Alan Rick critica gastos com shows e diz que governo do Acre deixa saúde em segundo plano

O senador e pré-candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) criticou nesta quinta-feira, 13, os gastos do governo estadual com shows e afirmou que os recursos deveriam ter como prioridade áreas como a saúde. Em entrevista à TV Norte, ele ampliou os ataques à atual gestão e também cobrou resultados na educação, segurança pública e na atração de indústrias para o estado.

“O governo gasta demais com shows ao invés de gastar com saúde”, afirmou Alan Rick. Na sequência, o senador resumiu sua avaliação sobre a administração estadual: “O governo tá errado em tudo”.

A declaração coloca os gastos com eventos no centro do discurso do pré-candidato contra a gestão estadual em um momento de intensificação da disputa pelo Palácio Rio Branco. Alan tem adotado como uma das principais linhas de oposição a comparação entre despesas consideradas não prioritárias e problemas enfrentados em serviços públicos.

Na educação, o senador voltou a mencionar contratos que estão sob investigação da Polícia Federal. Alan falou em R$ 51 milhões e acusou a administração de retirar recursos que deveriam atender áreas como merenda e transporte escolar. A quantia citada corresponde ao valor de contratos investigados na Operação Talha Real, deflagrada pela PF em julho para apurar possíveis irregularidades envolvendo recursos federais do Fundeb. A investigação ainda está em andamento e não há decisão definitiva que comprove desvio de todo o montante mencionado pelo senador.

Alan também acusou o governo de usar ônibus do transporte escolar para transportar pessoas para uma convenção política. “Isso é uma vergonha”, declarou.

Outro alvo foi a estrutura tecnológica das escolas. O pré-candidato criticou a compra de equipamentos sem que, segundo ele, haja conectividade suficiente nas unidades de ensino. “Não adianta comprar tablet, entregar para o aluno. Ele não tem internet na escola. Dinheiro jogado fora. Dinheiro do acreano, do contribuinte”, disse.

O senador ainda cobrou uma política de formação para professores e voltou a relacionar os problemas da educação à situação da saúde pública. Na área econômica, atacou a falta de indústrias em funcionamento na Zona de Processamento de Exportação, em Senador Guiomard, estrutura criada para receber empresas voltadas principalmente à produção e exportação.

A segurança pública completou a série de críticas. Para Alan Rick, o atual modelo não consegue devolver à população a sensação de segurança. “O Estado hoje não tem um modelo de segurança pública que torne ao acreano a sensação de segurança”, afirmou.

Ao concentrar a fala nos gastos com shows e contrapô-los às demandas da saúde e de outros serviços públicos, Alan reforça uma das linhas que pretende explorar na pré-campanha: a discussão sobre prioridades na aplicação do orçamento estadual.

Mailza tem 5 dias para se explicar ao TRE-AC por suposta conduta vedada em isenção do IPVA

A governadora do Acre, Mailza Assis, tem cinco dias para apresentar defesa ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) em uma representação que a acusa de prática de conduta vedada pela legislação eleitoral na concessão de benefício fiscal em ano de eleição. A ação foi apresentada por Republicanos, PSD, Novo e Avante, partidos que integram a Coligação Trabalho da Esperança. A notificação já foi expedida pela Justiça Eleitoral.

O processo questiona a isenção do IPVA de 2026 para veículos novos adquiridos por pessoas físicas entre 1º e 30 de agosto. A medida foi proposta pelo governo estadual, encaminhada à Assembleia Legislativa do Acre em regime de urgência e posteriormente sancionada por Mailza.

Os partidos não pedem a suspensão nem a revogação da isenção. A representação concentra o questionamento na responsabilidade da governadora pela criação do benefício em ano eleitoral e pede que o TRE-AC reconheça a ocorrência de conduta vedada e aplique a penalidade prevista na legislação.

A ação se baseia no artigo 73, parágrafo 10, da Lei das Eleições, que proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, exceto em situações previstas pela própria legislação, como calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

“Não se trata de programa social, de situação de calamidade ou de estado de emergência”, afirma a representação. Os partidos sustentam que a medida criou uma “exoneração tributária temporária e generalizada” em período que coincide com a realização de uma feira de negócios promovida pelo Estado.

A representação também cita decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo benefícios fiscais concedidos em ano de eleição. Entre os precedentes mencionados está um caso relacionado às eleições municipais de 2012, no Paraná, no qual uma lei de iniciativa do então prefeito concedeu isenção tributária e houve reconhecimento de conduta vedada pela Justiça Eleitoral.

No caso acreano, os autores atribuem responsabilidade direta a Mailza por ela ter encaminhado o projeto ao Legislativo e sancionado a medida. “Trata-se, portanto, da agente pública responsável pela iniciativa e pela sanção da norma que instituiu a vantagem”, diz a representação.

Esta é a segunda ação eleitoral recente envolvendo atos do governo estadual. Na semana passada, o Republicanos acionou o TRE-AC em outro processo que questiona cerca de 1,4 mil nomeações realizadas pelo governo durante o período de restrições estabelecido pela legislação eleitoral.

Na nova representação, Republicanos, PSD, Novo e Avante pedem a aplicação da multa máxima, calculada em R$ 106.410. Mailza poderá apresentar sua defesa dentro do prazo de cinco dias. Depois dessa etapa, o processo seguirá para julgamento, e caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve ou não prática de conduta vedada.

Alan Rick propõe ampliar crédito rural e industrialização para gerar empregos no Acre

O candidato ao Governo do Acre, senador Alan Rick, propõe ampliar a assistência técnica e o crédito rural, incentivar a industrialização da produção e reduzir entraves para novos investimentos no estado. As medidas integram o primeiro eixo do plano de governo protocolado na Justiça Eleitoral na quarta-feira, 12 de agosto, com foco na geração de emprego e renda e no fortalecimento das atividades produtivas acreanas.

O plano concentra ações na agricultura familiar, responsável por 26.851 estabelecimentos rurais no Acre, o equivalente a 91% das propriedades. Entre os problemas enfrentados pelo setor estão as dificuldades de logística, a assistência técnica limitada, o custo elevado dos insumos e a baixa agregação de valor aos produtos.

A proposta prevê ampliar o atendimento técnico em todas as regiões do estado e facilitar o acesso dos produtores ao crédito rural. Também estão previstas ações para incentivar o uso de tecnologia no campo e fortalecer cooperativas e associações ligadas à produção.

As medidas alcançam cadeias como pecuária, café, grãos, mandioca, fruticultura, piscicultura, suinocultura, avicultura e produtos da sociobiodiversidade. A intenção é aumentar a produtividade e criar condições para que uma parcela maior da produção seja processada no próprio Acre.

O plano também prevê incentivos ao beneficiamento e à industrialização. A estratégia busca aproximar produtores, cooperativas, agroindústrias e compradores, além de ampliar a comercialização para outros estados e mercados internacionais.

A localização do Acre na fronteira com Peru e Bolívia aparece entre os pontos considerados para ampliar o comércio com países vizinhos e buscar acesso aos mercados da região do Pacífico. A proposta combina essa abertura de mercados com ações para aumentar o valor dos produtos antes da venda.

“Não podemos falar em desenvolvimento sem criar condições para quem trabalha, produz e empreende crescer. O Acre tem potencial, tem gente trabalhadora e tem riquezas. O que precisamos é fazer o Estado funcionar como parceiro, ajudando a abrir caminhos para transformar tudo isso em oportunidade, emprego e renda para a nossa população”, afirmou Alan Rick.

A bioeconomia também integra o eixo econômico do programa. As propostas incluem o aproveitamento sustentável dos recursos da floresta e o processamento de produtos da sociobiodiversidade, com participação de produtores, extrativistas, comunidades e cooperativas.

O candidato também propõe reduzir burocracias e ampliar a segurança jurídica para estimular novos negócios e investimentos. Outra medida é aproximar universidades, Embrapa, Instituto Federal do Acre e setor produtivo em projetos de pesquisa e inovação voltados ao aumento da produtividade e da competitividade.

“Nosso desafio é fazer a riqueza do Acre gerar riqueza para os acreanos. Isso significa apoiar o pequeno produtor, fortalecer o agro, incentivar a indústria, o comércio e os serviços e aproveitar de forma responsável as oportunidades da nossa floresta”, declarou o senador.

MPE pede impugnação da candidatura de Gladson Cameli ao Senado no Acre

O Ministério Público Eleitoral pediu nesta quinta-feira, 13 de agosto, ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), a impugnação do registro de candidatura de Gladson de Lima Cameli ao Senado nas eleições de 2026. Filiado ao Progressistas (PP), Cameli registrou candidatura com o número 111 pela coligação Avança Acre. O pedido tem como fundamento a condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, para o MPE, enquadra o candidato nas regras de inelegibilidade da Lei Complementar nº 64/1990.

A impugnação tramita no processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000. O edital do pedido de registro foi publicado em 12 de agosto, e o Ministério Público ingressou com a ação dentro do prazo de cinco dias previsto na legislação eleitoral. Agora, caberá ao TRE-AC analisar os argumentos do MPE e a defesa do candidato antes de decidir se o registro para a disputa ao Senado será mantido ou indeferido. A apresentação da impugnação, por si só, não representa uma decisão da Justiça Eleitoral contra a candidatura.

O ponto central da ação é a condenação de Cameli na Ação Penal nº 1.076/DF. Em 6 de maio de 2026, a Corte Especial do STJ o condenou a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 600 dias-multa. Também foi fixado o pagamento de R$ 11.785.020,31 por danos materiais e decretada a perda do cargo público. O julgamento ocorreu por órgão colegiado, condição usada pelo Ministério Público Eleitoral para sustentar a incidência da regra de inelegibilidade.

A condenação abrangeu dispensa indevida de procedimento licitatório, peculato-desvio por 31 vezes, corrupção passiva, lavagem de dinheiro por 46 vezes e organização criminosa. A Corte Especial rejeitou as principais questões preliminares apresentadas durante o processo, entre elas alegações relacionadas a relatórios de inteligência financeira, buscas e apreensões, competência da Justiça Eleitoral, cadeia de custódia de provas digitais e cerceamento de defesa. No mérito, o colegiado considerou comprovados os crimes atribuídos a Cameli.

A discussão eleitoral não reabre o julgamento criminal realizado pelo STJ. O TRE-AC terá de decidir se os efeitos daquela condenação impedem a candidatura ao Senado. O MPE enquadrou o caso no artigo 1º, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar nº 64/1990, dispositivo aplicado a condenações por determinados crimes quando proferidas por órgão judicial colegiado. Entre os delitos citados na impugnação estão crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o ajuizamento da ação, o Ministério Público Eleitoral afirmou não existir decisão judicial suspendendo a inelegibilidade decorrente da condenação.

Antes da impugnação, o nome de Cameli já havia entrado no módulo “Ficha Suja” do Sisconta Eleitoral. O Relatório de Conhecimento nº 000960/2026, produzido em 12 de agosto, registrou a candidatura ao Senado pelo PP no Acre e relacionou como potencial impedimento eleitoral a condenação na Ação Penal nº 1.076/DF. O sistema reúne informações usadas pelo Ministério Público Eleitoral para localizar possíveis casos de inelegibilidade entre candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral.

A ação penal que levou à condenação teve origem nas investigações da Operação Ptolomeu e alcançou contratos públicos firmados durante o governo de Cameli. No processo julgado pelo STJ, a apuração se concentrou no contrato nº 010/2019 da Secretaria de Infraestrutura do Acre com a Murano Construções. A acusação atribuiu a Cameli participação em um esquema para direcionar contratações, desviar recursos públicos e receber vantagens indevidas. No julgamento, a Corte Especial considerou comprovado que o então governador participou do direcionamento de pagamentos e recebeu benefícios ligados à execução do contrato.

Entre os fatos examinados pelo STJ estavam pagamentos relacionados a um apartamento em São Paulo, a um veículo Toyota Hilux SW4 e vantagens destinadas a familiar de Cameli. A relatora da ação penal, ministra Nancy Andrighi, registrou no voto que as provas reunidas permitiram responsabilizar o acusado pelos crimes levados a julgamento. A condenação criminal passou, meses depois, a produzir uma consequência diretamente eleitoral: tornou-se o principal fundamento usado pelo Ministério Público para tentar retirar da disputa ao Senado uma das candidaturas de maior peso político no Acre em 2026.

A decisão sobre o registro terá efeito direto na composição da disputa pelas duas vagas do Acre no Senado. O processo, porém, ainda precisa percorrer a Justiça Eleitoral. A questão imediata não é mais a existência da condenação no STJ, mas se há alguma decisão judicial capaz de suspender seus efeitos eleitorais e permitir a candidatura. Na ação protocolada no TRE-AC, o Ministério Público sustenta que essa suspensão não existia até 13 de agosto e, por isso, requer a aplicação da inelegibilidade ao candidato.

Edvaldo acusa governo Gladson de baixa execução e critica nomeações sem capacidade técnica

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o governo Gladson Cameli executou menos de 50% dos recursos disponíveis para investimentos durante os dois mandatos e atribuiu o problema à nomeação de pessoas com baixa capacidade técnica para cargos comissionados. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul.

Edvaldo afirmou que o Estado teve recursos previstos no orçamento para investimentos, mas não conseguiu transformar boa parte desse dinheiro em obras e ações públicas. Para ele, a discussão sobre a capacidade financeira do governo precisa considerar não apenas quanto dinheiro existe no orçamento, mas quanto efetivamente é executado.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado — não é um dinheiro que vai existir, é o dinheiro que existia no orçamento para investimento — e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

O percentual foi apresentado pelo próprio deputado durante a entrevista. Na participação no Jornal da Manhã. Ao explicar o impacto da baixa execução, o parlamentar relacionou investimento público à contratação de obras, geração de empregos e melhoria da infraestrutura estadual.

“Dinheiro de investimento é aquele que gera emprego, porque tu contrata obra, tu faz investimento em infraestrutura, tu faz investimento na agricultura, na infraestrutura da educação, da saúde”, disse.

Edvaldo fez a crítica mais dura ao tratar da composição administrativa do governo. Segundo ele, a dificuldade para executar os recursos disponíveis está ligada à escolha de pessoas sem preparação técnica suficiente para ocupar funções responsáveis pela elaboração e execução de projetos.

“Dos 100% do dinheiro, menos de 50%, a cada ano, ele teve a capacidade de executar. Sabe por quê? Porque encheu nos cargos comissionados de gente com baixa capacidade técnica e não consegue botar um projeto de pé e depois não consegue botar um projeto em execução”, declarou.

O deputado não citou nomes de servidores, secretários ou órgãos específicos ao fazer a acusação. A crítica foi dirigida à estrutura de cargos comissionados do governo Gladson Cameli. Durante a entrevista, não houve resposta de representante do governo estadual às declarações.

Para Edvaldo, a baixa execução dos investimentos tem reflexos diretos na economia porque reduz a capacidade do poder público de contratar obras e movimentar atividades que geram emprego. O parlamentar também relacionou esse cenário à saída de jovens acreanos para outros estados em busca de oportunidades de trabalho.

A alternativa defendida pelo deputado passa por uma reorganização da administração estadual, com maior capacidade técnica para elaborar projetos e executar os recursos disponíveis.

“Nós precisamos ter um novo pacto do desenvolvimento do Estado, onde a gente retome a nossa capacidade de investimento, retome a capacidade de gerar emprego”, afirmou.

Edvaldo também defendeu que o Acre aumente a articulação com o governo federal para conseguir recursos destinados a projetos estruturantes, principalmente para o Vale do Juruá. Na avaliação dele, divergências partidárias não devem impedir que o Estado apresente projetos e dispute investimentos em Brasília.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

A crítica à execução orçamentária foi feita durante a discussão sobre as eleições de 2026. Edvaldo confirmou na entrevista que é pré-candidato a deputado estadual e colocou a capacidade administrativa do Estado, a execução dos investimentos e a geração de empregos entre os temas que pretende defender no debate eleitoral.

Agenda de Mailza tem entrevista e propostas para ampliar mercados e fortalecer produção no Acre

A candidata à reeleição ao governo do Acre, Mailza, apresentou nesta quarta-feira, 12, durante sabatina da TV Norte, em Rio Branco, uma agenda voltada à ampliação de mercados, ao fortalecimento da produção local e à integração econômica com países vizinhos. A proposta busca atrair empresas, gerar emprego e renda e criar condições para que produtos acreanos alcancem novos mercados.

Mailza defendeu a aproximação comercial com o Peru e outros países da região como parte da estratégia para transformar a posição geográfica do Acre em oportunidade de negócios. A candidata pretende manter as articulações internacionais e associar esse movimento à melhoria da infraestrutura e do ambiente para empresas e empreendedores.

Na produção local, o café apareceu entre os setores citados como exemplo do potencial acreano. Mailza também defendeu redução da burocracia para empresários e empreendedores e ampliação do apoio às cadeias produtivas. Na agricultura, falou em assistência técnica, investimentos e expansão das condições oferecidas a cooperativas, pequenos produtores e grandes produtores.

A candidata afirmou que esse planejamento não deve ficar restrito aos próximos quatro anos e falou em uma agenda de dez anos para o setor produtivo. O objetivo passa por conectar produção, armazenamento, transporte e comercialização, permitindo que o Acre abasteça o mercado interno e avance nas exportações.

“Precisamos garantir escoamento, venda e entrega da produção, para termos condições de ser autossuficientes e também exportar”, disse Mailza durante a sabatina.

A infraestrutura ocupa uma parte central dessa agenda. Mailza citou investimentos em ramais, pontes e rodovias estaduais e defendeu maior articulação com os responsáveis pela manutenção da BR-364. Também incluiu o arco metropolitano de Rio Branco entre as obras que podem melhorar o transporte de cargas e criar condições para novos investimentos.

Ao tratar da produção agropecuária, Mailza vinculou a expansão econômica ao uso de tecnologia e à abertura de mercados para produtos como carne e farinha. A candidata afirmou que o crescimento da produção precisa resultar em renda para a população e defendeu a integração comercial como caminho para ampliar as vendas de produtos acreanos.

Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

Jorge Viana convida Bira Vasconcelos para primeira suplência ao Senado

O ex-governador Jorge Viana (PT), candidato ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026, convidou nesta segunda-feira, 10, o ex-prefeito de Xapuri Bira Vasconcelos (PT) para assumir a primeira suplência da chapa. O convite ocorre após a saída do ex-governador Binho Marques, que havia sido escolhido inicialmente para a função.

Binho Marques foi oficializado como primeiro suplente de Jorge Viana durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, realizada em 30 de julho. A delegada Carla Brito, do Podemos, foi definida como segunda suplente.

A composição precisou ser alterada após Binho informar, na sexta-feira, 7, que não poderia permanecer na chapa por causa de um problema relacionado aos prazos e às formalidades do registro eleitoral. O ex-governador afirmou que acataria a decisão da Justiça Eleitoral e continuaria participando da campanha.

Com a mudança, Jorge Viana passou a buscar um novo nome para ocupar a primeira suplência. A escolha de Bira Vasconcelos mantém a vaga dentro do PT e aproxima da chapa uma liderança com trajetória política ligada a Xapuri e ao grupo que governou o Acre durante os anos da Frente Popular.

Bira foi prefeito de Xapuri por três mandatos e permaneceu filiado ao PT mesmo durante o período em que outras lideranças municipais deixaram o partido. Ele também mantém uma relação política de longa data com Jorge Viana e já participou de agendas do ex-governador em diferentes momentos.

Jorge Viana disputa uma das duas vagas do Acre no Senado que estarão em jogo nas eleições de outubro. Ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador por dois mandatos e ex-senador, o petista voltou à disputa por uma cadeira no Congresso Nacional após concorrer ao governo estadual em 2022.

A eventual entrada de Bira Vasconcelos ainda depende da definição da chapa e dos procedimentos eleitorais necessários para a substituição do primeiro suplente.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Sargento Adonis leva trajetória militar e força eleitoral do Juruá à chapa de Bocalom

Escolhido para disputar o cargo de vice-governador do Acre na chapa de Tião Bocalom, do PSDB, Sargento Adonis chega à eleição de 2026 com uma trajetória ligada ao Vale do Juruá, à Polícia Militar e à política de Cruzeiro do Sul. A composição amplia a presença da região na disputa pelo Governo do Estado e leva para a campanha um nome que recebeu mais de 9 mil votos na primeira eleição que disputou.

Adonis Souza nasceu na comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, em uma família que vivia do comércio pelos rios da região. O pai trabalhava como regatão, transportando e vendendo mercadorias em comunidades isoladas, enquanto a mãe era natural de Porto Walter. Nos primeiros anos de vida, a família morava em um batelão usado durante as viagens comerciais.

A mudança para a cidade ocorreu quando Adonis ainda era criança. A decisão dos pais teve como principal objetivo garantir acesso à escola para os filhos. Aos 12 anos, ele já conciliava os estudos com diferentes atividades para conseguir renda, entre elas a retirada e venda de areia, a comercialização de bolinhos de trigo e a revenda de produtos fornecidos por comerciantes de Cruzeiro do Sul.

A rotina de trabalho continuou durante a formação acadêmica. Adonis graduou-se em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre e também concluiu o curso de Direito em Rio Branco.

Posteriormente, ingressou na Polícia Militar do Acre, onde permanece na ativa. A carreira acrescentou à sua trajetória profissional a experiência na segurança pública e o contato direto com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias do Vale do Juruá.

“Durante toda a minha vida, estive servindo as pessoas com aquela atividade simples. Depois, passei a prestar um serviço de segurança pública à sociedade”, afirmou Adonis ao falar sobre a passagem do trabalho no comércio para a atuação policial.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2020. Naquele ano, Sargento Adonis disputou pela primeira vez a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e recebeu 9.077 votos. Ele terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Zequinha Lima e Jéssica Sales.

A votação municipal deu projeção ao nome de Adonis no Juruá e passou a integrar seu principal capital político para a eleição estadual de 2026. Seis anos depois da primeira candidatura, ele deixa uma disputa concentrada em Cruzeiro do Sul para integrar uma chapa que busca votos nos 22 municípios acreanos.

Adonis afirma que decidiu participar da política após acompanhar problemas relacionados à administração pública e questionar a aplicação dos recursos destinados à população.

“Eu sempre tive dentro de mim esse desejo de devolver para a sociedade, de alguma forma, aquilo que é dela por direito”, declarou.

Na chapa de Bocalom, a escolha do policial militar também estabelece uma ligação direta com o segundo maior colégio eleitoral do Acre e com os municípios do Vale do Juruá. A campanha passa a reunir, na mesma composição, uma liderança política sediada em Rio Branco e um candidato a vice com trajetória profissional, familiar e eleitoral construída no interior do estado.

Assista a entrevista: