O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a negar, nesta quarta-feira (24), qualquer possibilidade de compor como vice em uma chapa governista e manteve a candidatura ao governo do Acre nas eleições deste ano. Filiado ao PSDB, ele disse que deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o Palácio Rio Branco e não para ocupar posição secundária em uma aliança com a governadora Mailza Assis, do PP.
“Alguém acha que eu deixei a prefeitura para ser vice de alguém? Quem espalha esse tipo de boato quer me tirar da frente, porque sabe que ganharei o governo. Ninguém tem nem a coragem de vir com essa conversa comigo”, afirmou Bocalom.
A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão estadual, num cenário em que partidos da base governista discutem alianças, composição de chapa e espaços nas disputas para o Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Bocalom tenta se firmar como alternativa fora da chapa de Mailza e aposta no legado de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco para sustentar a campanha.
O ex-prefeito disse que seu grupo começou a distribuir à população um jornal com realizações de sua gestão municipal. Segundo ele, a receptividade nas ruas mostra que há espaço para crescimento eleitoral. “Meu pessoal está distribuindo um jornal com as minhas realizações como prefeito, e noventa por cento dos que são abordados para receber o material, recebe e ainda me elogia. O povo quer o Bocalom no governo”, afirmou.
Bocalom também pretende usar como bandeira de campanha o argumento de que não responde a processos por mau uso de recursos públicos nas gestões em Acrelândia e Rio Branco. Mesmo aparecendo atrás de adversários em pesquisas recentes, ele minimizou os levantamentos e disse confiar no desempenho nas urnas.
“São pesquisas feitas para agradar. Quando foi que uma pesquisa me colocou na liderança? Sempre me colocaram como sem chance de ser eleito, e quando as urnas são abertas o Bocalom é que ganha. Foi assim nas duas últimas eleições para a prefeitura da capital”, disse.
A posição de Bocalom reduz, no momento, a possibilidade de uma composição com a chapa governista e mantém a disputa pelo governo aberta entre os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral acreano.
O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, reagiu na terça-feira, 23, à ação movida pela Federação União Progressista para tentar impedir novas agendas políticas dele no estado. Em fala ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o parlamentar classificou a ofensiva como uma tentativa de limitar sua circulação pelos municípios e afirmou que o movimento dos adversários “dá a impressão de que estão desesperados”.
A ação foi apresentada após uma agenda em Feijó, onde Alan Rick participou de compromissos ao lado do prefeito Railson Ferreira da Silva. A federação, formada por União Brasil e Progressistas, alegou à Justiça Eleitoral que o evento teve características de propaganda eleitoral antecipada, com recepção no aeroporto, carreata, presença de apoiadores e mobilização nas redes sociais.
Alan Rick rebateu o pedido e tratou a medida como reação ao crescimento de sua pré-campanha no interior. “Não tem cabimento, não tem lógica”, afirmou o senador, ao comentar a tentativa de impedir novas agendas antes do início oficial da campanha. A avaliação do parlamentar é que os adversários recorreram à Justiça porque passaram a se incomodar com a recepção popular em municípios estratégicos.
O pedido de urgência foi negado pelo juiz Jair Araújo Facundes, relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A liminar pretendia proibir Alan Rick e Railson Ferreira de promover ou participar de novos eventos semelhantes ao ato de Feijó até 16 de agosto, data de início da campanha eleitoral. O magistrado entendeu que não havia prova concreta de que outro evento com as mesmas características estivesse prestes a ocorrer.
Na decisão, a Justiça Eleitoral rejeitou a possibilidade de restringir previamente a atuação política com base em fatos futuros e incertos. A ação continuará tramitando, mas a negativa da liminar manteve liberadas as agendas políticas e parlamentares do senador em municípios acreanos.
Ao comentar o caso, Alan Rick também defendeu tratamento igual para todos os grupos políticos que já se movimentam antes do período oficial de campanha. “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, disse o senador, ao sustentar que a regra aplicada a uma pré-candidatura deve valer para todas as demais.
A disputa ocorre em meio ao avanço das articulações para a eleição de 2026. Alan Rick aparece como um dos principais nomes da oposição ao grupo da governadora Mailza Assis e tem intensificado visitas ao interior. A representação judicial da União Progressista levou a pré-campanha para o campo jurídico e aumentou a tensão entre os blocos que disputam o Palácio Rio Branco.
O episódio de Feijó virou o primeiro embate judicial de maior peso envolvendo diretamente a agenda de rua do senador. Para a federação autora da ação, a mobilização teria extrapolado os limites da pré-campanha. Para Alan Rick, a ofensiva tenta transformar agenda política em irregularidade eleitoral. “Dá a impressão de que estão desesperados”, repetiu o senador ao tratar da reação dos adversários.
O mérito da representação ainda será analisado pelo TRE-AC. Alan Rick e Railson Ferreira deverão apresentar defesa no processo, que seguirá depois para manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da decisão final sobre as acusações de propaganda eleitoral antecipada.
O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.
A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.
O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.
A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.
Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.
Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.
Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.
A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”
A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”
Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.
A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”
Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.
O médico infectologista Thor Dantas detalhou seu plano de governo para o Estado do Acre durante sabatina no podcast Bar do Vaz, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz. Pré-candidato ao governo estadual, Dantas propõe uma quebra na polarização ideológica para focar na reestruturação do sistema de saúde, na ampliação da infraestrutura viária e na inserção do estado em novas rotas comerciais da Ásia. A movimentação política busca atrair eleitores insatisfeitos com a atual gestão e conter o êxodo de jovens acrianos gerado pela ausência de oportunidades profissionais.
A corrida eleitoral no Acre ganha contornos de readequação administrativa. Pesquisas iniciais de intenção de voto colocam Dantas com 2% da preferência do eleitorado, atrás de nomes consolidados como Alan Rick, com 39%. Os números preliminares não alteram a estruturação da campanha, que foca no planejamento de longo prazo e no diálogo direto com a população nas ruas. O pré-candidato diagnostica um esvaziamento da capacidade de investimento do atual governo, que executa apenas 35% de seu orçamento disponível. O principal gargalo da gestão pública acriana é a escassez de planejamento e liderança, refletida na estagnação de obras civis e na precarização de unidades hospitalares do interior, a exemplo da estrutura de Sena Madureira.
A saúde pública é o eixo central do programa. Com 28 anos de atuação no estado e participação direta na criação do curso de medicina e da residência médica local, Dantas avalia a ampliação do número de leitos e a construção de um novo complexo hospitalar como medidas emergenciais. O projeto abrange a implementação de um plano de carreira sólido para fixar os cerca de 50 especialistas formados anualmente no Acre, contendo a fuga de profissionais para outros grandes centros. A reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) passará obrigatoriamente por uma pactuação com as prefeituras, garantindo o atendimento básico nos municípios e aliviando a superlotação nos prontos-socorros da capital. “A saúde tem uma parte que é cara realmente, mas tem coisa na saúde que é só trabalho em equipe para dar conta. Se eu tratar as hepatites aqui embaixo, eu evito o transplante lá em cima”, declarou o médico.
No campo econômico, a diretriz é a diversificação produtiva. O plano engloba o asfaltamento integral e permanente da ligação viária entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco, além da injeção de crédito e fomento no agronegócio, na agricultura familiar e no extrativismo. O objetivo estratégico é utilizar o recém-inaugurado Porto de Chancay, no Peru, para exportar a produção acriana diretamente ao mercado asiático. Essa rota comercial servirá de alavanca para a industrialização local de insumos como castanha, cupuaçu e proteína animal. O desenvolvimento tecnológico, atrelado à geração de emprego e renda, forma a base do projeto para manter a força de trabalho jovem dentro do estado.
O pré-candidato rechaça a manutenção do embate entre esquerda e direita, classificando a disputa ideológica excessiva como um entrave governamental. A proposta defende o diálogo irrestrito com todas as esferas de poder e correntes políticas, assegurando a captação de recursos federais vitais para a sobrevivência econômica do estado. O desgaste gerado pela condução da crise sanitária nos anos anteriores e a fragmentação do grupo político que atualmente governa o Acre pavimentam o cenário no qual a nova chapa tenta se estabelecer.
A consolidação dessa plataforma eleitoral reconfigura o tabuleiro político acriano, forçando o debate público a abandonar as pautas exclusivamente ideológicas para se concentrar na execução orçamentária e na eficiência dos serviços básicos. O avanço da pré-candidatura ao longo do período pré-eleitoral testará a viabilidade de converter o desgaste da administração vigente em capital político, definindo o modelo de gestão, as alianças federativas e os padrões de investimento público no Acre para a próxima década.
O médico infectologista Thor Dantas e o ex-governador Jorge Viana oficializaram uma aliança para disputar as eleições majoritárias no Acre. O anúncio ocorreu durante o terceiro episódio do “Jorge Viana Podcast”, apresentado por Marcela e gravado em Rio Branco. O projeto lança Dantas como pré-candidato ao governo estadual e Viana ao Senado, tendo como prioridade reverter o déficit estrutural nos serviços de alta complexidade na saúde pública, recuperar o sucateamento da BR-364 e conter a fuga contínua de jovens profissionais da região.
A transição dos hospitais para a política partidária tem raízes na administração da pandemia de Covid-19. Thor atuou na linha de frente e viu o sistema colapsar pela ausência de planejamento e por decisões negacionistas que multiplicaram o número de mortes no país. A constatação de que o limite da medicina esbarra na ineficiência das políticas públicas o levou a buscar o comando do Executivo. A proposta da chapa é instaurar um modelo administrativo centrado em dados, formação de equipes técnicas e acompanhamento rigoroso de metas.
O principal projeto na área da saúde prevê a transformação da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundacre) em um Hospital Universitário. A iniciativa conta com uma estimativa de R$ 200 milhões do governo federal, investimento atualmente travado por articulações de políticos locais, de acordo com os pré-candidatos. A medida visa verticalizar o complexo, atrair novos profissionais e mitigar a crônica falta de leitos de internação e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que afeta a população de forma crônica. Além da saúde, a infraestrutura compõe o centro do debate. A rodovia BR-364 encontra-se tomada por buracos e sem manutenção constante, um gargalo logístico que a aliança promete solucionar via articulação conjunta entre o governo estadual e o Senado.
O ex-governador defende a reestruturação da máquina pública por meio de profissionais técnicos, sem loteamento de cargos. “O Acre está doente e a cura é Thor”, disse Jorge Viana, ao justificar o apoio ao médico em função de sua experiência diária na gestão de quadros clínicos de alta complexidade. Para Thor Dantas, a falta de capacidade gerencial comprometeu os alicerces do estado nos últimos anos. “Ser liderado pela ignorância é tudo que a gente não precisa”, pontuou o médico ao recordar as barreiras burocráticas no pico da crise sanitária. A motivação para a candidatura também se ampara em uma crise demográfica. “Eu não quero meus filhos indo embora e eu quero que esse Acre volte a dar certo”, afirmou Dantas, referindo-se à escassez de perspectivas para a juventude local.
A consolidação desta chapa reconfigura o cenário político acreano e antecipa um confronto eleitoral fundamentado em gestão e captação de recursos da União. O plano da dupla engloba a inserção do Acre na economia digital, com a promessa de fibrar o estado para conectar os municípios isolados e gerar negócios a partir de bases tecnológicas e florestais. A estratégia mira os eleitores prejudicados pela estagnação econômica, forçando o debate público a apresentar respostas imediatas para a manutenção logística, a modernização do ensino e a sobrevivência do comércio local.
O ex-governador Gladson Cameli sofreu nesta quarta-feira, 3 de junho, uma nova derrota no Superior Tribunal de Justiça. A Corte Especial rejeitou, por unanimidade, embargos de declaração apresentados no andamento da Ação Penal 1.232, processo que trata de suspeitas de fraude e desvio em obras públicas no Acre. A decisão foi tomada nos termos do voto da ministra Nancy Andrighi, relatora do caso.
A derrota não significa uma nova condenação, mas mantém de pé a decisão anterior que recebeu a denúncia e colocou Gladson na condição de réu nessa ação penal. Em termos simples, a defesa tentou abrir uma brecha dentro do próprio STJ para questionar pontos da decisão, mas os ministros não aceitaram o recurso.
Os embargos de declaração são usados quando a defesa aponta omissão, contradição, obscuridade ou erro material em uma decisão judicial. Quando esse recurso é rejeitado ou não conhecido, a decisão questionada permanece válida. No caso de Gladson, isso mantém o processo em andamento sem o recuo pretendido pela defesa.
A Ação Penal 1.232 é diferente da Ação Penal 1.076, na qual o ex-governador já foi condenado a 25 anos e 9 meses de prisão. Nesta nova frente, Gladson ainda não foi condenado. Ele responde como réu, e o mérito da acusação ainda será analisado. A denúncia envolve supostas irregularidades em obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul, com suspeitas de fraude à licitação e peculato-desvio.
Mesmo sem representar condenação, a decisão desta quarta-feira tem peso político. Gladson tenta manter viva a narrativa de que ainda pode disputar o Senado, mas cada movimentação no STJ aumenta a pressão sobre sua situação jurídica. Ele já carrega uma condenação colegiada em outro processo e agora vê avançar uma segunda ação penal.
A fotografia do momento é dura para o ex-governador. Em uma ação, ele já foi condenado. Em outra, virou réu. Agora, perdeu uma tentativa de reverter pontos da nova ação dentro da Corte Especial. A defesa ainda pode usar os instrumentos permitidos pela lei, mas a sequência de decisões mostra que o caminho jurídico de Gladson ficou mais estreito.
No Acre, onde o ex-governador ainda conserva força política e tenta sustentar expectativa eleitoral, a decisão reforça a distância entre o discurso político e a realidade processual. Gladson pode continuar afirmando que confia na Justiça e que pretende seguir na disputa. Mas, nesta quarta-feira, a resposta do STJ foi objetiva: na ação sobre as obras da AC-405, ele perdeu mais uma batalha.
Quando um acórdão do Superior Tribunal de Justiça é publicado, não cabe chamar a notícia de boato. Quando uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão passa a constar em decisão formal de um tribunal superior, não cabe tratar a cobertura jornalística como tentativa de desestabilizar governo. O ex-governador Gladson Cameli tem todo o direito de recorrer, de se defender, de buscar no Supremo Tribunal Federal uma decisão que suspenda os efeitos da condenação e de sustentar publicamente sua versão. Mas o direito de defesa não transforma em fake news aquilo que está escrito em decisão judicial. Inclusive, a defesa deve agir em tempo hábil com os recursos.
A fala de Gladson, ao associar notícias sobre sua situação jurídica a tentativas de desestabilização, tenta empurrar para a imprensa e para supostos adversários um problema que nasceu dentro de um processo penal. Não foi um blog, uma rádio, um portal ou um comentarista que condenou o ex-governador. Foi a Corte Especial do STJ, formada por ministros que analisaram autos, provas, teses da defesa, argumentos do Ministério Público Federal e questões preliminares levantadas ao longo de anos. A imprensa apenas cumpre o papel de traduzir esse fato para a população.
Dias atrás, no 21 de maio, antes da publicação do acórdão, o Grupo Integração abriu espaço no Jornal da Manhã da Rádio Integração FM para explicar o caso com calma. O advogado Emerson Soares foi chamado exatamente porque havia confusão no debate público. De um lado, circulavam versões de que tudo teria sido anulado. De outro, havia a decisão do STJ condenando Gladson e criando efeitos imediatos sobre sua situação eleitoral. Emerson foi direto: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura, porque há condenação por órgão colegiado, situação prevista na Lei da Ficha Limpa.
Essa explicação não nasceu de torcida política. Nasceu da lei. Hoje, Gladson pode recorrer, mas recorrer não é o mesmo que estar liberado para disputar eleição. Ele pode tentar uma liminar no STF, mas tentativa não é garantia. Ele pode sustentar que será candidato, mas, sem uma decisão que suspenda os efeitos da condenação, essa afirmação permanece no campo da narrativa política, não da condição jurídica atual.
O ponto que precisa ser dito com clareza é simples: o governo não se desestabiliza porque a imprensa noticia uma decisão judicial. O governo se desestabiliza quando a própria liderança política que o conduziu passa a responder a condenações, recursos, dúvidas eleitorais e novas ações penais. A instabilidade não foi fabricada pela notícia. A instabilidade veio dos fatos que chegaram aos tribunais e agora cobram seu preço no cenário político do Acre.
Também não se pode confundir crítica jornalística com perseguição. A Integração não inventou a Operação Ptolomeu, não redigiu o acórdão do STJ, não fixou pena, não calculou inelegibilidade e não recebeu nova denúncia contra o ex-governador. O que a Integração fez foi o que o jornalismo deve fazer: ouvir, perguntar, explicar e separar fato de versão. Quando há decisão judicial, o público tem o direito de saber o que ela significa. Quando há prazo recursal, o público tem o direito de saber quais caminhos ainda existem. Quando há impacto eleitoral, o eleitor tem o direito de entender se um nome que se apresenta como candidato pode ou não chegar às urnas.
Gladson ainda conserva força política, tem apoiadores, tem história eleitoral e segue tentando manter viva a expectativa de candidatura ao Senado. Isso é fato. Mas também é fato que ele foi condenado pelo STJ, que o acórdão foi publicado, que a defesa precisa buscar medidas judiciais para tentar suspender os efeitos dessa condenação e que, neste momento, sua situação eleitoral está comprometida. Dizer isso não é fake news. Esconder isso é que seria enganar a população.
A tentativa de transformar toda notícia incômoda em ataque político empobrece o debate público. O Acre não precisa de cortina de fumaça. Precisa de informação limpa, direta e verificável. Quem deseja governar, disputar eleição ou influenciar o futuro do estado deve responder aos fatos com fatos, não com slogans. A pergunta que fica não é quem tenta desestabilizar o governo. A pergunta real é como um projeto político que se dizia sólido chegou a depender de recurso, liminar e interpretação judicial para continuar de pé.
A Integração continuará tratando o caso pelo que ele é: um assunto de interesse público, com impacto jurídico, político e eleitoral. Sem torcida. Sem perseguição. Sem medo de dizer que decisão judicial não é fake news.
Tião Bocalom reuniu neste sábado, 30 de maio, no auditório do Sebrae, em Rio Branco, lideranças políticas, empresários, representantes de municípios e integrantes da sociedade civil no seminário estadual “Acre de Oportunidades”, organizado pela federação PSDB-Cidadania como etapa de discussão e consolidação das propostas que devem compor o plano de governo de sua pré-candidatura ao Palácio Rio Branco. O encontro foi apresentado como espaço de formulação programática, com participação de representantes do Vale do Juruá, Alto Acre, Baixo Acre e da capital.
Na abertura, Bocalom deixou claro que o foco do evento era a construção de propostas. “Isso aqui não é um lançamento de candidatura. Isso aqui é um seminário para a gente discutir propostas para o Acre”, afirmou. Ao explicar o objetivo da programação, disse que a prioridade foi reunir nomes com conhecimento da realidade acreana para ajudar na elaboração de um documento voltado ao desenvolvimento do estado.
Em seguida, o pré-candidato definiu o seminário como o ponto de partida de uma nova etapa de organização do projeto político que pretende apresentar em 2026. “Estou muito feliz. Tem gente chegando do Vale do Juruá, do Alto Acre, do Baixo Acre e daqui de Rio Branco. Estamos dando o pontapé na atualização do nosso plano de governo.” Na mesma fala, acrescentou que esse trabalho mantém a linha que diz defender há anos: “Na verdade, é uma atualização de um trabalho que já vem sendo realizado há muitos anos, baseado na produção, na geração de empregos e na correta aplicação dos recursos públicos.” Em outro momento, resumiu o eixo central do plano com uma frase repetida ao longo do evento: “Sempre foi produzir para empregar.”
Bocalom afirmou que a proposta é montar um plano ancorado na realidade dos municípios e na experiência administrativa acumulada por seu grupo. “O desenvolvimento do Acre passa pelo desenvolvimento de cada município”, disse. Logo depois, associou esse raciocínio à experiência que cita ter adquirido em Acrelândia e em Rio Branco. “Com a experiência que adquirimos em Acrelândia e em Rio Branco, tenho certeza de que esse plano ficará ainda mais robusto com as contribuições que receberemos neste seminário.”
A estrutura do encontro foi desenhada para transformar o seminário em uma plataforma temática de discussão. Os participantes foram distribuídos em mesas redondas para formular propostas em áreas consideradas prioritárias. Entre os eixos anunciados estavam setor produtivo e inovação, com debates sobre agronegócio, parque industrial, novas tecnologias no campo e turismo sustentável; políticas sociais e cidadania, com segurança pública, saúde, educação, esporte e cultura; e novas tendências, com foco em economia criativa, geração de emprego, renda e inclusão de jovens e microempreendedores.
Durante o seminário, Bocalom voltou a associar a futura plataforma de governo a temas como produção rural, infraestrutura, saúde, segurança pública e geração de empregos. A ideia apresentada por ele foi reunir contribuições regionais para consolidar um planejamento voltado ao fortalecimento da economia e dos serviços públicos. Ao resumir o que espera levar do encontro para a pré-campanha, afirmou: “Queremos um Acre mais produtivo, uma saúde mais humana, uma assistência social mais organizada e mais oportunidades para as pessoas.”
O seminário ocorreu durante a manhã e foi tratado pelos organizadores como um momento de escuta e sistematização de propostas. O objetivo foi diagnosticar gargalos estruturais do estado, debater soluções administrativas e consolidar diretrizes programáticas para os próximos anos. No discurso deste sábado, Bocalom vinculou esse processo à montagem de um plano de governo alimentado por sugestões de lideranças políticas, setor produtivo e representantes de diferentes regiões do Acre.
Com isso, o encontro em Rio Branco foi usado pelo pré-candidato para abrir de forma pública a fase de formulação de seu programa para 2026, com ênfase em desenvolvimento regional, produção, emprego, infraestrutura e políticas sociais. Ao longo da manhã, a mensagem repetida por Bocalom foi a de que a pré-candidatura quer chegar à disputa estadual com um plano discutido previamente, construído com participação regional e apresentado como resultado direto das contribuições colhidas no seminário.
O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.
A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.
Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.
A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.
Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.
Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.
A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.
Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.
A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.
O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.
A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.
Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.
O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.
Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.
O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”
Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.
A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.
Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.
A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.
O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.
Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.
Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.
Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.
Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.
Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.
A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.
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