O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou, nesta quinta-feira (8), em Brasília, que pretende garantir aos trabalhadores brasileiros dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. A declaração ocorreu durante um pronunciamento à imprensa, após reuniões com a coordenação de sua campanha eleitoral.
“Vamos conseguir aprovar uma lei que garanta ao trabalhador o direito de ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias”, afirmou Lula, ao manifestar confiança no avanço da proposta que tramita no Congresso Nacional.
A mudança na jornada de trabalho está em discussão no Senado por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto passou pela terceira sessão de discussão no plenário, restando outras duas etapas dessa natureza antes de poder ser submetido à votação.
Atualmente, a escala 6×1 permite que empregados trabalhem seis dias consecutivos, com um dia de descanso. A proposta defendida por Lula pretende estabelecer uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de folga, preservando a remuneração.
Além de abordar os direitos trabalhistas, o presidente aproveitou o pronunciamento para criticar as propostas econômicas de seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), especialmente a defesa de cortes nas despesas públicas.
Lula afirmou que políticas de redução de gastos podem atingir diretamente programas sociais e serviços utilizados pela população de menor renda. Como exemplo, citou as reduções orçamentárias de 59% no Farmácia Popular e de 50% no Mais Médicos, que, segundo ele, encontrou ao iniciar seu terceiro mandato presidencial.
O candidato petista também defendeu a manutenção da política de valorização do salário mínimo acima da inflação, incluindo seus efeitos sobre os benefícios previdenciários. Para Lula, medidas de ajuste fiscal não devem comprometer os rendimentos dos trabalhadores e aposentados.
Na área econômica, o presidente contestou a ideia de que a redução dos investimentos seja o principal caminho para controlar o endividamento público. Ele defendeu a aplicação de recursos federais na construção de rodovias, ferrovias, hidrelétricas e outras obras de infraestrutura.
Segundo Lula, os investimentos em obras públicas ampliam o patrimônio nacional, movimentam a atividade econômica e podem contribuir para a redução da dívida por meio do crescimento da economia.
As declarações ocorreram em meio à disputa presidencial de segundo turno, na qual Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas distintas para a condução da economia. Enquanto o candidato petista defende investimentos públicos e a ampliação de direitos trabalhistas, o presidente atribuiu ao adversário uma agenda voltada à contenção das despesas governamentais.
O fim da escala 6×1, contudo, ainda depende de aprovação no Congresso Nacional. A eventual mudança na Constituição precisará cumprir as etapas de votação exigidas para uma PEC antes de entrar em vigor.