Silvania diz que Nayara deixa “ambiente tóxico” após pedir exoneração da Secom

A jornalista Silvania Pinheiro reagiu à saída de Nayara Lessa do governo do Acre com críticas ao ambiente enfrentado pela então secretária de Comunicação do governo de Mailza Cameli. Em comentário publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (25), Silvania afirmou que Nayara foi perseguida e injustiçada e classificou como “tóxico, podre e fétido” o ambiente do qual a jornalista estaria se afastando após pedir exoneração da Secom.

A manifestação foi feita em uma publicação que noticiava a decisão de Nayara de deixar o comando da Secretaria de Estado de Comunicação. Silvania, que também já esteve à frente da comunicação do governo acreano, dedicou parte do comentário a elogiar a atuação profissional da jornalista.

“Sempre honrada, sempre honesta, sempre lutando, virando noites e madrugadas, dias afora dedicando-se a uma comunicação social decente para os profissionais da área e para a sociedade de fato”, escreveu.

Na sequência, Silvania elevou o tom e afirmou que Nayara teria enfrentado perseguição dentro do ambiente em que trabalhava. “Foi perseguida, injustiçada, tentaram te humilhar pelo fato de você não se render aos ‘feitores’ de plantão”, declarou.

O trecho de maior peso político do comentário aparece quando Silvania se refere diretamente ao ambiente do qual Nayara estaria saindo. “Você está livre desse ambiente tóxico, podre, fétido, desse castelo de areia e ilha da fantasia criada por essas pessoas”, escreveu.

Apesar da dureza das declarações, Silvania não apontou nomes nem explicou quem seriam os responsáveis pelas supostas perseguições, humilhações e pelo ambiente descrito por ela. Também não apresentou, no comentário, episódios específicos relacionados às acusações.

A manifestação ganha relevância pelo histórico das duas jornalistas dentro da estrutura de comunicação do Estado. Silvania já comandou a Secom e, posteriormente, ocupou a presidência da Fundação Aldeia de Comunicação e é uma pessoa de confiança do ex-governador Gladson Cameli. Nayara, por sua vez, construiu parte de sua trajetória profissional dentro da comunicação governamental antes de assumir o comando da secretaria.

A saída de Nayara também ocorre poucos dias depois da exoneração de três familiares da jornalista que ocupavam cargos na administração estadual. Na ocasião, Nayara afirmou respeitar a decisão da governadora Mailza, embora tenha dito que a forma como os desligamentos ocorreram causava “estranheza”.

No pedido para deixar a Secom, entretanto, Nayara adotou um tom institucional e não fez acusações públicas semelhantes às apresentadas por Silvania. A jornalista afirmou que a decisão ocorreu após uma reflexão sobre o momento atual e os próximos caminhos profissionais.

O comentário de Silvania coloca publicamente uma versão mais crítica sobre os bastidores da saída. Além da alegação de perseguição, a ex-integrante do governo descreveu um ambiente marcado, em sua avaliação, por conflitos e tentativas de desgaste contra Nayara.

Ao encerrar a mensagem, Silvania voltou a demonstrar apoio pessoal à jornalista. “Obrigada, Nay! Feliz de quem te tem como amiga, como profissional”, escreveu.

Bocalom fala em “moralizar” o Acre e apresenta propostas para produção, saúde e ramais

Candidato ao governo participou do Jornal da Manhã nesta quarta-feira e falou sobre operações policiais, agricultura, infraestrutura rural, saúde e educação

“Eu quero ser o governador desse Acre pra ver se a gente moraliza esse Acre.” A declaração foi feita pelo candidato ao governo Tião Bocalom (PSDB), nesta quarta-feira (23), durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração. Acompanhado do candidato a vice, Sargento Adones, Bocalom respondeu a perguntas sobre as operações policiais recentes no estado, produção rural, ramais, saúde, educação e gestão dos recursos públicos.

A entrevista começou com uma pergunta sobre o cenário político do Acre após as operações da Polícia Federal realizadas na terça-feira (22). Bocalom afirmou que episódios envolvendo suspeitas sobre o uso de recursos públicos reforçam um dos discursos que pretende levar para a administração estadual.

“Eu fico muito triste quando eu vejo esses tipos de acontecimentos”, afirmou. O candidato citou sua passagem pelas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco e por funções no governo estadual para defender seu histórico administrativo. “O dinheiro público é dinheiro sagrado. É o suor de cada um. É do rico, mas é do pobre também”, disse.

Ao longo da entrevista, Bocalom voltou a colocar a produção rural entre as prioridades de seu projeto para o governo. Ele citou Acrelândia como exemplo de município onde, segundo ele, o fortalecimento da agricultura familiar aumentou a circulação de recursos no comércio e defendeu a expansão desse modelo para outras regiões do estado.

“Eu quero ver o povo trabalhando e ganhando dinheiro. Não dá pra ser burro de carga, igual a gente sempre fala: trabalha, trabalha, trabalha e, no final do ano, não sobra nada”, afirmou. Bocalom voltou a usar uma frase recorrente de sua campanha para explicar a proposta: “Campo rico, cidade rica”.
Entre as medidas citadas estão mecanização, análise e correção do solo, distribuição de calcário, adubo, sementes e mudas, além de assistência técnica. Bocalom afirmou que pretende ampliar para o estado iniciativas que diz ter adotado em Rio Branco. Segundo ele, durante sua gestão foram mecanizados 4 mil hectares destinados à agricultura familiar, além da distribuição de 6 mil toneladas de calcário e mais de mil toneladas de adubo.

“Eu não sou um candidato laboratório. Eu sou um candidato experiente. O que eu estou falando aqui é porque eu já fiz”, declarou. Os números apresentados foram citados pelo próprio candidato durante a entrevista.

Ramais

Questionado sobre a situação dos ramais, Bocalom descartou prometer o asfaltamento de toda a malha rural. Para ele, o objetivo principal deve ser garantir que as estradas tenham condições de tráfego durante todo o ano.

“O agricultor não quer que o ramal seja só asfaltado. Ele quer andar de inverno a verão”, disse.

O candidato defendeu investimentos em drenagem, tubulação e recuperação do leito das estradas, além do asfaltamento de pontos considerados necessários. “Não adianta eu vir aqui e prometer uma coisa que não vai acontecer. Asfaltar todos os ramais, não”, afirmou.

Bocalom também defendeu parceria entre o governo e as prefeituras para manutenção das estradas rurais. Segundo ele, municípios possuem máquinas, mas muitas vezes enfrentam dificuldades para comprar combustível ou fazer reparos nos equipamentos.

Saúde regionalizada

Outro tema abordado foi a saúde, principalmente após casos recentes de pacientes do interior que aguardaram transporte aeromédico. A bancada também citou moradores que esperam há anos por cirurgias e exames na rede estadual.

Bocalom defendeu a regionalização dos atendimentos e disse que pretende manter médicos especialistas nas diferentes regiões do Acre. “Nós vamos pagar o que for necessário pra segurar o especialista em cada regional”, afirmou.

O candidato também propôs hospitais de pequeno porte nos municípios, com estrutura para estabilizar pacientes e realizar procedimentos de emergência sem que toda ocorrência dependa imediatamente de uma transferência aérea.

Ao comentar as filas por procedimentos, Bocalom afirmou que encontrou aproximadamente 2,7 mil pequenas cirurgias acumuladas quando assumiu a Prefeitura de Rio Branco e que a demanda foi reduzida durante sua administração. “Eu já fiz, sei fazer e nós vamos fazer no Acre”, declarou.

Bocalom também falou sobre o fornecimento de medicamentos e criticou situações em que pacientes precisam recorrer ao Judiciário para receber remédios. “Tem um monte de gente que tem que entrar na Justiça pra poder ter medicamento. É obrigação ter o medicamento”, disse.

Educação e transporte escolar

Na educação, a bancada apresentou relatos sobre falta de merenda e problemas no transporte escolar da rede estadual, principalmente nas comunidades rurais. Bocalom concentrou sua resposta na manutenção da frota e afirmou que veículos mais antigos podem continuar atendendo os estudantes desde que passem por revisões e reparos adequados.

“Não é a idade. É manutenção”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a dimensão da estrutura estadual e as dificuldades de administrar serviços em todas as regiões, Bocalom respondeu que pretende formar equipes responsáveis por acompanhar os problemas em cada área. “Tem que ter time”, disse.

Para o candidato, o tamanho da estrutura não impede a execução das políticas públicas caso exista organização administrativa. “Não interessa o tamanho. A gente faz. É vontade política”, afirmou.

Durante a entrevista, Bocalom repetiu que pretende levar para o governo estadual experiências de suas administrações municipais e colocou o controle dos gastos como uma das bases desse projeto. Ao resumir a proposta apresentada durante a campanha, voltou ao lema que tem utilizado na disputa: “Produzir para Empregar e, se não roubar o dinheiro, dá”.

Acre pagou R$ 14,7 milhões por transporte aeromédico em 2026; dois pacientes morreram à espera de avião

Duas mortes registradas em menos de duas semanas no interior do Acre colocaram sob questionamento o funcionamento das remoções aeromédicas contratadas pelo governo estadual. Em Feijó e Santa Rosa do Purus, pacientes em estado grave morreram enquanto aguardavam transferência aérea para atendimento de maior complexidade. No mesmo ano, o Estado já desembolsou R$ 14,75 milhões em pagamentos identificados diretamente como transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

O caso mais recente ocorreu em Feijó. O servidor público municipal Anderson Montefusco, de 32 anos, morreu na segunda-feira (21) após sofrer um infarto. O prefeito Railson Ferreira afirmou que o paciente foi estabilizado pela equipe médica e teve a transferência solicitada pelo TFD, mas a aeronave não chegou. “Tinha condições de embarcar e sair de Feijó para ter a vida salva. Mas a aeronave não veio”, declarou.

Treze dias antes, Davi de Lima, de 34 anos, morreu em Santa Rosa do Purus após ser esfaqueado e permanecer por mais de 12 horas aguardando transferência para Rio Branco. O prefeito Tamir Sá também questionou a demora no atendimento aéreo. “Tem tanto avião e helicóptero à disposição, e eles deixaram o rapaz morrer sem receber o transporte aéreo”, afirmou.

As declarações dos prefeitos levantam questionamentos sobre a regulação e a disponibilidade do serviço, mas não permitem concluir que a demora no transporte tenha provocado as mortes ou que tenha ocorrido negligência do Estado. Uma conclusão desse tipo depende da análise dos prontuários, dos horários de solicitação e autorização das transferências, do acionamento das empresas e da disponibilidade de aeronaves em cada ocorrência.

Os valores movimentados pelo governo dão dimensão do serviço contratado. Registros de despesas estaduais analisados pelo Grupo Integração mostram que a Ortiz Táxi Aéreo Ltda. e a Rio Branco Aerotáxi Ltda. receberam juntas R$ 31.640.661,22 em 2026.

A Ortiz recebeu R$ 26.657.784,12, enquanto a Rio Branco Aerotáxi acumulou R$ 4.982.877,10. O total, porém, inclui contratos de diferentes órgãos e serviços que não envolvem necessariamente transporte de pacientes.

Ao separar apenas os empenhos cujo histórico menciona expressamente transporte aeromédico, UTI aérea, evacuação de pacientes, transferência inter-hospitalar ou TFD, os pagamentos somam R$ 14.751.146,80 neste ano. A Ortiz recebeu R$ 10.602.269,70 desse montante, e a Rio Branco Aerotáxi, R$ 4.148.877,10.

Os outros R$ 16.889.514,42 pagos às duas empresas correspondem a diferentes serviços de aviação. Os registros incluem fretamentos ligados à Casa Civil, Educação, Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Obras Públicas e à própria Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), além de transporte de carga, Saúde Itinerante e translado de esquifes.

A Casa Civil responde por cerca de R$ 12,21 milhões pagos à Ortiz em 2026. Os registros abrangem fretamentos para atender demandas da pasta, do Gabinete do Governador e de outros órgãos estaduais.

Na Saúde, além dos R$ 10,6 milhões classificados diretamente como serviços aeromédicos, a Ortiz recebeu aproximadamente R$ 1,42 milhão por outros serviços. Desse valor, cerca de R$ 649 mil correspondem a translado de esquifes, R$ 225 mil à Saúde Itinerante e aproximadamente R$ 544 mil a outros fretamentos destinados à Sesacre.

Na Rio Branco Aerotáxi, a maior parte dos pagamentos está ligada diretamente à área da Saúde. Dos R$ 4,98 milhões recebidos pela empresa, R$ 4,15 milhões aparecem associados à evacuação e à transferência de pacientes em UTI aérea. Outros R$ 834 mil foram pagos pelo Iteracre.

Parte dos R$ 14,75 milhões desembolsados em registros aeromédicos neste ano não corresponde a serviços necessariamente prestados em 2026. Cerca de R$ 3,99 milhões estão classificados como despesas de exercícios anteriores, ou seja, foram pagos neste ano, mas se referem a obrigações de períodos anteriores. Aproximadamente R$ 10,76 milhões aparecem como despesas do exercício atual.

A dependência da aviação para assistência à saúde no interior já havia sido reconhecida pelo próprio governo. Em março, o Executivo informou que os aeródromos estaduais são essenciais para municípios de difícil acesso terrestre e para operações relacionadas ao atendimento de saúde. Feijó e Santa Rosa do Purus estão entre as cidades atendidas pela estrutura aeroportuária estadual.

Outro ponto envolve valores devidos à Ortiz que já passaram pela etapa de liquidação da despesa, mas não apareciam como pagos na base consultada até 17 de setembro. A empresa acumulava R$ 31.638.971,82 empenhados, R$ 28.776.208,30 liquidados e R$ 26.657.784,12 efetivamente pagos.

A diferença entre o valor liquidado e o pago era de R$ 2.118.424,18. Desse total, R$ 745.936,18 correspondem a empenhos identificados diretamente como transporte aeromédico. Outros R$ 1.372.488 estavam relacionados aos demais serviços prestados pela companhia.

Entre as despesas aeromédicas liquidadas e ainda sem registro de pagamento na base estavam valores de aproximadamente R$ 357,2 mil, R$ 194,8 mil, R$ 158,5 mil e R$ 35,3 mil.

A existência de despesas liquidadas e não pagas não significa, por si só, que o Estado esteja inadimplente com a empresa. A base financeira mostra o estágio da despesa, mas não informa, nesses registros, a data de vencimento de cada fatura nem o prazo contratual previsto para o pagamento. Esses dados são necessários para determinar se há valores formalmente em atraso.

Também não há, a partir dos registros financeiros disponíveis, elementos que permitam relacionar eventual pendência de pagamento à disponibilidade das aeronaves nos casos de Feijó e Santa Rosa do Purus.

As duas mortes deixam questões que dependem de esclarecimentos do governo e das empresas contratadas: quais aeronaves estavam disponíveis nos dois dias, onde estavam posicionadas, em que horários as remoções foram solicitadas e autorizadas, quando as empresas foram acionadas e por que os voos não chegaram antes da morte dos pacientes. Também permanece sem resposta se existem faturas vencidas e se alguma pendência financeira interferiu, em algum momento, na operação do transporte aeromédico.

TRE-AC nega pedido de sigilo de Mailza em processo sobre suposto uso de servidora para fins particulares

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) negou o pedido apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis para restringir o acesso a um processo relacionado à acusação de suposto uso de uma servidora comissionada do Estado em atividades particulares. Com a decisão, a tramitação permanece pública enquanto o caso segue sob análise da Justiça Eleitoral.

A controvérsia envolve a servidora Eryclis Feitosa Sá da Silva, ocupante de cargo comissionado CAS-4 e atualmente lotada no Gabinete da Governadora. A transferência para a estrutura do gabinete ocorreu por decreto assinado em maio deste ano, com efeitos financeiros a partir de 1º de junho.

O caso ganhou repercussão após o Republicanos apresentar uma representação contra Mailza ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). O partido acusa a servidora de ter desempenhado tarefas particulares para a família da governadora durante período em que era remunerada pelo poder público.

Entre os documentos usados na acusação estão registros de acesso ao condomínio onde funciona a residência oficial da governadora. Em um cadastro apresentado pelos denunciantes, Eryclis aparece como prestadora de serviço com a descrição de “motorista das crianças”. Também foram reunidos registros de entradas e saídas do imóvel em diferentes dias e horários.

A representação sustenta que a servidora teria atuado como motorista dos filhos da governadora e prestado apoio doméstico. As alegações ainda dependem de apuração e não representam conclusão sobre eventual irregularidade.

O Governo do Acre nega que servidores públicos tenham sido utilizados para atividades particulares de Mailza ou de seus familiares. A Casa Civil afirma que o imóvel ocupado pela governadora foi formalmente transformado em residência oficial e, por essa razão, necessita de serviços permanentes de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também contesta o uso do cadastro do condomínio como prova das atribuições funcionais da servidora. A justificativa é que a descrição lançada no sistema privado de controle de acesso não foi produzida nem validada pelo Estado e, por isso, não definiria oficialmente a função exercida pela comissionada.

O Republicanos pediu inicialmente ao TCE-AC a apuração das atividades desempenhadas pela servidora, dos registros de frequência e dos valores pagos pelo Estado. O partido também solicitou que o caso fosse encaminhado a outros órgãos de controle e à Justiça Eleitoral.

A decisão sobre o sigilo não representa julgamento sobre o mérito das acusações. A discussão sobre eventual utilização irregular da estrutura pública continua sujeita à análise dos elementos apresentados pelas partes e às manifestações dos órgãos responsáveis pela apuração.

Mailza cancela participação em debates da TV Norte e TV Gazeta nesta segunda-feira

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), cancelou a participação nos debates eleitorais da TV Norte e da TV Gazeta marcados para esta segunda-feira (21), em Rio Branco. A campanha comunicou a ausência neste domingo (20) e alegou compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul, onde a candidata terá agendas ao lado da candidata a vice-governadora, Jéssica Sales.

A decisão foi informada na véspera dos encontros. Em nota encaminhada às emissoras, a campanha afirmou que Mailza participará de reuniões com moradores dos dois municípios e que continuará apresentando suas propostas durante atividades de campanha. O comunicado não informou se ela participará de outros debates antes da eleição.

A ausência ocorre depois de uma sequência de entrevistas e sabatinas nas quais Mailza foi questionada sobre metas para um eventual novo mandato e sobre decisões da administração estadual que atualmente comanda. Em algumas dessas participações, respostas a perguntas objetivas ficaram sem definição de números, prazos ou medidas específicas.

Em sabatina realizada pelo ac24horas em agosto, Mailza foi questionada sobre a política habitacional e falou dos recursos disponíveis para a construção de 2,7 mil moradias, mas não apresentou uma meta de unidades que pretende entregar entre 2027 e 2030 caso seja reeleita.

A candidata também foi perguntada sobre a implantação da rastreabilidade individual do rebanho bovino. Ao ser provocada a apresentar um prazo para que o sistema estivesse efetivamente implantado no Acre, afirmou que o assunto ainda dependia de estudos, preparação e diálogo com o setor.

Outro questionamento envolveu a ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou em junho. Mailza responsabilizou a empresa responsável pela construção e citou a judicialização do caso. Quando perguntada sobre o prazo para uma resposta, afirmou não saber quanto tempo a empresa levaria. O episódio também passou a ser investigado pelo Ministério Público, inclusive em relação ao planejamento, fiscalização, monitoramento e manutenção da estrutura.

No dia seguinte, durante sabatina da TV Rio Branco, a candidata voltou a enfrentar perguntas relacionadas à administração estadual. Uma delas pedia que apontasse áreas nas quais os recursos públicos estariam sendo mal aplicados e quais despesas poderiam ser revistas. Mailza falou em planejamento e redução de gastos, mas não citou setores específicos.

Em outro momento, foi questionada sobre a possibilidade de recriar uma secretaria direcionada aos pequenos negócios. A resposta abordou desburocratização, empreendedorismo e ações realizadas pelo governo, mas não definiu se a estrutura administrativa seria recriada.

A entrevista também teve um episódio relacionado ao controle do tempo. Ao responder como pretendia entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador e precisou interromper a fala. Posteriormente, ao tratar da Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que a unidade não havia sido extinta, mas transferida para outro departamento.

As cobranças durante as sabatinas têm uma característica diferente para Mailza em relação a candidatos que não ocupam atualmente o Executivo. A governadora assumiu definitivamente o comando do Estado em abril e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Por isso, parte das perguntas mistura propostas para os próximos quatro anos com medidas que podem ser adotadas ainda durante a atual administração.

Na reta final da campanha, esse ponto também apareceu em entrevistas sobre servidores públicos, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Ao falar sobre mudanças futuras, Mailza foi questionada sobre o que poderia começar a executar ainda no atual mandato.

O cancelamento dos debates acontece ainda em uma semana marcada por investigações policiais no Acre. Na quarta-feira (16), a Polícia Civil deflagrou a Operação Algoritmo Cidadão, que apura uma suposta estrutura de ataques digitais contra o candidato Alan Rick (Republicanos). Três investigados ocupam cargos comissionados no governo estadual, mas a polícia informou que nenhum candidato é alvo da operação. A defesa de Mailza afirmou que a governadora nunca autorizou ou teve conhecimento das ações investigadas.

Na quinta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Death Note, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à Educação no Acre. As apurações tratam de suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. A Secretaria de Estado de Educação informou que colaborou com o cumprimento das determinações.

Zequinha Lima critica saúde do governo do Acre e acusa gestão de gastar R$ 7 milhões com “cabos eleitorais”

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, elevou o tom das críticas ao governo do Acre durante uma reunião com moradores do Badejo de Cima, neste domingo (20). Em discurso na comunidade, o prefeito atacou a gestão estadual na área da saúde e afirmou que o governo teria R$ 7 milhões para pagar pessoas que estariam trabalhando politicamente na campanha governista, enquanto pacientes enfrentariam dificuldades para conseguir atendimento médico especializado.

“O governo está entre os quatro cantos da cidade dizendo que é o melhor governo do mundo, a melhor saúde do mundo, a melhor educação do mundo, a melhor agricultura do mundo. Agora tudo é”, afirmou Zequinha. Logo depois, ironizou o discurso da administração estadual: “E o melhor eu só não sei aonde. Talvez seja na casa deles”.

A crítica mais direta foi direcionada à assistência hospitalar. Zequinha afirmou que há paciente aguardando cirurgia por falta de profissional e usou o caso para confrontar o discurso do governo sobre os resultados da saúde pública.

“Porque a melhor saúde que o governo diz que tem não tem profissional cirurgião para fazer a cirurgia de um paciente que está morrendo lá dentro do hospital”, disse. Na fala, o prefeito não identificou o paciente, a unidade hospitalar nem informou qual procedimento estaria pendente.

Foi nesse ponto que Zequinha fez a acusação sobre gastos que, segundo ele, teriam finalidade eleitoral. “Mas tem dinheiro para contratar cabo eleitoral pelo Estado para pedir voto para o governo. Sete milhões é a conta que eles têm hoje para pagar cabo eleitoral e pedir voto para o governo”, declarou.

“Se tivesse gastado esse dinheiro para contratar profissional médico, botar dentro daquele hospital, certamente a gente não tinha paciente sofrendo dias e noites ali dentro do hospital”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio a episódios recentes envolvendo a rede hospitalar do Juruá. No início de setembro, o Ministério Público do Acre abriu apuração sobre o caso de uma mulher que teve uma cirurgia interrompida no Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, em Cruzeiro do Sul, após oscilações de energia durante o procedimento. A Secretaria de Estado de Saúde informou na ocasião que a paciente recebeu assistência e que a cirurgia seria remarcada.

Mailza, a votada: entre a herança eleitoral de Gladson e o peso de seu governo

Há uma frase que parece simples, quase protocolar, mas que carrega muito mais peso do que talvez pretendesse a governadora Mailza Cameli: “Eu estava lá compondo a chapa, eu fazia parte da chapa, então considero que fui votada”. Ao reivindicar para si os votos dados à chapa de Gladson Cameli em 2022, Mailza não reivindica apenas a legitimidade das urnas. A fala da governadora, feita durante sabatina nesta quinta-feira (17) no Jornal do Acre 1ª Edição, reivindica também um lugar dentro daquela construção política, daquele projeto e daquele governo.

E é justamente aí que a frase ganha outra dimensão.

Mailza tem razão quando lembra que estava na chapa. Estava mesmo. Foi eleita vice-governadora ao lado de Gladson e depois ocupou espaço efetivo na administração, inclusive comandando a área de Assistência Social. Em abril deste ano, quando recebeu o governo, foi ainda mais clara: “Esse não é um novo governo, é a continuidade de um governo que vem dando certo”. Não era uma fala lateral. Era a própria governadora definindo o lugar que pretendia ocupar diante da administração que herdava.

O problema político aparece quando essa continuidade passa a ser apresentada em parcelas.

Há menos de uma semana, durante debate eleitoral, Mailza foi questionada sobre a condenação de Gladson Cameli e respondeu por outro caminho. Disse que, como vice, tinha limites e que não poderia responder pelos problemas jurídicos decorrentes de decisões pessoais do então governador. “Eu era vice, eu tinha limite”, afirmou. Na mesma resposta, porém, reconheceu: “Participei sim do governo trabalhando, fazendo entregas, cuidando da assistência social, cuidando da saúde, visitando os municípios e planejando dentro do meu limite”.

É nessa fronteira que a campanha de Mailza terá de caminhar. Quando o assunto são obras, entregas, políticas sociais ou votos, ela se apresenta como parte da chapa, integrante do governo e herdeira de uma administração que considera bem-sucedida. Quando a discussão chega à crise jurídica que atingiu Gladson, procura demarcar onde terminavam as atribuições da vice e começavam as decisões do governador.

Uma coisa precisa ficar clara: fazer parte daquele governo não torna Mailza responsável pelos crimes pelos quais Gladson foi condenado. Responsabilidade penal é individual, depende de provas e de decisão judicial. Não há base, nos fatos aqui tratados, para atribuir a ela participação nesses crimes.

Mas política não funciona apenas com a régua do Código Penal. Existe também a responsabilidade pela história que um grupo decide reivindicar.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, em 6 de maio, a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também determinou multa e indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre. Em agosto, o STJ rejeitou os embargos apresentados pela defesa sem mudar o resultado da condenação.

É impossível apagar esse capítulo quando se reivindica a continuidade daquele mesmo ciclo político.

A frase de Mailza talvez seja importante justamente porque resolve uma discussão que sua própria campanha vinha tentando administrar. Ela não era uma espectadora no canto da fotografia. Não chegou ao Palácio Rio Branco por acidente institucional. Estava na chapa, participou da administração e agora diz que também se considera votada naquele processo.

Se o voto de 2022 também era dela, como sustenta agora, a herança política daquela chapa também passa por suas mãos. Isso inclui as entregas que pretende apresentar ao eleitor, mas inclui igualmente o desgaste, as escolhas administrativas e a condenação que atingiu o homem com quem dividiu a chapa.

Não se trata de transferir a Mailza os crimes de Gladson. Trata-se de uma pergunta bem mais simples e essencialmente política: até onde vai uma continuidade que reivindica para si os votos e os acertos, mas procura estabelecer distância quando chegam as cobranças?

Mailza agora pede ao eleitor um mandato em seu próprio nome. Talvez por isso tenha chegado a hora de definir, com a mesma clareza daquela frase, qual parte da história de Gladson ela pretende continuar — e qual parte considera que nunca lhe pertenceu.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Duas balsas passam a operar no Juruá; Só agora, Governo Mailza?

Quem chegou nesta quarta-feira, 16 de setembro, à travessia do Rio Juruá entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves encontrou uma situação diferente da rotina dos últimos anos: duas balsas de grande porte operando ao mesmo tempo. A mudança reduziu a espera de motoristas e passageiros em um serviço que normalmente funciona com apenas uma embarcação. O reforço, porém, começou sem que o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), do governo Mailza Cameli, informasse publicamente por que decidiu colocar a segunda balsa em operação, quanto a medida vai custar e por quanto tempo as duas embarcações permanecerão trabalhando juntas.

A data ampliou os questionamentos. Faltam 18 dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Nos comentários da publicação que mostrou as duas balsas em funcionamento, parte dos usuários comemorou a redução da espera, enquanto outros fizeram uma pergunta direta: por que isso não aconteceu antes?

A associação com o calendário eleitoral apareceu também em vídeo gravado na própria travessia. Em publicação de agosto deste ano, um integrante do movimento social pró-ponte criticou o momento escolhido para colocar a segunda embarcação no rio. “A ideia é boa, mas em pleno período eleitoral colocaram duas balsas de grande porte”, afirmou. 

A pergunta sobre o momento da mudança, no entanto, permanece porque a possibilidade de usar duas embarcações não surgiu agora.

Em 4 de setembro de 2024, o Deracre firmou a Ata de Registro de Preços nº 025/2024 com a empresa A. A. M. Cameli, vencedora do Pregão Eletrônico SRP nº 138/2024. Foram registrados preços para duas balsas com rebocador, pelo prazo de 12 meses, ao valor inicial de R$ 197.495 por mês para cada unidade. O valor global estimado chegou a R$ 4.739.880.

A previsão de duas balsas, sozinha, não significava que ambas deveriam permanecer permanentemente em funcionamento. A contratação foi estruturada para atendimento eventual e “sob demanda”. Na prática, o Estado registrou preço e quantidade para poder requisitar até duas unidades conforme a necessidade do serviço. A existência dessa possibilidade desde 2024, portanto, não comprova descumprimento contratual nos períodos em que apenas uma embarcação trabalhou.

Ela cria outra questão, mais objetiva: diante dos problemas acumulados na travessia, em que momento o Deracre entendeu que havia necessidade de uma segunda balsa e por que essa decisão foi tomada agora?

Até esta quarta-feira, não havia informação pública sobre a ordem que autorizou o reforço, a data em que a segunda embarcação foi requisitada, o período previsto para a operação simultânea ou o impacto financeiro da mudança. Também não foi esclarecido se a segunda balsa ficará no Juruá depois de outubro.

O custo do serviço ajuda a dimensionar a cobrança. Nos registros do Portal da Transparência referentes a 2026 aparecem sete competências do Contrato nº 089/2024, de janeiro a julho, cada uma no valor de R$ 204.068,76, todas pagas integralmente. São R$ 1.428.481,32 nos sete primeiros meses do ano.

Os pagamentos pela locação de balsa com rebocador atravessam diferentes exercícios. Em 2025, chegaram a R$ 2.376.494,94. Em 2024, foram R$ 1.852.511,13; em 2023, R$ 1.815.106,56; e em 2022, R$ 1.913.982,48. A travessia, portanto, não é um serviço eventual na vida de quem mora no Juruá nem uma despesa recente para o Estado. Há anos ela ocupa espaço permanente no orçamento e na rotina de quem precisa cruzar o rio.

A empresa contratada também aparece em processo analisado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Em 2021, a Antaq tratou da operação da A. A. M. Cameli, CNPJ 07.111.525/0001-43, na travessia de passageiros, veículos e cargas no Acre. O transporte é gratuito para o usuário e custeado com recursos públicos estaduais. Naquele processo, a agência entendeu que esse modelo de contratação não produzia efeitos nocivos à livre concorrência.

Pela empresa, a ata de 2024 foi assinada por Antônio Assen Melo Cameli. Ele é pai de Madson Cameli, marido da governadora Mailza Assis e atual chefe do Gabinete Pessoal da governadora. A relação familiar entrou nos comentários feitos por usuários depois que as duas balsas apareceram operando simultaneamente. Ela, por si só, não comprova favorecimento nem irregularidade na contratação. Madson consta atualmente na estrutura oficial da Governadoria como chefe do Gabinete Pessoal, e o governo registra publicamente o casamento de Mailza com ele.

O peso da discussão está menos na existência de duas balsas do que no histórico enfrentado por quem depende delas.

Em janeiro deste ano, uma falha interrompeu a operação da embarcação principal. Vídeos registraram fumaça na balsa e, com a paralisação, veículos voltaram a depender das embarcações menores. A mudança provocou filas e atrasos para moradores e trabalhadores que fazem o percurso diariamente.

Dois meses depois, uma reportagem acompanhou a rotina da travessia em período de movimento considerado fraco. Um morador calculou a espera entre 20 e 25 minutos. Quando o fluxo aumenta, o ciclo de ida e volta pode chegar a cerca de uma hora e meia. Estudantes e trabalhadores relataram que a dependência da travessia interfere no custo e no horário de atividades básicas como estudar e trabalhar.

Os problemas já vinham do ano anterior. Em março de 2025, falhas mecânicas voltaram a interromper o serviço e obrigaram usuários a procurar alternativas enquanto a balsa passava por manutenção. A repetição das ocorrências acabou levando a questão para além das reclamações nas filas e nas redes sociais.

Em abril de 2025, o Ministério Público do Acre abriu inquérito civil para apurar irregularidades na prestação do transporte aquaviário entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. A investigação alcançou a situação das embarcações, as condições de acesso aos pontos de atracação e a atuação do governo estadual. A própria portaria que instaurou o procedimento tratou da “precariedade do atual serviço de travessia” e cobrou informações sobre fiscalização, vistorias, manutenção e medidas capazes de enfrentar os problemas.

Em maio deste ano, a erosão voltou a expor a fragilidade da ligação entre os dois municípios. O desmoronamento do barranco no porto de Rodrigues Alves obrigou o fechamento temporário do acesso. Sem a travessia, moradores que normalmente percorrem cerca de 12 quilômetros entre os pontos de interesse tiveram de enfrentar uma rota terrestre próxima de 50 quilômetros. Um estudante relatou percurso de 46 quilômetros para conseguir chegar a Rodrigues Alves.

O governo reconstruiu um acesso provisório e restabeleceu o serviço dois dias depois. O Deracre atribuiu o problema à erosão causada pela vazante do Juruá e afirmou que a rampa precisa de intervenções frequentes porque a subida e a descida do rio alteram constantemente as condições de atracação.

É esse conjunto de episódios que explica a reação provocada pelas duas balsas nesta quarta-feira. Para quem enfrenta filas, falhas mecânicas, interrupções e problemas de acesso, duas embarcações trabalhando juntas representam uma melhora concreta. A questão levantada por usuários não é se o reforço deveria existir, mas por que uma estrutura contratual que admitia duas unidades desde 2024 só agora apareceu funcionando dessa forma.

MPF cobra bloqueio imediato do Ramal Barbary e dá cinco dias para Acre informar providências

O Ministério Público Federal (MPF) cobrou do governo do Acre a retomada imediata do bloqueio do Ramal Barbary, na região da Terra Indígena Jaminawa do Igarapé Preto. O Estado recebeu prazo de cinco dias para informar as providências adotadas após indígenas relatarem a circulação de motocicletas e quadriciclos em um trecho que deveria permanecer fechado por acordo homologado pela Justiça Federal.

O ofício foi encaminhado nesta terça-feira (15) à Procuradoria-Geral do Estado do Acre. O MPF comunicou o possível descumprimento do acordo judicial e avisou que poderá adotar novas medidas na Justiça caso o bloqueio não seja restabelecido.

A denúncia chegou ao órgão na segunda-feira (14), por meio de lideranças da aldeia Nova Vida I. Fotografias e vídeos foram apresentados para registrar o tráfego de veículos pelo Ramal Barbary.

A disputa em torno da estrada tramita desde 2022, quando o MPF e o Ministério Público do Estado do Acre ajuizaram ação civil pública envolvendo o governo estadual, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e os municípios de Cruzeiro do Sul e Porto Walter.

Durante o processo, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou provisoriamente a suspensão de intervenções no ramal, o bloqueio físico da estrada, a fiscalização de travessias fluviais clandestinas e a instalação de placas informativas. A medida provisória perdeu efeito posteriormente, e a questão passou a ser tratada por meio de um acordo firmado entre as partes.

O acordo foi celebrado em 2025 entre o MPF e o Estado do Acre, com participação da comunidade Jaminawa do Igarapé Preto, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de outros órgãos. Depois, o entendimento foi homologado pela Justiça Federal.

Entre as obrigações assumidas está o fechamento físico do Ramal Barbary com barreiras nos dois acessos ao trecho entre os rios Juruá-Mirim e Paraná dos Mouras. O objetivo é impedir o trânsito não autorizado. O Estado também ficou responsável pela instalação de placas e pela adoção de medidas caso as barreiras sejam destruídas ou danificadas, inclusive com possibilidade de apoio policial.

O acordo também prevê indenização de R$ 500 mil à comunidade Jaminawa do Igarapé Preto, com aplicação dos recursos em projetos comunitários definidos com participação dos indígenas e supervisão do MPF e da Funai.

Novas intervenções no ramal ou em áreas próximas que possam afetar a comunidade indígena dependem de consulta livre, prévia e informada, além do licenciamento ambiental exigido para a obra. O descumprimento injustificado das obrigações pode resultar em multa e outras medidas judiciais.

Mário Gazin anuncia apoio a Bocalom na disputa pelo Governo do Acre

O empresário Mário Gazin, fundador do Grupo Gazin, anunciou apoio à candidatura de Tião Bocalom ao Governo do Acre nas eleições de 2026. Em vídeo divulgado durante a campanha, ele pediu votos ao candidato e defendeu que a disputa seja definida ainda no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Gazin afirmou conhecer Bocalom desde antes da entrada do atual candidato na política. Ao comentar a trajetória dele, lembrou o período em que atuava como professor e falou sobre a relação construída ao longo dos anos.

“Eu conheço ele como professor, uma pessoa que luta, trabalha e muito bom”, afirmou o empresário na gravação.

O fundador do Grupo Gazin também citou a atuação da empresa no Acre e comparou o desenvolvimento do estado com o do Paraná, onde o grupo empresarial foi criado. Na manifestação, defendeu que Bocalom assuma o comando do Executivo acreano.

“Eu queria que o Acre fosse como o estado do Paraná. Nós precisamos eleger o Bocalom para governador”, declarou.

Gazin ainda reforçou o pedido de voto no número 45 e disse esperar uma vitória já na primeira votação. “Tem que dar no primeiro turno para não ter problema não, para ser o melhor”, afirmou.

O apoio do empresário passa a fazer parte das manifestações públicas recebidas por Bocalom durante a campanha eleitoral de 2026, em meio à disputa pelo comando do Governo do Acre.