia dentro do Deracre por causa de interferências políticas no governo estadual. A declaração foi feita durante debate sobre a atuação de pessoas sem mandato que, na avaliação da bancada, influenciam decisões internas da gestão.
Wenceslau afirmou que Sula havia deixado um projeto eleitoral pelo PL para reassumir o comando do Deracre a pedido da governadora Mailza Assis. Na avaliação dele, a escolha teria sido feita em um momento em que ela aparecia como um nome competitivo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
“A diretora-presidente do Deracre, Sula Ximenes, esteve aqui recentemente. Ela estava tudo certo para ser candidata a deputada estadual pelo PL, com expectativa de vitória. Era uma das candidatas mais fortes da chapa. Ela abriu mão desse projeto pessoal e voltou para a direção do Deracre a pedido da governadora”, disse.
O comentarista declarou que, apesar de continuar no cargo, Sula teria perdido espaço nas decisões internas da autarquia. “Hoje, em função das eminências pardas que estão dentro do governo, ela está profundamente arrependida. Apesar de ela ser diretora-presidente, já não tem mais poder sobre a autarquia”, afirmou.
A crítica foi feita no contexto de uma discussão sobre mudanças internas no Deracre. Wenceslau disse que movimentações políticas dentro do órgão podem tirar o foco da execução de obras, da recuperação de ramais e das ações de infraestrutura que costumam ganhar força no período de estiagem.
“Estão fazendo mudanças internas, tirando o foco do que é importante, que são as obras e o resultado. Estão mexendo politicamente dentro da autarquia e inviabilizando o trabalho dela, que até então era aprovado e aplaudido”, declarou.
Para o comentarista, a disputa por influência dentro da autarquia pode afetar diretamente serviços considerados estratégicos para o interior do Acre, como manutenção de estradas vicinais, pontes, ramais e frentes da Operação Verão. Ele associou a possível perda de comando de Sula a um problema maior de articulação dentro do governo.
“Pessoas que não têm voto, que não têm mandato, que oficialmente não são nada no governo, mas que mandam, estão desestruturando o que foi feito de positivo em função de interesses pessoais. E o preço quem paga sempre é a população do Acre”, disse.
A fala acrescenta mais um ponto de tensão à relação entre governo, aliados e setores da base política. O Deracre ocupa posição central na agenda administrativa do Estado, principalmente no verão amazônico, quando prefeituras, comunidades rurais e produtores cobram trafegabilidade nos ramais e avanço em obras de infraestrutura.
Durante o programa, Wenceslau também defendeu que as críticas feitas na bancada não tinham caráter pessoal. “Eu desafio qualquer ouvinte, qualquer pessoa do meio político, a provar que eu ofendi ou atingi a honra de alguém aqui. A gente narra os fatos e traz informações exclusivas de bastidores, mas sempre com respeito”, afirmou.
A pedido da Federação União Progressista, Justiça Eleitoral determinou retirada de peças publicitárias do senador em Rio Branco; no Jornal da Manhã, caso foi tratado como sinal de endurecimento da pré-campanha
A disputa pelo governo do Acre ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 17, após a Justiça Eleitoral determinar a retirada de outdoors do senador Alan Rick, do Republicanos, instalados em diferentes pontos de Rio Branco. A decisão foi tomada a partir de uma representação apresentada pela Federação União Progressista, formada pelo Progressistas e pelo União Brasil, grupo político ligado à governadora Mailza Assis.
As peças publicitárias destacavam a atuação parlamentar de Alan Rick e associavam o senador à destinação de recursos para obras e investimentos na capital. Entre as frases questionadas estão expressões como “onde tem obra em Rio Branco tem recurso garantido pelo senador Alan Rick”, “tem trabalho do senador Alan Rick” e “com o apoio do senador Alan Rick”.
O juiz eleitoral Luciano Oliveira de Melo determinou que os outdoors sejam retirados no prazo de 24 horas. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil. A decisão tem caráter provisório e ainda será analisada no mérito, com prazo para manifestação da defesa do senador.
No programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, o caso foi tratado como um marco da abertura da guerra eleitoral no Acre. A bancada avaliou que a ação do partido da governadora contra o senador sinaliza que a disputa deixou o campo dos bastidores e passou a ser travada também na esfera judicial.
Durante o comentário, os apresentadores questionaram o tratamento dado aos materiais de divulgação de Alan Rick e compararam o caso com peças associadas ao governo estadual. A crítica feita no programa foi de que, se a Justiça Eleitoral for acionada para avaliar outdoors do senador, também deveria haver o mesmo rigor em relação a materiais que, segundo a bancada, fazem promoção da imagem da governadora.
“Se é para ser justo, que seja justo com todo mundo”, afirmou Chico Melo durante o programa, ao comentar a decisão. A bancada também lembrou que Alan Rick tem usado sua atuação no Senado e a destinação de emendas como uma das principais vitrines políticas no período de pré-campanha.
Procurado pela equipe do Jornal da Manhã, Alan Rick respondeu de forma breve. Segundo o programa, ao ser questionado sobre a decisão, o senador citou os “outdoors cor-de-rosa com promoção pessoal da candidata” e classificou a medida como “uma vergonha”.
A decisão ocorre em um momento de acirramento entre os principais grupos que devem disputar o governo em 2026. Alan Rick aparece como pré-candidato ao Palácio Rio Branco pelo Republicanos, enquanto Mailza Assis, atual governadora, é o nome do Progressistas para a disputa.
Além da retirada das peças, a decisão também impede a instalação de novos materiais com características semelhantes enquanto o processo estiver em análise. Para a Federação União Progressista, os outdoors ultrapassam os limites da divulgação parlamentar e configuram promoção pessoal antecipada, especialmente pelo uso de mídia considerada proibida pela legislação eleitoral.
A defesa de Alan Rick ainda poderá apresentar seus argumentos no processo. Até lá, a determinação da Justiça Eleitoral permanece válida e coloca a pré-campanha acreana em um novo patamar de tensão.
Na prática, o episódio mostra que a eleição de 2026 já começou antes do calendário oficial. E começou com disputa por narrativa, ocupação de espaços públicos e judicialização da comunicação política.
O governo do Acre chegou a esta terça-feira, 16 de junho, cercado por uma pergunta que já circula nos corredores da política, nas conversas de bastidor e nas rodas onde deputado baixa a voz antes de falar: quem realmente manda no Palácio Rio Branco? A crise não nasce de uma portaria, de uma exoneração ou de um discurso oficial. Nasce da presença de figuras sem mandato, sem cargo político claro e sem responsabilidade formal, mas com força suficiente para atravessar reuniões, interferir em alianças, pressionar parlamentares e tentar controlar o rumo de um governo que deveria responder diretamente à população.
A expressão é antiga, mas voltou a vestir roupa nova no Acre: eminência parda. É aquele personagem que não aparece na placa da porta, não foi escolhido pelo eleitor, não senta na Assembleia, não carrega voto no bolso, mas age como se tivesse recebido procuração para decidir o destino de quem governa. Não assina ato, mas orienta. Não ocupa cargo visível, mas manda. Não enfrenta urna, mas tenta impor caminho a quem passou pelo voto. A política acreana conhece bem esse tipo de poder sem rosto. Ele sempre aparece quando a autoridade formal começa a dividir espaço com a conveniência do bastidor.
O problema não está na existência de auxiliares próximos. Todo governo precisa de conselheiros, articuladores e pessoas de confiança. O problema começa quando esses personagens deixam de aconselhar e passam a comandar. Quando isso acontece, o governo perde nitidez. O secretário não sabe até onde pode ir. O deputado não sabe com quem negociar. O aliado não sabe se fala com a governadora ou com quem fala por ela. O cidadão, que é o verdadeiro dono da máquina pública, fica sem saber quem cobrar quando a decisão dá errado.
No Acre de hoje, essa sombra pesa sobre a imagem da governadora Mailza Assis. A governadora parece tentar manter uma aparência de controle, mas a política não perdoa hesitação. Em governo, dúvida prolongada vira fraqueza. Aliança mal resolvida vira chantagem. Base insatisfeita vira ameaça silenciosa. E quando os próprios aliados começam a reclamar de interferência externa, de emendas represadas e de decisões tomadas por quem não tem mandato, o problema já saiu do cochicho e entrou na sala principal.
A base governista, embora numerosa no papel, já não se comporta como tropa obediente. Há incômodo entre deputados, especialmente em torno da liberação de emendas e da tentativa de transformar apoio político em obediência eleitoral. Emendas parlamentares não são presente do governo. São instrumentos públicos, muitas vezes destinados a associações, comunidades, instituições filantrópicas, pequenos municípios e serviços que atendem gente de carne e osso. Quando esse dinheiro vira moeda de pressão, quem sofre não é o deputado. Quem sofre é a dona Maria que espera atendimento, o dirigente de uma entidade que mantém serviço comunitário, a família que depende de uma ação social e o interior que vive na ponta do abandono.
É aí que a eminência parda se torna perigosa. Ela não aparece para explicar a demora. Não vai ao rádio prestar contas. Não sobe em palanque para pedir voto em nome próprio. Não encara eleitor na feira, no ramal, na fila do hospital ou na porta de uma escola. Quem carrega o desgaste é a governadora. Quem perde sustentação é o governo. Quem responde nas urnas é o grupo político. A sombra manda, mas a conta chega para quem está sob a luz.
O caso do MDB aprofunda esse desgaste. O partido entrou na aliança, saiu pela tangente, conversou com outros caminhos, voltou a deixar dúvidas e manteve a governadora em uma posição desconfortável. Na política, nada enfraquece mais uma liderança do que parecer dependente de quem não se decide. Quando um aliado oscila demais, cabe ao governo impor rumo. Mailza precisa decidir se conduz a própria campanha ou se continuará esperando que outros definam o tamanho do seu projeto. A indefinição do MDB já arranha o partido, mas também atinge a governadora, porque passa a impressão de que ela insiste em uma aliança que não lhe entrega segurança.
O Acre já atravessou períodos em que o poder se organizava por cartilha, senha e bênção. Quem estava dentro do círculo resolvia. Quem estava fora precisava rezar o terço inteiro para ser ouvido. Esse tipo de política envelheceu mal, mas não desapareceu. Ela apenas trocou o gabinete fechado pelo grupo de mensagem, a antessala pelo almoço reservado, o coronel antigo pelo operador moderno. A essência continua a mesma: poucos decidem, muitos obedecem e quase ninguém assume a responsabilidade.
Um governo que aceita esse modelo vai se afastando do chão. Deixa de ouvir prefeito pequeno, deputado incomodado, servidor cansado, liderança comunitária esquecida. Passa a ouvir apenas o eco de quem vive perto do poder. E o eco é sempre perigoso, porque devolve ao governante exatamente aquilo que ele quer escutar. O Acre real é diferente. O Acre real não quer saber quem cochicha no ouvido da governadora. Quer saber quem resolve. Quer saber quem responde. Quer saber por que a máquina pública parece travada quando deveria estar funcionando.
A crítica feita no Jornal da Manhã toca exatamente nesse ponto. Não se trata apenas de disputa eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Quem manda precisa aparecer. Quem decide precisa assinar. Quem interfere precisa ter nome, cargo e dever legal. A democracia não combina com poder clandestino. Governo não pode ser comandado por presença na fotografia, influência de corredor ou intimidade com quem ocupa o cargo principal. Governo exige comando aberto, cadeia de decisão limpa e autoridade capaz de dizer sim, não e por quê.
Mailza Assis ainda tem tempo de reorganizar o próprio governo, mas esse tempo não é infinito. A governadora precisa separar conselho de comando, amizade de função pública, articulação de interferência. Precisa olhar para a base e entender que deputado não é empregado de palácio. Precisa olhar para os partidos e entender que aliança sem firmeza vira humilhação pública. Precisa olhar para dentro do governo e decidir quem fala, quem manda, quem executa e quem responde.
A eminência parda sobrevive porque raramente deixa impressão digital. Por isso mesmo, um governo responsável não pode entregar sua condução a esse tipo de personagem. A sombra protege quem opera, mas enfraquece quem governa.
A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.
A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.
“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.
O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.
Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.
Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.
Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.
“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.
O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.
De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.
Manoel Oliveira da Conceição
Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.
Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.
A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.
Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?
Mâncio Lima vai receber 11 máquinas para reforçar a recuperação de mais de 300 quilômetros de ramais do município, após o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, nesta sexta-feira, 12. A ação do Governo do Acre amplia os investimentos em infraestrutura rural e busca melhorar o acesso de produtores e comunidades da zona rural.
O anúncio foi acompanhado pelo prefeito Zé Luiz, que participou do evento e confirmou o início imediato dos serviços no município. A expectativa é de que o reforço na estrutura permita acelerar a recuperação das estradas vicinais e garantir melhores condições de tráfego em áreas usadas diariamente para o escoamento da produção e o deslocamento de moradores.
Durante o lançamento, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que o governo mantém apoio aos municípios para melhorar a trafegabilidade nos ramais. “Estamos trabalhando em parceria para garantir melhores condições de trafegabilidade nos ramais e atender a população com responsabilidade”, declarou.
A governadora Mailza Assis disse que a operação tem foco no acesso das famílias, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da qualidade de vida da população. “Nosso objetivo é assegurar o acesso das famílias, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.
O prefeito Zé Luiz classificou a chegada das máquinas como um avanço para Mâncio Lima e destacou o impacto da medida para a zona rural. “Receber essas máquinas representa um grande avanço para o nosso município. Vamos iniciar os trabalhos de imediato para garantir melhores condições de trafegabilidade, fortalecer a produção rural e oferecer mais qualidade de vida às famílias que dependem dos ramais”, disse.
A Operação Verão prevê investimentos em diferentes regiões do Acre para a recuperação de ramais, rodovias e pontes, em uma estratégia de atuação conjunta entre o governo estadual, prefeituras e comunidades rurais.
Utilizamos cookies para melhorar sua experiência, analisar o tráfego e personalizar o conteúdo.
Ao continuar navegando, você concorda com nossa
Política de Privacidade.
🔴 AO VIVO
Jornal da Manhã no ar! Acompanhe na Integração FM 99,9