Eleições 2026

Márcio Bittar fala sobre reeleição, futuro do Acre e relação com Bolsonaro

Candidato à reeleição ao Senado pelo Acre, Márcio Bittar (PL) afirmou, em entrevista ao IntegraçãoNet, que chega à disputa de 2026 vivendo a campanha mais madura de sua trajetória política. O senador falou sobre os oito anos de mandato, a relação com Jair Bolsonaro, os projetos que defende para o estado, a possibilidade de atuar diante de diferentes governos em Brasília e também sobre mudanças na vida pessoal. Bittar exerce mandato no Senado desde 2019 e está entre os candidatos registrados para a disputa deste ano.

Ao fazer um balanço de sua passagem pelo Senado, Bittar definiu o período como de “realização” e afirmou que a cadeira dá ao Acre capacidade de participação nas principais decisões nacionais. Ele lembrou que cada estado possui três senadores, independentemente do tamanho da população, e citou como exemplo o período em que assumiu a relatoria-geral do Orçamento da União.

“São três para o Acre e três para São Paulo. Eu, como acreano, pude ser relator do Orçamento do Brasil. Você junta 513 deputados federais e 81 senadores e apenas um parlamentar relata o Orçamento da União”, afirmou. Bittar foi relator-geral da proposta orçamentária de 2021, função confirmada pelos registros do Congresso Nacional.

O senador disse que sua atuação política tem como uma das prioridades o desenvolvimento econômico do Acre e da Amazônia. Segundo ele, essa discussão acompanha sua trajetória há décadas. “Há 36 anos eu luto pela mesma coisa: ajudar a desenvolver o Acre e a Amazônia”, declarou.

Bittar também falou sobre a proximidade política que manteve com Jair Bolsonaro durante os quatro anos em que o ex-presidente esteve no Palácio do Planalto. Para o senador, a relação permitiu uma interlocução direta com o governo federal.

“Eu tive o privilégio de gozar da confiança e da amizade de um presidente da República. A relação que o presidente Bolsonaro criou comigo é algo raro para um acreano que vai daqui para lá”, disse.

Ao projetar um novo mandato, Bittar afirmou que pretende concentrar parte da atuação em propostas para infraestrutura e integração econômica da Amazônia. Entre os projetos citados estão a recuperação da BR-364, novas ligações rodoviárias no Vale do Juruá, a ponte sobre o Rio Juruá em Rodrigues Alves e a continuidade de uma ligação terrestre em direção ao Peru.

“Estradas são importantíssimas não só para a economia, mas para a saúde e para a educação”, afirmou. Na avaliação do senador, ampliar as conexões terrestres pode aproximar o Acre de mercados internacionais pela costa do Pacífico.

Questionado sobre como atuaria caso seja reeleito e o grupo político de Flávio Bolsonaro chegue à Presidência, Bittar disse acreditar que teria participação direta na discussão de políticas para a Amazônia. Segundo ele, já apresentou ao grupo propostas voltadas à economia da região.

“Eu me tornei, para o meu time, para o Flávio Bolsonaro, para a família Bolsonaro e para vários atores que provavelmente estarão no governo dele, um porta-voz privilegiado da Amazônia”, declarou. A referência a uma eventual futura administração foi apresentada por Bittar como cenário político, e não como resultado definido da eleição presidencial.

O senador também foi perguntado sobre como seria sua atuação caso o campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneça no comando do governo federal. Bittar, que faz oposição ao atual governo, afirmou que continuaria buscando recursos e articulação para o Acre.

“Eu governei quatro anos com Bolsonaro e sou oposição há quatro anos, mas não deixei de conseguir trazer para casa emendas de minha autoria. O senador tem muito poder. Se você tiver capacidade de se articular dentro do Senado, criar relações, acaba conseguindo, mesmo no governo diferente, ajudar o seu estado”, disse.

Durante a entrevista, Bittar também comentou a disputa pelas duas vagas do Acre no Senado e a possibilidade de eleitores combinarem votos em candidatos de campos políticos diferentes. Ele citou como exemplo eleitores que poderiam escolher seu nome e o do ex-governador Jorge Viana (PT), apesar das diferenças políticas entre os dois.

“Pode ter essa lógica pragmática de um setor que não é ligado nem à esquerda nem à direita e que imagina o seguinte: se for a esquerda, eu quero um interlocutor; se for a direita, eu quero o interlocutor. São dois votos”, afirmou.

Na parte pessoal da conversa, o senador relacionou o momento político à experiência de voltar a ser pai aos 63 anos. Bittar contou que os quatro filhos mais velhos já são adultos e que o nascimento do filho com Taís mudou sua rotina e a forma como enxerga esta etapa da vida.

A mesma comparação foi usada por ele para definir a campanha eleitoral de 2026. “É a campanha mais madura da minha vida. É muito diferente o Márcio de hoje do Márcio candidato a deputado estadual em 1994. É maturidade, equilíbrio, coisas que vêm com o tempo”, afirmou.

Para Bittar, as experiências acumuladas ao longo da trajetória tiveram peso nessa mudança. “As derrotas ensinam mais do que as vitórias. É a campanha mais tranquila da minha vida, reflexiva. Eu sei o que quero”, completou.

Ao final, o senador afirmou que, caso seja reeleito, pretende dedicar a vitória ao irmão Mauro Bittar, que morreu no ano passado. Ele definiu o irmão como seu principal aliado ao longo da vida.

“Meu pai foi meu herói. O Mauro Bittar, meu irmão, foi o maior aliado que eu tive na vida. Se Deus me der e o povo acreditar nessa vitória, eu vou dedicar ao meu irmão, em homenagem a ele”, declarou.

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