Márcio Bittar leva caso Chico Melo à tribuna do Senado e cobra celeridade nas investigações

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou nesta terça-feira, 11, à tribuna do Senado Federal o caso do jornalista Chico Melo, agredido durante uma invasão à própria residência, em Cruzeiro do Sul. O parlamentar cobrou das autoridades de segurança do Acre celeridade nas investigações e a identificação da motivação do crime.

Durante o pronunciamento, Bittar relatou que quatro homens encapuzados invadiram a casa do jornalista na madrugada de 22 de julho, mantiveram Chico Melo como refém e o agrediram. De acordo com o senador, durante a ação, os criminosos fizeram perguntas relacionadas ao trabalho jornalístico desenvolvido por Melo e Rogério Wenceslau.

“Quatro marginais encapuzados fizeram de Chico Melo refém — coronhada na cabeça, sangue para todo lado. Ele ficou refém durante mais de meia hora”, afirmou Bittar na tribuna.

Para o senador, o fato de os invasores terem questionado Chico Melo sobre conteúdos divulgados no rádio aumenta a gravidade do episódio.

“Mais grave ainda é que esses bandidos andaram perguntando a ele muitas coisas sobre as matérias que ele levou ao ar, sobre as opiniões que ele expressou na rádio”, disse.

Bittar defendeu que esse ponto seja esclarecido pelas autoridades para determinar se o ataque teve relação com a atividade profissional do jornalista.

“Isso tem que ser mais celeremente investigado”, afirmou. Segundo o senador, caso seja confirmada uma retaliação motivada pelas opiniões ou matérias divulgadas pelos comunicadores, o episódio passa a representar também um ataque à liberdade de expressão.

“Aí é que as forças da segurança pública precisam elucidar o mais rápido possível porque, se tiver uma retaliação à liberdade de expressão, é contra todos nós; não é só contra o Chico Melo, não é só contra a família dele”, declarou.

O senador também manifestou solidariedade ao jornalista e aos familiares e fez um pedido direto às autoridades estaduais responsáveis pela investigação.

“Quero aqui, de público, manifestar a minha solidariedade ao Chico Melo e à família dele e, mais uma vez, pedir às autoridades do meu estado da área de segurança que acelerem ao máximo as investigações para elucidar o problema”, afirmou.

Bittar encerrou o trecho dedicado ao caso reforçando a cobrança: “Fica aqui a minha solidariedade e o meu pedido, na tribuna do Senado, para que as forças de segurança do meu querido Estado do Acre possam elucidar isso o mais rápido possível”.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Flávio Bolsonaro apoia Mara Rocha e Márcio Bittar ao Senado no Acre e deixa Gladson fora da lista

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou apoio a Márcio Bittar e Mara Rocha na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026. A definição foi apresentada em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 6, dentro de uma estratégia nacional para fortalecer palanques estaduais e ampliar a bancada aliada no Congresso.

No Acre, a escolha junta o PL de Márcio Bittar ao Republicanos de Mara Rocha. Os dois nomes passam a compor o palanque senatorial de Flávio no estado, em uma movimentação que busca organizar a direita em torno da candidatura presidencial do senador. A lista nacional apresentada por Flávio reúne 47 candidatos ao Senado em todas as unidades da Federação.

A decisão também reorganiza o cenário local porque deixa Gladson Cameli fora do grupo anunciado por Flávio, mesmo depois de o ex-governador ter declarado apoio ao presidenciável. Em março, durante o lançamento da União Progressista e recentemente em entrevista, Gladson afirmou que seu voto e seu apoio seriam para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A ausência de Gladson pesa mais porque ele tenta manter espaço na corrida ao Senado em meio aos efeitos da condenação no Superior Tribunal de Justiça. Em maio, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado o tornou inelegível por oito anos, salvo decisão judicial que suspenda os efeitos da condenação.

Com isso, a lista de Flávio expõe um novo desenho político no Acre: Bittar e Mara foram incorporados ao projeto nacional do PL, enquanto Gladson, mesmo aliado declarado do presidenciável, ficou fora da indicação formal para o Senado. Na prática, o ex-governador foi deixado de lado no momento em que Flávio buscou consolidar candidaturas com maior viabilidade jurídica e eleitoral para sustentar sua campanha no estado.

A disputa acreana continua aberta. Pesquisas recentes colocam Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha entre os nomes mais competitivos para as duas vagas, com variações conforme o cenário testado. A diferença agora é que Flávio Bolsonaro passou a tratar Bittar e Mara como seus nomes para o Senado, deixando Gladson em posição mais isolada dentro do campo conservador.

Alan Rick anunciará vice em 1º de agosto e Jarude articula apoio de Bittar

O senador Alan Rick (Republicanos) vai anunciar no dia 1º de agosto, durante convenção partidária, o nome escolhido para compor sua chapa como candidato a vice-governador na disputa pelo Governo do Acre em 2026. A definição ocorre em meio às articulações para ampliar o arco de apoio à pré-candidatura, enquanto o deputado estadual Emerson Jarude (Novo) atua para aproximar o senador Márcio Bittar (PL) do palanque republicano.

Alan confirmou que o nome do vice será apresentado apenas na convenção. “Será anunciado na nossa convenção, dia 1º de agosto”, afirmou. A decisão mantém em aberto uma das escolhas mais estratégicas da pré-campanha, em um cenário no qual adversários também negociam alianças e composição de chapas para a sucessão estadual.

Entre os nomes discutidos nos bastidores estão a ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, a empresária Ana Paula Correia e o empresário Rico Leite. Fernanda aparece ligada ao Alto Acre, Ana Paula ao Vale do Juruá e Rico Leite ao setor produtivo. A escolha do vice deve pesar na estratégia regional da campanha e na tentativa de ampliar a presença política da chapa em diferentes áreas do estado.

A movimentação ocorre no mesmo momento em que Jarude tenta construir uma ponte entre Alan Rick e Márcio Bittar. O deputado afirmou que pretende trabalhar para que o senador do PL apoie a candidatura do Republicanos. “Eu até disse ao próprio Márcio Bittar, disse para o Alan lá atrás que eu iria trabalhar para que essa aliança pudesse se concretizar, porque eu tenho uma boa relação com os dois e são os dois candidatos que há muito tempo eu já defini o apoio”, disse.

Jarude avalia que a posição de Bittar dependerá das conversas nacionais entre PL e Republicanos. O deputado citou a relação do senador com a direção do PL e com o ex-presidente Jair Bolsonaro como fator central para a decisão. “O Márcio é um cara que respeita muito a hierarquia, respeita muito as decisões partidárias e respeita muito o próprio Bolsonaro. Eu acredito que essa decisão dele passa por tudo isso”, declarou.

As conversas entre Republicanos e PL envolvem uma negociação nacional para 2026. Nesse desenho, o Republicanos discute apoio a uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e cobra contrapartidas em estados considerados estratégicos, entre eles o Acre. Caso o acordo avance, o PL poderá integrar o palanque de Alan Rick no estado.

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Jornal da Manhã em Coluna – 2 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, entrevista com o deputado federal Eduardo Velloso e cobertura de Gledson Albano em Cruzeiro do Sul.

Palácio em tremor

A política do Acre amanheceu com barulho de parede rachando no Palácio Rio Branco. Não foi apenas a frase da governadora Mailza Assis chamando Eduardo Velloso de “novo senador” que mexeu no tabuleiro. Foi a frase chegando no mesmo momento em que aliados históricos de Gladson Cameli começam a perder espaço dentro do governo.

Quando a troca acontece em cargo pequeno, o Palácio chama de ajuste. Quando passa pela Casa Civil, pelo Deracre e por nomes ligados ao ex-governador, a palavra muda de tamanho. Já não parece manutenção. Parece rearrumação de poder.

Donadoni fora da costura

A saída de Jonathan Xavier Donadoni da Casa Civil abriu a semana política com uma pergunta difícil de empurrar para debaixo do tapete. A Casa Civil não é uma sala comum. É o lugar onde se costura governo, se destrava nomeação, se conversa com deputado, se escuta prefeito e se segura crise antes que ela vire manchete.

Donadoni era visto como nome herdado da gestão Gladson Cameli. Ao tirá-lo da cadeira, Mailza mexeu numa peça administrativa, mas atingiu um símbolo político. Em governo rachado, símbolo fala alto.

Mário Neto também caiu

Depois de Donadoni, veio Mário Vieira da Silva Neto, o Mário Neto, exonerado da Diretoria de Gestão de Atos Oficiais da Casa Civil. A queda reforçou a leitura de que a mudança não parou no chefe. Alcançou o entorno.

Mário Neto era ligado à engrenagem da Casa Civil e atuava em área sensível da máquina. Quando sai o comandante e depois sai o braço direito, a conversa de bastidor ganha corpo. O governo pode chamar de decisão pontual. A política chama de limpa.

Sula saiu do Deracre

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa mais fora de Rio Branco do que muita gente imagina. No interior, Deracre não é sigla. É ramal aberto, ponte de madeira, bueiro, patrol, máquina chegando antes da chuva e produtor conseguindo tirar a produção do roçado.

Quando a presidente deixa o cargo reclamando de falta de condições para trabalhar, o problema deixa de ser gabinete e vira estrada. No Juruá, o eleitor entende essa linguagem sem precisar de tradução.

Gladson tenta apagar o fogo

Gladson Cameli apareceu na Expoacre Juruá, tirou foto, conversou, circulou e mostrou que ainda tem força de rua. Esse é o ponto que incomoda adversários e aliados: mesmo ferido juridicamente, Gladson continua carregando presença popular.

A cena é conhecida no Acre. O processo corre em Brasília, a política corre na rua e o eleitor olha as duas coisas ao mesmo tempo. Gladson sabe disso. Por isso aparece. Quem some, perde antes de pedir voto.

Avião no chão

O avião PT-WGK, registrado em nome de Gladson Cameli, voltou ao centro da Operação Ptolomeu após informação de nova apreensão pela Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, por ordem atribuída à ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.

A imagem do avião parado no aeroporto tem força política própria. Num Acre em que deslocamento aéreo, poder e dinheiro público sempre rendem conversa, uma aeronave sob restrição judicial vira mais que patrimônio. Vira fotografia de crise.

Frase de Mailza virou senha

Quando Mailza chamou Eduardo Velloso de “novo senador”, a frase saiu do protocolo e entrou no cálculo eleitoral. Pode ter sido gentileza. Pode ter sido lapso. Pode ter sido recado. O problema é que, em ano de montagem de chapa, ninguém ouve frase solta.

A pergunta que ficou no estúdio foi direta: se Velloso entra na disputa ao Senado pelo campo da governadora, quem perde espaço? Gladson? Márcio Bittar? Outro nome da base? No Acre, duas vagas parecem muitas até o momento em que todos querem sentar nelas.

Velloso não fugiu

Eduardo Velloso foi ao Jornal da Manhã no dia em que muitos prefeririam agenda longe de microfone. Isso conta. Política também se mede pela disposição de responder quando a pergunta vem sem anestesia.

Velloso não fechou a equação da chapa, mas deixou claro que está se movimentando. Falou como pré-candidato, defendeu entregas na saúde, valorizou o Juruá e tentou transformar a frase de Mailza em empurrão, não em armadilha.

Saúde como palanque

Velloso escolheu a saúde como território político. Falou de ressonância, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas e atendimento nos municípios isolados. É uma escolha esperta porque, no Juruá, saúde não é tema abstrato. É madrugada na estrada, espera por exame, família fazendo vaquinha, paciente tentando chegar vivo a Rio Branco.

Quando o deputado diz que a maior dor das pessoas é a saúde, não está apenas descrevendo um problema. Está escolhendo o lugar de onde quer falar com o eleitor.

Clodoaldo virou fiador

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues apareceu ao lado de Velloso como mais que convidado. Entrou como fiador político da relação do deputado federal com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo disse que encontrou em Velloso um parceiro para tocar demandas do mandato. Em política local, isso pesa. Deputado estadual precisa de estrada, prédio, ambulância, iluminação, entidade atendida e recurso chegando. Sem isso, discurso fica sem chão.

Delcimar na mesa

O momento mais forte da entrevista veio quando Velloso convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher de Clodoaldo Rodrigues, para ser sua primeira suplente ao Senado.

O convite foi feito ao vivo, sem Delcimar no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e lembrou que a decisão cabe a ela. A cena, porém, já fez o serviço político. Velloso mostrou que não está apenas pensando em candidatura. Está começando a montar chapa.

Juruá como base

Escolher Delcimar não é detalhe. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e tem ligação direta com uma região que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

Velloso está tentando amarrar saúde, emenda, prefeitura, mandato estadual e identidade regional no mesmo pacote. É um movimento claro: transformar o Juruá em base de largada para uma disputa majoritária.

Peru entrou na conversa

Velloso também levou para o rádio a defesa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Falou de rota mais barata, comércio, interesse asiático e presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá.

A pauta parece distante para quem olha só a briga eleitoral, mas não é. O Juruá vive o isolamento no preço do frete, no custo do combustível, na dificuldade de vender e comprar. Quando alguém fala em saída pelo Pacífico, está falando com o comerciante, o produtor e o jovem que quer ver a região deixar de ser fim de linha.

Madson e Ney no radar

Nos bastidores, Madson Cameli e Ney Amorim aparecem como nomes observados na reorganização do governo. Madson, marido da governadora e chefe de gabinete, virou alvo das críticas sobre articulação política. Ney surge como operador chamado para tentar reorganizar uma casa que perdeu escuta.

O problema é que articulação não se resolve só com nome novo entrando na conversa. Governo que deixa prefeito esperando, deputado contrariado e aliado sem resposta começa a perder antes da convenção.

Alan Rick colhe defecções

A ida do prefeito Zequinha Lima para o campo de Alan Rick continua ecoando. No Juruá, Zequinha não é apoio lateral. É prefeito de Cruzeiro do Sul, com presença numa região decisiva.

Quando um prefeito desse tamanho se move, outros observam. Uns por convicção. Outros por sobrevivência. No Acre, debandada raramente começa com barulho. Primeiro vem o silêncio. Depois a foto ao lado do adversário.

Bocalom não quer ser vice

A conversa sobre uma possível aproximação de Mailza com Tião Bocalom entrou no debate com um problema evidente: Bocalom não construiu candidatura ao governo para virar acessório de chapa alheia.

Quem conhece o ex-prefeito de Rio Branco sabe que ele gosta de campanha com o nome dele no centro. Uma composição só faria sentido se entregasse algo maior do que acomodação de última hora. Até aqui, a pergunta segue sem resposta: quem cede primeiro?

Márcio Bittar na conta

A fala de Mailza sobre Velloso também respinga em Márcio Bittar. Se a governadora começa a tratar outro nome como senador, o senador atual precisa medir o tamanho do sinal.

Bittar tem mandato, presença em Brasília e máquina política. Mas 2026 não será eleição de conforto para ninguém. Com Jorge Viana competitivo, Gladson tentando sobreviver juridicamente e Velloso buscando espaço, a disputa ao Senado virou corredor estreito.

Gastos com voos voltam à pista

O Jornal da Manhã também colocou na mesa os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas como jato, com valores citados acima de R$ 13,5 milhões entre 2023 e 2026, ligados a pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo e ao contrato 34/2023.

Esse tipo de dado entra na política com força porque conversa com uma sensação simples do eleitor: enquanto o cidadão espera consulta, estrada e resposta, o governo precisa explicar por que gastar tanto para voar. Número público sem explicação vira munição.

Crítica não é gênero

A bancada também respondeu às acusações de que as críticas ao governo teriam relação com o fato de Mailza ser mulher. O ponto foi colocado de forma direta: a cobrança recai sobre atos administrativos, decisões políticas, gastos públicos e escolhas de governo.

Mulher na política deve ser respeitada. Governadora no poder deve ser cobrada. Uma coisa não anula a outra. Quem ocupa a cadeira principal do Estado entra na vitrine porque suas decisões alcançam a vida de muita gente.

Eleitor fora da bolha

A frase mais importante da manhã talvez não tenha sido sobre cargo, exoneração ou chapa. Foi sobre o eleitor. O governo pode reorganizar gabinete, trocar articulador, apagar incêndio e chamar crise de ajuste. Mas quem decide a eleição está fora do Palácio.

Está no ramal esperando máquina, na fila da saúde, no comércio pagando frete caro, na feira ouvindo rádio, no carro indo para o trabalho, no Juruá olhando quem aparece e quem só manda recado. No fim, é esse eleitor que vai dizer se a rachadura era pequena ou se o prédio inteiro já estava cedendo.

Presença indígena na política é necessidade democrática diante da crise ambiental e da mentira

Artigo de Francisco Piyãko*

A presença indígena na política não é ameaça. É necessidade democrática. Num tempo em que a crise ambiental avança, a desinformação decide eleições e os povos da floresta continuam sendo atacados por defender seus territórios, ocupar espaços de decisão deixou de ser apenas uma escolha. Passou a ser uma responsabilidade com o futuro do Acre, da Amazônia e do Brasil.

Nós, povos indígenas, conhecemos bem o funcionamento da política tradicional. Vemos grupos investindo muito para chegar ao poder e, depois, usando ainda mais força para permanecer nele. Muitas vezes, o objetivo deixa de ser fazer melhor. Passa a ser apagar o outro, enfraquecer lideranças novas, fabricar medo e transformar a disputa pública numa guerra. Esse modelo não combina com a forma como entendemos liderança. Para nós, uma liderança cresce quando serve melhor ao seu povo, quando orienta, quando escuta e quando protege a comunidade diante das ameaças.

Ser liderança indígena não é privilégio. É sacrifício. Ninguém assume essa caminhada porque alguém está pagando ou bancando. A força vem da responsabilidade com o povo, da defesa do território, da necessidade de dialogar com governos, municípios, autoridades e instituições que nem sempre chegam preparados para ouvir. Quando existe espaço de conversa, nós sentamos. Quando não existe, seguimos organizados, fortalecendo alianças e protegendo nossos direitos.

O que dificulta a relação não é explicar o pensamento indígena. O que dificulta é a falta de respeito. Quanto menos se respeita os povos indígenas, mais crescem a violação de direitos, a pobreza e a vulnerabilidade. Onde o direito coletivo enfraquece, a violência avança. Por isso, a articulação entre os povos é tão importante. É ela que sustenta conquistas, protege territórios e mantém viva a força coletiva reconhecida na Constituição.

A mentira virou uma das principais armas contra nós. Fake news, promessas vazias e campanhas de medo exploram a necessidade das pessoas. Em muitos lugares, a desinformação chega antes da verdade, grita mais alto e ajuda a eleger candidatos que depois votam contra os povos indígenas, contra o meio ambiente, contra a região e contra os direitos sociais. Muitas vezes, os piores candidatos vencem porque a população foi cercada por mentiras.

É nesse cenário que a presença indígena na política precisa ser entendida. Nós não disputamos cargo para destruir ninguém. Não fazemos guerra contra não indígenas, extrativistas, ribeirinhos ou moradores das cidades. O cargo pode ser um meio para levar nossa voz aonde as decisões acontecem. Gestão, Legislativo, Judiciário, governo e parlamento precisam ouvir quem sempre foi tratado como assunto, mas raramente como sujeito da própria história.

Também é por isso que alguns grupos se sentem ameaçados quando aparece uma candidatura indígena. Eles estavam acostumados a falar em nosso nome, em nome da Amazônia, da floresta e até do futuro. Querem ser ambientalistas sem nunca ter plantado uma árvore, colhido uma semente, compreendido um rio, pescado para viver ou sentido a natureza como parte da própria vida. Usam a floresta em discursos bonitos fora daqui, mas, quando voltam, trabalham para enfraquecer lideranças que defendem os territórios de verdade.

Foi isso que apareceu quando Nikolas Ferreira veio ao Acre, a convite do senador Márcio Bittar, e disse que já conhecia o estado mais do que Marina Silva. Ele tentou atingir Marina, mas acabou enfraquecendo ainda mais o senador, que abriu o palanque para esse tipo de ataque. Porque quando um deputado de fora passa poucos dias no Acre e se sente autorizado a dizer que conhece esta terra mais do que uma mulher nascida no seringal, formada na luta social acreana e reconhecida no Brasil e no mundo pela defesa ambiental, ele não diminui Marina. Ele revela a arrogância de quem usa a Amazônia como palco.

Marina pode ser criticada, como qualquer liderança pública. O problema é transformar crítica em deboche contra uma história. Existe uma diferença profunda entre discordar de uma posição política e tentar apagar uma trajetória construída dentro da floresta. Quando isso acontece, o debate fica menor. E quem oferece palanque para esse tipo de ataque assume também o custo político da escolha.

Essa cena mostra uma disputa maior: quem tem o direito de falar sobre a Amazônia? Há quem chegue, grave vídeo, faça discurso, ataque lideranças da floresta e vá embora achando que entendeu tudo. Mas o Acre não se aprende em visita rápida. O rio não se compreende pela janela de caminhonete. A floresta não é cenário de campanha. Ela é casa, alimento, remédio, memória, água e futuro.

Nós não vivemos numa ilha. A luta socioambiental não pertence apenas aos povos indígenas. Quando se desmata uma cabeceira, quando se ameaça a Reserva Chico Mendes, quando se derrubam áreas de floresta que ajudam a sustentar os rios, a consequência chega também à cidade. Imaginem o Rio Acre secando de verdade, sem água suficiente para Rio Branco e para os municípios que dependem dele. Ninguém está preparado para isso com a seriedade necessária.

A ciência vem avisando. A nossa experiência também. O tempo da floresta mudou, os rios baixam, o calor aumenta, a fumaça volta e a situação hídrica se agrava. Mesmo assim, há setores que continuam defendendo mais desmatamento, inclusive em áreas que funcionam como reservatório natural da vida no Acre. Tratam a proteção ambiental como obstáculo, quando ela é condição básica para qualquer futuro.

A política indígena assusta porque coloca essa verdade na mesa. Ela pergunta desenvolvimento para quem, a que custo e por quanto tempo. Pergunta por que alguns grupos defendem interesses particulares como se fossem interesse do povo. Pergunta por que tantos têm medo de que os povos da floresta ocupem espaços de decisão e deixem de ser apenas mão de obra, símbolo de campanha ou assunto de discurso.

Nós não estamos no momento de dividir. Estamos no momento de falar sério. A seca não vai perguntar em quem cada pessoa votou. A falta de água não vai separar indígena, comerciante, trabalhador, empresário, criança, idoso, aldeia ou capital. Quando o colapso chegar, todos vão entender que proteger floresta, território indígena, reserva extrativista e rio era uma política de sobrevivência.

Por isso, candidatura indígena não é atraso. Atraso é uma cidade sem segurança hídrica. Atraso é destruir a floresta que protege a água. Atraso é votar contra direitos ambientais e depois dizer que defende a região. Atraso é usar mentira para convencer o povo de que seus verdadeiros defensores são inimigos.

A democracia brasileira precisa de mais presença indígena porque nós carregamos uma experiência que o Estado ignorou por tempo demais. Sabemos que território não é mercadoria comum. Sabemos que rio não é apenas recurso. Sabemos que floresta não é vazio. Sabemos que vida coletiva exige responsabilidade. Essa visão não substitui a ciência nem as instituições. Ela se soma a elas com a força de quem vive a realidade no corpo.

O medo de alguns grupos diante da nossa presença revela mais sobre eles do que sobre nós. Se uma candidatura indígena ameaça alguém, talvez ameace privilégios, negócios mal explicados, discursos vazios e a velha prática de falar sobre a Amazônia sem dividir a decisão com quem vive nela. Para a democracia, nossa presença não é ameaça. É correção de rota.

O Acre já pagou caro por ignorar suas vozes da floresta. Pagou com conflito, morte, abandono, seca, fumaça e desigualdade. Não podemos continuar tratando os povos indígenas como problema enquanto os verdadeiros problemas avançam sobre a terra, a água e a verdade. O que defendemos não é privilégio indígena. É o direito de todos a continuar vivendo.

A minha luta é para que nossa voz chegue aos espaços de decisão sem pedir licença a quem sempre nos quis calados. A presença indígena na política não divide o Acre. Ela obriga o Acre a se olhar com honestidade. Ela mostra que defender os povos da floresta é defender a água, a cidade, o clima, a comida, a memória e o futuro.

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É saber se o Acre vai continuar servindo de palco para quem chega de fora e debocha da sua história, ou se vai abrir caminho para quem conhece esta terra pela responsabilidade de protegê-la. Eu escolho o segundo caminho. Nele, a presença indígena não é favor, não é concessão e não é ameaça. É necessidade democrática.

*Francisco Piyãko é liderança indígena do Povo Ashaninka, do Rio Amônia, de Marechal Thamaturgo, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), ex-secretário dos Povos Indígenas do governo do Acre e ex-assessor da presidência da Funai.